O Dia do Amanhã – Capitulo 3

Ola Bom dia, Boa Tarde, Noite ou Madrugada.
Sejam todos muito Bem-vindos a mais um capitulo.
Espero que vocês goste do capitulo de hoje, lembrando vocês, temos capítulos novos toda sexta-feira!

Antes de começarem a leitura, eu vou deixar o link com a capa do livro e a sinopse, pra quem quiser da uma olhadinha antes de começar ler o livro.

LINK: O novo Livro do Blog – O Dia do Amanhã.

Eu também vou deixar o link dos capítulos que já foram postados!

LINK 1: O Dia do Amanhã – (Capitulo 1)
LINK 2: O Dia do Amanhã – (Capitulo 2)

Espero que gostem, tenham todos uma boa leitura.


O Dia do Amanhã

Capítulo III


Uma longa história

Eu morava numa pequena cidade no interior, com cerca de seis mil habitantes no máximo, todos se conheciam, quando a gripe se espalhou praticamente a cidade inteira foi contaminada, inclusive minha mãe, mas a verdade é que ninguém imaginava que iria passar disso, um inofensivo resfriado, mas tudo piorou, a gripe evoluiu para uma pneumonia e o hospital lotou.

Eu não queria sair de perto dela, fiquei uma semana inteira, numa sala branca com ela ardendo em febre, não havia muito o que eu podia fazer a não ser observar seu sofrimento e esperar algum remédio fazer efeito, o sentimento de impotência e a dor de ver uma das pessoas que você mais ama morrer, é dilacerante. Então aconteceu, ouvi o aparelho que media seu coração iniciar um incessante “piii” a linha permaneceu reta e por fim, o brilho de seus olhos antes tão cansados se fecharam, sua respiração diminuiu até não poder ser mais sentida e ali foi o seu fim. 

Meu coração doeu como nunca havia doido antes, minha mãe era a minha única família, desde que me lembro erramos apenas nós duas, ela dava o sangue pra me criar sozinha e eu fazia de tudo para lhe dar orgulho. Minha mãe era meu porto seguro, estava sempre lá quando precisava de ajuda, quando brigava com minhas amigas ou com Caleb, quando algum boato maldoso era soltado sobre mim. 

Não conseguia imaginar minha vida sem ela, minha mãe era compreensiva, alegre, divertida, brava, e sempre dizia que ia sumir, mas nunca passou pela minha cabeça que a perderia assim, conseguia me imaginar adulta cuidado dela velinha, ela era saudável, comida sempre coisas boas, nada de fritura ou enlatados, corria toda a manhã, fazia seus checapes todo o ano pra ver se estava tudo OK com a saúde. Vê-la agora morta numa cama por algo que começou como um resfriado era surreal.  

O hospital não estava preparado para aquilo, era como se fosse um toque de recolher, em menos de três horas todos os contaminados morreram e as poucas pessoas que estavam vivas estavam desoladas, o choro era ouvido em cada canto do hospital, era como uma canção de terror, aquilo nunca sairia da minha cabeça, eu não havia chorado ainda, estava em choque, apenas a observando, tão plena que parecia dormi, a pele branca, tão branca que parecia que nunca havia tomado sol na vida, não tinha mais as bochechas rosadas de família, os cabelos loiros estavam bagunçados e haviam grandes olheiras em baixo de seus olhos, ela odiaria ser vista assim, sem maquiagem e desarrumada.  

Nenhum enfermeiro havia aparecido, o hospital estava em caos, todas as pessoas que estavam ali tinham perdido alguém. Eu tinha certeza que minha melhor amiga, a Ashley e a família dela havia morrido também, quando fui vê-los de manhã estavam pior que minha mãe, no quarto ao lado havia silêncio, não ouvia os apitos dos corações deles, era mais uma família que havia morrido, ia sentir falta de passar a noite na casa de Ashley, de roubar latinhas de leite condensado junto com ela, jogar bola com o tio. Ia sentir falta de toda a vida que tinha antes desta catástrofe. 

