Fanfic: Colega de Quarto. (Part.9)

Silêncio. (Capítulo 9)

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Me corpo estremeceu, fiquei imóvel. Não conseguia olhar pra trás, pois sei que se olhasse, não conseguiria seguir. Cassie acelerou o passo e me abraçou por trás. Fechei os olhos e desabei, me virei e ficamos bem perto uma da outra, senti sua respiração bem de perto, vi suas pupilas dilatarem e conseguia ouvir seu coração bater acelerado.

-Eu nem acredito que está aqui. -Falou ofegante.

Fiquei em silêncio e a beijei. Meu corpo inteiro se arrepiou, senti algo que eu nunca havia sentido antes. A empurrei pra porta e a tranquei, continuamos a nos beijar, nossos corpos se uniram, como um só. Cass beijava meu pescoço e ao mesmo tempo desabotoava minha blusa, seus lábios percorriam por todo o meu corpo. Nos deitamos e por um momento não acreditei no que estava fazendo, fiquei insegura.

-Fiz algo errado? -Perguntou.

A beijei e ela ficou em cima de mim, tirei seu sutiã e beijei lentamente seus seios, pude sentir seu corpo arrepiar. Ficamos alguns minutos sentadas, entrelaçadas, em silêncio, sentindo o corpo uma da outra.

-Você é linda, Lariesce. -Sussurrou.

Continuamos a nos beijar, suas mãos deslizavam sob o meu corpo, que ao chegar no quadril, subiam rapidamente, como se ela não estivesse segura do que estava prestes a fazer. A encarei e ela abaixou minha saia, devagar, delicadamente. Estava morrendo de vergonha, mas eu não queria parar. Queria aproveitar a Cass ao máximo, pois provavelmente eu irei mudar novamente. Ela subiu e me beijou, lentamente. Foi beijando meu pescoço, meus seios, minha barriga e cintura. Meu corpo dançava nos seus lábios.

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[…]

Acordei grudada em Cass, com seus olhos castanhos me decifrando e um leve sorriso torto. Senti minhas bochechas ficarem quentes, estava morrendo de vergonha. Levantei e me cobri. Senti seu olhar nas minhas costas.

-Você fica linda dormindo. -Falou sorrindo.

-Imagino. -Falei rindo.

Cass deu risada.

-Suas roupas estão ali. -Falou apontando pra cômoda.

Queria me enfiar em um buraco e não sair mais. Fiz um coque no cabelo e sentei, estava só de roupas íntimas. Ao sentar ouvi a porta bater insistentemente. Cass levantou rapidamente e abotoou sua camisa.

-Lariesce, abra essa porta, precisamos ir. -Falou batendo.

Coloquei minhas roupas e ajeitei o lençol.

-Ir pra onde? -Perguntou.

Fiquei nervosa e sem saber o que fazer.

-Eu vou te explicar. -Falei.

Abri a porta e dei de cara com meus pais e a Lisa, a mesma menina que me apresentou o internato.

-Onde você se meteu? Ficamos iguais loucos te procurando. -Falou. -Suas coisas estão na recepção. -Falou saindo.

-Lariesce, me explica isso, por favor. -Falou puxando meu braço.

Lisa ficou nos encarando.

-Não contou pra sua colega de quarto? -Perguntou. -A Lari infelizmente foi tirada do internato após aquele ocorrido. -Falou num fôlego só.

Cass me olhou com lágrimas nos olhos, seus olhos demonstravam o tamanho da frustração que ela estava sentindo. Comecei a chorar em seguida.

-Eu ia te contar, mas tudo aconteceu rápido demais. -Falei aos prantos. -Eu não quero ir, eu não quero. -Falei desesperada.

Cass ficou perplexa, sem saber o que fazer. Peguei suas mãos e a encarei.

-Tive uma ideia. -Falou.

Por um momento notei que Lisa ainda aguardava no lado de fora do quarto.

-Lisa? Diga a eles que ela já vai. Só vamos nos despedir do pessoal. -Falou sorrindo.

