Conto – Pela Janela – Parte 2

continua…

– Quem é você? – Ele resmunga e virando de frente para mim ainda no chão, ele fala:

– Meu nome é Renato – Eu ergo o taco e pergunto:

– O que você está fazendo na minha casa? – Ele pensa por um tempo e eu insinuo que vou bater nele de novo e ele fala apavorado:

– Eu só quero me esconder, estão me caçando.

– Por que está se escondendo?

– Eu não tive escolha.

– Tá, mas aqui você não vai ficar. Vai embora ou vou chamar a polícia – Ele fala no mesmo instante:

– Por favor, só essa noite, eu prometo – Ele faz uma cara de cachorro sem dono e eu sedo.

– Certo, mas apenas essa noite.

– Eu agradeço, de verdade. Qual o seu nome? – Ele pergunta já se levantando e eu abaixo o taco, eu respondo ainda insegura:

– Pandora – Ele abre um sorriso malicioso e fala:

– Belo nome, assim como você, você é muito bonita – Ele se aproxima e tenho que olhar para cima para encara-lo, ele fica muito perto, começo a ficar um pouco ofegante, posso sentir seu cheiro, uma mistura de sabonete com perfume, e um leve odor de suor, sinto um calor me tomar e minhas pernas ficam bambas, o que é isso que ele fez comigo? Ele olha fixamente em meus olhos e pergunta:

– Está sozinha? – Não consigo responder, estou paralisada, tudo que consigo fazer é balançar a cabeça afirmando sua pergunta, o vento atravessa a janela aberta pela qual ele passou, o vento gelado da noite fez meu corpo arrepiar, e meu cabelo solto se bagunçou todo, finalmente consigo me mover para fechar a janela, fico de costas para ele, sinto que ele se aproxima e fica a poucos centímetros de mim, ele sussurra em meu ouvido:

– Onde posso dormir essa noite? – Foi o suficiente para eu arrepiar novamente, tento me concentrar, me recomponho e respondo virando e passando por ele:

– Vou pegar um cobertor e um travesseiro para dormir no sofá – Estou andando de costas e acabo batendo no batente da porta, machucando minhas costas e voltando para frente um pouco, ele me encara e sorri, sei que fiquei vermelha, saio e vou para meu quarto pegar as coisas, ajeito tudo na sala para ele e falo:

– Boa noite, Renato – Ele tira a camisa que vestia e deixa a mostra seu corpo definido, eu fico um pouco hipnotizada e ele parece gostar, ele fala:

– Boa noite, Panpan – eu fico vermelha com o apelido que ele colocou, volto para o quarto, ainda mexida com a cena, sem entender o que tinha acontecido. Entro e encosto a porta, coloco meu shortinho e uma camiseta de alcinha, apago a luz, deito de bruços e pego no sono rápido, sinto a coberta sobre mim ser puxada lentamente, uma brisa passa por meu corpo, lábios quentes tocam meus ombros descobertos, sinto aquele arrepio de novo, me mecho e ele não se afasta, abro os olhos virando o corpo indo de encontro com ele, a lua cheia ilumina meu quarto no escuro, ele sobe na cama ficando sob mim, ele me beija enlaçando meu corpo em seus braços, senti o calor do seu corpo junto do meu, coloco minhas pernas em volta do seu corpo acabando com o espaço entre nós.

continua…

Se PeRmItA sEr VoCê MeSmO

Bem, percebo que o mundo está imerso num grande ideal de racionalização, e eu sinto que cada vez mais os sentimentos vem sendo reprimidos. Essa supremacia dos “pés no chão” muitas vezes tira da gente o prazer, as consequências de sonhar, divagar.

Às vezes o sentimentalismo é visto com olhos muito impiedosos. Visto como inferior ao racional, como fraco, frágil. E isso muitas vezes intimida e até tira a vontade, o gosto de quem possui essa sensibilidade, essa dádiva.

Bom, se você se sente assim, se você é sensível, se você tem os sentimentos à flor da pele, se você ama sem porquês não devia se sentir mal com isso e se reprimir, se faz isso.

Isso é tão bonito quanto qualquer coisa, e isso diz tanto de você, sobre seu império interior, não há mal algum sentir, desfrutar dos sentimentos, muitos deles vem nos ensinar, muitos deles são terapêuticos, muitos deles transformam não só a gente mas o mundo à nossa volta (e entenda isso como a esfera em que você vive).

Você não é mais fraco ou forte por sentir, por ser quem você é. Você somente se torna mais você, exala sua singularidade, exala sua pessoa, que é única e especial. E não importa se a maioria das pessoas acham baboseira ou não, porque o diferente é bonito também, o torto é bonito, e não importa mesmo se as pessoas achem que é isso ou aquilo, porque no fundo também, nós não queremos ao nosso lado pessoas que nos façam mal.

Com carinho, Laks.