FANFIC: COLEGA DE QUARTO. (PART.14)

Olá minhas Luas, como prometido, o capitulo da semana, eu espero que vocês gostem!

Pra quem ainda não leu o Capítulo 1 e os outros capítulos, vou deixar o link aqui em baixo:
Capítulo 1: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 2: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 3: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 4: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 5: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 6: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 7: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 8: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 9: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 10: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 11: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capitulo 12: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capitulo 13: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.

Boa Leitura!


Casa. (Capítulo 14)

12:53 AM

Após algumas horas cheguei em casa, foram longos seis meses longe daqui. Notei que minha mãe plantou flores em frente a casa, pelo jeito ela conseguiu uma folga nesse meio tempo. Meu pai não tinha mudado muito, deixou a barba crescer e parecia um pouco esgotado. Peguei minhas coisas e fui atrás dos dois, não estava preparada pra rever meus bichinhos.
Fui entrando e meu coração foi apertando junto, a sensação é que tudo aquilo que havia ficado aqui se uniu novamente a mim.
Minha cachorrinha correu em disparada e me encheu de beijos. Já os gatos… Bom, eles ficaram me olha do com um semblante do tipo: “Finalmente sua desgraçada, não fez mais que sua obrigação em voltar… Até que você fez falta.”

-Vou pedir uma pizza, não estou disposta a cozinhar. -Falou.

Minha mãe quase nunca estava disposta a fazer comida, acho que nada mudou drasticamente.
Subi as escadas e fui até o meu quarto, abri a porta e logo senti o cheiro das minhas coisas, meu Deus, que saudade que estava.
Tudo estava do jeito que havia deixado, só arrumaram a cama. Meus livros, cadernos, fotos… Senti um frio na barriga ao ver minhas fotos com a Angel. Peguei meu celular e acredite, não sabia nem mais o que era rede social, a vida realmente é bem mais proveitosa longe das telinhas. Dezesseis mil notificações e eu não senti curiosidade de abrir nenhuma. Angel me usou como diário, durante pelo menos três meses ela me mandou informações de absolutamente tudo o que acontecia com ela durante o dia. Mandei uma mensagem, acho que ela vai surtar.

Desliguei o celular e fui tomar um banho, nem acredito que iria poder ouvir música e ficar o tempo que quiser. Estava tão feliz que mal lembrei de toda merda que estava acontecendo.
Liguei a torneira e deixei a banheira encher, coloquei a música “Get You The Moon- Kina”
e apaguei a luz.
Fechei os olhos e pensei em tudo, em todos os momentos. O vazio me consumia, eu só pensava em Cass e em tudo o que havia acontecido. Em como nos conhecemos, do primeiro beijo naquela tarde nublada… Eu não conseguia ignorar o fato de que a amava, mas precisava. O que mais amava no meu quarto era a vista pra pequena floresta que éramos vizinhos. Sem dúvidas, ali era o meu melhor lugar no mundo.

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Por um momento cochilei, minha mãe berrava da cozinha dizendo que a pizza chegou.
Confesso que senti falta dos berros dela. Estava toda enrugada, se ficasse mais um pouco meu corpo ia se decompor. Enrolei uma toalha na cabeça e desembacei o espelho com uma das mãos. Eu não me reconheço mais…
Abri meu guarda roupa e o cheiro de morango exalou por todo quarto, meus perfume era extremamente doce, lembro de ter esquecido de leva-lo pro internato.
Peguei uma calça e uma blusa preta de alcinha. Sequei meu cabelo e desci às pressas.

-Eu e seu pai estávamos quase ligando pro serviço funerário. -Falou servindo os pratos.

Minha mãe e seu fúnebre senso de humor.

-Eu dormi na banheira, desculpa. -Falei rindo.

Tudo ficou em silêncio.

-Bom… Como está sendo morar no internato? -Perguntou.

Engasguei com a pizza e bebi um gole de suco. Meu pai estava lendo o jornal e guardou para ouvir minha resposta. Que pressão!
Como posso dizer que quero ficar longe de lá?!

-É… Está tudo bem… Eu estou recuperando minhas notas e vivendo normalmente. -Falei.

Os dois me encaravam desconfiados.

-E tudo está sendo obedecido? -Perguntou.

E se eu contar pra ela que o plano dela deu certo?

-Está. Sabe qual foi a última besteira que aconteceu? Minha nova colega de quarto abortou e eu que tive que salva-la. -Falei.

Minha mãe cuspiu todo suco que estava na boca.

