Acidente de Amor – Capítulo 8 – Série Os Freitas – Volume 2

Capítulo 8

Leticia

Acordo um pouco depois da batida, zonza e com a vista ainda embasada, olho ao redor e vejo muitas pessoas em volta do carro, logo depois olho para o lado, mas não vejo Philip, olho mais à frente e vejo um corpo estirado ao chão com sangue ao seu redor, entro em desespero, tento abrir a porta, mas parece estar emperrada, tiro o sinto e então empurro a porta do carro com o ombro, ela se abre, desvencilho-me das ferragens e então eu saio do carro correndo, meio mancando, ajoelho a sua frente e falo:

– Philip, acorda, Philip – Ele não se move e então duas ambulâncias aparecem, duas viaturas e um carro do IML. Os paramédicos então vêm em minha direção e verificam se está tudo certo comigo, logo depois os policiais me levam para a delegacia, tudo que vi antes de me colocarem na viatura, foi colocarem o corpo de Philip em um saco preto do IML. Chegando na delegacia, o delegado disse que eu seria julgada pela morte de Philip e que deveria arcar com os prejuízos do Jeep e do carro que eu bati, que não era meu, e sim do Philip, e tudo que eu conseguia fazer era soluçar e chorar baixinho; o que vai ser de mim agora? Philip era a única pessoa que eu considerava minha família, de forma alguma vou volta para casa da Soraya. Sou levada para a cela e o guarda diz que permanecerei lá até o julgamento, que ainda será marcado, a cela tem apenas uma cama pequena, uma privada atrás de uma pequena parede e uma pia. As horas passam e a cada segundo que se passa ainda não consigo acreditar que ele morreu, não dormi a noite e quando eu cochilava eu acordava em seguida assustada, no dia seguinte eu estava sentada de costas para as grades, então ouso me chamarem, quando me viro, vejo Arthur, o moço bonito dono daquele Jeep, olho mais abaixo e vejo seu braço engessado, foi no carro dele que eu bati, fico espantada por um momento. O guarda então se retira nos deixando sós, ele parece sem jeito, e eu estou um caco, ele então começa:

– Oi Leticia, como você está? – Eu estou tão abalada, que não estava pronta para responder aquela pergunta seriamente, então eu falei carregada de ironia:

– Estou ótima, bati um carro que não era meu em um carro caríssimo, e ah, matei o meu namorado –Ele parece um pouco espantado com minha reação, ele inspira fundo e fala:

– Não se preocupe com meu carro, e sobre o julgamento da morte do seu namorado, vou te conseguir um bom advogado – Aquilo me subiu à cabeça, ele pensa que eu preciso de esmola? Sem pensar retruco irada, já gritando com ele:

– EU NÃO ESTOU PEDINDO A SUA AJUDA RIQUINHO, EU SEI ME VIRAR SOZINHA – Eu estava muito alterada, ele estava calmo, seus olhos neutros, um curativo em sua testa se destacava em seu rosto cheio de pequenos outros arranhões, ele continua:

– Eu sei, mas não custa nada, você me ajudou, agora eu vou te ajudar – Depois disso ele sai, me deixando só com meus pensamentos, é difícil para mim acreditar nas pessoas, quem muito é traído, nunca confia de verdade.

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