Como eu aceitei a minha depressão ansiosa!

Eae manaaaas, tudo bem? Vou contar mais um pouco sobre mim… Não é nem um pouco fácil aceitar que precisa de ajuda, ainda mais quando muitas pessoas ainda vê a depressão como frescura e não como uma doença, falam que é fase, falta de Deus, fraqueza e muitas outras desculpas, quando se tem apenas 20 anos, ou menos, é quando mais falam que é frescura, que ainda nem vivemos muito e já estamos tendo crises, a maioria nem sabe o que passa na nossa vida e já quer julgar.

Eu não queria aceitar que tinha algum problema, eu levei anos, eu achava normal deitar e não dormir mesmo com muito sono, porque a noite é quando a depressão mais se faz presente, ela não tem horário pra se manifestar, mas é que quando deitamos tudo vem na nossa cabeça, ela vem e te faz analisar cada momento do dia, te faz se julgar, te lembra de todos os erros, todos os problemas, te faz ter medo de tudo, por mais que você tente pensar em coisas boas, ela estraga tudo, não temos controle da nossa própria cabeça e isso é horrível, é muito frustrante, quando se para e olha a hora já são 3, ou 4 da madrugada e nada de conseguir dormir.

O Pedro e a Jujuba foram muito importantes nessa minha auto aceitação, quando eu conheci ele eu estava passando por momentos difíceis e esses momentos ainda não acabaram, a Jujuba já sabia deles e me dava conselhos maravilhosos mesmo estando longe, mas ele me ajudava muito a lidar com isso de perto, então eles foram meus guias, enquanto tentavam me convencer que não tem problema nenhum estar doente e ir se tratar, é como qualquer outra doença que precisa de remédios, o Pedro me convencia a tentar colocar tudo pra fora, me acalmava e me deixava segura, ele faz isso até hoje, todos os dias, a Jujuba me faz ver que mesmo estando longe, amizades verdadeiras nunca se acabam e mesmo na maior dificuldade ela estava ali, os dois puxaram muito a minha orelha, claro que teve mais pessoas me apoiando, mas os dois foram os que estavam sempre sabendo de tudo.

Eu comecei a ter uma crise de ansiedade atrás da outra, o Pedro tinha que me levar para o hospital, era muito ruim, a falta de ar fazia parecer que alguém estava me esmagando, o corpo todo formigando, eu não consiga falar e nem andar, eu travava, sem falar que não importava em que lugar eu estava, o medo que alguma coisa ruim ia acontecer estava ali, eu entrava em pânico. Não foi de primeira que eu acertei no médico, nem de segunda que levaram a sério, foi lá pela terceira ou quarta, foi quando uma médica conversou comigo e me falou: “Isso é tudo emocional, você precisa começar agora um tratamento, suas crises não são mais apenas de ansiedade, mas também são crises de síndrome do pânico”. Eu gelei na hora, era como se eu não estivesse mais ali, eu ouvia ela conversando com o Pedro e meu pai, mas não conseguia entender nada, fiquei pensando em como eu me deixei chegar naquele ponto.

Foi como um estralo, eu consegui ver que estava no fundo do poço, mas que tinha alguém me puxando para cima e que era eu quem estava lutando para baixo, eu senti medo, eu chorei muito voltando pra casa, o Pedro me acalmou e eu peguei no sono, mas no dia seguinte eu tive que levantar e foi tão difícil, eu comecei o tratamento depois do carnaval, remédios, consultas e terapias já fazem parte da minha rotina, não é fácil, tem dias que os remédios não adianta, a depressão como eu já falei, não tem horário, muito menos dia certo, a gente tem que se forçar todos os dias, se forçar a fazer as coisas mais simples como levantar e ir comer, ou fazer alguma coisa em casa, ela te desanima do nada, mesmo que seja sobre uma festa que faz semanas que está esperando pra ir, todo dia que eu acordo e me forço para levantar e ter um dia bom, eu percebo que vale apena lutar contra essa doença, eu me convenço que não vou deixar ela me sugar e que eu posso sim me curar e não depender mais de remédios e nem nada, desde que eu leve meu tratamento a sério e não desista, claro que os dias ruins eu não penso assim, eu tenho que ouvir de alguém que sou melhor que tudo isso, claro que o Pedro tem que me acalmar, mas no dia seguinte eu tento ainda mais!

Se você precisa de ajuda e está com medo de enfrentar isso, saiba que você nunca estará sozinha, não tenha medo de ser julgada, todo mundo uma hora ou outra precisa de ajuda, ajuda não é símbolo de fraqueza, depressão muito menos, lutar contra ela é símbolo de força, pedir ajuda é símbolo de força, seja forte e se lembre sempre que nunca estará só, eu estou torcendo por mim e por você!

Espero ter ajudado você ou que possa ajudar alguém que você conheça, compartilhem e se cuidem, com amor, Abibi e sua galáxia!

Aprendendo a ser mais forte que a sua opinião.

Talvez eu seja burra
Mereça aquela surra
Por não saber nem mais pensar
Desaprendi quando criei poema
Poesia é um dilema
Que eu não sei mais navegar
O mar é muito alto
Me desculpa eu sou baixo
Difícil de avistar
Sinto muito já é rotina
Pedindo, as preces, adrenalina
Tô vendo o barco afundar
Relaxar, tentando sempre
Me afastar dessa gente
Que me prega e quer carimbar
Como o boi que é comprado
Ou mesmo o atum enlatado
Se fosse assim eu seria do lar
Mas do lar eu não sou
Comum também não
E desrespeito não a de me faltar
Sou mulher e artista
Guerreira, proativa
E esse emprego, você não vai me tomar
Não tente, nem se atente
Pois a sua atenção, eu não quero mais
Falar não me rouca
Gritar não me cansa
Marchar é esperança
E dessa fonte eu vou tomar!
Sou mulher guerreira!

Até a próxima escrita!

-TRACA.