Fanfic: Colega de Quarto. (Part.7)

Pra quem ainda não leu o Capítulo 1 e os outros capítulos, vou deixar o link aqui em baixo:
Capítulo 1: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 2: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 3: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 4: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capitulo 5: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capitulo 6: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.

Chega de enrolação, eu espero que gostem muito da continuação.

Boa Leitura!

FIRE (Capítulo 7)


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18:34 PM

Fiquei sentada na janela do quarto, que dava pro fundo do jardim, a vista era privilegiada com uma bela floresta que, acredite, eu nunca havia parado pra reparar o quão bonita ela fica quando está anoitecendo. Eu não sei que tipo de sensação estava sentindo, minha barriga estremeceu e algo me deixou cabisbaixa, por um momento, senti saudade… De casa, da minha velha rotina e da minha “liberdade”. Estava gostando do internato, na verdade, me adaptando, uma hora a gente tem que se acostumar com o fato de que tudo muda, de uma hora pra outra. É… Olha só quem tá sofrendo novamente pelas temidas “mudanças.” O vento fresco entrava pelo quarto e fazia as cortinas balançarem, seja bem vindo Outono!
Cass abriu a porta e ficou procurando algo em meio as suas coisas.
Fiquei observando quieta, aguardando ela me perguntar algo.

-Isso daria uma capa de CD indie. -Falou rindo.

Dei risada.

-Ah… Meu humor também combina com as músicas. -Falei rindo.

Cass encostou na porta do armário e ficou me encarando.
O silêncio reinava.

-Estava procurando o que? -Perguntei quebrando o silêncio.

Cass sentou na cama e suspirou.

-Um cigarro. -Falou.

Olhei surpresa. Cass realmente acha que fumar tomando remédios é algo saudável.

-Cigarro? Nem pense nisso, você tá se recuperando, isso não vai te fazer bem. Se você passar mal vão dizer que te envenenei. -Falei.

Cass deu uma gargalhada.

-Tudo bem, mamãe. Mais alguma coisa? -Perguntou se aproximando.

E novamente o frio da barriga me consumia por inteiro.

-Sim, tá na hora do seu anti-inflamatório. -Falei levantando da janela e indo até a cabeceira.

Cass virou a cabeça e deu um sorriso de lado.

Peguei o comprimido e um pouco de água em uma pequena jarra de vidro. Cass pegou o comprimido e engoliu de uma vez só. Fiquei surpresa e coloquei o copo de volta na mesa.
Estava me sentindo estranha, os acontecimentos me deixaram confusa. Não sei o que Cass quer realmente, não sei o que nosso beijo significou e não quero me envolver se não tiver certeza, já sou insegura o suficiente.
Cass fechou o sorriso e se deitou.

-Vou pro jantar, faz dias que não como nada no jantar. -Falei indo em direção a porta.

Cass ficou em silêncio.
Tentei ignorar e fui pro refeitório. Algo me dizia que Cass havia notado que eu estava estranha.
Estava me acostumando com os olhares e eles nem me incomodavam mais. Ao chegar, vi August, ele estava com outros garotos.
Peguei meu jantar e sentei no mesmo lugar de sempre, que por incrível que pareça, só eu utilizava.
A comida era razoável, na verdade, era relativamente boa, só que estava sem fome.
Olhei pro lado e vi um vulto e senti um perfume conhecido. Larguei meu prato e saí ás pressas. Fui seguindo os passos da pessoa, eram apressados e silenciosos. Notei que estava indo em direção ao jardim. Estava ventando muito, as árvores e arbustos balançavam de um lado para o outro. Decidi entrar e senti alguém dizer meu nome. Meu corpo congelou e eu olhei lentamente para trás, era James.
Meu sangue esquentou.

-O que você quer? Licença. -Falei tentando abrir a porta.

James deu um sorriso malicioso.

-Você conseguiu me fazer mudar de internato, vou deixar de ser um problema, pra sua felicidade. -Falou.

-Realmente estou feliz, obrigada por ter me contado. -Falei.

Logo uns garotos apareceram. Estava começando a me assustar.

-Vou embora… Mas você vai lembrar de mim sempre. -Falou.

Fiquei calada. Os garotos riam e me olhavam dos pés a cabeça.

-Eu não lembro de coisas insignificantes. -Falei saindo.

Logo um dos garotos me puxou e tentou me calar com um pano. Eu só conseguia me debater, a porta ficava cada vez mais longe. Meu coração queria sair pela boca. Tentei gritar o mais alto possível, mas nada adiantava.
Me levaram pro mesmo galpão que James havia me levado. Estava desesperada, pois sei que aqui ninguém poderia me ouvir. Acenderam a luz e ouvi sons abafados.
Meus olhos estavam ficando embaçados, de tanto que estava chorando. Não consegui ver a pessoa, mas aos poucos notei que a pessoa, era Cass.
Meu corpo congelou e amoleceu. Me jogaram no chão, ao lado dela. James e os amigos planejavam algo e eu só conseguia olhar ao meu redor e buscar maneiras de fugir.

