FANFIC: COLEGA DE QUARTO. (PART.14)

Olá minhas Luas, como prometido, o capitulo da semana, eu espero que vocês gostem!

Pra quem ainda não leu o Capítulo 1 e os outros capítulos, vou deixar o link aqui em baixo:
Capítulo 1: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 2: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 3: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 4: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 5: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 6: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 7: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 8: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 9: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 10: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 11: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capitulo 12: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capitulo 13: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.

Boa Leitura!


Casa. (Capítulo 14)

12:53 AM

Após algumas horas cheguei em casa, foram longos seis meses longe daqui. Notei que minha mãe plantou flores em frente a casa, pelo jeito ela conseguiu uma folga nesse meio tempo. Meu pai não tinha mudado muito, deixou a barba crescer e parecia um pouco esgotado. Peguei minhas coisas e fui atrás dos dois, não estava preparada pra rever meus bichinhos.
Fui entrando e meu coração foi apertando junto, a sensação é que tudo aquilo que havia ficado aqui se uniu novamente a mim.
Minha cachorrinha correu em disparada e me encheu de beijos. Já os gatos… Bom, eles ficaram me olha do com um semblante do tipo: “Finalmente sua desgraçada, não fez mais que sua obrigação em voltar… Até que você fez falta.”

-Vou pedir uma pizza, não estou disposta a cozinhar. -Falou.

Minha mãe quase nunca estava disposta a fazer comida, acho que nada mudou drasticamente.
Subi as escadas e fui até o meu quarto, abri a porta e logo senti o cheiro das minhas coisas, meu Deus, que saudade que estava.
Tudo estava do jeito que havia deixado, só arrumaram a cama. Meus livros, cadernos, fotos… Senti um frio na barriga ao ver minhas fotos com a Angel. Peguei meu celular e acredite, não sabia nem mais o que era rede social, a vida realmente é bem mais proveitosa longe das telinhas. Dezesseis mil notificações e eu não senti curiosidade de abrir nenhuma. Angel me usou como diário, durante pelo menos três meses ela me mandou informações de absolutamente tudo o que acontecia com ela durante o dia. Mandei uma mensagem, acho que ela vai surtar.

Desliguei o celular e fui tomar um banho, nem acredito que iria poder ouvir música e ficar o tempo que quiser. Estava tão feliz que mal lembrei de toda merda que estava acontecendo.
Liguei a torneira e deixei a banheira encher, coloquei a música “Get You The Moon- Kina”
e apaguei a luz.
Fechei os olhos e pensei em tudo, em todos os momentos. O vazio me consumia, eu só pensava em Cass e em tudo o que havia acontecido. Em como nos conhecemos, do primeiro beijo naquela tarde nublada… Eu não conseguia ignorar o fato de que a amava, mas precisava. O que mais amava no meu quarto era a vista pra pequena floresta que éramos vizinhos. Sem dúvidas, ali era o meu melhor lugar no mundo.

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Por um momento cochilei, minha mãe berrava da cozinha dizendo que a pizza chegou.
Confesso que senti falta dos berros dela. Estava toda enrugada, se ficasse mais um pouco meu corpo ia se decompor. Enrolei uma toalha na cabeça e desembacei o espelho com uma das mãos. Eu não me reconheço mais…
Abri meu guarda roupa e o cheiro de morango exalou por todo quarto, meus perfume era extremamente doce, lembro de ter esquecido de leva-lo pro internato.
Peguei uma calça e uma blusa preta de alcinha. Sequei meu cabelo e desci às pressas.

-Eu e seu pai estávamos quase ligando pro serviço funerário. -Falou servindo os pratos.

Minha mãe e seu fúnebre senso de humor.

-Eu dormi na banheira, desculpa. -Falei rindo.

Tudo ficou em silêncio.

-Bom… Como está sendo morar no internato? -Perguntou.

Engasguei com a pizza e bebi um gole de suco. Meu pai estava lendo o jornal e guardou para ouvir minha resposta. Que pressão!
Como posso dizer que quero ficar longe de lá?!

-É… Está tudo bem… Eu estou recuperando minhas notas e vivendo normalmente. -Falei.

Os dois me encaravam desconfiados.

-E tudo está sendo obedecido? -Perguntou.

E se eu contar pra ela que o plano dela deu certo?

-Está. Sabe qual foi a última besteira que aconteceu? Minha nova colega de quarto abortou e eu que tive que salva-la. -Falei.

Minha mãe cuspiu todo suco que estava na boca.

-Que absurdo… Esse lugar é uma confusão. -Falou.

Fiquei quieta.

-E a Cassie? -Perguntou.

É sério? No quase almoço de família? Ela só pode estar me zoando.

-Ah, mãe… Pelo amor de Deus. -Falei.

Ela me olhou surpresa.

-Lariesce, depois de tudo o que aconteceu o mínimo a se fazer é perguntar sobre. -Falou.

Perdi até a fome.

-O mínimo a se fazer é ficar quieta e deixar esse assunto pra lá! -Falei.

Meu pai deu um discreto sorriso de lado. Minha mãe estava inquieta.

-Deus me dê paciência. -Falou.

Estava louca pra mudar de assunto ou ir pro meu quarto fuxicar minhas coisas.

-Sua amiga Angel disse que vem aí. -Falou abrindo o jornal novamente.

Eu já imaginava… Mas, perdi o hábito de checar o celular, nem lembro que ele existe.
A ansiedade me consumiu.

-Que saudade dela. -Falei.

Meu pai e minha mãe se encararam.

-É… A vida dela está bem corrida agora. -Falou.

Corrida? Que mistério todo é esse?
Droga! Eu não li todas as mensagens, que insensível. Será que ela passou em alguma faculdade? Ou vai morar em outro lugar?

-Corrida? -Perguntei.

A campainha tocou e fui correndo abrir. Meu coração estava saindo pela boca. Não estava preparada, que euforia…
Respirei fundo e notei que meus pais estavam na porta da cozinha na expectativa junto comigo.
Abri a porta e tive a maior surpresa. A correria da vida da Angel infelizmente era por conta de sua gravidez. Não pude conter minha cara de susto. A abracei e senti meus pedacinhos se juntarem.

-Pois é, estou com três meses de gravidez. -Falou rindo.

Fiquei boquiaberta.

-Meu Deus, Angel… Um bebê… -Falei.

Ela riu.

-Se você tomou um susto imagine eu?! -Falou. -Toda vez que completa mais um mês eu fico mais apreensiva… Como essa coisa vai sair de mim, senhor… -Falou.

Angel tinha amadurecido muito. Cortou o cabelo e ganhou uns quilinhos por conta da gravidez.

-E você? Vamos pro seu quarto! Quero saber de absolutamente tudo. -Falou.

Fiquei apreensiva e tentando proteger aquela criança de qualquer forma.

-Lari! Eu consigo subir, estou grávida, não morta! -Falou rindo.

Cara… Como isso tudo foi acontecer?! Pela primeira vez estava sem jeito de perguntar algumas coisas pra ela.
Angel sentou-se na cadeira da minha escrivaninha e eu me sentei nos pés da cama.

-Pode começar a me contar tudo! Conheceu algum gostoso lá? -Perguntou rindo.

Como dizer que não tem nenhum gostoso e só uma gostosa que fodeu com a minha vida?! Meu coração chegou a acelerar.

-É… Tem umas pessoas bonitas sim… -Falei rindo.

Angel me olhou com uma cara de quem sabia que eu estava escondendo alguma coisa e o pior de tudo é não conseguir engana-la.

-Pode ir contando… Você transou, Lariesce? -Perguntou eufórica.

Que embaraçoso, eu quase me joguei pela janela. Quando que eu adquiri essa vergonha, hein?!

-Bom, conheci uma pessoa sim… Ficamos durante um bom tempo, só que essa pessoa ainda gostava da ex e aí terminamos. -Falei num fôlego só.

Angel ficou boquiaberta.

-Amo sua capacidade de resumir tudo… Mas, e aí? -Perguntou. -Que filho da puta, não se deve usar uma pessoa pra preencher o vazio de outra. -Falou.

Não sei se dizer que ela me usou era o correto… Só que de alguma forma o que estava sentindo condizia com isso.

-É… Eu já estou bem mais conformada, sabe? Foi bom enquanto durou e acabou terminando de uma forma bem chata. -Falei.

Angel suspirou.

-Quando você vai me contar que o gostoso na verdade é gostosa? -Perguntou.

Como ela sabia? Meu Deus que vergonha… Eu não consegui contar pra minha melhor amiga.

