Apenas sozinha, deitada nesse chão gelado.

Depois de sentir frio no chão gelado.
Depois de se afogar nas minhas lágrimas, até não conseguir mais respirar.
Eu sentia uma dor imensa no peito, eu não sabia dizer se era raiva, tristeza, alegria, medo, culpa… Era apenas sentimentos feridos, sentimentos que estavam perdidos dentro de mim e sem sentido nenhum.

Depois de ficar aqui deitada nesse chão gelado, depois de me sentir totalmente perdida, de ficar pensando se ia ser naquela hora, que eu iria desistir. Eu me perguntava mil vezes se deveria continuar aqui e o porque de continuar aqui, me perguntava quais eram os motivos para partir. No final, eu não tinha uma resposta para nenhuma das duas opções, porque pra mim tanto faz estar viva ou morta.

Eu não me sinto viva, mas também não me sinto morta.
Eu não me sinto totalmente triste, as vezes a felicidade bate aqui na minha porta.

Eu me pergunto todos os dias o porque dos adultos nunca dizer a verdade sobre a vida, quando somos adolescentes, eles não dizem a verdade sobre a vida, pra ninguém, creio eu, que eles não dizem a verdade nem pra eles mesmo, aliás, nem deve saber o que é vida.

Só sabem dizer: “É apenas uma fase, vai passar.” Usam essa frase pra tudo na vida.” Eu já tive a sua idade, já passei por isso.” “Você precisa ocupar a cabeça, fazer algo com a sua vida.” “Ter um emprego, fazer uma faculdade ou curso, assim não vai ter tempo pra pensar nessas coisas.”

Eu sei, eu aprendi que passa, mas “vai passar”, não é a solução de todos os problemas. Estar ocupada com seus objetivos e sonhos não é o suficiente para não sentir perdida em sua vida. Eu faço faculdade, vou pra psicologa, ao psiquiatra, tomo os meus medicamentos, leio livros, estudo e sou escritora, assisto séries e filmes, também vou pro rolê com os meus melhores amigos e amigas, saio com os dois amores da minha vida.
Mas mesmo assim não é suficiente e fala sério, estou com 21 anos, 10 anos de tratamento e já passei por tanta coisa, eu fui pro fundo do poço várias vezes e sai de lá diversas vezes e mesmo assim eu não superei, e eu não sei exatamente o que eu tenho que superar até agora. Eu não entrei em uma guerra comigo mesma e com mundo, agora, foram anos e anos de tratamento e dando o meu melhor e fazendo tudo que esperam de mim: Que eu fique bem.

Eu não posso demostrar nem se quer por um segundo que eu quero desistir ou que não estou bem, que todos caem matando em cima de mim, eu entendo que querem que eu fique bem e eu fiquei bem por um tempo e isso foi bom, eu tinha conseguindo sair do fundo do poço, mas agora eu estou aqui de novo. Me perdoa, mamãe e papai se eu estou falhando com vocês de novo, mas eu já estou farta, eu fico pensando o que se passa na cabeça dos adultos que vivem a nossa volta, se eles acreditam mesmo na vida que vivem, e o que se passa na cabeça deles quando somos crianças e adolescentes. Até porque, eles não dizem que mesmo conquistando os seus objetivos e com a cabeça ocupada, haveria problemas e soluções da mesma maneira. Eles não dizem que você nunca vai se sentir satisfeito, porque nem eles, como adultos conseguiram se sentir satisfeitos, de uma forma ou de outra estão sempre procurando algo pra satisfazer, mas até agora eles também falharam em ser adultos, estão perdidos no que é ser adulto, com responsabilidade e liberdade, com ações e consequências, porque nem eles conseguiram lidar com tudo que tiveram que passar, eles sabem que sempre vão passar por alguma coisa, é por isso que na maioria das vezes eles acham tão simples ser adolescente e lidar com problemas adolescentes, porque se acostumaram com o caos da vida, eles já sabem a um bom tempo que a vida não é gentil, muito menos sútil. Está aí mais um motivo pra nunca serem tão sinceros, nem com eles e nem com nós, eles querem que tenhamos a esperança que eles já tiveram um dia, porque eles sabe que em partes da vida, eles querem viver e quando partir, desejam que a gente descubra o que seria vida e que gente viva e viva muito, de uma forma que eles jamais poderia ter vivido, querem que nos sejamos felizes, apesar de tudo… Eles querem nos dá a mesma esperanças que tiveram um dia, fazer a gente acreditar que papai noel, fadas e unicórnios existem, não vamos esquecer das sereias e vampiros, também tem as princesas dos contos de fadas da Disney, eles sabem o quanto era melhor o famoso joelho ralado do que as dores da vida, porque quando você vai crescendo, você descobre que Papai Noel não existe e que muito menos a Fada do Dente colocava dinheiro em baixo do seu travesseiro, que era sua mãe ou seu pai. E com tempo você vai crescendo mais e mais, começa a ter noção das coisas, questionar, criar seus princípios e tentar entender no que você acredita, afinal desde de pequeno lhe disseram que Papai Noel existia, até você crescer e descobrir que não existia, então, você aprende que tem que saber no que acreditar, não se deve acreditar em tudo ou em todas as pessoas, pois já quebrou a cara com diversas coisas e pessoas, no final das contas, você cresce descobre que os acontecimentos da nossa vida é que nem Papai Noel, cheio de verdades, mentiras e mistérios no caminho.