Fiquei sem entender, muitas coisas se passavam pela minha cabeça, mas não tinha noção do que Cass iria fazer.

-Coloca algumas coisas nessa mochila. -Falou.

-Vamos fugir? -Perguntei assustada.

Cass continuou a arrumar e eu só continuei a acompanhá-la. Pegamos algumas coisas e saímos correndo pelo corredor, que por um milagre estava vazio. Tudo parecia conspirar ao nosso favor.

-Eu sei uma saída. -Falou entrando em um quarto de limpeza.

Aquele lugar fedia a mofo.

-Como você sabe desse lugar? -Perguntei nervosa.

-Só me segue. -Falou.

Entramos em uma portinha, que dava pro lado de fora do internato. Estava muito nervosa e assustada, não sabia o que estava fazendo, eu não tive tempo pra pensar, talvez isso tenha sido bom, caso contrário estaria indo embora novamente.
Cass sabia várias passagens, agora eu sei porque ela sumia de vez em quando.

-Vem, toma cuidado, está tendo ginástica logo ali. -Falou abaixando atrás de um arbusto.

Estava tremendo e pensando seriamente em abandonar tudo. Um lado me dizia pra voltar e tentar convencer todo mundo e o outro só me fazia querer acompanhar ela.

-Lari? Vamos! -Falou levantando.

Me perdi em meus pensamentos e por um momento percebi que precisava decidir se iria. Fiquei parada, pensando em tudo e nas consequências, Cass me olhava sem entender e fazia um sinal com uma das mãos.

-Lari? Está esperando o que? -Gritou.

Olhei pros lados e decidi ir, não iria mudar a decisão dos meus pais.
Corri até Cass e subimos em uma grade, atrás do internato.

-Vem, segura na minha mão. -Falou estendendo o braço.

Quando estava prestes a sair, notei que Augusts me observava de longe. O encarei de volta e tentei balbuciar algumas palavras.

“Eu preciso fazer isso. Não vou demorar.”

August fez que sim com a cabeça e eu terminei de pular a grade. Eu não estava acreditando no que estava fazendo e acho que nem Cassie estava muito confiante.

-Para onde vamos? -Perguntei.

Cass ficou em silêncio. Estava tremendo, assustada e receosa.

-Cassie! -Aumentei o tom voz.

Cass parou e me encarou.

-Lari, dá pra esperar? Estou tentado
pensar. -Falou com o tom de voz elevado.

Fiquei assustada e um medo me cobriu por inteira.
Cassie ficou uns minutos em silêncio, estávamos na entrada de uma pequena floresta, a mesma que eu podia ver do nosso quarto. Por um momento me deu vontade de voltar, aquilo tinha muita chance de dar errado.

-Lariesce? Você tem algum dinheiro? -Perguntou.

Revirei meus bolsos e minha mochila, tinha 20 dólares e um chiclete de menta.

-Só tenho isso. -Falei.

Cass riu.

-Eu tenho 35 dólares, dá pra pegar um ônibus. -Falou.

Estava tentando descobrir onde Cass queria nos levar.

-Para onde vamos? -Perguntei.

Cass continuou a andar e me respondeu num tom de voz baixo, gaguejando um pouco.

-Pra Austin. -Falou.

Fiquei receosa, mas eu tomei essa decisão e agora tenho que ser madura o suficiente pra enfrentar, sem reclamar.

-Vamos ficar na casa da minha prima Marie. -Falou.

Pelo menos temos um destino, porém, Austin fica um pouco longe de Houston e temos só 55 dólares, é muita loucura.

-E o dinheiro vai dar? -Perguntei.

Cass parecia tranquila e o semblante confuso que ela estava tinha desaparecido. Confesso que me tranquilizou.

-Acredito que sim, duas passagens devem ser menos de 20 dólares. -Falou. -O terminal é logo ali. -Falou.

O terminal parecia abandonado, mas pelo incrível que pareça tinha um homem trabalhando. Aquele lugar estava caindo aos pedaços.