-Como você sabe? -Perguntei surpresa.

Angel riu.

-Lari… Eu te conheço, acha mesmo que não sei quando você está mentindo? -Perguntou.

Fiquei em silêncio.

-Eu soube quando vocês duas fugiram… Sua mãe pediu pra cuidar do seu cachorro que estava doente enquanto ela ia resolver a situação… Consequentemente eu ouvi tudo. -Falou.

Meu cachorro estava doente?! Enfim… Que merda! Eu não acredito que tentei enganar a Angel.

-Mas como teve certeza de que éramos ficantes? -Perguntei.

Angel riu.

-Quando seus pais voltaram eu perguntei pra sua mãe… Ela demorou a me contar, porém, você sabe… Eu sempre arrumo um jeitinho de saber. -Falei.

Angel conseguia manipular quem ela quisesse… Sempre brigávamos por conta disso.

-Não sei porque tentou mentir pra mim… Eu nunca iria te julgar, Lari… Eu te amo demais pra isso… Aliás, eu não tenho direito de julgar ninguém, estou grávida aos dezessete anos. -Falou rindo.

Estava tão emotiva que meus olhos encheram de lágrimas. Eu amava a Angel e não sei explicar o quanto que ela me faz falta. Nada consegue substituir-la, absolutamente nada.

-Eu te amo, sua máquina de fazer pãozinho. -Falei rindo.

Fui até ela e a abracei. Não queria solta-la, por mim ficaria ali quietinha.
Esse bebê tem muita sorte de estar aí dentro.

-Bom… Agora é a sua vez! Me conta tudo, como descobriu, como o pai reagiu… Nomes, datas… -Falei secando os olhos.

Angel suspirou e acariciou a barriga.

-Eu descobri duas semanas depois que soube sobre seu relacionamento com aquela garota… -Falou. -Tenho até uma história engraçada sobre isso. -Falou rindo.

Como queria ter presenciado tudo…

-Conta logo! -Falei.

Angel bebeu um copo d’água. Seus olhos brilhavam, mas ao mesmo tempo transpassavam a insegurança que ela estava sentindo.

-Seu cachorro estava vomitando muito, não sei ao certo o que ele tinha… E cerca de dois dias depois eu comecei a vomitar também… Você sabe o quanto sou paranóica, né?!- Perguntou. -Pois bem, pensei que tinha pegado alguma doença dele. -Falou rindo.

Estava morrendo de rir sem ela ao menos terminar de contar.

-Tá de brincadeira, Angel! -Falei rindo.

Ela riu.

-Ai fui ao médico, expliquei a situação e ele disse que isso era quase impossível. E logo veio me perguntando sobre minha menstruação, se eu tinha relações sexuais e blá blá… -Falou.

Nem consigo imaginar o desespero dela… O pior de tudo era ainda ter passado vergonha.

-Caralho… -Falei.

Angel riu.

-Eu tinha acabado de terminar com o Eric, pensa num desespero… -Falou.

Eric? Aquele menino nem parecia que transava. Não estava acreditando que o pai era ele.

-Eric? Ai, meu Deus… E eu aqui pensando que ele era fraquinho. -Falei.

Angel ergueu as sobrancelhas e me olhou com desdém.

-Fraco?! Cara, aquele menino acabou comigo durante os cinco meses que fiquei com ele. -Falou rindo.

Quando que a Angel virou essa safada?

-Voltando… Ai fiz a droga de um exame de sangue que iria demorar duas semanas pra sair o resultado, ai comprei um teste e descobri antes. -Falou.

-E como você ficou? -Perguntei.

-Arrasada… O Eric no início não queria acreditar e meio que rejeitou… Depois ele aceitou e disse que ia ajudar com o que fosse necessário. -Falou cabisbaixa.

Era notório que eles não estavam juntos e que ela se sentia “sozinha”.

-Eu também tô aqui, viu?! E vou te ajudar
com o que for preciso. -Falei.

Angel sorriu e segurou uma das minhas mãos.

-Eu acho que é uma menina. -Falou me olhando nos olhos. -Acho que vou chama-la de Amber. -Falou.

Amber… Jurava que iria ser Beth ou Julie. Eu só queria proteger as duas…

-E se for um menino? -Perguntei.

Tudo ficou em silêncio.

-Acho que Ethan ou Stefan… Ainda não pensei bem. -Falou.

Me perdi nos meus pensamentos e logo minha mãe gritou dizendo que ia sair. Descemos e fomos pra sala assistir alguma coisa.

21:56 PM

Após algum tempo, pegamos no sono, acordamos com o celular da Angel tocando sem parar.

-Mas que droga! -Falou enfurecida.

Angel andava de um lado pro outro com o celular na mão.

-O que foi? -Perguntei.

Angel ficou em silêncio.

-Ei, o que houve? -Insisti.

Ela não parava de digitar.

-O Eric… Ele sofreu uma acidente. -Falou chorando.

Fiquei perplexa, não sabia o que fazer…
A abracei e ela desabou no meu ombro.

-Você não pode se desesperar, viu? A Amber ou o Ethan não podem receber esse tipo de estresse. -Falei acariciando sua barriga.

Angel secou o rosto e respirou fundo.

-Ele… Caiu de moto… Acho que quebrou a perna, não sei… -Falou confusa.

Enchi um copo d’água e tentei acalma-la.

-Sabe o pior disso tudo? -Perguntou. -Eu ia com ele… Mas eu disse que queria muito passar a tarde com você. -Falou chorando.

Não sei mais com o que me surpreender… Ela podia ter perdido essa criança, morrido… Eu nem quero imaginar, meu Deus…

-Ei… Calma! O importante é que você está aqui e seu bebê está bem, ok?! -Falei.

Angel não parava de encarar o celular.

-Me leva pro hospital? Por favor… -Suplicou.

Fiquei sem reação… Eu não tinha tanta prática mas sabia dirigir… Estava desesperada e não queria dizer não…

-Angel… Vamos… -Falei nervosa.

Angel levantou e pegou suas coisas.
O medo me consumia…
Entramos no carro e pra começar eu esqueci de apertar a droga da embreagem.

-Pensa que tem uma mulher grávida parindo e um cara morrendo no hospital, acho que a adrenalina ajuda. -Falou rindo.

Consegui ligar o carro e sair do lugar. Nunca me senti tão aliviada.

-Viu?! -Falou rindo.

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00:30 PM
Chegamos bem ao hospital (graças a Deus), o namorado da Angel fraturou umas costelas e quebrou a perna, mas, estava fora de perigo.
Ficamos esperando na recepção quase duas horas, eu só precisava dormir.
Minha mãe tinha me ligado umas quinze vezes e eu não tinha certeza se queria atender.

-Atende essa droga. -Falou.

Angel estava cochilando no meu ombro.

-Duvido que você atenderia… E eu estou com o carro dela, esqueceu? -Perguntei.

Ela levantou e foi novamente na recepção saber se estava tudo bem com ele.
Atendi o telefone e minha mãe só faltou sair dele e me bater.
Logo Angel me interrompe:

-Vou passar a noite com ele, ok?! Obrigada por me trazer. -Falou.

Minha vontade era levar ela pra casa, mas… Ela sabe o que faz. Só queria ir embora.

-Tem certeza? -Perguntei.

Ela fez que sim com a cabeça e me abraçou.
Peguei o carro sozinha pela primeira vez, a sensação era nostálgica. Um mix de independência e felicidade.
Liguei o rádio e segui caminho… Decidi dar uma volta pela cidade, aliás, acho que nunca mais vou poder pegar esse carro.
Eu sempre fui apegada a tudo… Só que agora eu sinto que nada mais faz sentido ter apego.
Tudo uma hora se vai, coisas, momentos e sentimentos. Nada permanece… E eu as vezes prefiro que seja assim.
Cassie mudou minha vida de rumo e sem dúvidas eu amava estar fora dos trilhos… O problema é: Eu não sei o caminho de volta. Essa dependência acabava comigo…

                        02:10 PM 

Passei em uma loja de conveniências e comprei um hambúrguer, estava faminta. Decidi checar as mensagens e tinham três novas mensagens de um número desconhecido. Meu coração parou por um instante… Era Cassie.
Parece que ela adivinhava quando estava pensando nela.

Eu não queria responde-la… Pra ser sincera, eu estava começando a não acreditar em mais nada do que ela me dizia…
Decidi voltar pra casa, já estava ficando muito tarde e minha mãe vai surtar se ela acordar e eu não me ver dormindo.
Eu preciso de um tempo pra mim… Pra digerir tudo. Eu tenho certeza de que a amo, mas eu não sinto isso da parte dela… Não mais.
Coloquei “Cigarette Daydreams” e voltei. Estava à quase duas horas de casa, essa sem dúvidas era a noite mais longa que já havia passado.