-Que absurdo… Esse lugar é uma confusão. -Falou.

Fiquei quieta.

-E a Cassie? -Perguntou.

É sério? No quase almoço de família? Ela só pode estar me zoando.

-Ah, mãe… Pelo amor de Deus. -Falei.

Ela me olhou surpresa.

-Lariesce, depois de tudo o que aconteceu o mínimo a se fazer é perguntar sobre. -Falou.

Perdi até a fome.

-O mínimo a se fazer é ficar quieta e deixar esse assunto pra lá! -Falei.

Meu pai deu um discreto sorriso de lado. Minha mãe estava inquieta.

-Deus me dê paciência. -Falou.

Estava louca pra mudar de assunto ou ir pro meu quarto fuxicar minhas coisas.

-Sua amiga Angel disse que vem aí. -Falou abrindo o jornal novamente.

Eu já imaginava… Mas, perdi o hábito de checar o celular, nem lembro que ele existe.
A ansiedade me consumiu.

-Que saudade dela. -Falei.

Meu pai e minha mãe se encararam.

-É… A vida dela está bem corrida agora. -Falou.

Corrida? Que mistério todo é esse?
Droga! Eu não li todas as mensagens, que insensível. Será que ela passou em alguma faculdade? Ou vai morar em outro lugar?

-Corrida? -Perguntei.

A campainha tocou e fui correndo abrir. Meu coração estava saindo pela boca. Não estava preparada, que euforia…
Respirei fundo e notei que meus pais estavam na porta da cozinha na expectativa junto comigo.
Abri a porta e tive a maior surpresa. A correria da vida da Angel infelizmente era por conta de sua gravidez. Não pude conter minha cara de susto. A abracei e senti meus pedacinhos se juntarem.

-Pois é, estou com três meses de gravidez. -Falou rindo.

Fiquei boquiaberta.

-Meu Deus, Angel… Um bebê… -Falei.

Ela riu.

-Se você tomou um susto imagine eu?! -Falou. -Toda vez que completa mais um mês eu fico mais apreensiva… Como essa coisa vai sair de mim, senhor… -Falou.

Angel tinha amadurecido muito. Cortou o cabelo e ganhou uns quilinhos por conta da gravidez.

-E você? Vamos pro seu quarto! Quero saber de absolutamente tudo. -Falou.

Fiquei apreensiva e tentando proteger aquela criança de qualquer forma.

-Lari! Eu consigo subir, estou grávida, não morta! -Falou rindo.

Cara… Como isso tudo foi acontecer?! Pela primeira vez estava sem jeito de perguntar algumas coisas pra ela.
Angel sentou-se na cadeira da minha escrivaninha e eu me sentei nos pés da cama.

-Pode começar a me contar tudo! Conheceu algum gostoso lá? -Perguntou rindo.

Como dizer que não tem nenhum gostoso e só uma gostosa que fodeu com a minha vida?! Meu coração chegou a acelerar.

-É… Tem umas pessoas bonitas sim… -Falei rindo.

Angel me olhou com uma cara de quem sabia que eu estava escondendo alguma coisa e o pior de tudo é não conseguir engana-la.

-Pode ir contando… Você transou, Lariesce? -Perguntou eufórica.

Que embaraçoso, eu quase me joguei pela janela. Quando que eu adquiri essa vergonha, hein?!

-Bom, conheci uma pessoa sim… Ficamos durante um bom tempo, só que essa pessoa ainda gostava da ex e aí terminamos. -Falei num fôlego só.

Angel ficou boquiaberta.

-Amo sua capacidade de resumir tudo… Mas, e aí? -Perguntou. -Que filho da puta, não se deve usar uma pessoa pra preencher o vazio de outra. -Falou.

Não sei se dizer que ela me usou era o correto… Só que de alguma forma o que estava sentindo condizia com isso.

-É… Eu já estou bem mais conformada, sabe? Foi bom enquanto durou e acabou terminando de uma forma bem chata. -Falei.

Angel suspirou.

-Quando você vai me contar que o gostoso na verdade é gostosa? -Perguntou.

Como ela sabia? Meu Deus que vergonha… Eu não consegui contar pra minha melhor amiga.

-Como você sabe? -Perguntei surpresa.

Angel riu.

-Lari… Eu te conheço, acha mesmo que não sei quando você está mentindo? -Perguntou.

Fiquei em silêncio.

