Fanfic: Colega de Quarto – Rommate. (Part.4)

Gente, hoje é a continuação da Fanfic, daquela leitora e autora: Lucília Gomes.
Quero pedir desculpa pela demora, mas estou passando por muitos problemas pessoais, ai fica difícil fazer tudo ao mesmo tempo, mas logo isso passa..
Chega de enrolação e vamos pra Fanfic.

Pra quem ainda não leu o Capítulo 1, vou deixar o link aqui em baixo:
Capítulo 1: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 2: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 3: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.

Eu espero que gostem da Fanfic.

Boa Leitura!


Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
(Part.4)

Segredos.

03:54 PM

00

Fechei os olhos e senti a respiração de Cassie no meu pescoço.

-Clarie? O que foi? -Perguntou se afastando.

Continuei a chorar e fiquei em silêncio.

-Ei? -Falou tirando meu cabelo do rosto.

Me virei e sentei no canto da cama.

-O que houve? -Perguntou.

Não consegui dizer, só conseguia chorar. Aquilo tudo doía, e o pior é que eu sabia o quanto Cassie estava sofrendo também, só que perdi o total controle de tudo.
Cassie se aproximou e me abraçou, assim como havia feito com ela, e por um momento, me senti bem. Senti seu coração acelerar e logo me afastei um pouco de Cass.
Cass me olhou intrigada.
Fiquei em silêncio e logo as coisas se acalmaram.

-Eu sai com um garoto… -Falei nervosa.

Cass me encarou e logo desviou o olhar.

-E… -Falou.

Fiquei perplexa.

-Ele parecia ser um cara legal, me chamou pra sair e eu fui depois do jantar. -Falei.

Cassie ficou inquieta.

-E fomos para um lugar mais reservado, um galpão enorme, com quartos, mesas… E ele bebeu demais. -Falei.

Cassie continuou a me ouvir, seus olhos brilhavam.

-O que ele fez? -Perguntou nervosa

Respirei fundo e decidi dizer tudo de uma vez.

-Ele me beijou, e eu até gostei no inicio… Só que ele foi longe demais, e eu dei um fora nele e saí as pressas de lá, e pra variar, ele me chamou de vadia. -Falei num fôlego só.

Cassie ficou boquiaberta.

-Imaginei um estupro. -Falou.

Fiquei cabisbaixa.

-Sei que não é o fim do mundo, mas eu fiquei muito mal. -Falei.

Cassie acariciou meu rosto.

-E tem razão… Quem foi o idiota? -Falou.

Fiquei em silêncio, não sei se deveria expor.

-James? -Perguntou.

E no chute, ela acerta.

-Sim… -Falei.

Cassie me olhou surpresa e encostou as costas na parede.

-Era de se imaginar, ele anda com a raça porca da escola. -Falou.

Fiquei em silêncio. Cada vez mais eu tinha certeza da tremenda burra que fui ao pensar que ele era um cara legal.
O quarto ficou em total silêncio e logo minha curiosidade voltou.

-Mas… e você? Por que estava chorando? -Perguntei.

Cassie engoliu seco.

-Ah… eu tenho algumas crises. -Falou.

-Trate de contar isso direito. -Falei com tom de voz desconfiado.

Cassie ficou inquieta.

-É…

Cassie me encarava de um jeito que só ela sabia fazer. Não conseguia retribuir as encaradas, de alguma maneira ela me deixava sem graça.
O silêncio invadiu o quarto, meus olhos estavam pesados e o cansaço me consumia.

-Eu tenho problemas pra lidar com minhas emoções, a maior parte do tempo tento me controlar, pois sei que por menos que seja as coisas, elas me afetam de maneira brusca. -Falou.

Os pássaros cantavam e a luz do sol entrava por uma pequena fresta da janela.

-Mas… O que tem te incomodado tanto? -Perguntei sendo um pouco invasiva.

Ela suspirou e abaixou a cabeça.

-Não sei se é legal dizer, mas eu preciso, e de alguma forma confio em você. -Falou me encarando.

A fresta de luz batia em um de seus olhos, permitindo observar cada detalhe.

-Meu padrasto convive com minha mãe desde quando meu pai faleceu… As coisas só pioraram quando eu completei 12 anos, ele se viciou em álcool e toda vez que ele bebe, ele fica agressivo. Ele acha que eu sou a discórdia no casamento e minha mãe está completamente cega por ele. Não é atoa que estou aqui. -Falou com a voz trêmula.

Cassie estava segurando ao máximo para não chorar, e eu estava sem jeito, tentando arrumar palavras pra consolar ou ajudá-la de alguma forma.
A abracei em um solavanco só, e ela desabou no meu ombro. E eu… tentei ser forte, porque ela precisava mais de mim do que eu dela.

-Você não um problema, você é maravilhosa, Cass… -Sussurrei.

Tudo ficou em silêncio e apagamos uma do lado da outra.