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Eu quero agradecer o carinho e por toda a audiência que vocês dão a essa fanfic, que eu tanto adoro publicar.

Obrigada por todos os comentários, curtidas e os compartilhamentos nas redes sociais, sou muito grata!

Um Beijo da Mila!
Gratidão!

Fanfic: Colega de Quarto. (Part.12)

Minhas Luas, como prometido um capitulo todas semana, eu espero que gostem do capitulo de hoje.

Pra quem ainda não leu o Capítulo 1 e os outros capítulos, vou deixar o link aqui em baixo:
Capítulo 1: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 2: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 3: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 4: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 5: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 6: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 7: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 8: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 9: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 10: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 11: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.

Boa Leitura!


Capítulo 12

23h30 PM

Nem consegui digerir a comida, estava com uma insegurança que nunca havia sentido. Após o jantar fui direto pro quarto e fiquei esperando ansiosamente dar o horário pra ir até o banheiro, precisava conversar com ela. Minha colega de quarto simplesmente sumiu, o bom da Chloe é que ela quase nunca fica aqui.
Amarrei o cabelo e fui até a porta, tentei ser o mais silenciosa possível, o corredor estava um breu. Estou ficando profissional em fugir de madrugada, sei até os horários que a inspeção e a luz que passa verificando. Fui andando rápido até o banheiro e ao entrar fui puxada bruscamente. Não consegui ao menos gritar, pois alguém fechou a minha boca com uma das mãos. Estava desesperada até ouvir um sussurro e uma voz que amaciava qualquer coração furioso. Cass acendeu uma pequena luminária e ficou rindo da minha cara. Ela estava de pijama, meias e chinelo.

-Você quase me matou. -Falei.

Cass riu e me beijou no impulso.

-Estou com saudades já. -Falou me enchendo de beijos.

Cass tinha um jeito que não me fazia sentir raiva dela, por mais que tivesse meus motivos, eu simplesmente sempre à perdoava antes mesmo dela me pedir perdão.

-Eu também estou… -Falei.

Cass arqueou a sobrancelha.

-Isso não foi convincente. Está tudo bem? -Perguntou.

Fiquei em silêncio.

-Eu fiz algo? -Perguntou.

Eu estava envergonhada em dizer que estava morrendo de ciúmes da Nancy… Talvez esteja exagerando de fato.

-Pelo jeito você fez novas amizades… -Falei.

Cass riu.

-Eu já entendi tudo… É sério? -Perguntou rindo.

Fiz que sim com a cabeça.

-A Nancy é só minha amiga. Fiquei feliz em dividir o quarto com ela, pelo menos não foi com alguém desconhecido. -Falou.

Estava começando a ficar confusa… Será que Cass não vai me contar que elas já ficaram?

-Pelo menos você teve sorte, a Chloe é um saco. -Falei.

Cass estava me encarando.

-O que foi? -Perguntei.

Cass fechou o semblante, se aproximou lentamente do meu rosto, pude sentir sua respiração.

-Do que você tem medo? -Perguntou com os lábios grudados nos meus.

Eu não tenho mais controle de mim, eu não sei ao certo o que ela me causava. De alguma forma ela tinha o total controle do meu ser. Me afastei, estava com o coração à mil.

-Você já ficou com ela, né? -Perguntei.

Cass ficou em silêncio.

-Por que você não ia me contar? -Perguntei.

Cass revirou os olhos.

-Não via necessidade, isso é passado e não vejo motivo pra voltar e criar algum tipo de discórdia entre nós. -Falou.

Eu realmente acho que estou exagerando e ela tem razão… Estou morrendo de vergonha.

-Eu sei… Eu só estou me sentindo insegura. -Falei.

Cass encarava o chão.

-Quem te contou? Foi o August? -Perguntou.

Fiquei em silêncio.

-De qualquer forma… Quem está no meu presente é você, não a Nancy. Já acabou e eu amo você, como nunca amei ninguém. -Falou acariciando meu rosto.

À beijei e por um momento havia esquecido de tudo.

-Bom… Você já foi mais sexy quando dormia comigo, ainda bem que deixou de ser. -Falei rindo.

Cass riu e me deu um tapinha no braço.

-É né! Se continuar reclamando eu visto aquela lingerie que você adorou no dia em que fomos pra casa da Carlie. -Falou me olhando com um olhar malicioso.

Fiquei pensativa.

-E a Carlie? Aquele caderninho era bizarro… -Falei.

-Realmente, ainda bem que não vi. -Falou.

Tinha me esquecido completamente dessa história.

-Ela é uma médica serial killer. -Falei.

Cass arregalou os olhos.
Estava tentada à pesquisar mais sobre, fiquei inquieta.

-Eu conheço essa expressão… Nada disso, deixa essa mulher pra lá. -Falou.

Dei risada.

-Só queria saber mais, fiquei curiosa. -Falei.

Ouvi passos e Cass me agarrou pela cintura. Tinha alguém vindo e eu comecei a me desesperar.

-Acho que é outro aluno. -Sussurrou.

Fiquei em silêncio.

Cass me soltou e abriu lentamente a porta, deixando apenas uma fresta para conseguir enxergar algo.

-É, realmente era uma aluna. Mas… acho que é melhor irmos. -Falou.

Fiz que sim com a cabeça. Cass fechou a porta e me beijou. Ficamos alguns segundo bem pertinho, uma olhando pra outra. Sai bem devagar, e fui sem pressa pro dormitório. Estava aliviada e feliz. Notei uma movimentação estranha dentro do quarto e abri rápido. Tinha um cara pelado em cima da minha cama.

-Que porra é essa? -Gritei.

Ele levantou ás pressas e pegou minha coberta para se cobrir.

-Larga isso. Que nojo… -Falei tapando os olhos.

Chloe estava apagada, nua, totalmente fora de si.

-Foi mal, esquisitinha. -Falou vestindo-se.

-Vaza daqui. -Gritei.

Ele saiu às pressas. E eu com medo de dar um beijinho na minha namorada… Estava totalmente desacreditada. Olhei ao redor e vi entorpecentes no chão. Chloe tentou levantar mas ela estava totalmente sem força. Tentei ajudá-la e ela vomitou tudo.

-Calma… -Falei segurando seu cabelo.

A cobri e levei ela até o banheiro.

-Me solta, sua idiota… -Falou desfalecendo nos meus braços.

A minha sorte é que não havia ninguém no banheiro e nem no corredor. Não acredito que estava me arriscando pra ajudar essa mal agradecida.
Esperei a água esquentar a coloquei ela dentro do chuveiro. Chloe sentou no box e começou a chorar muito. Confesso que fiquei sem reação, mas por um momento, senti pena e vontade de protege-la.

-Vai ficar tudo bem. -Falei.

Notei que havia sangue escorrendo de suas pernas, eu entrei em choque.

-Chloe? O que ele fez com você? -Perguntei desesperada.

Eu espero que não seja o que estou pensando que é.

Desliguei o chuveiro e a enrolei em uma toalha. Sentei ela em um dos bancos do banheiro e segurei uma de suas mãos.

-Vou te levar à enfermaria. -Falei.

Chloe segurou meu braço de maneira agressiva.

-Não… Eu não quero ir e você tem que prometer que isso nunca vai sair daqui. -Falou olhando no fundo dos meus olhos.

Eu juro que gostaria de entender o porquê, ela foi agredida e… simplesmente não quer justiça.

-Mas… Chloe isso realmente vale a pena? Se esconder da sua própria realidade… -Perguntei.

Chloe estava amolecida, quase dormindo no banco.

-A questão é que ele é meu namorado e eu estava usando droga e transando com ele. -Falou grogue. -Tem noção do tamanho do problema que isso vai resultar? Eu vou ser expulsa. -Falou.

Fiquei em silêncio.

Chloe começou a chorar desesperadamente e eu novamente não sabia como reagir. A levei de volta pro quarto e ela simplesmente apagou novamente. Organizei o quarto e quando finalmente me deitei, o alarme tocou.

                      06:15 AM

(Para uma melhor leitura, ouçam The Sweeplings- Hold Me.)

