Não Apague as Luzes

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-Cuidado!

-Não apague as luzes!

É o que sempre diziam, não ter medo do escuro. Mas, esqueceram de avisar que o escuro nasce de dentro da gente e não de fora, que uma simples lâmpada  não fará diferença.

Esqueceram de falar, que os monstros não estão lá fora no desconhecido e sim dentro das pessoas que chamamos de amigos. Não falaram que os espinhos das flores é só proteção e como as flores deveríamos ter espinhos, isso evitaria muita dor.

– Não apague as luzes!

Não engula palavras que deveriam ser ditas, simplesmente grite para as paredes, dance, escute uma música, chore mais não guarde para si. A pior morte é a do seu interior.

– Não apague as luzes!

Um Nu no Corredor – Capitulo 36 – Série Os Freitas


Capitulo 36

Violeta

Assim que sai daquele quarto fui à procura da Liza, quando a encontrei conversando com Caleb a chamo em um canto e falo:

– Liza, será que tem como eu voltar para o nosso apartamento? Sei que está morando lá com Caleb, mas eu não posso voltar para casa dos meus pais, quero estar perto dele, mesmo que ele não se lembre de mim.

– Claro Polly, mas você não contou a ele que você é noiva dele? Não contou a verdade? – Ela me olha com certa expectativa e decepção no olhar, não posso contar nada a ele, o médico disse que é arriscado, que ele deve se lembrar sozinho. Como resposta abaixei a cabeça, respirei fundo, balancei negativamente e falei:

– Você pode me acompanhar e ajudar a pegar minhas coisas do apartamento dele?

– Sim, vamos – ela passa por Caleb e avisa onde vamos, logo depois encontramos meus pais que fazem questão de ir junto, Anastácia diz que irá conosco para separar algumas roupas dele, ela acha melhor que ele deve ir com ela, isso me dá tempo para poder tirar minhas coisas de lá.

Estamos na frente do prédio, Vicente abre o portão e vem até nós quando estacionamos, ele começa a falar:

– Boa tarde senhorita Violeta, como está o senhor Conrado?

– Ele está melhor, teve algumas sequelas, mas está melhor.

– Fico muito feliz e aliviado, bom, tenha uma boa tarde senhorita.

Ele se afasta e subimos para nosso andar, abro a porta e começo a recolher tudo o que é meu colocar em uma caixa e levar ao lado, na casa da Liza, logo me canso pela gravidez, elas continuam por mim enquanto tomo um banho, logo depois de colocar uma roupa confortável, volto a ajudá-las, depois de tirar minhas coisas do banheiro, me aproximo do armário e retiro uma camiseta dele, trago para perto do nariz e inspiro fundo, sentindo seu cheiro tão bom e reconfortante.

– Violeta? Já acabou aqui? Temos que organizar tudo lá – Liza aparece do nada falando, que por impulso coloco a camiseta em minhas mãos no monte de outras roupas minhas e falo:

– Sim, sim, vamos. Pegou as coisas dos bebes também? – É melhor que não tenha nada aqui.

– Sim, está tudo lá já – saímos de lá e trancamos tudo, assim que entro no meu velho apartamento e penso em tudo que se passou desde que pisei aqui pela primeira vez, é o tempo passa, sinto uma sensação estranha de estar esquecendo algo, mas deve ser a preocupação, a final, faltam dois meses para os meninos nascerem. Depois que me alojei novamente no meu primeiro apartamento eu resolvo ligar para Anastácia para saber como o Conrado está, no quarto toque alguém atende o celular:

*Ligação*

– Alo? – A voz de Conrado está meio sonolenta e calma como de costume – Quem é? – Ele pergunta depois de um tempo de silêncio da minha parte.

– É.… uma amiga da Anastácia, ela não está? – tenho uma leve impressão de que ele ficou tenso, logo ele responde:

– Ela está ocupada e o celular dela estava perto de mim, sou irmão dela, é algo importante?

– Não… diga que a Polly ligou. Grata.

– Polly…? Por que Polly?

– Eu sou baixinha, no ensino médio me apelidaram de Polly.

– Entendo – ele sorri baixo e continua – Qual a sua altura?

– Jura? – Dou risada e continuo – 1,60 m, feliz? – ele dá uma gargalhada do outro lado – Tenho que ir. Até.

– Até.

Assim que desligo vou tomar um banho, pego um roupão que compramos no mês passado, entro no box e ligo o chuveiro, aquela água toda descendo pelo meu corpo me fez relaxar e instintivamente passei a mão pela minha barriga e pensei ´´ papai vai voltar para nós amores“ então sinto um chute e sorrio, termino meu banho e enrolo os cabelo na toalha, sentei no sofá e liguei a tv, Liza e Caleb  haviam se deitado, quando foi ficando tarde desliguei tudo e fui para a cama, dei uma olhada no monte de rouba que eu havia pegado do apartamento,  vejo a camiseta que tinha colocado no monte de roupa, quando a Liza entrou no quarto, me aproximo e pego a camiseta, coloco sobre a cama, tiro a minha e coloco a dele, deito de lado sentindo o cheiro dele e adormeço.