Conto – Com As Mãos no Volante – Parte 1

Ele faz as malas, pega sua mochila com todos os documentos e dinheiro, entra em seu carro e começa a dirigir, sua primeira parada é em um posto de gasolina, cinco horas depois de sua partida, ele se aproxima do frentista e pergunta: 

“Bom dia, sabe se tem um abrigo para idosos aqui por perto?”  

“Olha chefia, tem sim, você vai pela aquela estrada e vira à direita, vai ter uma placa lá” 

“Perfeito, agradeço, e um bom trabalho” 

Se despedindo ele segue até o abrigo, como indicado, havia uma placa, quando ele entra na casa é recebido por uma enfermeira que o leva até a chefe, pelo caminho ele viu muitos olhares caídos e solitários, sem contar o cheiro que não estava muito bom. Ao adentrar a sala da diretora do lugar ela se levanta e o cumprimenta com um sorriso amarelo, ela se apresenta e pergunta: 

“Meu nome é Clotilde, comando esse lugar, e você quem é?” 

“Meu nome é Ricardo e quero comprar esse lugar” 

Sua expressão de espanto mostrou o quanto aquilo foi inesperado, mas em seguida seu sorriso interesseiro apareceu, como o de todos com quem convivi por muito tempo, via em seus olhos o quanto odiava aquele lugar e o quanto ela não cuidava dos seus hóspedes e isso precisa ser mudado, continuou dizendo: 

“Lhe faço um cheque agora mesmo, mas terá que se retirar até o fim dessa semana, preciso de uma planta do lugar, com um anexo falando sobre todos os cômodos e funcionários e todos que moram nesse lugar, uma ficha bem detalhada sobre todos, mandarei alguém de minha confiança para cuidar desse assunto” 

“Como achar melhor” 

Ela pareceu surpresa e muito contente com o valor que eu lhe ofereci, saio do lugar já pegando meu celular e ligando para Henrique, ele atende prontamente dizendo: 

“Pois não senhor?” 

“Preciso que envie o Carlos para a localização que irei enviar, preciso que ele seja o novo diretor de um asilo, deixarei uma lista com tudo que eu quero que ele faça, ele deverá começar na segunda…” 

“Mas senhor, será a semana do Natal”  

“Sim, eu estou ciente, ele será bem remunerado, enviarei um presente e uma explicação a família” 

“Certo, falarei com ele agora mesmo” 

Ele desliga o celular e entra na cidade mais próxima, já está na hora do almoço e passa em um restaurante, almoça e passeia pela cidade, vai até a prefeitura da cidade e pergunta para uma mulher o que se pode fazer na cidade e ela indicou alguns lugares. Ele vai até o bosque e um lago, muito bonitos, mas não passou muito tempo lá, pegou o carro e prosseguiu seu caminho. 


Notas da autora:

Olá moradores do meu mundo de maquetes, esse é um conto especial, dividido em três partes uma hoje, o próximo no Natal e o último no ano novo, espero que gostem. Boa leitura.

Acidente de Amor – Capítulo 13 – Série Os Freitas – Volume 2

Capítulo 13 

Arthur  

Na manhã seguinte eu pego um taxi e vou para o café, me sento no mesmo lugar de sempre, um tempinho depois vejo Leticia entrando para trabalhar, eu estava mexendo no meu notebook, vi então pelo canto do olho ela entrar na cozinha e na saída encontrar o chefe dela, não sei o que ele disse a ela, mas ela surtou e começou uma discussão acalorada, ela então tira com brutalidade o avental e jogou-o em cima do dono, que agora é provavelmente ex-chefe, sai da cafeteria com raiva e eu recolho minhas coisas e vou atrás dela, para ver se consigo acalma-la, chego perto dela e pego em seu braço esquerdo, mas ela virou a mão com violência em meu rosto que ficou ardendo na hora, ela ainda está na defensiva comigo, convidei ela para um passeio, eu já havia adiantado o projeto que Raphael havia me passado, então eu estava livre nessa manhã, caminhamos por um tempo em silencio ela então pergunta: 