Respirei fundo e rezei pra tudo ser um sonho. Estava exausta. Olhei pro lado e o quarto ainda fedia, fiz o que pude pra limpar todo vômito e o cheiro de bebida. Sentei e cocei os olhos, precisava de um banho, a noite foi longa.
Fui verificar a temperatura da Chloe e ela estava pelando, comecei a ficar extremamente nervosa. As amiguinhas dela toda manhã vem busca-la, no mínimo vão falar que eu à fiz mal. Sei que precisava leva-la ao médico, mas ela não estava de acordo, essa ida pode definir se ela fica ou não aqui. Chloe começou a ficar ofegante. Ela abriu os olhos e gritou com as mãos na barriga, olhei pro lençol e tudo estava ensanguentado. Estava em choque, precisava leva-la pra enfermaria.

-Ei, me escuta… Eu estou aqui, certo? Eu preciso levar você, me perdoa. -Falei a puxando.

Não aguentei levanta-la… O pior era ter que chamar alguém e causar o maior alvoroço.

-Lari… Por favor, não chama. Eu não, não posso… -Falou aos prantos.

Limpei seu rosto com uma pequena toalha e tirei os lençóis de cima dela.

-Chloe… Me perdoa. -Falei levantando rápido e indo em direção a porta.

Chloe gemia de dor. Seus gritos ecoavam por todo quarto e corredor.

-Ninguém pode saber que estou grávida. -Falou com o tom de voz abafado pelo travesseiro.

Meu corpo congelou, tudo fazia sentido. Isso não foi um estupro, Chloe estava abortando.
Voltei pra cama e segurei seu rosto.

-Eu não queria ter que dizer isso… Mas há possibilidade de você estar abortando e quanto mais rápido nós formos, mais chances você e seu bebê tem de ficar bem. -Falei olhando no fundo dos seus olhos.

Chloe desmaiou e foi minha chance de ir sem culpa chamar alguém. Minhas mãos estavam ensangüentadas. Abri a porta e sai correndo e gritando por ajuda. Todo internato acordou, ninguém estava entendo absolutamente nada. Um monte de gente se reuniu na porta do nosso quarto. Minha visão estava turva, meu coração estava prestes a sair pela boca. Logo uns enfermeiros saíram em direção ao quarto com uma maca.

-SAIAM DA FRENTE! RESPEITEM! -Gritei.

Ouvi alguém gritar o meu nome, olhei pro final do corredor e era Cass. Consegui ler seus lábios, ela me perguntou intermináveis vezes o que estava acontecendo e eu não consegui responder. As amigas da Chloe logo chegaram e a Nancy chorava desesperadamente no ombro da Cass.
Espero que não tenha sido tarde demais.
Sentei no corredor e tudo desabou, minhas pernas tremiam. Os enfermeiros me chamaram para explicar tudo o que havia acontecido.

00

Passou-se algum tempo e eles me dispensaram, Chloe estava melhor, e sobre o bebê… Ainda não tinha informações sobre ele.
Fui direto pro banheiro e pude tomar um banho que lavou minha alma. Não conseguia pensar em muita coisa, mas a imagem da Nancy encostada em Cass só se repetia inúmeras vezes.
Saí do banho e Nancy estava na sentada me esperando.

-O que aconteceu com ela? O que você fez? -Gritou.

Fiquei imóvel.

-Vocês realmente são muito próximas, né? -Perguntei.

Nancy andava de um lado para o outro.

-Somos melhores amigas, Lariesce! -Gritou.

Apenas fiquei tentando digerir que tipo de melhor amiga não sabe que a outra está grávida.

-Então você sabia que ela estava grávida? -Perguntei.

Nancy arregalou os olhos e começou a chorar.

-Imaginei… -Falei saindo.

Nancy puxou meu braço.

-Espera… Tudo faz sentido, ela estava passando muito mal, mas eu nunca imaginei, ela vive fazendo dietas malucas… Meu Deus… Os pais dela vão mata-la. -Falou num fôlego só.

Fiquei em silêncio.

-Olha… Não tenho nada a ver com a história de vocês. Sua melhor amiga quase morreu, espero que fique atenta a partir de agora. -Falei.

Nancy ficou em silêncio.

Estava furiosa, esgotada… Só preciso deitar.
Todos me encaravam pelos corredores. Entrei no quarto e tudo estava limpo.
Me atirei na cama e fiquei torcendo pra mais nada acontecer.

00
16:18 PM

Apaguei o resto do dia. Meu corpo estava completamente doído. Decidi ir pra atividade extracurricular de Biologia e precisava me apressar pois começava às 16h30.
Coloquei o uniforme, escovei meu cabelo e fui correndo pra lá. Fazia tempo que não frequentava absolutamente nada, mal ia para as aulas. Meu boletim nunca esteve tão caído.
Entrei e senti todos os olhares sobre mim.

-Pode se sentar, Lariesce. -Falou. -Quanto tempo! -Falou rindo.

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Fui dar uma volta após a aula, precisava espairecer. Fui até o jardim e o cheiro dos canteiros de flor me faziam sentir falta do meu quarto… Da minha casa.
Estava me sentindo sozinha, de alguma forma parecia que só tinha a Cass e isso não estava me preenchendo totalmente.
Fui até a área esportiva e procurei por ela. Foi um constrangimento ter que passar por uma multidão de garotos. Vi August com um dos amigos do James. Fiz contato visual e ele se aproximou.

-E aí, Lari! -Falou ofegante.

August estava totalmente suado.

-Você por aqui? Isso é um milagre! -Falou rindo.

-E aí… Pois é. -Falei. -Você sabe onde a Cass está? -Perguntei.

August revirou os olhos.

-Pensei que tinha vindo me ver. -Falou rindo. -As meninas treinam na penúltima quadra, é só seguir reto. -Falou.

August tinha um senso de humor incrível, eu sem dúvida amava a sua amizade. Um garoto se aproximou e nos deu um pequeno papelzinho.

-Vai rolar uma festa na sexta, aparece por lá. -Falou. -Tudo no sigilo. -Falou rindo.

August riu e cumprimentou o garoto.

-Vamos? Vai ser legal, você precisa se divertir um pouco. -Falou.

Eu realmente estava disposta a ir… Apesar de não ter tido boas experiências em festas nesse lugar.

-Vou pensar. -Falei rindo.

Senti que August queria perguntar alguma coisa… Já estava supondo tudo.

-Lari… O que aconteceu? Há boatos de que a patricinha da Chloe está grávida. -Falou.

Como todo mundo ficou sabendo disso de repente? Estou me sentindo uma fofoqueira sem ao menos ter espalhado algo.

-Quem te disse isso? -Perguntei.

August ficou em silêncio.

-Que seja… Não espalhe nada sem saber realmente da verdade, ok? Eu preciso ir. -Falei saindo.

Estava de saco cheio, não consigo confiar nem no August mais. Cheguei na penúltima quadra e o jogo tinha acabado. Fui ao vestiário e procurei por Cass. As meninas estavam enfurecidas.

-Menina, você não pode entrar aqui se não participar do treino. -Falou.

-Você viu a Cassie? -Perguntei.

A garota deu um grito.

-CASSIE! Tem uma garota te procurando. -Gritou.

Todas me encararam.

Cass saiu de um dos banheiros de toalha.

-Lariesce?! O que tá fazendo aqui? -Perguntou me levando pro canto.

-Eu só queria te ver e explicar a situação. -Falei.

Cass ficou inquieta e olhando pros lados.

-Isso não pode acontecer de novo, ok? Se o treinador te pega aqui vai dar o maior problemão. -Falou.

Estava estressada demais pra qualquer coisa.

-Cara… Me desculpa. Estou indo. -Falei.

Cass ficou em silêncio, me olhando com um semblante de frustração. Estava muito nervosa e confusa.

-Me encontra no mesmo lugar de ontem, por favor. -Sussurrou.

Vi Nancy sair de toalha do outro banheiro. Ela me olhou de cima em baixo e fechou a cara.

-Ué? Virou bagunça? -Gritou.

Cass me olhou assustada. Nancy se aproximou e perguntou com um olhar malicioso para Cass:

-Não sabia que estava curtindo gente desequilibrada. -Falou. -Você não era assim… -Falou.

Estava quase explodindo, metade do vapor daquele banheiro saía de mim.

-Nancy, me deixa em paz, valeu?! -Falou furiosa.

Sai ás pressas do vestiário, estava em prantos. Parece que o mundo estava nas minhas costas, eu odeio esse lugar, com todas as minhas forças.

-Lari, espera… Por favor. -Falou me seguindo.

Continuei à andar e tentei ignorar Cass. Logo o treinador chegou e mandou ela voltar pro vestiário. Estava me sentindo um lixo, insegura e imatura. Espero que as coisas melhorem, estou a ponto de pedir pra voltar pra casa.