00

06:29 AM

Acordei abraçada com Cass, e confesso que levei um baita susto. Olhei o relógio e por incrível que pareça, se eu correr eu consigo assistir a primeira aula.
Cass abriu os olhos e coçou a cabeça.
Fiquei encarando o chão até que senti um empurrão, tinha sido atingida por um travesseiro logo cedo.
Dei um sorriso e ela sorriu de volta.
Levantamos ás pressas e fomos direto pro banheiro.

-Aqui é bem vazio esse horário. -Falou ligando a ducha.

-Essas são as poucas vantagens de acordar tarde. -Falei tirando minha blusa.

Cass encostou na pia e ficou me encarando.

-O ruim é que a água não fica muito quente esse horário. -Falei tentando desviar o olhar de Cass.

Ela ficou com um sorriso entreaberto e eu fiquei completamente envergonhada.

-Cassie? Você não vai tomar banho? -Perguntei rindo.

Ela deu um pulo e ficou mais vermelha que um tomate.

-Ah! Claro. -Falou entrando no Box.

00

Após um tempo nos desencontramos e não iriamos nos ver tão cedo. Cassie desaparecia durante o dia.
Fui andando até a biblioteca e vi James encostado em um dos armários. Ele me encarou e virou a cara, com um ar de total desprezo. Eu realmente queria enfiar meu rosto em um buraco.
Ouvi uns cochichos e entrei na biblioteca.
Peguei uns três livros e estipulei duas semanas pra acabar os três, preciso manter minha mente ocupada.
James e uns meninos estavam rindo e me encarando, fiquei totalmente sem graça e me controlando pra não sair correndo. Fingi não ouvir e continuei a folhear as páginas.
Senti alguém se aproximar e se sentar ao meu lado. Tentei ignorar, até que ouvi uma voz rente ao meu ouvido.

-Então é fácil assim? Me encontra no quartinho mais tarde também. -Falou saindo.

Meu corpo gelou e me fiz de tudo pra não desabar na frente daqueles idiotas. Me levantei e sai ás pressas. Entrei no primeiro banheiro que vi e me tranquei em uma das cabines. Eu só queria chorar.
James acabou com toda dignidade que eu tinha, e de uma hora pra outra, todos sabiam que eu havia saído com ele.

00

Após um tempo lavei o rosto e deixei os livros no quarto. Tentei me manter forte, afinal, não queria deixar Cassie na mão, prometi pra mim mesma que iria encoraja-la todos os dias.
Todo dia de manhã iria deixar um post-it colado em algum lugar, sem que ela saiba ou espere. O primeiro do dia foi na cabeceira da cama dela, nele estava escrito: “você é suficiente, pra mim e principalmente pra si mesma.”
Deitei um pouco e esperei dar o horário da oficina de teatro. Meu celular tocou e era a minha melhor amiga.

Ligação On

-Larieeeeee! Me conta! Como que tá ai? -Perguntou.

-Tá indo. -Falei rindo.

-Ah! O Josh me pediu em namoro ontem, acredita? -Perguntou.

-Uau! Que evolução… Parabéns! -Falei.

-Tá ficando pra titia, hein. -Falou rindo.

-Não me interessei por ninguém e aqui nem tem tantos meninos bonitos… -Falei.

-E o encontro? -Perguntou.

Fiquei em silêncio.

-Preciso desligar! Tenho que terminar umas coisas pra amanhã… Eu te amo, Larie. Beijoooo
-Falou desligando.

*Ligação Off

Nunca tinha falado tão rápido com ela e achei até melhor não entrar em detalhes. Nunca tive sorte com relacionamentos, parece que tudo conspira ao oposto de mim. Arrumei meu cabelo e notei que estava quase na hora de ir ao teatro. Estava ansiosa pra aula, o teatro liberta quem eu realmente sou, e adoro sentir a sensação de por um momento deixar de ser eu mesma e interpretar outro personagem.
Fui andando até a sala, e ao entrar vi Cassie dormindo em uma das cadeiras do fundo.
A maioria das pessoas não haviam chegado, talvez tenha vindo cedo demais.
Me aproximei devagar, na ponta dos pés e dei um grito.

-Cassieeee. -Gritei.

Minha voz ecoou por todo auditório.
Cassie levantou num só pulo e fechou a cara.

-Ai que susto, Lari! -Falou secando a boca.

Sentei do lado dela e fiquei morrendo de rir.

-Muito engraçado, hahahaha. -Falou com tom de deboche.

Passou-se algum tempo e o professor chegou com uma pilha de papéis, já era previsível o tamanho da peça que ele iria propor.
Cutuquei Cass e ela ainda cochilava. Seus olhos ficavam ainda mais claros quando ela estava com sono.

-Bom! Hoje vamos dar início a uma peça que eu particularmente gosto muito, a peça “Liers”.

Achei o nome interessante, e confesso estar empolgada.