-Oi, bom dia! Quanto tá a passagem pra Austin? -Perguntou.

Fiquei calculando a distância e não tinha passagem de ônibus pra Austin, só de avião.
O homem deu uma gargalhada estrondeante.

-O que foi? -Cass perguntou nervosa.

O homem fechou a cara e puxou um pequeno mapa do Texas.

-Estamos nesse ponto aqui, Austin é aquele ponto ali. Não tem ônibus que leve até lá. -Falou.

Fiquei quieta, pois eu sabia que não teria. Tomei a frente e decidi pedir informações.

-E como fazemos pra chegar até lá? -Perguntei.

Tudo ficou em silêncio e o homem nos olhou desconfiado.

-Olha… Porque querem ir pra lá? -Perguntou.

Cass fechou a cara.

-Não é da sua conta. -Falou.

O homem fechou a cara e guardou o mapa.

-Muito bem, sem informação pra vocês. -Falou.

Fiquei aborrecida e cutuquei Cass.

-Senhor… me desculpa. Queremos encontrar nossa mãe, problemas de família. Por favor, tem como me dizer? -Perguntei.

O homem suspirou e colocou o mapa na mesa novamente.

-Bom, vocês vão pegar um ônibus aqui e ir até a última parada. Lá tem o aeroporto, que fica um pouco distante do terminal, ai vocês pegam uma carona, ou outro ônibus. -Falou.

Cass havia saído e estava me esperando do lado de fora. Agradeci e ainda ganhei o mapa. Ser simpática as vezes tem seus benefícios.

-Quanto é a passagem? -Perguntei.

-12 dólares, cada. -Falou.

Peguei o dinheiro e não pensei duas vezes. Saí e Cass estava emburrada.

-Olha! Temos tudo direitinho, deu 24 dólares tudo. -Falei.

Cass olhou e riu.

-Você fica linda animadinha. -Falou me dando um beijo.

Logo ouvi um berro.

-Ei! Vocês não eram irmãs?! -Gritou.

O ônibus chegou e em seguida entramos. O homem ficou do lado de fora pedindo pra parar o ônibus.

-Cara, que trouxa. -Falei rindo.

Cass sorriu e senti seus dedos entrelaçarem nos meus.
Estava com medo, mas sentia que tinha feito o certo. Essa é a maior aventura da minha vida.

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18:30 PM

Após quase quatro horas de viagem, finalmente chegamos. Estava faminta, mas, tínhamos que arrumar dinheiro pra passagem de avião ainda.
Cass mordeu uma barra de cereal e me deu a metade.

-Estou exausta. -Falou.

Fiquei sentada, encarando o chão e percebi que estávamos de uniforme.

-Precisamos tirar isso, se vierem nos procurar, a primeira coisa que eles vão dizer é que estamos de uniforme. -Falei.

Cass riu.

-Acha que alguém vem me procurar? -Perguntou.

Fiquei em silêncio. Cass revirou a bolsa e pegou um maço de cigarros, colocou um entre os dentes e o acendeu.

-Se eles vierem, é por causa de você. -Falou dando um trago.

Fiquei incomodada e notei que Cass estava aborrecida com alguma coisa.

-O que você tem? -Perguntei.

-Estou cansada, Lariesce. De tudo, de todos. Ninguém tá aí pra mim. -Falou com tom de voz alto.

Fiquei em silêncio e fechei a cara.

-Aconteceu aquele monte de merda comigo também e ninguém se quer ligou pra saber se eu estava bem. -Falou.

-Você não pode me culpar por isso. Você acha que meus pais são maravilhosos porque vão a escola decidir minha vida? -Perguntei.

Cass suspirou.

-Eles NUNCA me deram atenção e muito menos se preocuparam com o que eu pensava. Me mudei doze vezes e sempre fui criada por babás. -Gritei.

As pessoas nos encaram e cochichavam entre si.

-Acho que não estamos aqui pra discutir quem tem a pior vida. -Falou.

Ficamos em silêncio por algum tempo.