Continua…


Meus amores, eu espero que tenham gostado do capitulo de hoje, semana que vem tem mais!

Beijinhos da Mila!
Gratidão!

Fanfic: Colega de Quarto (Part.11)

Olá minhas Luas, eu sei, vocês estavam esperando a continuação, nem demorou pra chegar. Aproveitem a continuação de hoje!

Pra quem ainda não leu o Capítulo 1 e os outros capítulos, vou deixar o link aqui em baixo:
Capítulo 1: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 2: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 3: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 4: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 5: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 6: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 7: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 8: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 9: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 10: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.

Boa Leitura!


(Capítulo 11)

•ERROS

Lariesce Grace.

Apertei os olhos, meu corpo todo estremeceu. Estava sem reação.
Cass parou de me beijar imediatamente.

-O que significa isso, Lariesce? -Perguntou assustada.

Não sabia o que fazer, o que dizer, eu só queria sumir.
Cass estava perplexa, ela não piscava.

-Me responde! -Gritou.

Cass entrou no meio e tentou explicar tudo.

-Foi apenas um impulso, isso nunca havia acontecido antes. -Falou com a voz trêmula.

Minha mãe ficou em silêncio, imóvel.
Estava com muito medo, não sabia o que fazer. Eu só queria sumir.

-Vamos, Lariesce… Eu já tomei minha decisão. -Falou puxando meu braço.

Tentei não ir, mas eu sinto que dessa vez eu precisava. Estava culpada, me sentindo envergonhada, isso é muito novo pra mim.

-Cass… -Falei saindo.

Ela me olhou com os olhos cheios de lágrimas, seu nariz ficou levemente avermelhado, ela estava prestes á desabar. Fomos em direção a secretaria da escola, a mãe da Cass estava sentada, assinando uns papéis.

-Samantha, preciso falar com você a respeito da sua filha. -Falou.

Ela continuou escrevendo. Minha mãe estava impaciente.

-Sim, pode dizer. -Falou.

Olhei ao redor e vi Cass sentada do lado de fora da sala, de cabeça baixa, com as mãos no cabelo. Meu coração estava ali, todo com ela. Minha mãe tagarelava e a Samantha só desdenhava, como se não se importasse nem um pouquinho.

-Eu não quero mais a sua filha perto da Lariesce. -Falou batendo na mesa.

Comecei a chorar, estava destruída, confusa, com medo. Não sabia o que fazer, tudo doía tanto.
A mãe da Cass levantou a cabeça e tomou um gole d’água.

-O problema todo é a Cassie ser lésbica? -Perguntou.

Minha mãe ficou sem reação, suas pupilas dilataram e ela engoliu seco.

-Não, mas é claro que não! Eu não tenho preconceito algum, mas acontece que não acho isso normal. Elas dividem o mesmo quarto, isso aqui era pra ser um local de estudo, não de perversão. -Falou.

Eu só conseguia sentir vergonha de cada palavra. Nunca imaginei que ela fosse capaz de dizer coisas tão fúteis.
Samantha levantou-se e arrumou o cabelo.

-Meu bem… A Cassie continua sendo uma garota e aqui é um colégio interno, consequentemente ela vai ter que dividir o quarto com alguma outra garota. Dividir o quarto com a sua filha foi uma consequência e eu tenho certeza que a Cassie não obrigou ninguém a ficar com ela. -Falou.

Confesso que estava gostando muito da mãe dela. E por outro lado, estava tentando entender como ela e a Cass não se dão bem.

A coordenadora chegou e interrompeu o possível início de uma discussão.

-Algum problema? -Perguntou.

Minha mãe estava furiosa.

-Não, nenhum! Quero tirar a Lariesce do internato. -Falou.

Comecei a chorar, eu não queria que tudo terminasse assim, eu a amava… Olhei pra Samantha e ela fez um sinal com a mão, pedindo pra manter a calma.

-Não é necessário, Margareth… Vamos entrar em um acordo. -Falou.

Minha mãe parecia irredutível. Olhei pra trás e vi Cassie sentando-se ao lado da mãe dela. Estava prestes a surtar e sair correndo novamente com ela.

-Também não vejo necessidade. É só mudar as meninas de quarto. -Falou interrompendo.

Cass me olhou assustada. Por um lado era terrível pensar que teria que me adaptar a outros hábitos, fora que não iria ter a mesma liberdade e nem uma caminha pra pular quando estivesse carente, mas por outro, era isso ou ir embora de vez.

-Eu não sei se é uma boa idéia. -Falou.

A coordenadora ficou em silêncio organizando uns papéis.

-Bom… tudo bem. Ela fica, porém, a escola vai me prometer que elas vão ter o mínimo de contato possível. -Falou.

Fiquei muito nervosa.

-O que?! Isso é ridículo! Você realmente acha que vou me contaminar se manter contato com ela? Pois bem, saiba que já estou contaminada se é assim. -Falei num fôlego só.

Todos me olharam surpresos.

-Eu acho isso tudo um absurdo. -Samantha falou.

-É isso ou nada, Lariesce. Estou fazendo isso não por preconceito, mas por cautela. As duas já se meteram em confusão demais e eu não acho isso natural. -Falou.

Tudo ficou em silêncio.

-É isso então? -Perguntou.

Todos concordaram. A mãe de Cass assinou os papéis e novamente tudo saiu do jeito que a minha mãe queria. Estava muito triste, não fazia idéia do quanto iria sentir falta dela.

00

Após algum tempo, minha mãe foi embora e a mãe de Cass ficou no portão conversando com ela. Estava feliz por ver que elas estavam se entendendo.
Voltei pro quarto pra arrumar minhas coisas, dobrei cada peça de roupa em prantos.
Cassie abriu a porta e ficou me observando.

-Lari? Queria poder fugir sempre que as coisas dessem errado. -Falou.

Olhei pra trás e meu coração acelerou.

-É… eu também. -Falei levantando.

Cassie se aproximou e ficamos cara a cara.

-Não quero que mude de quarto… Mas que droga. -Falou.

Fiquei cabisbaixa.

-E você acha que eu quero mudar? Eu nem sei o que vai ser daqui pra frente. E nem quero imaginar quem vai dormir nessa caminha do seu lado. -Falei.

Cass sorriu e acariciou meu rosto.

-Eu te amo. -Falou.

Meu corpo estremeceu. Senti seu coração acelerar, seus olhos brilhavam. Puta merda, eu a amo demais.
A beijei, nossos corpos pareciam sincronizados. Batemos com tudo na parede. Cass deslizou a mão pela fechadura e trancou a porta.
Sei que não deveríamos, mas já fizemos tantas merdas que… mais uma não iria fazer diferença.

-Lari… tem certeza? -Perguntou entre os beijos.

-É lógico. -Falei.

Ainda na parede terminei de tirar a sua roupa, o corpo dela era lindo, cada curva, cada traço. Desci a boca lentamente pela sua barriga, senti todo seu corpo se arrepiar. Senti sua mão pegar levemente nos meus cabelos, mas seus toques ficavam mais fortes, seus gemidos ecoavam por todo quarto. Suas unhas estavam fincadas nos meus ombros. Seu gosto, seu cheiro, de alguma forma me deixavam em êxtase.

00

Dormimos na cama de Cass, grudadas. Acordei primeiro que ela dessa vez e fiquei observando seu corpo nu, cada curva, cada dobrinha. Beijei suas costas e ela acordou em seguida.

-Eu te amo. -Falou me beijando.

Fiquei sem reação, eu tinha total certeza de que a amava, mas nunca tinha tomado coragem pra dizer. Meu corpo ficou paralisado, o frio na barriga me consumiu.

-Eu te amo demais, Cassie. -Falei.

Pude sentir seu coração acelerar e suas pupilas dilatarem.

-Eu não sei como estamos vivas depois desses dois meses. -Falei rindo.

Cassie sorriu.
Dentre as coisas que mais gostava em Cass, uma delas era a maneira como ela sorri, como seus olhos diminuem e suas bochechas ficam coradas.

-É… Nem eu. -Falou pensativa. -Você é confusão na certa também, viu? -Falou.

Fiquei surpresa.

-É? Ou é você que consegue transformar a monotonia em caos? -Perguntei rindo.

Cassie deu risada. Ficamos em silêncio.

-Eu adorei o jeito que sua mãe te defendeu. -Falei. -Agora eu sei de onde vem teu jeito. -Falei acariciando seu rosto.

Cass se virou e encarou o teto.

