Acidente de Amor – Capítulo 11 – Série Os Freitas – Volume 2

Capítulo 11

Arthur

Chego no fórum e vejo que tem poucas pessoas, me sento e olho ao redor, vejo ao longe uma mulher mais velha que chora e uma mais nova que a ampara, um tempinho depois Leticia é trazida e a mulher que chorava começou a gritar alterada:

– Assassina, assassina. Você o matou, matou o meu menino, você é culpada por tudo – Leticia ficou cabisbaixa e parecia suspirar e chorar baixinho, a mulher foi obrigada a ficar em silencio, o julgamento então se inicia. O juiz então começa a relatar o ocorrido, e a cada palavra ela parecia ainda mais desencorajada, depois das testemunhas e do conselho dar sua opinião, o juiz então dá o veredicto:

– Sentencio a réu a serviço comunitário e uma multa de mil duzentos e cinquenta dólares, julgamento encerado – Nesse momento a mãe do rapaz se levanta alterada ao extremo e invade a área onde Leticia estava e dá um tapa estralado em seu rosto, ela iria continuar agredindo ela, quando os guardas se aproximaram e prenderam-na, ela começa a gritar:

– Sua vagabunda, isso é pouco para você, sua desgraçada, eu te odeio sua assassina – O juiz então se levanta enfurecido e fala grossamente:

– Levem essa senhora para a cela, até que se acalme – A mulher então é levada e uma outra moça diz para Leticia, que em meio a tudo isso estava com a mão no rosto e em silencio:

– Isso tudo é culpa sua, depois que você entrou na vida dele, destruiu nossa família – A moça se retira e o policial leva Leticia de volta para dentro da sala de que havia saído, reparei que ela chorava e o policial que a levava apoiou sua mão sobre as costas dela em forma de consolo. Assim que saio do fórum passo na penitenciaria, onde vejo Leticia saindo com os olhos vermelhos e as mãos cheias de papeis, me aproximo e falo com a voz doce:

– Oi Leticia, eu vim oferecer ajuda e pagar um taxi para te levar, aceita? – Ela aparenta estar tão cansada que apenas balança a cabeça positivamente, me aproximo da rua e assim que avisto um taxi eu aceno para que pare, ele para a nossa frente e eu abro a porta e deixo que ela entre primeiro, então o motorista pergunta sem olhar para trás:

– Para onde? – Eu olho para ela que fala:

– Rua dos Coqueiros, 3253 – Ele liga o carro e começa a dirigir, nós vamos em silencio boa parte do caminho e eu pergunto:

– De quantas horas será o serviço comunitário? – Ela está séria e olha pela janela pensativa ela fala ainda sem olhar para mim:

– 500, vou pintar algumas escolas por aí. Por que está me ajudando? Você não me conhece e muito menos me deve nada – Ela olha fixamente em meus olhos e seus olhos verdes me inundam e eu paraliso e me dou conta de que na verdade, não há mesmo razão para eu ajuda-la então eu respondo:

– Eu não sei, só quero ajudar – Ela pisca algumas vezes e diz:

– Ninguém ajuda ninguém sem nada em troca – Ela está certa, então eu rebato:

– Eu não disse que não queria nada em troca – Ela faz uma cara de “eu já sabia´´ e eu continuou – Quero te conhecer melhor, você me intriga – Ela revira os olhos e volta a olhar pela janela. Assim que o taxi para eu olho para um pequeno prédio de dois andares, a parte de baixou era um tipo de mercearia. Ela sai do taxi e fala:

– Valeu pela ajuda, mas eu me viro melhor sozinha, ainda tenho uma multa para pagar e muito trabalho para fazer. Adeus Arthur – Ela fecha a porta do carro e vai em direção a uma porta estreita ao lado da porta de vidro da mercearia, ela entra e fecha logo em seguida. Falo o endereço para o taxista e vou para casa, assim que chego em casa vejo outro bilhete da Emmy dizendo que não iria voltar para casa, eu tomo um banho, ainda com dificuldade e durante todo o tempo eu fiquei pensando na pergunta em que ela havia me feito, eu realmente não sabia a razão de querer ajuda-la.