-Então para de agir como se eu fosse a mimadinha e você fosse uma fodida que ninguém liga. Eu ligo pra você, eu ligo tanto que decidi largar minha vida pra te seguir. -Falei.

Cass apagou o cigarro e levantou.

-Temos que ir. -Falou séria.

Levantei e continuamos a andar.

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Passaram-se algumas horas e já não sabíamos o que fazer.

-Vamos ter que pedir carona. -Falou. -Não temos dinheiro suficiente pra um ônibus. -Falou.

Amarrei o cabelo e coloquei uma blusa de frio.

-E muito menos grana pra passagem de avião. -Falei.

Cass me olhou aborrecida.

-Então é isso? Vamos ficar presas nessa merda de terminal sujo? -Perguntou.

Fui até a rodovia e fiz sinal para alguns carros. Ninguém parava, estava começando a desistir, até que um carro preto parou. O vidro abaixou lentamente e era uma mulher loira com uma menina, aparentava ter uns doze anos.

-Querem ir pra onde? -Perguntou.

-Pro aeroporto. -Falei.

A mulher pensou e destravou as portas.

-Pode entrar. -Falou.

Ficamos receosas e apertamos a mão uma da outra, porém decidimos entrar.
O carro todo ficou em silêncio, até que a mulher puxou assunto.

-O que duas meninas tão novas fazem a essa hora em um terminal? Estão perdidas? -Perguntou.

Cass cochilava no meu ombro.

-Nos perdemos dos nossos amigos, agora precisamos voltar pra Austin. -Falei.

A filha dela colocou o som no volume máximo.

-Amber que falta de educação. -Falou desligando.

Cass acordou no susto.

-Tá tudo bem? -Falou grogue.

Fiz carinho no cabelo dela e a coloquei pra descansar novamente.

-Se quiserem passar uma noite lá em casa. Moro próximo ao aeroporto. -Falou sorrindo.

-Não, mãe! -Amber gritou.

Fiquei constrangida.

-Não precisa, a gente se vira. Obrigada. -Falei agradecendo.

-Eu insisto! Vamos! -Insistiu.

Pensando bem, era arriscado aceitar algo de uma estranha, porém, estávamos famintas e precisando de um banho. Acordei Cass e expliquei a proposta.

-É muito arriscado. -Sussurrou.

Fomos interrompidas pela mulher.

-Meninas, estamos bem perto da minha casa. Tem certeza que não querem? Eu não vou matar vocês. -Falou rindo.

Nos encaramos e decidimos aceitar, com um pé atrás.

-Meu nome é Carlie. -Falou.

Ela estacionou o carro e saímos. Ela morava num casarão.
Entramos e a primeira coisa que fizemos foi agradecer.

-Meninas, o quarto de visitas é lá em cima. Tem toalhas e algumas coisas pra vocês tomarem banho. -Falou apontando.

A filha dela saiu ás pressas e se jogou no sofá.

Subimos e quase nos perdemos nos corredores daquela casa. Entramos e fechamos a porta. Sentei na cama e fiquei em silêncio, só pensando no que estava acontecendo. Cass sentou do meu lado e arrumou meu cabelo.

Cass levantou e foi pro banheiro, tirei minhas roupas e vesti um roupão que estava atrás da porta.
Decidi ir até ela, o banheiro estava bem quentinho, o espelho todo embaçado. Abri a porta e fiquei observando ela tomar banho. Cada curva, cada movimento.
Cass se virou e se cobriu com as mãos. Abri o vidro e abaixei meu roupão. E novamente estávamos juntas.

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Olá meus amores eu sei que demorei pra postar a continuação, ando nunca correria e meio perdida pra conciliar o blog e a faculdade, mas como eu sempre disse: eu sempre estou por aqui. E as meninas também estão postando, então acompanhe muito elas, mas se preparam também porque estou organizando uns posts pra essa semana.

Obrigada por todo carinho, pelos acessos, pela paciência comigo, eu sou muito grata a vocês, por tudo.

Beijos da Mila, até a próxima!

Gratidão!