-Ela nunca me julgou, sempre foi muito acolhedora. Meu padrasto corrompe ela e é por isso que não podemos morar no mesmo teto. -Falou.

Fiquei em silêncio.

-Eu não tenho raiva dele, nem dela… nem de ninguém. Acho que eu nasci pra viver sozinha. -Falou.

Suspirei.

-Sozinha? -Perguntei virando seu rosto novamente pra mim.

Cass sorriu e me beijou.

-Espera… Que horas são? -Perguntou.

Levantei ás pressas.

-A Lisa não veio te procurar e… Que estranho. -Falou.

Cassie levantou, colocou o uniforme e ajeitou o cabelo. Levantei logo em seguida e me vesti. Acho que perdemos a noção do tempo. Cass foi até a janela e abriu uma pequena fresta, tudo estava escuro.

-Já escureceu é melhor a gente ir. -Falou.

Coloquei as roupas dobradas na bolsa e sai. Cass puxou meu braço e me beijou, meu corpo estremeceu.

-Vou sentir sua falta. -Falou.

Sorri e acariciei seu rosto. Fechei a porta do quarto e respirei fundo.

-Vamos na Lisa? Preciso saber onde é meu novo quarto. -Perguntei.

-É melhor não darmos motivo, aparecer juntas depois de tanto tempo pode dar problema. -Falou.

-Tudo bem, você tem razão. -Falei.

Ficamos paradas nos encarando, até que decidi ir.
Entregar a chave do quarto pra
Lisa vai ser péssimo. Vi alguns garotos me encarando e umas meninas cochichando, tentei não ligar, mas eu realmente queria entender o motivo.
Finalmente cheguei à sala da Lisa, bati e ela gritou um: “Entra!”.

-O que foi, Lariesce? -Perguntou.

A Lisa sempre foi muito carismática e por algum motivo estava emburrada e falando pouco.

-Eu vim entregar a chave do quarto e pegar a nova chave. -Falei.

Lisa continuou digitando bruscamente.

-Ok, só um minuto. -Falou.

Estava agoniada, primeiro pelos burburinhos no corredor e agora esse total mau humor.

-Não temos vaga então só iremos realocar você. -Falou.

Fiquei desesperada.

-Mas eu sei que tem quartos vazios. -Falei.

Ela desdenhou.

-Lariesce… Eu sei disso, eu também estudo aqui. O fato é que ninguém pode ficar sozinho, são regras. -Falou. -Você vai ficar no quarto B2-17 com a Chloe Brooke.
-Falou me entregando a chave.

Estava trêmula e com vergonha, novamente estou passando por essa situação desagradável de invadir o espaço de alguém.

-Obrigada. -Falei.

Lisa me encarou e balbuciou algo em tom inaudível. Meu quarto ficava bem distante do quarto da Cass, apesar de estarmos no mesmo bloco.
Vi uma movimentação estranha e uma garota com umas malas, tenho quase certeza que é a nova colega da Cass.
Fui andando até o novo quarto e a Chloe me olhou enfurecida.

-Oi. -Falei entrando.

Ela nem fez questão de me responder, eu também ficaria puta se me afastassem da minha amiga, eu até entendo. Aliás, estão me afastando da minha namorada e nem por isso estou tão revoltada.
Coloquei minhas coisas na cama e comecei a organizar tudo. Acho que os dias vão ser longos.

-Como você consegue? -Perguntou.

Fiquei em silêncio, mas estava me coçando pra não perguntar o motivo.

-Você foi uma das piores pessoas que já entraram aqui. Qual seu intuito? Fechar esse lugar? -Perguntou.

Continuei organizando tudo e tentando ignora-la, estava começando a ficar sem paciência.

-Vai se foder! -Falou me atirando uma almofada.

Me virei e devolvi a almofada.

-Você não me conhece e eu não te conheço, não é me indagando desse jeito que vamos manter uma relação no mínimo respeitosa. -Falei com o tom elevado.

Ela me olhou surpresa e deu um sorriso sarcástico.

-Eu não quero ter relação alguma com você, todo mundo sabe do caso que você tem com aquela sapatão, espero que você não tente fazer nada comigo. -Falou.

Eu não estava acreditando no que estava ouvindo… Como ela consegue falar tanta merda em tão pouco tempo? Essa visão preconceituosa é um tanto burra, eles agem como se nós não tivéssemos controle dos nossos desejos.

-Fica tranquila, meu amor! Você nem é tão bonita assim. Ah, e sobre a “sapatão” e eu, ninguém tem porra nenhuma com isso. -Falei.

Ela ficou em silêncio me encarando. Continuei a organizar minhas coisas, estava quase voando em cima dessa garota.

-Nojenta. -Balbuciou.

Respirei fundo e decidi ignorar. Deitei e fiquei ouvindo música. Olhei o horário e estava na hora do jantar. O dia simplesmente voou.
Me arrumei e pro refeitório. As amigas da Chloe estavam na porta e me devoraram com os olhos. Fui em direção ao quarto da Cass e a vi saindo com a nova colega de quarto dela, acho que elas se deram bem. Confesso que fiquei um pouco mexida. Dei meia volta e fui em direção ao refeitório.
O cardápio de hoje é macarronada, bem digerível até. Fiquei aguardando na fila e tentando achar Cass no meio das pessoas. Peguei uma bandeja e fui sentar no lugar de sempre, atrás da lixeira.
Vi August e ele sorriu pra mim, torci pra ele vir comer comigo e por sorte ele veio em minha direção.

-E aí! Meu Deus, eu te venero. -Falou sentando-se.

Dei um sorriso.

-Só você, o resto desse lugar me odeia. -Falei comendo.

August riu.

-O pessoal se acostuma com o tempo, fiz até algumas amizades. -Falou.

Fiquei admirada, ele parecia outra pessoa.

-Fez é? -Perguntei.

Ele sorriu.

-Sim, você e meu colega de quarto que é um porco. -Falou rindo.

-Sendo assim, também fiz ótimos amigos. -Falei rindo.

Vi Cass e tentei fazer contato visual, acho que ela não me viu.

-Está procurando a Cassie? -Perguntou.

Fui seguindo seus passos com os olhos e ela sentou-se com a nova menina e outras pessoas. Comecei a ficar aborrecida.

-Ela está andando com a Nancy? -Perguntou arqueando a sobrancelha.

-Pelo visto… Por que? -Perguntei.

August ficou em silêncio.

-Por que? -Falei batendo na mesa.

August riu.

-Porque a Nancy já teve um caso com ela. -Falou.

Meu coração acelerou e minha mão ficou gelada. Eu não costumava ser ciumenta, mas dessa vez eu estava prestes a surtar.

-Ei, Lari! Calma… Isso não quer dizer nada, ok? -Falou pegando no meu braço.

Eu perdi a fome e a insegurança me consumiu. Sei que pode ser exagero, mas estou extremamente incomodada. Tentei encara-la, até que ela me viu e sorriu. Tentei conter minha cara emburrada e sorri de volta. Li seus lábios e ela pediu para nos encontrarmos atrás do banheiro principal. As duas levantaram e foram no maior papo pra algum lugar que eu não faço ideia. Estava com um ciúme que nunca havia sentido antes e o pior de tudo é saber que elas já tiveram algo. Acho que estava exagerando, ou sei lá, só precisava conversar com Cass e dizer o que estava sentindo.

00


Eu espero que tenham gostado da continuação de hoje, não se esqueçam semana que vem tem outro capítulo e por ai vai, toda semana um capítulo novo.

Beijos da Mila!
Gratidão!

Até o próximo capítulo!

Fanfic: Colega de Quarto. (Part.9)

Silêncio. (Capítulo 9)

00

Me corpo estremeceu, fiquei imóvel. Não conseguia olhar pra trás, pois sei que se olhasse, não conseguiria seguir. Cassie acelerou o passo e me abraçou por trás. Fechei os olhos e desabei, me virei e ficamos bem perto uma da outra, senti sua respiração bem de perto, vi suas pupilas dilatarem e conseguia ouvir seu coração bater acelerado.

-Eu nem acredito que está aqui. -Falou ofegante.

Fiquei em silêncio e a beijei. Meu corpo inteiro se arrepiou, senti algo que eu nunca havia sentido antes. A empurrei pra porta e a tranquei, continuamos a nos beijar, nossos corpos se uniram, como um só. Cass beijava meu pescoço e ao mesmo tempo desabotoava minha blusa, seus lábios percorriam por todo o meu corpo. Nos deitamos e por um momento não acreditei no que estava fazendo, fiquei insegura.

-Fiz algo errado? -Perguntou.

