Quatro semanas

Já fazem quatro semanas que ele se foi, não tem mais nada aqui que tenha o cheiro dele, mas eu sinto seu perfume pela casa toda, também não tem mais nada do que ele gostava, nenhum tipo de bebida ou comida, o cinzeiro está vazio e servindo de decoração, a casa está em ordem, não tem nenhuma roupa perdida pelo chão, ou nenhum outro tipo de bagunça, faz tempo que não me deito na sala também, é solitário.

Me permito olhar em volta de tudo e ser tomada pelas lembranças, primeira vez que jantamos aqui era lanche, a última vez foi pizza, quatro queijos era a nossa preferida, também me lembro dos filmes que tentávamos ver, mas olhar para o sofá me lembra de estar te perguntando como foi que a gente se perdeu, eu lembro de você limpando minhas lágrimas e falando sobre como iríamos dar um jeito, me lembro de deitar no seu peito e dos carinhos em silêncio, exceto pela música, era o momento mais confortável entre nós, o fim do dia.

São quatro semanas, foram dias sem cor, sem sua alegria e nossas brincadeiras, eu deveria estar seguindo com a minha vida, conhecendo outras pessoas, mas eu não consigo substituir você, eu me pego procurando detalhes seus, talvez eu tenha perdido alguém incrível já, mas tô esperando você querer voltar.

Qual é a chance? Nenhuma, mas eu tô esperando, mesmo sabendo que você está por aí sorrindo com aquela garota que mal te conhece, eu me permito lembrar das promessas que fizemos, dos seus detalhes, como aquela marca que você tem nas costas de um jogo bobo, a sua risada estranha que eu sempre gravava, ela me fazia rir sempre, de como eu amava o seu sorriso e você não, da única foto nossa em que você tá sorrindo, eu apaguei ela, assim como todas as outras que tínhamos, eu lembro das viagens e da sua emoção conhecendo minha praia favorita, mas também me lembro das brigas, de como você me fazia sentir culpada por tudo, quando o culpado era sempre você.

As lembranças tem um poder enorme de brincar com nossos sentimentos, eu consigo sentir todos os possíveis ao lembrar dele, tomando um café amargo e frio, assim como foi as últimas semanas.

Eu tentei, eu juro que eu tentei, eu lutei por ele quando tudo começou a sair dos trilhos, eu fiz de tudo para ele ficar, mas não deu, tive que deixar partir, mesmo me partindo, eu o vi saindo pela porta, aquela foi a última vez, a minha última lembrança dele.

Nessas quatro semanas, eu ainda acho que vejo ele pela casa, consigo ouvir a sua voz, será que tô enlouquecendo? Talvez, mas acontece que eu sempre soube, esse amor livre que a gente tinha não ia dar certo, nós não íamos dar certo, mas eu estava lá, cada dia me afogando mais nesse amor que não tinha nenhuma profundidade, imaginando os planos dando certo e a gente contra o mundo.

A questão é que todos me avisaram, todos me falaram sobre você, e eu cega, bati o pé que comigo seria diferente, eu acreditei que os sentimentos que tínhamos era recíproco, que tolice, eu realmente tentei te transformar em um príncipe, quando nem vocação para isso você tinha.

Eu que sempre fui tão insegura, me sentia única com você, meus pensamentos paravam quando estávamos juntos, era como se tudo tivesse acabado, só estivéssemos nós dois, todo o resto se acalmava, era a minha tranquilidade no meio do caos que é a minha vida, e todos os dias eu me sentia em paz me sentia mais viva, achava que você era a pessoa certa e que por um milagre, eu era a pessoa certa de alguém, mas você me destruiu.

Quatro semanas e a insegurança voltou, eu nunca fui a única, era só mais uma acreditando que comigo era tudo diferente, mais que você tocou e dilasero, eu não tinha nada de diferente, a diferença é que eu insisti por mais tempo, me desgastei ainda mais, passei noites pensando no que mais podia fazer por você, quando eu já tinha feito tudo, agora eu mal consigo respirar.

Aqui estou eu, mais um dia sentada no chão enquanto tomo meu banho, a água está quente, mas não me esquenta, minha pele ainda parece ter seu perfume, não tem nada aqui que não me lembre você, o meu corpo principalmente, eu criei a ilusão que tínhamos o encaixe perfeito, que ridículo, mais um dia que termino o meu banho e me forço a ir viver minha rotina.

*É apenas um texto sem final feliz, a história não é verifica e nenhum coração foi partido para ser escrita, com amor, Abibi.