Foi então o aparelho que marcavam seus batimentos cardiológicos voltou a apitar, e aquele som fez minha vida volta, eu não achava que seria o início do meu inferno. Quando seus olhos se abriram não tinha o brilho que eu tanto amava ver, a parte branca do seu olho não era mais dessa cor, estava puxado para um marrom, o brilho de vida não existia mais, nem suas bochechas sempre tão vermelhas, que demostrava todo o sangue que corria em suas veias. Seja lá o que havia acontecido, aquilo me dava medo. 

Eu estava assustada aquela com toda a certeza não era minha mãe, ela me olhava como se eu fosse uma joia que ela precisava ter, se levantou cambaleando, e para minha surpresa, se jogo em cima de mim, como um animal se joga em cima de sua presa, a boca estava aberta e de lá saia um rugido estranho, ela não estava ali para um abraço ou qualquer ato de afeto.

Antes mesmo que ela chega-se em mim, eu a afastei com mão em seu peito, ela fazia uma pressão sobre humana sob mim, como se sua vida depende-se de conseguir chegar até lá, eu não sabia o que fala, não sabia nem o que pensa, o sentimento de felicidade já não existia dentro de mim e o pavor começava a me dominar.

E para minha surpresa assim que percebeu minha mão em seu tórax ela a pegou e puxou com uma brutalidade que nunca havia presenciado antes, minha surpresa foi maior ainda quando eu a vi tentar me morder.

– Aaaaaaaaaaa – O meu grito foi totalmente de pavor, aquela não era minha mãe, quando percebi sua intenção rapidamente puxei meu braço e me afastei o máximo possível dela, eu não sabia o que havia acontecido, mas aquilo não era minha mãe.

A porta foi aberta e por ela uma cabeleira ruiva passou e se colocou na minha frente, eu estava apavorada e não tenho a mínima ideia do que aconteceu ou de como eu sai daquele hospital, mas eu sabia que ele estava ali, que o meu Caleb estava ali e que agora tudo ficaria bem.

Quando consigo voltar a mim, eu estou sentada na cama dele no sítio de sua avó , ele estava no meio das minhas pernas ajoelhado enquanto olhava fixamente pra mim, seu olhos castanho me olhava com tanta preocupação que eu me fez sentir culpa de vê-lo daquele jeito, pela primeira vez desde que ela foi internada eu me permiti chora. Me joguei em seus braços e senti ele me ampara, os soluços eram auditivos e o choro alto, a dor da perda era enorme, mas pior foi vê-la daquele jeito, não sei quanto tempo chorei, só sei que fiz até dormir.

Caleb matou a minha mãe, ou seja lá o que ela havia se tornado, quando ele me contou isso, no outro dia, eu realmente não sabia se ficava feliz por saber que ela não ia mais contaminar as pessoas ou triste por saber que ela realmente havia morrido, na dúvida eu chorei, por uma semana seguida, chorei por todas as pessoas que eu conheço que estavam mortas, por Ashley e por seus pais, e principalmente pela família de Caleb.

Nós ficamos naquela fazenda por um ano e  seis meses, éramos vinte e três pessoas que se ajudavam para sobreviver, o sitio era grande e tinha duas imensas casas, era cercado por grades que fazia aquelas coisas ficarem longe, também havia uma grande plantação que era da onde vinha boa parte da nossa alimentação. Cada um ajudava do modo que podia, alguns com a proteção do sítio outros com a plantação e havia eu só Caleb que ensinava as pessoas a se proteger. 

Eu havia feito aula de tiros e meu esporte favorito sempre foi o arqueirismo eu sou boa de mira, Caleb sempre fez aulas de lutas márcias, ele era faixa preta em algumas lutas que eu não lembrava, e passava boa parte da tarde na academia, ele falava que precisava saber se defender para me defender de pessoas maldosas, nós fazíamos o possível para que todas as pessoas soubessem se defender. Nos também ensinávamos as crianças a ler, escrever e as quatro equações da matemática iríamos ensinar tudo que havíamos aprendido a elas, se não houvesse tudo desmoronando.