-Eu soube quando vocês duas fugiram… Sua mãe pediu pra cuidar do seu cachorro que estava doente enquanto ela ia resolver a situação… Consequentemente eu ouvi tudo. -Falou.

Meu cachorro estava doente?! Enfim… Que merda! Eu não acredito que tentei enganar a Angel.

-Mas como teve certeza de que éramos ficantes? -Perguntei.

Angel riu.

-Quando seus pais voltaram eu perguntei pra sua mãe… Ela demorou a me contar, porém, você sabe… Eu sempre arrumo um jeitinho de saber. -Falei.

Angel conseguia manipular quem ela quisesse… Sempre brigávamos por conta disso.

-Não sei porque tentou mentir pra mim… Eu nunca iria te julgar, Lari… Eu te amo demais pra isso… Aliás, eu não tenho direito de julgar ninguém, estou grávida aos dezessete anos. -Falou rindo.

Estava tão emotiva que meus olhos encheram de lágrimas. Eu amava a Angel e não sei explicar o quanto que ela me faz falta. Nada consegue substituir-la, absolutamente nada.

-Eu te amo, sua máquina de fazer pãozinho. -Falei rindo.

Fui até ela e a abracei. Não queria solta-la, por mim ficaria ali quietinha.
Esse bebê tem muita sorte de estar aí dentro.

-Bom… Agora é a sua vez! Me conta tudo, como descobriu, como o pai reagiu… Nomes, datas… -Falei secando os olhos.

Angel suspirou e acariciou a barriga.

-Eu descobri duas semanas depois que soube sobre seu relacionamento com aquela garota… -Falou. -Tenho até uma história engraçada sobre isso. -Falou rindo.

Como queria ter presenciado tudo…

-Conta logo! -Falei.

Angel bebeu um copo d’água. Seus olhos brilhavam, mas ao mesmo tempo transpassavam a insegurança que ela estava sentindo.

-Seu cachorro estava vomitando muito, não sei ao certo o que ele tinha… E cerca de dois dias depois eu comecei a vomitar também… Você sabe o quanto sou paranóica, né?!- Perguntou. -Pois bem, pensei que tinha pegado alguma doença dele. -Falou rindo.

Estava morrendo de rir sem ela ao menos terminar de contar.

-Tá de brincadeira, Angel! -Falei rindo.

Ela riu.

-Ai fui ao médico, expliquei a situação e ele disse que isso era quase impossível. E logo veio me perguntando sobre minha menstruação, se eu tinha relações sexuais e blá blá… -Falou.

Nem consigo imaginar o desespero dela… O pior de tudo era ainda ter passado vergonha.

-Caralho… -Falei.

Angel riu.

-Eu tinha acabado de terminar com o Eric, pensa num desespero… -Falou.

Eric? Aquele menino nem parecia que transava. Não estava acreditando que o pai era ele.

-Eric? Ai, meu Deus… E eu aqui pensando que ele era fraquinho. -Falei.

Angel ergueu as sobrancelhas e me olhou com desdém.

-Fraco?! Cara, aquele menino acabou comigo durante os cinco meses que fiquei com ele. -Falou rindo.

Quando que a Angel virou essa safada?

-Voltando… Ai fiz a droga de um exame de sangue que iria demorar duas semanas pra sair o resultado, ai comprei um teste e descobri antes. -Falou.

-E como você ficou? -Perguntei.

-Arrasada… O Eric no início não queria acreditar e meio que rejeitou… Depois ele aceitou e disse que ia ajudar com o que fosse necessário. -Falou cabisbaixa.

Era notório que eles não estavam juntos e que ela se sentia “sozinha”.

-Eu também tô aqui, viu?! E vou te ajudar
com o que for preciso. -Falei.

Angel sorriu e segurou uma das minhas mãos.

-Eu acho que é uma menina. -Falou me olhando nos olhos. -Acho que vou chama-la de Amber. -Falou.

Amber… Jurava que iria ser Beth ou Julie. Eu só queria proteger as duas…

-E se for um menino? -Perguntei.

Tudo ficou em silêncio.

-Acho que Ethan ou Stefan… Ainda não pensei bem. -Falou.

Me perdi nos meus pensamentos e logo minha mãe gritou dizendo que ia sair. Descemos e fomos pra sala assistir alguma coisa.

21:56 PM

Após algum tempo, pegamos no sono, acordamos com o celular da Angel tocando sem parar.

-Mas que droga! -Falou enfurecida.

Angel andava de um lado pro outro com o celular na mão.