A beijei e ela ficou em cima de mim, tirei seu sutiã e beijei lentamente seus seios, pude sentir seu corpo arrepiar. Ficamos alguns minutos sentadas, entrelaçadas, em silêncio, sentindo o corpo uma da outra.

-Você é linda, Lariesce. -Sussurrou.

Continuamos a nos beijar, suas mãos deslizavam sob o meu corpo, que ao chegar no quadril, subiam rapidamente, como se ela não estivesse segura do que estava prestes a fazer. A encarei e ela abaixou minha saia, devagar, delicadamente. Estava morrendo de vergonha, mas eu não queria parar. Queria aproveitar a Cass ao máximo, pois provavelmente eu irei mudar novamente. Ela subiu e me beijou, lentamente. Foi beijando meu pescoço, meus seios, minha barriga e cintura. Meu corpo dançava nos seus lábios.

00

[…]

Acordei grudada em Cass, com seus olhos castanhos me decifrando e um leve sorriso torto. Senti minhas bochechas ficarem quentes, estava morrendo de vergonha. Levantei e me cobri. Senti seu olhar nas minhas costas.

-Você fica linda dormindo. -Falou sorrindo.

-Imagino. -Falei rindo.

Cass deu risada.

-Suas roupas estão ali. -Falou apontando pra cômoda.

Queria me enfiar em um buraco e não sair mais. Fiz um coque no cabelo e sentei, estava só de roupas íntimas. Ao sentar ouvi a porta bater insistentemente. Cass levantou rapidamente e abotoou sua camisa.

-Lariesce, abra essa porta, precisamos ir. -Falou batendo.

Coloquei minhas roupas e ajeitei o lençol.

-Ir pra onde? -Perguntou.

Fiquei nervosa e sem saber o que fazer.

-Eu vou te explicar. -Falei.

Abri a porta e dei de cara com meus pais e a Lisa, a mesma menina que me apresentou o internato.

-Onde você se meteu? Ficamos iguais loucos te procurando. -Falou. -Suas coisas estão na recepção. -Falou saindo.

-Lariesce, me explica isso, por favor. -Falou puxando meu braço.

Lisa ficou nos encarando.

-Não contou pra sua colega de quarto? -Perguntou. -A Lari infelizmente foi tirada do internato após aquele ocorrido. -Falou num fôlego só.

Cass me olhou com lágrimas nos olhos, seus olhos demonstravam o tamanho da frustração que ela estava sentindo. Comecei a chorar em seguida.

-Eu ia te contar, mas tudo aconteceu rápido demais. -Falei aos prantos. -Eu não quero ir, eu não quero. -Falei desesperada.

Cass ficou perplexa, sem saber o que fazer. Peguei suas mãos e a encarei.

-Tive uma ideia. -Falou.

Por um momento notei que Lisa ainda aguardava no lado de fora do quarto.

-Lisa? Diga a eles que ela já vai. Só vamos nos despedir do pessoal. -Falou sorrindo.

Fiquei sem entender, muitas coisas se passavam pela minha cabeça, mas não tinha noção do que Cass iria fazer.

-Coloca algumas coisas nessa mochila. -Falou.

-Vamos fugir? -Perguntei assustada.

Cass continuou a arrumar e eu só continuei a acompanhá-la. Pegamos algumas coisas e saímos correndo pelo corredor, que por um milagre estava vazio. Tudo parecia conspirar ao nosso favor.

-Eu sei uma saída. -Falou entrando em um quarto de limpeza.

Aquele lugar fedia a mofo.

-Como você sabe desse lugar? -Perguntei nervosa.

-Só me segue. -Falou.

Entramos em uma portinha, que dava pro lado de fora do internato. Estava muito nervosa e assustada, não sabia o que estava fazendo, eu não tive tempo pra pensar, talvez isso tenha sido bom, caso contrário estaria indo embora novamente.
Cass sabia várias passagens, agora eu sei porque ela sumia de vez em quando.

-Vem, toma cuidado, está tendo ginástica logo ali. -Falou abaixando atrás de um arbusto.

Estava tremendo e pensando seriamente em abandonar tudo. Um lado me dizia pra voltar e tentar convencer todo mundo e o outro só me fazia querer acompanhar ela.

-Lari? Vamos! -Falou levantando.

Me perdi em meus pensamentos e por um momento percebi que precisava decidir se iria. Fiquei parada, pensando em tudo e nas consequências, Cass me olhava sem entender e fazia um sinal com uma das mãos.

-Lari? Está esperando o que? -Gritou.

Olhei pros lados e decidi ir, não iria mudar a decisão dos meus pais.
Corri até Cass e subimos em uma grade, atrás do internato.

-Vem, segura na minha mão. -Falou estendendo o braço.

Quando estava prestes a sair, notei que Augusts me observava de longe. O encarei de volta e tentei balbuciar algumas palavras.

“Eu preciso fazer isso. Não vou demorar.”

August fez que sim com a cabeça e eu terminei de pular a grade. Eu não estava acreditando no que estava fazendo e acho que nem Cassie estava muito confiante.

-Para onde vamos? -Perguntei.

Cass ficou em silêncio. Estava tremendo, assustada e receosa.

-Cassie! -Aumentei o tom voz.

Cass parou e me encarou.

-Lari, dá pra esperar? Estou tentado
pensar. -Falou com o tom de voz elevado.

Fiquei assustada e um medo me cobriu por inteira.
Cassie ficou uns minutos em silêncio, estávamos na entrada de uma pequena floresta, a mesma que eu podia ver do nosso quarto. Por um momento me deu vontade de voltar, aquilo tinha muita chance de dar errado.

-Lariesce? Você tem algum dinheiro? -Perguntou.

Revirei meus bolsos e minha mochila, tinha 20 dólares e um chiclete de menta.

-Só tenho isso. -Falei.

Cass riu.

-Eu tenho 35 dólares, dá pra pegar um ônibus. -Falou.

Estava tentando descobrir onde Cass queria nos levar.

-Para onde vamos? -Perguntei.

Cass continuou a andar e me respondeu num tom de voz baixo, gaguejando um pouco.

-Pra Austin. -Falou.

Fiquei receosa, mas eu tomei essa decisão e agora tenho que ser madura o suficiente pra enfrentar, sem reclamar.

-Vamos ficar na casa da minha prima Marie. -Falou.

Pelo menos temos um destino, porém, Austin fica um pouco longe de Houston e temos só 55 dólares, é muita loucura.

-E o dinheiro vai dar? -Perguntei.

Cass parecia tranquila e o semblante confuso que ela estava tinha desaparecido. Confesso que me tranquilizou.

-Acredito que sim, duas passagens devem ser menos de 20 dólares. -Falou. -O terminal é logo ali. -Falou.

O terminal parecia abandonado, mas pelo incrível que pareça tinha um homem trabalhando. Aquele lugar estava caindo aos pedaços.

-Oi, bom dia! Quanto tá a passagem pra Austin? -Perguntou.

Fiquei calculando a distância e não tinha passagem de ônibus pra Austin, só de avião.
O homem deu uma gargalhada estrondeante.

-O que foi? -Cass perguntou nervosa.

O homem fechou a cara e puxou um pequeno mapa do Texas.

-Estamos nesse ponto aqui, Austin é aquele ponto ali. Não tem ônibus que leve até lá. -Falou.

Fiquei quieta, pois eu sabia que não teria. Tomei a frente e decidi pedir informações.

-E como fazemos pra chegar até lá? -Perguntei.

Tudo ficou em silêncio e o homem nos olhou desconfiado.

-Olha… Porque querem ir pra lá? -Perguntou.

Cass fechou a cara.

-Não é da sua conta. -Falou.

O homem fechou a cara e guardou o mapa.

-Muito bem, sem informação pra vocês. -Falou.

Fiquei aborrecida e cutuquei Cass.

-Senhor… me desculpa. Queremos encontrar nossa mãe, problemas de família. Por favor, tem como me dizer? -Perguntei.

O homem suspirou e colocou o mapa na mesa novamente.

-Bom, vocês vão pegar um ônibus aqui e ir até a última parada. Lá tem o aeroporto, que fica um pouco distante do terminal, ai vocês pegam uma carona, ou outro ônibus. -Falou.

Cass havia saído e estava me esperando do lado de fora. Agradeci e ainda ganhei o mapa. Ser simpática as vezes tem seus benefícios.

-Quanto é a passagem? -Perguntei.

-12 dólares, cada. -Falou.

Peguei o dinheiro e não pensei duas vezes. Saí e Cass estava emburrada.