Você descobre que no caminho para descobrir certas coisas da sua vida, você acreditou muito que aquele era o caminho, mas não final não era, tomou outra direção, e outra direção e mais outra direção, já não sabe quantas direções você tomou, mas que percebeu que não existe a magia, o equilíbrio perfeito, muito menos a receita para o que se é viver.

Eles sabem o quanto crescer dói, não conseguem olhar na nossa cara e dizer que não existe vida perfeita e que nem eles sabem o que estão fazendo.
Não dizem que vida não é doce como um sorriso de uma criança.
Que as horas do seu dia, não vão durar uma eternidade, que nem você achava na época da escola.
As pessoas não vão te dizer todos os dias: bom dia, boa tarde, boa noite e muito menos obrigada pra você.
As pessoas não vão dar mais importância pro seu aniversário, não igual quando você era criança. Também vão parar de lhe dar os parabéns depois de uma tarefa bem feita, porque afinal, agora tudo virou a sua obrigação, assuma a sua responsabilidade.
Nem todo mundo vai lhe perguntar como foi o seu dia, como sua mãe lhe perguntava quando você voltava da escola, raramente vão lhe dar um sorriso quando te vê passando na rua. Esqueceram de avisar também, todos vão lhe julgar, não só agora, mas pra sempre.

Depois de ficar sozinha nesse chão gelado, eu peguei meu celular e resolvi escutar música, sabe aquela música da Miley Cyrus – Butterfly Fly.

Ela descreve uma parte do que eu venho sentindo. Eu sinto tanta coisa, que vocês vão ter tantos textos, porque nem as palavras estão sendo o suficiente pra descrever o que eu venho sentindo.

Eu posso ser várias coisas, sou cheia das teorias, mas a teoria de hoje é que somos mariposas e borboletas.

Sabe quando as mariposas e as borboletas estão dentro do casulo, antes de poder bater as asas e voar? Elas também sofrem muito, ficam ali grudadas na árvore, tomam chuva, vento, sol, correm o risco de pessoas fazer algo com elas. Quando as mariposas e borboletas estão próximas de sair do casulo, não sei dizer direito, mas eles ficam cavando e tentando furar o casulo pra sair, e tem uma forma de ajudá-las, alguém poderia facilmente fazer um furinho pra facilitar que ela saia do casulo, mas isso a tornaria mais fraca, ela não descobriria sozinha que pode sobreviver a chuva dentro do casulo, não saberia o quanto era bom tomar um sol, dentro do seu casulo e muito menos saberia que nem os ventos a derrubaria, se tivesse sido fácil demais, ela não descobriria que depois de todo o sofrimento pra sair do casulo, ela daria valor ao que passou lá dentro, pra agora bater as suas asas e voar pelo dia ensolarado.

Nós somos mariposas e borboletas dentro do casulo, nossos pais, avós, adultos das nossas vida, são borboletas e mariposas, eles ainda estão descobrindo como bater as asas, mas já aprenderam que a vida é uma só e que nesse meio tempo eles tem que aproveitar e fazer tudo da melhor maneira que eles puderem fazer, eles vão errar pra caramba, mas também vão acertar pra caralho, porque assim como a gente, a intenção deles nunca foi a de errar.

Eu estou no casulo, eu não sei quanto tempo vou ficar aqui deitada nesse chão gelado, olhando pro teto e pra luz, mas sei que uma hora eu também vou ter que bater as minhas asas e voar, pra descobrir… Ok, eu não sei o que é pra eu descobrir, mas de alguma maneira eu quero encontrar e ser encontrada e vou percorrer o caminho que tiver que ser, seja com chuva ou sol, afinal, sempre tem um arco-íris, um por do sol, a lua e estrelas iluminando no céu, pra dizer: não deixe de acreditar e nem de tentar voar, todas as vezes que você cair.
Afinal, como diz a Miley Cyrus: Borboleta, voe longe. 🦋


Olá minhas Luas, sentiram falta dos meus textos? Eu sei, tenho que postar mais as minhas teorias e meus textos que eu chamo de rascunhos, é tanta coisa acontecendo na minha vida, que eu estou perdida até como criar os conteúdos pra vocês, mas eu sempre vou estar por aqui. Eu espero, que esse texto ou rascunho, lhe ajude e lhe de a luz que você precisa, escrever esse texto foi um certo alivio para o meu coraçãozinho, que anda bem apertado ultimamente e poder dizer como eu estou me sentindo em forma de texto e postar pra vocês me ajuda e me da um certo alivio também.

Como vocês sabem, esse mês é o mês do Setembro Amarelo, ano passado eu estava bem iluminada pra escrever palavras cheia de luz e esperanças, mas esse ano pra mim está sendo diferente, deve ser porque eu também estou passando por muitas coisas e não estou sabendo lidar, quando não consigo ser a minha luz, eu também não consigo ser luz para outras pessoas, mas algo me faz ficar por aqui e não desistir e eu espero isso de vocês, eu sei que muitos nos ajudam de boca pra fora, que usam o setembro amarelo como uma causa de um mês e depois esquecem que a gente mesmo depois dos setembro amarelo ter acabado, ainda vamos ficar com as nossas dores, crises e ainda vamos ter que continuar superando, mas o que eu quero dizer, que mesmo assim, com a hipocrisia de muitas pessoas, não desista de você, não desista dos seus sonhos, assim como eu, você também merece uma vida extraordinária e só vamos ter essa vida incrível se a gente continuar aqui, dentro do casulo ou batendo as nossas asas, mas sem desistir!

Beijos da Mila e de Luz!
Gratidão!
Até logo!

2 comentários em “Apenas sozinha, deitada nesse chão gelado.

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