Fanfic: Colega de Quarto – Rommate. (Part.5)

Galerinha, como prometido a continuação da Fanfic, da autora Lucília Gomes.

Eu espero que eu não tenha demorado muito pra postar a continuação, se bem que que causei um suspense e ansiedade em vocês.

Chega de enrolação, eu espero que gostem muito da continuação.

Boa Leitura!!


Sensações. (Capítulo 5)

17:30 PM

Me vi sentada chorando no corredor, e logo umas pessoas se aproximaram. Virou o maior tumultuo e eu senti tudo rodar. Um coordenador me levantou e me acompanhou até a enfermaria.
Eu só conseguia pensar em Cass e em tudo que estava acontecendo. Uma das enfermeiras me avaliou e me deu um copo de água e um comprimido de calmante. Eu só precisava dormir e esquecer tudo. Aos poucos minha visão foi ficando turva e eu simplesmente apaguei.

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20:24 PM

Acordei e estava totalmente desnorteada, logo vi a mesma enfermeira que havia visto antes. Me levantei e ela checou minha pressão. Sabia que estava mais calma, só queria ver Cass.

-Você parece melhor. -Comentou tirando o estetoscópio do pescoço.

-Eu preciso ver a Cass, onde ela está? -Perguntei aflita.

-Vamos com calma, moça. -Falou.

Eu não estava aguentando, precisava ver Cass e saber como tudo acabou.

-Antes de ir, você precisa assinar esses papeis e ir até a diretoria para explicar o que aconteceu.

O ódio que estava de James só me consumia cada vez mais, queria acabar com a raça dele. Peguei os papeis e fui em direção a saída.

-Não vai se meter em confusão, hein. -Falou.

Dei uma risada e saí. Todos me olhavam estranho e cochichavam algo entre eles. Me senti totalmente incomodada.
Logo vi a diretora e entrei na sala. Vi James sentado, e eu me imaginei voando no pescoço dele.
Não entendi o porquê daquele alvoroço, mas, estava pronta pra acabar com James.
Uma mulher tirou James da sala e fechou a porta num solavanco só.

-Lariesce Grace Stevens, James veio até aqui nos dizer que tentou separar a briga entre vocês duas, mas, que estava quase impossível. -Falou.

Meu sangue fervia, eu não estava acreditando no quanto esse cara poderia ser frio.

-O que? Brigando? Eu e Cass somos muito amigas para brigar, e outra, ele chegou com uns amigos e começou a tirar sarro da gente, por motivo nenhum. Cass se irritou e deu um soco nele, eu tentei separar os dois, mas James não parava. Fiquei tonta e cai no chão, e depois só vi ele e os amigos dele correndo. Cass desmaiou e depois eu não lembro de quase nada. -Falei com os olhos cheios de lágrimas.

Minha boca estava seca e eu só sabia tremer. Isso não vai ficar assim, não pode.

-Bom… eu acredito que não tenha feito isso, mas não é assim que as coisas funcionam, você só vai poder vê-la quando encerrarmos o caso. -Falou virando uma das páginas.

-O que?! Eu preciso ver ela, pelo amor de Deus. -Falei implorando.

-Sinto muito… -Falou abrindo a porta.

-Espera, e quanto a James? Ele vai ser punido? -Perguntei com o tom de voz alto.

-Vamos ver que medidas se encaixam a ele. -Falou.

É sério? Ele quase mata uma pessoa e eles vão “ver que medidas de encaixam a ele”?! Tá de sacanagem, né? No mínimo ele tinha que ser preso ou expulso.
Sai cuspindo fogo e fui para o pátio, precisava respirar.
O pior de estar aqui é que não tenho com quem desabafar, eu não aguento mais me sentir sufocada.
Me sentei em um dos bancos e fiquei olhando pro céu.
Haviam algumas pessoas e elas não paravam de me encarar e cochichar entre elas, aquilo me tirava do sério.
Eu só queria que esse dia horrível acabasse e tudo voltasse ao normal, sem brigas, mentiras e confusão. James é o pior garoto que já conheci depois daquele idiota da festa, que ele mesmo criticou e me fez acreditar que ele era diferente. Tudo farinha do mesmo saco.
Levantei, arrumei minha saia e fui explorar um pouco o pátio. A grama fresca e o aroma dos pequenos ramos de flores me faziam sentir tranquilidade, coisa que eu desconheço nas últimas semanas. Sentia saudade de casa, apesar de passar meus dias muito sozinha.