-Vocês realmente não sabiam com quem estavam mexendo. -Falou.

Tentei gritar mais uma vez e todos os quatro garotos riam.

-Larga de ser idiota, você sabe muito bem que ninguém vai te ouvir daqui. -Falou.

-O que você quer? -Cass falou chorando.

James sorriu maliciosamente e cutucou o garoto que estava do lado.

-Já que as duas são namoradinhas… Vocês poderiam começar a se pegar aqui na nossa frente. -Falou rindo.

Encarei Cass e abaixei a cabeça. Estava morrendo por dentro, só queria chorar.

-Não somos namoradas, desgraçado. -Gritei.

James fechou o sorriso.

-É melhor fazer o que eu estou pedindo. -Falou puxando meu cabelo.

Cass o chutou, e ele me soltou bruscamente em direção a parede. Bati minha cabeça e fiquei tonta. Dois caras se aproximaram e nos obrigaram a beijar uma a outra. Eu só conseguia chorar.
Todos comemoravam e brindavam suas garrafas de vodka.

-Agora quero que a loirinha tire a blusa da outra. -Um dos caras falou rindo.

Cass se recusou a tirar e eles ficaram furiosos. Estava morrendo de vergonha e ódio ao mesmo tempo. Cass ainda estava se recuperando e já estava passando por outra merda, eu não podia deixar isso assim.
Eu mesma tirei minha blusa e coloquei as mãos de Cass nos meus peitos. Vi uma lágrima escorrer de um dos olhos dela. Aquilo estava me destruindo, mas não podia deixar eles machucarem ela de novo.

-Vagabundas. -Gritou um dos garotos.

-Alguém quer brincar com uma delas? -James ofereceu, dando um gole na bebida.

Todos gritavam e riam. Minha cabeça estava latejando e Cass estava desesperada.

Um deles me puxou pelo braço e me arrastou até um banheiro nos fundos. Eu só conseguia gritar e ouvir os gritos de Cass, que cada vez ficavam mais baixos.

-Não, por favor, deixem ela em paz! -Cass berrava, diversas vezes.

Tentei me debater, mas ele era mais forte que eu, já não aguentava mais, estava completamente tonta. Ele me empurrou contra parede e com uma das mãos levantou minha saia. Eu conseguia ouvir meus batimentos.
Logo ouvi passos fortes e notei que haviam trago Cass pra ver tudo.
James a puxou pelo braço e a jogou com tudo no chão.

-Tá legal, vocês realmente pensam que vão comer ela primeiro que eu? Quem arrumou essa merda aqui toda foi eu. -Falou tirando ele de cima de mim.

O cheiro de bebida se misturava com o cheio do suor. Meus joelhos dobraram e eu caí.

James fechou a porta e arrancou a minha roupa. Me debati, e cuspi no rosto dele.
Tentei destrancar a porta do banheiro e ele me puxou. Meus joelhos estavam ralados e eu mal tinha percebido.
A porta finalmente abriu e vi que os outros garotos estavam indo em direção a Cass. Ela estava mole, quase desmaiando.
James puxou meu cabelo e me levou para um quarto ao lado, havia apenas uma cama e um colchão, tudo muito sujo e velho.
Eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo, eu só queria acordar desse pesadelo.
Ele me atirou na cama e subiu em cima de mim. Meu corpo não respondia mais por mim, eu não tinha mais forças pra gritar, só conseguia sentir nojo de tudo aquilo.
Minha visão ficou escura e eu estava pedindo pra morrer. Ouvi a porta abrir bruscamente, era August e uns vigias.

-Sai de cima dela. -Gritou.

Ele imediatamente saiu de cima de mim e eu simplesmente apaguei.
Lembro de ver August me cobrindo com um lençol e tentando me acordar. Uns enfermeiros chegaram e a policia também foi acionada.
O internato inteiro acordou, e eu… só queria estar morta.

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Acordei em uma maca, meu corpo inteiro doía. Encarei minhas mãos e as marcas no meu pulso me fizeram lembrar de tudo.
Comecei a gritar e a tentar sair de lá, até que umas enfermeiras chegaram e me acalmaram.
Não conseguia parar de chorar. Olhei pra porta e vi meus pais. Minha mãe estava aos prantos e veio correndo me abraçar. Por um momento… me senti viva.
Só queria ir pra casa.

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Eu sei, finalmente saiu a continuação da Fanfic, acabou demorando porque a autora estava com a vida super corrida e eu também estava com a minha vida de cabeça pra baixo, quer dizer: ainda está, quer dizer, sempre esteve (risos).

Obrigada por todo carinho, por toda paciência e por todos acessos, vocês são demais, eu já disso isso? Semana que vem vai sair o Capitulo 8, aguardem!

Beijos da Mila!
Gratidão!