Uma horda com cerca de duzentos zumbis chegou e arrebentou a nossa proteção, tudo aconteceu muito rápido e perdemos cerca de quinze pessoas, o pior foi velas gritar por socorro e serem comidas vivas, o desespero me atormenta todas as noites as lembranças e os gritos me parecem sempre muito recentes. Nós andamos por setenta e cinco dias passamos por sete cidades e tivemos mais duas mortes, de vinte e três pessoas nós éramos só seis, a dor da perda era avassaladora, mas eu já estava tão acostumada com isso que a perda não incomodava tanto quanto antigamente.

Por fim nós decidimos fazer nossa própria casa do nosso próprio modo, pegamos uma casa perto de uma cidade e fizemos barreiras com carros e reforçamos com madeira, achamos um rio próximo e por fim fizemos uma pequena horta para podermos facilitar a alimentação, só não imaginávamos que ali perto teriam mais pessoas.

E depois de cinco meses e uma semana o inevitável confronto começou quando eles mataram um de nós, nós só queríamos viver ali criar raiz e talvez até se juntar com as pessoas que viviam lá, mas eles não pensavam assim, achavam que nós éramos ameaça e realmente viramos uma, depois que fomos atacados. Mas nós éramos só cinco, como cinco pessoas poderiam venceriam quase vinte?

Realmente não vencemos, eu nunca imaginei que na sociedade que vivemos eu teria mais medo de humanos do que de Zumbis, eu não tenho a mínima ideia de quantos ainda estão vivos ou se alguém tinha sobrevivido, mas eu sabia que se tivesse eu encontraria.

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–  E então eu fiquei sozinha e depois de cento e quarenta e cinco dias, eu encontrei vocês – Estava sentada na cama e olhava as mãos que estava em seu colo, as lágrimas queriam sair, nunca havia contado sua história pra ninguém.

 Não imaginava que doeria tanto, as lembranças traziam uma saudade esmagadora, seu coração estava em pedaços, todas as pessoas que conhecia havia morrido e estava sozinha, foi então que viu uma mão bronzeada tocar a dela.

– Eu não consigo imaginar por tudo que você passou – Sua voz acalmava e fez seus ombros, que só agora percebeu estarem tencionados,​ relaxar, sua outra mão tocou a bochecha e só então uma única lágrima solitária caiu,  sua mão forçou o rosto dela para cima e as esmeraldas focaram nos lindos olhos azuis – Agora você tem a nós, você já não está mais sozinha

– Eu só preciso te fazer três perguntas – só então percebeu Trevor a olhando, os ônix que antes a dava medo agora a fazia se sentir protegida – Quantos zumbis você matou?

– Eu não sei, mas foram muitos – Ela nunca poderia saber exatamente quantos havia matado, antes de estar sozinha ela sempre ficava pra fazer a retaguarda e isso a fez matar mais do que planejava e queria.

– Quantos humanos você já matou? – Essa pergunta com toda a certeza a assustou e o medo a consumiu, a resposta podia os fazer ir embora, ela não os conhecia, mas não queria mais ficar sozinha, o mundo era aterrorizante quando estava sozinha – Sakura – a voz grossa de Trevor a acordou de seus devaneios.

– Dois – a expressão de Brian ficou rígida, a do moreno ficou sério novamente e o olhar dos dois a assustaram.

– Por quê? – Dessa vez foi o Brian que perguntou com uma voz branda e calma, era claro que ele nunca imaginava que ela faria isso, alguém se sente culpada por matar algo que já tá morto.

– Eu faria qualquer coisa pra proteger os meus.

Continua…


Essa é a Historia da Cherry, nossa protagonista.
A vida num apocalipse não é fácil e com o tempo vocês vão perceber que ela pode ser pior do que vocês imaginam.
Muito obrigado por acompanharem a historia, pelos likes e comentários, vocês estão sendo incríveis.
Lembrando que todas as criticas construtivas são muito bem vindas.

Kiss de Cereja, vejo vocês na próxima!