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Após um tempo, notei que já estava na hora do jantar, e fome era algo que eu não tinha. Aproveitei pra tomar banho, nada melhor que banheiros vazios. Tirei minha roupa e entrei no chuveiro, a água estava morna, mas quase gelada. O silêncio do banheiro era um tanto quanto agradável. Pude lavar meu cabelo, depilar minhas pernas e esfoliar meu rosto, sem que ninguém me encha o saco pra sair.
Peguei minhas coisas e voltei pro meu dormitório, o cheiro de Cass exalava pelo quarto. Mudei de roupa e sentei na beira da cama, meu coração estava acelerado e eu não conseguia ficar quieta. Decidi organizar o quarto, dobrei as roupas que estavam jogadas, empilhei os livros e arrumei a cama de Cass, em baixo do criado mudo havia uma caderno de anotações e confesso que estava louca pra ler, porém, não gostaria que invadissem minha privacidade, então não iria invadir a dela.
Voltei pra cama e tentei ler um pouco, nada me fazia sentir sono.
Eu precisava ver Cass, e saber como ela estava. Isso tudo é uma injustiça.
Muitas coisas se passaram pela minha cabeça, e uma delas decidiu permanecer.
Coloquei um moletom e fui andando pelo corredor, alguns quartos ainda estavam acesos e eu ouvia risadas, pelo jeito não sou a única sem sono. Eu sabia que aquilo era errado, mas eu precisava ir até a enfermaria e de alguma forma falar com ela.
Ouvi passos e logo me escondi atrás de uma pilastra, eram algumas meninas migrando de um quarto pro outro. Olhei pro meu pé e notei que estava com meias e o pior, com meias cachorrinhos, eu sou uma anta mesmo. Continuei a andar e notei que enfermaria só autorizava a entrada de pessoas com o nome na lista, e um aluno nesse horário iria parar na diretoria.
Estava quase desistindo do meu plano, quando vi uma porta aos fundos, tentei abrir, porém estava trancada. Tentei puxar o trinco e a porta só fazia barulho, dei um último solavanco e ela abriu. Eu enlouqueci, com certeza.
Entrei em um depósito de curativos, o cheiro de hospital me dava embrulho no estômago. Vi uns uniformes e não pensei duas vezes em vestir. Como todas as roupas, essa ficou larga demais, e eu tive que sair segurando as calças.
Fui até os registros e tentei achar o nome de Cass, até que fui interrompida.

-Posso ajudar? -Perguntou.

Uma mulher aparentemente velha me encarava muito desconfiada.
Eu estava perdendo todos os líquidos do meu corpo, eu sabia que uma hora ia cair dura.
Engrossei a voz e sorri.

-É… Sim! Preciso dar a medicação pra Cassie, a menina que apanhou. -Falei.

Se ela perguntar que remédio vou dar, fodeu.

-Sei… Achei que a outra enfermeira já tinha ido até lá. -Falou confusa. -Você tem um nome bem masculino, hein. -Falou olhando pro meu crachá.

Eu não acredito que peguei o uniforme de um cara chamado Robert, pronto, já me descobriram.

-É… Roberta! Isso. Erro de digitação. Haha! -Falei nervosa.

A mulher me comia com os olhos.

-Sei. O quarto da Cassie é no final do corredor á direita. -Falou me entregando uns remédios.