-O que foi? -Perguntei.

Angel ficou em silêncio.

-Ei, o que houve? -Insisti.

Ela não parava de digitar.

-O Eric… Ele sofreu uma acidente. -Falou chorando.

Fiquei perplexa, não sabia o que fazer…
A abracei e ela desabou no meu ombro.

-Você não pode se desesperar, viu? A Amber ou o Ethan não podem receber esse tipo de estresse. -Falei acariciando sua barriga.

Angel secou o rosto e respirou fundo.

-Ele… Caiu de moto… Acho que quebrou a perna, não sei… -Falou confusa.

Enchi um copo d’água e tentei acalma-la.

-Sabe o pior disso tudo? -Perguntou. -Eu ia com ele… Mas eu disse que queria muito passar a tarde com você. -Falou chorando.

Não sei mais com o que me surpreender… Ela podia ter perdido essa criança, morrido… Eu nem quero imaginar, meu Deus…

-Ei… Calma! O importante é que você está aqui e seu bebê está bem, ok?! -Falei.

Angel não parava de encarar o celular.

-Me leva pro hospital? Por favor… -Suplicou.

Fiquei sem reação… Eu não tinha tanta prática mas sabia dirigir… Estava desesperada e não queria dizer não…

-Angel… Vamos… -Falei nervosa.

Angel levantou e pegou suas coisas.
O medo me consumia…
Entramos no carro e pra começar eu esqueci de apertar a droga da embreagem.

-Pensa que tem uma mulher grávida parindo e um cara morrendo no hospital, acho que a adrenalina ajuda. -Falou rindo.

Consegui ligar o carro e sair do lugar. Nunca me senti tão aliviada.

-Viu?! -Falou rindo.

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00:30 PM
Chegamos bem ao hospital (graças a Deus), o namorado da Angel fraturou umas costelas e quebrou a perna, mas, estava fora de perigo.
Ficamos esperando na recepção quase duas horas, eu só precisava dormir.
Minha mãe tinha me ligado umas quinze vezes e eu não tinha certeza se queria atender.

-Atende essa droga. -Falou.

Angel estava cochilando no meu ombro.

-Duvido que você atenderia… E eu estou com o carro dela, esqueceu? -Perguntei.

Ela levantou e foi novamente na recepção saber se estava tudo bem com ele.
Atendi o telefone e minha mãe só faltou sair dele e me bater.
Logo Angel me interrompe:

-Vou passar a noite com ele, ok?! Obrigada por me trazer. -Falou.

Minha vontade era levar ela pra casa, mas… Ela sabe o que faz. Só queria ir embora.

-Tem certeza? -Perguntei.

Ela fez que sim com a cabeça e me abraçou.
Peguei o carro sozinha pela primeira vez, a sensação era nostálgica. Um mix de independência e felicidade.
Liguei o rádio e segui caminho… Decidi dar uma volta pela cidade, aliás, acho que nunca mais vou poder pegar esse carro.
Eu sempre fui apegada a tudo… Só que agora eu sinto que nada mais faz sentido ter apego.
Tudo uma hora se vai, coisas, momentos e sentimentos. Nada permanece… E eu as vezes prefiro que seja assim.
Cassie mudou minha vida de rumo e sem dúvidas eu amava estar fora dos trilhos… O problema é: Eu não sei o caminho de volta. Essa dependência acabava comigo…

                        02:10 PM 

Passei em uma loja de conveniências e comprei um hambúrguer, estava faminta. Decidi checar as mensagens e tinham três novas mensagens de um número desconhecido. Meu coração parou por um instante… Era Cassie.
Parece que ela adivinhava quando estava pensando nela.

Eu não queria responde-la… Pra ser sincera, eu estava começando a não acreditar em mais nada do que ela me dizia…
Decidi voltar pra casa, já estava ficando muito tarde e minha mãe vai surtar se ela acordar e eu não me ver dormindo.
Eu preciso de um tempo pra mim… Pra digerir tudo. Eu tenho certeza de que a amo, mas eu não sinto isso da parte dela… Não mais.
Coloquei “Cigarette Daydreams” e voltei. Estava à quase duas horas de casa, essa sem dúvidas era a noite mais longa que já havia passado.

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Eu quero agradecer o carinho e por toda a audiência que vocês dão a essa fanfic, que eu tanto adoro publicar.

Obrigada por todos os comentários, curtidas e os compartilhamentos nas redes sociais, sou muito grata!

Um Beijo da Mila!
Gratidão!