Acidente de Amor – Capítulo 7 – Série Os Freitas – Volume 2

Capítulo 7

Arthur

Acordo no hospital com minha mãe ao meu lado, com uma cara muito preocupada, ela olha para mim e fala já se levantando:

– Filho, como você está? Sente dor em algum lugar? Está com tontura? – Ela me ataca com tantas perguntas que fico zonzo, respiro e ergo um pouco a mão dizendo:

– Mãe, respira de vagar, se acalma. Eu estou bem, pelo que vejo, eu só quebrei o braço, fora isso estou bem mãe – Ela respira fundo, e continua mais calma:

– Filho, eu só fiquei preocupada. Uma mulher louca estava apostando racha de rua e bateu o carro no seu, o passageiro que estava com ela morreu, ele estava sem o sinto, ela foi encaminhada para a delegacia. Bom para ela, ela quase te matou, irresponsável – Ela realmente ficou furiosa com essa mulher, mas bem, foi irresponsabilidade mesmo. Eu pergunto:

– Como ficou o carro? – Ela olha para mim descrente da minha pergunta, ela responde:

– É sério? Você acabou de sofrer um acidente e você está preocupado com o carro? – Eu olho para os lados e depois para ela e balanço a cabeça positivamente, ela coloca a mão sobre a testa e continua – O carro já era, Arthur, o concerto vai ficar muito caro, ou seja, você vai ficar a pé, não vou deixar seu pai comprar outro carro para você, você vai pagar o concerto sozinho. Sua irresponsabilidade foi tão grande quanto a moça ao atender o celular dirigindo, agora se vire – Ela termina olhando séria para mim.

– Nossa mãe, ok, eu admito, foi desatenção minha.

Ficamos conversando, o médico veio e me levou para alguns exames, porque eu havia batido a cabeça no vidro, logo após as radiografias recebi alta e fui para ir para casa. Antes de ir para casa, decidi passar na delegacia e ver a tal mulher que bateu no meu carro, chegando lá de taxi, me aproximo do balcão e pergunto sobre ela e disse que quero vê-la, o homem respondeu que iria chamar o delegado e que ele me explicaria tudo sobre as burocracias do acidente. Meia hora depois o delegado chega e me fala o que eu preciso fazer e que a motorista do outro carro foi a culpa, ela também será julgada pela morte do passageiro que estava com ela, mas pelo que ele me fala, ele estava sem o sinto de segurança e com o impacto da batida, ele foi lançado para fora do carro. Então eu comento com o delegado:

– Eu quero vê-la, senhor, conversar com ela – Ele então responde meio relutante:

– Tudo bem, mas não demore – Ele então se levanta e pede para um guarda me levar.

Me aproximo de uma cela, e vejo uma moça, de costas e o cabelo desgrenhado, o guarda então fala:

– González, visita – A moça então se vira e então vejo a minha frente, atrás das grades, Leticia, a garçonete que havia me ajudado com o projeto do senhor Smith. Então foi ela que bateu o carro no meu, ela ficou pasma, ela parecia não acreditar, ela estava com os olhos fundo e vermelhos, ela havia chorado muito. O guarda sai e nos deixa sós, eu começo meio sem jeito:

– Oi Leticia, como você está? – Uma dor enorme tomou conta dos olhos dela e ela respondeu com ironia:

– Estou ótima, bati um carro que não era meu em um carro caríssimo, e ah, matei o meu namorado – Nesse ponto ela já estava chorando, gritando e se sentando no chão escorando na parede e a mão no cabelo, o que eu poderia dizer? Ela teve culpa, mas está arrasada, tudo que eu consegui dizer foi:

– Não se preocupe com meu carro, e sobre o julgamento da morte do seu namorado, vou te conseguir um bom advogado – Ela olha para cima, nos meus olhos e grita se levantando e vindo até as grades:

-EU NÃO ESTOU PEDINDO A SUA AJUDA RIQUINHO, EU SEI ME VIRAR SOZINHA.

– Eu sei, mas não custa nada, você me ajudou, agora eu vou retribuir – Eu retruco e me retiro em seguida. Chego em casa e ligo para meu pai, não demora ele adente:

– Oi pai, preciso de um favor – Falo calmamente, ele responde:

– Hmmm, que favor? – Fala com a boca cheia de alguma coisa, então eu respondo:

– Preciso de um advogado para defender a moça que bateu em meu carro noite passada – Ouso ele engasgar um pouco e pergunta:

– Mas por que filho? – Ele pergunta com uma curiosidade na voz.

– Ela não pode pagar um e apesar dela estar errada, vi que ela amava o homem que morreu no acidente, eu a conheço do café que vou toda manhã e ela já me ajudou uma vez – respondo calmo, meu pai dá um pequeno suspiro do outro lado e responde:

– Tudo bem filho, eu ajudo.

– Agradeço pai – Respondo um pouco aliviado.

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