Conto – Nem Tão Princesa – Parte 3 – Final

continua…

– Edgar fez o que? – ela explodiu de ódio – Ele me paga. Como ele pode fazer isso? Que direito ele tem? Ele não disse nada disso em sua última carta – ela andava de um lado para o outro tentando se acalmar, mas cada passo a deixava ainda mais indignada, ele então perguntou ainda muito surpreso:

– A senhorita sabe ler? – ela parou abruptamente, que tipo de pergunta era aquela? Ela então retruca:

– Você não?

– Apenas os nobres têm acesso a qualquer tipo de escolaridade, os empregados como eu, não sabem nada.

– Como meu pai pôde fazer isso com seu povo? – disse se sentando, o jovem abismado fala:

– Ele é seu pai. Mas o rei não teve filhos com a rainha. Como pode? – ela balança a cabeça e continua:

– Longa história, mas me conte, o que mais acontece no reino dele?

Ele começa a contar como o rei direciona mais riquezas para suprir seus luxos, contratar guerreiros, agradar outros nobres e como seu povo humilde vive em uma completa miséria, cada novo fato que ele lhe esclarece a enfurece e a deixa ainda mais revoltada. Ela se levanta brutalmente, vai para seu quarto e veste uma calça de couro e um colete igualmente de couro, feitos por ela, calça uma bota resistente e chama por Justine que aparece prontamente, ela lhe dá instruções para que cuide do jovem desconhecido e que voltaria para busca-los, ela chama por Caton que logo aparece, vão até o lado de fora, ela sobe em suas costas e ele levanta voo.

Eles sobrevoam a extensa floresta que circunda seu velho castelo, ainda é cedo quando eles partem, voam por horas a fio, fazem uma parada e logo retomam sua viagem, em dois dias e meio eles chegam à tardinha no reino de Edgar. Ela passa pelos muros, pelos guardas que desacreditam no que seus olhos veem, Caton desce e para em frente à porta principal, ela desce dele e de cabeça erguida ela abre as portas, todos ficam imóveis perante a situação, Caton estava pronto para qualquer reação dos mesmos, ela entra bufando e vê no final do corredor Edgar sentado em seu trono, ela se aproxima a passos largos para em frente a ele e fala:

– Vim receber meu prêmio – confuso ele pergunta:

– Que prêmio?

-Como que prêmio? Você colocou minha mão a prêmio e quem me trouxesse de volta, iria se tornar rei! Estou aqui para ser coroada. Eu mesma me trouxe aqui, exijo meu prêmio.

Perplexo ele nada fala, ele a conhece o suficiente para saber que não deve enfrenta-la, ele cede, sem escolha, ele sabia que não seria fácil leva-la de volta, mas não esperava que ela o enfrentaria, e sabia que se o fizesse ela seria um enorme problema. Antes do final da semana ela foi coroada, muitos revoltosos se formaram, mas assim que ela começou a mudar muitas coisas no reino, ela passou de odiada, à salvadora, ela espalhou escolas e direcionou as riquezas em outras áreas, os nobres insatisfeitos logo foram colocados em seu lugar, ela foi dura, justa, e amável, quando necessário. Justine se tornou a cozinheira real, e o jovem desconhecido, Leon, mais tarde virou seu conselheiro. Ela mudou o reino, expandiu seus limites, conquistou novas áreas, e em todas as guerras que foram travadas, ela estava na linha de frente, enfrentando todos que desafiavam e acolhia todos os necessitados. Anos depois, um homem maduro e tão rebelde quanto ela, apareceu em seu reino, eles se apaixonaram loucamente, mas demorariam muito para admitirem um ao outro, depois de algum tempo, eles se casaram, mas ela permaneceu no controle de seu reino, os filhos vieram um tempo depois, eles viveram muito tempo e seu reino prosperou, em anos nunca se teve uma rainha como ela, e sua filho, continuou seus passos um rei tão justo quanto ela.

~ fim ~

Conto – Nem Tão Princesa – Parte 2

Meses se passaram e ninguém havia tido êxito nessa missão, a floresta era obscura, traiçoeira e perigosa demais para os fracos, enquanto isso, Diana em seu castelo nada sabia do que ocorria fora de seus muros. O boato de que uma donzela estaria em apuros em um castelo distante, e que o homem que a salvasse e levasse de volta para o rei Edgar se tornaria o novo rei, se espalhou como uma praga, atravessou províncias, continentes e outros reinos, onde aumentou a procura pela bela jovem, mas a floresta ainda era o maior desafio a se enfrentar, ela rodeava todo o castelo e só os mais espertos conseguiriam sobreviver.

Era uma noite sem lua, escura e tenebrosa, quando um homem finalmente chega ao castelo, encontrou uma forma de passar pela floresta vivo, mas agora esse não era o único problema que ele iria enfrentar.