-Os testes começam agora, quero que leiam o roteiro e assinem em baixo do personagem que vocês mais se identificam. -Falou entregando uma folha.

Dei uma lida e um dos personagens me chamou a atenção, o papel de Joane, uma das personagens mais verdadeiras e de personalidade forte. Porém, acredito que mais pessoas tenham se interessado.

-Gostei dessa. -Falei.

Cass olhou e completou:

-E eu desse cara, será que posso fazer papel masculino? -Perguntou.

Dei risada.

-Cabelo curto já tem. -Falei.

Cass sorriu de volta. Aguardamos um tempo e o teste estava prestes a começar.

-Lizzie, Carl e Joy, vocês começam a contracenar, afinal, seus personagens são amigos. -Falou.

Fiquei observando e rindo durante todo tempo. Estava torcendo pra ninguém escolher a Joane.

Após um tempo, o professor chamou nossos nomes.

-Caraca, contracenamos juntas. -Falei surpresa.

Olhei pro lado e vi uma menina, provavelmente ela iria tentar o papel da Joane também.
Cass deu sorte, o papel do menino só havia sido escolhido por ela.
Me afastei e comecei a ler algumas falas, a maioria delas.

-Bom, a peça basicamente gira em torno de uma pequena vila, que esconde segredos e mentiras por trás de mentiras. Cada personagem tem algo a esconder, e quero que vocês leiam o segredo de cada papel escolhido e pensem numa forma de colocar emoção de acordo com a intensidade que o texto pede. -Falou entregando algumas folhas.

Olhei ao redor e todos pareciam surpresos, uns faziam caras e bocas, e eu, tomava coragem de ler o segredo de Joane.
Decidi ler e fiquei surpresa, Joane era casada, e seu marido era um alcoólatra, e ela sustentava seu filho sozinha, e de noite, se prostituía pra sustenta-lo.
Fiquei perplexa, não só por ter conseguido um papel fortíssimo, mas principalmente por lembrar do que Cass havia me contado. Estava com medo de aceitar e estou com medo do que ela vai sentir.

-Pronto? -Perguntou.

Todos fizeram que sim.

-A primeira cena é da Joane lavando roupa e as vizinhas fofocando sobre ela. -Falou.

Entrei em cena e tentei incorporar a personagem, mas meu pensamento só me levava pra Cass. Notei que ela havia se escorado na parede e que começou a folhear.

-Clariesce? Tudo bem? Foco na cena. -Falou batendo palma.

Cass largou os papéis e foi correndo em direção á saída. Não resisti e disse que precisava ir ao banheiro, fui logo em seguida e esbarrei com Cass em um dos corredores.

-Tudo bem? -Falei.

Tudo permaneceu em silêncio e o som da minha voz ecoava pelo corredor.

-Eu sei, eu li a peça. -Falei.

Ela se virou e engoliu seco.

-Isso só pode ser brincadeira? Foi você que escreveu? -Perguntou com raiva.

Fiquei assustada.

-Lógico que não, e mais, nunca seria capaz de dizer algo ao seu respeito pra alguém nessa escola. -Falei me aproximando.

Cass revirou os olhos.
Sentamos no corredor e ela encostou a cabeça no meu ombro.

-Vou fazer o marido violento, sabia? -Perguntou.

Fiz que sim com a cabeça.

-Eu não sei se isso é algum tipo de teste comigo pra ver o quanto sou forte ou se é o destino rindo da minha cara. -Falou rindo.

-Acho que é apenas um papel que vai tornar você ainda mais forte. -Falei.

Ouvi passos e vozes que não me eram estranhas. Era James e outros meninos.

-Tá pegando mulher agora? -Falou rindo.

Todos riram e nos levantamos.

-O que foi? -Cass falou aumentando o tom de voz.

-A mulher macho tá querendo defender a namoradinha… Abaixa tua bola que tua namoradinha me deu ontem. -Falou rindo.

Meus olhos encheram de lágrimas e eu não consegui nem desmentir a mentira mais sórdida que já podia ter ouvido.
Cass não pensou duas vezes e deu uma sequência de socos no rosto de James.
Me desesperei e fui pedir ajuda.
James levantou numa fúria e encheu Cass de murros.
Minha visão ficou embaçada e eu só sabia chorar. Logo ouvi pessoas chegando e vi Cass no chão. Os meninos já haviam ido embora, sem deixar nenhum rastro.
Uns enfermeiros chegaram e levaram Cassie pra enfermaria e eu… fiquei sentada no corredor durante duas horas, só chorando e querendo desaparecer e acabar com tudo aquilo.
Cass estava machucada e eu só conseguia me sentir culpada por tudo, sei que logo vão saber quem fez aquilo com ela e que nada vai ficar impune, pelo menos eu espero…

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O que vai acontecer no Capitulo 5? Só na na semana que vem, nós mesmo dia e horário, eu espero que tenham gostado do capitulo de hoje!

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