– Como está o braço? –Eu dou uma olhada em meu braço dou um sorriso e falo: 

– Está bem melhor, estou com dó do carro – Eu adorava tanto o carro, mas ainda dá para pagar o concerto, ela fala então: 

 – Desculpe por tudo, eu irei pagar pelo estrago, só terá que esperar um pouco, já que eu acabei de pedir demissão – Eu olho para ela sério e digo: 

– Não precisa, eu vou pagar, também fui errado na história, estava falando com minha mãe pelo celular, estava atrasado também, a culpa não foi totalmente sua – Eu não posso deixar ela pagar, ela já tem muito o que pagar e eu estava tão errado quanto ela e eu tenho um trabalho ainda. Continuamos andando e eu pergunto – O que vai fazer agora? Tem alguma ideia de onde pretende trabalhar agora? – Ela respira pesadamente e diz: 

– Ainda não sei, sempre gostei de ser garçonete, apesar de tudo, um sonho antigo meu era ter uma cafeteria, só minha, mas o tempo passou e as coisas mudaram, a vida me endureceu e eu vi a realidade, tudo que me resta agora é trabalhar para pagar a multa. E sejamos sinceros, ninguém irá dar trabalho para uma condenada por racha de rua – Ela dá um sorriso irônico, eu penso um pouco e falo: 

– Você corre a muito tempo? – Ela olha meio confusa, pela pergunta e ela responde: 

– Alguns anos – Ela ainda está na defensiva eu então continuei o assunto: 

– Como aprendeu a pilotar? – Ela me olha nos olhos dessa vez, ela é praticamente da minha altura, em seguida olha para um lugar qualquer, mas seu pensamento está longe, ela então responde: 

– Foi com Philip, uma longa história – Ela parece não estar muito confortável com o assunto, então resolvo mudar drasticamente o rumo da conversa: 
– Acho que vai chover, o que você acha de irmos tomar um chá ou café, tudo se resolve após uma xicara de café – Ela arqueia uma das sobrancelhas e sorri alto e fala: 

– Eu acho que não, “sem problemas, sem responsabilidades e nenhuma nuvem no céu´´ – Ela gargalha com os braços esticados para o céu e fala – Você já assistiu o desenho Timão e Pumba? – Ela parece bem mais tranquila agora, eu respondo sorrindo: 

– Sim, é um ótimo desenho – Ela sorri alto e diz: 

– Vamos, vamos tomar esse tal chá – Vamos na direção de uma cafeteria, assim que nos aproximamos vemos um panfleto colado no vidro na parte de dentro, que dizia “precisa-se de garçonete´´, eu dou uma olhada para ela e digo: 

– Bom, eu disse que tudo se resolve após uma xicara de café – Ela revira os olhos e diz: 

– Ainda não tomamos café, então essa afirmação não está correta – Ela ri e eu retruco: 

– Ainda não entramos para você fazer sua entrevista de emprego – Ela revira os olhos novamente, sorri e adentra no lugar, nos aproximamos do caixa e ela pergunta: 

– Bom dia, ainda tem a vaga de garçonete? – O moço do caixa responde: 

– Então, sim, no entanto a chefe não está aqui hoje, volte amanhã para conversar com ela – Ele olha para mim e pergunta – Como está o braço Arth? Fiquei sabendo do acidente, foi uma bela pancada aquela hein – Eu sorrio alto, enquanto Leticia olhava para mim como se não acreditasse, eu então respondo: 

– Pois é, o braço já está melhor, e como estão as coisas aqui? A Mel já saiu? Por isso que estão precisando de mais uma garçonete? – Leticia cruza os braços só observando, Kevin, o caixa, então responde: 

– Não, na verdade você não vai acreditar, foi a Renata, ela do nada surtou e resolveu sair, a mel ainda está por aqui, ainda faltam uns 2 meses para o Jorge nascer, estamos pensando em fazer uma pequena festinha de despedida para ela, já que ela vai passar um bom tempo sem vir.  

– Ah sim, bem amigo, nós vamos tomar um café, até – Eu falo e então puxo a Leticia para uma mesa e nos sentamos, ela me encara séria.