Ele abriu violentamente a porta principal e começou a explorar o com a reta guarda levantada, pronto para qualquer coisa, ou quase qualquer coisa. O castelo era enorme, com grandes paredes e portas exageradamente grandes, ele se perguntava que tipo de perigo ela corria, pois, sua morada estava vazia, sem guardas, cães nem reptes. No instante seguinte ouviu um rugido ao longe, será um leão, mas não poderia, o rugido estava cada vez mais próximo, ele então se virou e viu um enorme dragão com escamas esverdeadas, ele hesitou, se encheu de coragem e o atacou, em um minuto ele virou churrasco, como uma onda de chamas o dragão contra-atacou deixando seu oponente completamente em chamas. Em poucos minutos, Diana aparece descendo as longas escadas se perguntando o que havia ocorrido, de seus aposentos pode ouvir o estardalhaço provocado pelo seu invasor, ela olha o mesmo sem movimento algum caído no chão ainda com as chamas o consumindo, e um cheiro podre começou a tomar o lugar.

Ela furiosa grita com seu dragão:

– Caton, quantas vezes terei que dizer? Não é para queimar nada dentro do castelo, olha o cheiro que fica, ele não vai sair por semanas – o mesmo abaixou a cabeça e pareceu entender bem o que havia feito, ela olha para o corpo ainda em chamas e grita – Justine, traga um balde d’água – em pouco minutos a mesma aparece e joga água nas chamas, logo depois retiraram o que sobrou do corpo carbonizado, ela olhou para Caton e falou séria – Que isto não se repita.

Mas se repetiu, outras muitas vezes, homens começaram a aparecer em seu castelo, invadindo e tentando matar seu dragão, nada daquilo fazia sentido para ela, seu castelo nunca teve visitantes, ela nunca vira tantas pessoas, tantos homens em sua vida como está vendo nos últimos meses.

Em um dia, cansada disso tudo decidiu que o próximo que surgisse ali, com as mesmas intenções dos anteriores, ela iria interroga-lo antes de tomar qualquer outra decisão, e em poucos dias apareceu um jovem muito ferido, aparentemente sua viagem havia sido muito prejudicial ao mesmo, tinha uma grande feria em seu ombro esquerdo, ela o colocou em um quarto não destruído pelo tempo, e ajudou a se recuperar, ele estava desmaiado, no instante que acordou ela estava sentada em uma cadeira a sua frente, ela começou:

– Quem é você e o que faz em meu castelo? – ela estava muito curiosa, furiosa e séria, ele olhou ao redor confuso, pigarreou e falou em seguida:

– A senhorita é a donzela em perigo que reside neste castelo?

– O que isso lhe interessa – esbravejou, ele pareceu surpreso ela continua – Que história é essa de donzela em perigo? – ele ainda com confusão responde:

– Um rei chamado Edgar, colocou sua mão em casamento para aquele que a levasse de volta a seu reino e que se tornaria o novo rei.

– Edgar fez o que?

continua…

Conto – Nem tão princesa – Parte 1

Em uma noite de tempestade ela nasceu, Edgar a rejeitou veemente durante a gravidez de Ingrid, sua meretriz, escondeu sua relação de todos, ele como rei jamais poderia deixar que soubessem de sua amante, muito menos que a engravida-la, no entanto, assim que a viu a pela primeira vez, a batizou de Diana, que como os raios da tempestade na escuridão se iluminam entre um estrondo e outro. Ele com medo da reação de seu povo, a mandou para um exílio em um castelo esquecido da família real, junto com uma criada para cria-la e ensina-la coisas vitais para sua vida, encheu a biblioteca do velho castelo com inúmeros livros para que ela aprendesse tudo e soubesse se virar sozinha, ela aprendeu sobre política, táticas de guerra, filosofia, escrita, física, luta.

Quando tinha a idade de dez anos, todos foram embora, com exceção da cozinheira, e como animal de estimação o rei ordenou que enviasse um ovo de dragão para que ele nascesse e fosse criado por ela. Tempo depois rei Edgar se casou com uma mulher da nobreza, enquanto, ainda mantinha Ingrid como sua meretriz; vivia gozando da vida, enquanto sua filha bastarda vivia exilada com seu dragão, que virou seu maior companheiro. Depois de alguns anos de casada com o rei, a rainha Erica percebeu que não conseguia dar um filho a ele, decepcionada consigo mesma, entrou em uma depressão profunda, onde logo veio a falecer, o rei então começa a se preocupar, afinal, quem irá governar o seu reino quando o mesmo, já não respirar mais? Visando esse medo, decide então colocar a mão de sua filha bastarda a prêmio, sem dizer a todos quem ela realmente era, então fez um anuncio público dizendo:

– Existe um castelo esquecido, a oeste, cinco dias de viagem, atravessando a densa floresta de Looriw com muitos perigos. Lá existe uma jovem, que atingiu a maior idade, quem conseguir traze-la de volta para este palácio, poderá desposa-la e se tornará o novo rei.

Seu pronunciamento trouxe grande alvoroço entre seus súditos, quem teria tamanha coragem? A floresta de Looriw é conhecida por desaparecer com quem se aventura entrar em seus limites, criaturas estranhas e desconhecidas lá habitam, o lugar onde ninguém se desafiaria a ir. Mas por uma coroa? Até onde iriam?

continua…