Lembranças.

Lembranças



Dentro dessa banheira, me ensurdece, escurece as vistas e tampa a audição. Me afago em lágrimas, mas desta vez não é do pesar da semana ou do amor que se foi embora antes do outono, meu caro leitor, dessa vez meu coração se preenche, daquilo que desenhava nas orbitas. Ponha-se para ir à janela, vi sol este que colocava óculos para proteger contra os raios, coloquei água nos girassóis e banhei-me para ir contemplar o dia que nasce entre as colinas dos arcos que abrem em minha direção, minha amada Lisa Antonieta aguarda minha volta.


Antes de me despedir dos caros amigos e laços que fiz no seminário, me veio à mente Raul Saches, meu eterno companheiro de vistas e poesias, a fogueira acedia a brasa, nossa sugestão foi acatada, merecíamos uma distração, cansava raciocinar por um dia inteiro. Ele que correu para longe de lá, se despediu na madrugada que escorreu pela janela, me senti sozinho e disse por carta que dele um dia hei de encontra-lo para jamais solta-lo, saudade é brasa que salpica fogo na epiderme, mareja empoeirando os olhos, meu caro leitor, se não tenham experimentado a amizade, minha fala se tornou melancólica e uma encruzilhada, compreenda não vivi apenas um dia com este cabra, mas sim dois anos, que mais parecem uma vida inteira, saudades guardo de Sanches no peito.


Os demais amigos que lá deixei, ensinara-me a levar no coração o lado bom de tudo o que acontece, as pedras, luas ou chuva, para aqueles que lá irão se formar, levam consigo uma paz espiritual, mas vale ressaltar todos tem problemas, assim como você, como eu, não pense que ao se entregar ao celibato acabará as dores de cabeça ou vazio da noite, não cutuque nossa alma. Aos grandes mestres que caminhei ao lado, um deles marcou a densidade do meu eu naquele lugar Huan Shuin, me levará uma manhã dessas qualquer que ninguém quer levantar-se, pois me tirei cedo, sem sono e cheio de saudade de Lisa Antonieta, fui andar pelo jardim, cumprimentar os pássaros e todos os seres humanos que passavam me viam como uma imagem sagrada, digo, alguém de respeito.

Shuin, caminhou-se até mim, vagarosamente me apontou um tronco, sentamos de frente a uma árvore, perguntou o que afligia meu peito e olhos, pensou que fosse moléstia, mas viu que não era praga ou doença, mas entendeu que dor de amor, são transpirados e notados por quem observa, disse cautelosamente – Teu rosto indica paixão, estou certo, Santomé? Se calado estava, permaneci, apenas balancei a cabeça que sim. – Percebi que ria sem motivo á dias, mas me contive, não queria invadir teu espaço, mas me diga como é essa menina? Hesitei, levantei, chutando alguns galhos que nos rodeava – Padre, não sei explicar, é doce feito mel, se sorri me faz rir sem graça e senão falo perco o dia pensando, que miséria pode ser chamado de paixão, ela não é feita até o fim e por isso encantou, que faço? – Reze meu filho, que isso vai se agravar, será teu amor sem fim. – Padre, mas se fizer meu peito chorar ou eu a fizer sofrer, não hei de perdoar a perca de tempo. – Meu filho, sente ao lado desse velho e que aprende com a moçada, veja essa arvore o tempo se encarregou de passar, mas e ela? Permaneceu com a sua beleza, não devemos temer o tempo passado, temos que estar gratos por haver mudanças, medo é desculpa para não arriscar, sei Tomé que você queria estar enlaçado nos braços dessa moça, lembro do meu tempo de jovem. – Tu padre, o senhor já se engraçou por uma rapariga? – Santomé se recomponha. – Perdão. – Mas, lhe respondendo, meu filho não só como estou aqui por ela. Santomé colocou seus olhos arregalados, esperando respostas. – Me enamorei por uma garota que nos encontramos antes pouco da minha decisão, ela tinha belos olhos e uma delicadeza sem fim, pedi a Deus que a deixasse viver, estava tão fraca, os médicos não viam cura, os pais padeciam de angustia e eu? Chorava ao pé da cama, fiz a promessa que me tornava padre se caso ela ficasse boa, após três dias Justina estava curada, veio até meu encontro, nos beijamos, a Tomé, desde aquele dia me despedi, disse que promessa é dívida que os caminhos nossos nunca se encontrariam, mas que o amor que sentíamos era força posto que nós encarregou de colocar juntos, ela virou freira, em certa prosa por carta disse-me que razões únicas era que o único amor que poderia tira-la dessa ideia era eu, mas correr da dívida eu não podia, hoje ela é uma das madres da igreja vizinha da minha cidade, que saudades. – Padre, vá vê-la. Medo é fugir, não escolhemos quem amar, tenho certeza que Justina vai gostar de revê-lo. – Está bem, está bem Santomé agora chega, pense nisso, não deixe escapar por dentre os dedos, por medo do tempo passar, agora vamos entrar, que temporal está por vir do Norte.

AUTORA: Alasca Solaris


Galerinha, eu espero que tenham gostado do texto da Alasca, eu vou deixar as redes sociais dela aqui em baixo.

Instagram: alasca_ribs.

Mande a sua fanfic, história, poema, critica, desabafo, e etc para o nosso e-mail: adolescênciadelua@gmail.com.

Quero agradecer a todo mundo que está enviando seus poemas, seus textos, suas histórias, etc… Estou amandando, continue mandando, a sua história pode ser a próxima!

Não deixa de seguir o instagram do blog.
Instagram: @adolescenciadeluablog

Beijos da Mila!
Gratidão, até a próxima!