Não acredito que consegui, meu Deus! Estava toma cagada, porém, satisfeita. Fui andando e não encontrava a porta, até li a pequena placa indicando o nome dela. Entrei com o coração na mão, na verdade, os remédios.
Cass estava dormindo de lado, como sempre costuma dormir. Eu não sei explicar o que estava sentindo, e eu nem sei se queria uma explicação.
Sentei ao lado dela e observei ela dormir. Sei que não deveria estar enrolando, porém não me importaria se alguém me pegasse agora, pelo menos consegui vê-la.
Haviam alguns machucados na boca e no olho esquerdo, a mão direita estava enfaixada.
Dei uma leve batida nas costas de Cass e ela abriu os olhos.

-Mas já acabei de tomar um… eu não quero. -Falou sonolenta.

Dei um sorriso.

-Cass, é a Lari. -Falei baixinho.

Ela abriu os olhos e pude sentir minhas pupilas dilatarem.

-Lari? Meu Deus… como você entrou? Eu deveria estar falando com você? -Perguntou tentando sentar.

-Ei… fica calma. E não, eu nem deveria estar aqui. Eu preciso te explicar o que aconteceu. -Falei baixo.

Cass me olhava atenta e com um semblante confuso.

-Estávamos sentadas no corredor e James veio implicar comigo, como de costume. Ele nos xingou e você partiu pra cima dele. Eu tentei te ajudar, e acabei me machucando. Você desmaiou e veio parar aqui… -Falei rápido.

Cass arregalou os olhos.

-Eu me lembro vagamente de algumas coisas, mas… eu não entendo o porque desse alvoroço todo.

Respirei fundo. Estava morrendo, eu precisava dizer tudo.

-James após tudo isso foi até a diretoria e inverteu a história toda, disse que nós caímos na porrada e que eu fiz isso com você. -Falei num fôlego só. -Você sabe, eu nunca faria. -Disse trêmula.

Cassie pegou na minha mão e olhou nos meus olhos. Senti meu corpo todo estremecer.

-Calma, Lari… eu acredito em você. -Falou ainda segurando minhas mãos. -Eu vou recuperar essas lembranças e isso não vai ficar impune. -Falou.

Aquilo me deixou totalmente aliviada.

-O pior é que não posso ficar perto de você até que você esteja bem pra explicar tudo. -Falei. -Eu vou sentir sua falta. -Falei.

Cass seu um sorriso e ficou me encarando.

-Vou tentar dizer tudo isso amanhã, só que não sei se vai ser válido. -Falou. -Mas… então quer dizer que tá com saudades? Eu só fiquei fora um diazinho. -Falou risonha.

Dei um sorriso.

-Ah, eu sinto falta de explorar você um pouquinho. -Falei rindo.

Ficamos em silêncio e nos encarando algum tempo.

-Preciso ir. -Falei.

Cass me olhou cabisbaixa.

-É, eu sei… Falou.

Estava completamente amolecida, eu só queria poder ficar do lado dela mais um pouco.

-Volta logo, tá? -Falei olhando diretamente nos olhos de Cass.

Cass acariciou meu rosto e foi se aproximando lentamente de mim. Eu nunca senti aquilo por alguém, eu não sabia se era o certo, mas… eu não queria parar.

Fechei os olhos e ouvi passos, cada vez mais próximos.

-Meu Deus… eu preciso ir. -Falei saindo de fininho.

Entrei no quartinho e tirei aquela roupa nojenta que fedia a vômito. Estava completamente desnorteada, não acredito no que fiz, e muito menos no que quase aconteceu. Só queria deitar e ficar pensando em tudo. Fui andando devagar, até que levei um baita susto com o alarme de vistoria.
Estava bom demais pra ser verdade.
Tentei correr e logo uma das luzes me pegou.

-Ei, garota! O que tá fazendo esse horário fora do dormitório?! Me acompanhe imediatamente. -Falou gritando.

Eu só me meto em confusão mesmo, agora vou ser obrigada a inventar desculpas esfarrapadas. Vou levar uma advertência, porém, essa advertência valeu muito á pena. Acho que estava encrencada… só que muito feliz.

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Meu amores, a continuação fica por aqui. Semana que vem tem mais. Já estão ansiosos para o Capítulo 7?

Beijão da Mila, até a próxima!