-Olha! Temos tudo direitinho, deu 24 dólares tudo. -Falei.

Cass olhou e riu.

-Você fica linda animadinha. -Falou me dando um beijo.

Logo ouvi um berro.

-Ei! Vocês não eram irmãs?! -Gritou.

O ônibus chegou e em seguida entramos. O homem ficou do lado de fora pedindo pra parar o ônibus.

-Cara, que trouxa. -Falei rindo.

Cass sorriu e senti seus dedos entrelaçarem nos meus.
Estava com medo, mas sentia que tinha feito o certo. Essa é a maior aventura da minha vida.

00

18:30 PM

Após quase quatro horas de viagem, finalmente chegamos. Estava faminta, mas, tínhamos que arrumar dinheiro pra passagem de avião ainda.
Cass mordeu uma barra de cereal e me deu a metade.

-Estou exausta. -Falou.

Fiquei sentada, encarando o chão e percebi que estávamos de uniforme.

-Precisamos tirar isso, se vierem nos procurar, a primeira coisa que eles vão dizer é que estamos de uniforme. -Falei.

Cass riu.

-Acha que alguém vem me procurar? -Perguntou.

Fiquei em silêncio. Cass revirou a bolsa e pegou um maço de cigarros, colocou um entre os dentes e o acendeu.

-Se eles vierem, é por causa de você. -Falou dando um trago.

Fiquei incomodada e notei que Cass estava aborrecida com alguma coisa.

-O que você tem? -Perguntei.

-Estou cansada, Lariesce. De tudo, de todos. Ninguém tá aí pra mim. -Falou com tom de voz alto.

Fiquei em silêncio e fechei a cara.

-Aconteceu aquele monte de merda comigo também e ninguém se quer ligou pra saber se eu estava bem. -Falou.

-Você não pode me culpar por isso. Você acha que meus pais são maravilhosos porque vão a escola decidir minha vida? -Perguntei.

Cass suspirou.

-Eles NUNCA me deram atenção e muito menos se preocuparam com o que eu pensava. Me mudei doze vezes e sempre fui criada por babás. -Gritei.

As pessoas nos encaram e cochichavam entre si.

-Acho que não estamos aqui pra discutir quem tem a pior vida. -Falou.

Ficamos em silêncio por algum tempo.

-Então para de agir como se eu fosse a mimadinha e você fosse uma fodida que ninguém liga. Eu ligo pra você, eu ligo tanto que decidi largar minha vida pra te seguir. -Falei.

Cass apagou o cigarro e levantou.

-Temos que ir. -Falou séria.

Levantei e continuamos a andar.

00

Passaram-se algumas horas e já não sabíamos o que fazer.

-Vamos ter que pedir carona. -Falou. -Não temos dinheiro suficiente pra um ônibus. -Falou.

Amarrei o cabelo e coloquei uma blusa de frio.

-E muito menos grana pra passagem de avião. -Falei.

Cass me olhou aborrecida.

-Então é isso? Vamos ficar presas nessa merda de terminal sujo? -Perguntou.

Fui até a rodovia e fiz sinal para alguns carros. Ninguém parava, estava começando a desistir, até que um carro preto parou. O vidro abaixou lentamente e era uma mulher loira com uma menina, aparentava ter uns doze anos.

-Querem ir pra onde? -Perguntou.

-Pro aeroporto. -Falei.

A mulher pensou e destravou as portas.

-Pode entrar. -Falou.

Ficamos receosas e apertamos a mão uma da outra, porém decidimos entrar.
O carro todo ficou em silêncio, até que a mulher puxou assunto.

-O que duas meninas tão novas fazem a essa hora em um terminal? Estão perdidas? -Perguntou.

Cass cochilava no meu ombro.

-Nos perdemos dos nossos amigos, agora precisamos voltar pra Austin. -Falei.

A filha dela colocou o som no volume máximo.

-Amber que falta de educação. -Falou desligando.

Cass acordou no susto.

-Tá tudo bem? -Falou grogue.

Fiz carinho no cabelo dela e a coloquei pra descansar novamente.

-Se quiserem passar uma noite lá em casa. Moro próximo ao aeroporto. -Falou sorrindo.

-Não, mãe! -Amber gritou.

Fiquei constrangida.

-Não precisa, a gente se vira. Obrigada. -Falei agradecendo.

-Eu insisto! Vamos! -Insistiu.

Pensando bem, era arriscado aceitar algo de uma estranha, porém, estávamos famintas e precisando de um banho. Acordei Cass e expliquei a proposta.

-É muito arriscado. -Sussurrou.

Fomos interrompidas pela mulher.

-Meninas, estamos bem perto da minha casa. Tem certeza que não querem? Eu não vou matar vocês. -Falou rindo.

Nos encaramos e decidimos aceitar, com um pé atrás.

-Meu nome é Carlie. -Falou.

Ela estacionou o carro e saímos. Ela morava num casarão.
Entramos e a primeira coisa que fizemos foi agradecer.

-Meninas, o quarto de visitas é lá em cima. Tem toalhas e algumas coisas pra vocês tomarem banho. -Falou apontando.

A filha dela saiu ás pressas e se jogou no sofá.

Subimos e quase nos perdemos nos corredores daquela casa. Entramos e fechamos a porta. Sentei na cama e fiquei em silêncio, só pensando no que estava acontecendo. Cass sentou do meu lado e arrumou meu cabelo.

Cass levantou e foi pro banheiro, tirei minhas roupas e vesti um roupão que estava atrás da porta.
Decidi ir até ela, o banheiro estava bem quentinho, o espelho todo embaçado. Abri a porta e fiquei observando ela tomar banho. Cada curva, cada movimento.
Cass se virou e se cobriu com as mãos. Abri o vidro e abaixei meu roupão. E novamente estávamos juntas.

00


Olá meus amores eu sei que demorei pra postar a continuação, ando nunca correria e meio perdida pra conciliar o blog e a faculdade, mas como eu sempre disse: eu sempre estou por aqui. E as meninas também estão postando, então acompanhe muito elas, mas se preparam também porque estou organizando uns posts pra essa semana.

Obrigada por todo carinho, pelos acessos, pela paciência comigo, eu sou muito grata a vocês, por tudo.

Beijos da Mila, até a próxima!

Gratidão!

Fanfic: Colega de Quarto. (Part. 8).

ESCOLHAS (Capítulo 8)

Se preferirem, ouçam as músicas que irei sugerir logo á baixo, enquanto leem o capítulo. Tudo para uma melhor leitura.
•Daughter- Youth. (Parte I da Lariesce •Josh Jenkins- I Still Love You. (Parte I da Cassie)
_________________

Dias depois.

00
Acordei com a garganta seca, completamente desnorteada. Minha cabeça latejava e eu mal conseguia abrir os olhos por conta de uma fresta de luz que iluminava meu rosto. Olhei pro lado e notei umas flores murchas na mesa ao lado da minha cama. Cocei os olhos e vi algumas marcas no meu pulso, que me fizeram lembrar vagamente do ocorrido.
Comecei a chorar e o desespero tomou conta de mim. Logo uma enfermeira entrou correndo, olhei em direção a porta e vi um suéter conhecido, era a minha mãe.
Meu coração acelerou e eu só queria abraça-la, apesar de tudo, eu sentia muito a falta dela.
Ela estava em prantos e com o olhar perdido, sem jeito.

-Filha? -Falou em voz baixa.

Engoli seco.

-Quero um pouco de água. -Falei grogue.

A enfermeira colocou um pouco em um copo e me entregou em seguida. Bebi a água e tentei me sentar.

-O que aconteceu? Quanto tempo eu dormi? -Perguntei num fôlego só.

-Vamos com calma… -Falou batendo com a mão esquerda no meu ombro.

Eu sabia que havia acontecido algo terrível, mas estava confusa, vinham apenas flashbacks na minha cabeça.

-Bom… a psicóloga vai vir conversar com você e explicar tudo. Agora deite um pouco, descanse. -Falou me tentando me inclinar.

Deitei e fiquei encarando um relógio. Tudo fico em silêncio e eu tentei lembrar de algumas coisas. Lembrei de Cassie, e fiquei aflita. Eu precisava saber como ela estava.
Logo ouvi uns passos e a psicóloga chegou. Eu já tinha visto ela em algum lugar, provavelmente em algum corredor da escola.

-Olá, Lariesce! Que bom que acordou. -Falou sorrindo.

Me sentei e fiquei em silêncio.

-Você se lembra de alguma coisa? -Perguntou.

Encarei o chão e apertei a maca com uma das mãos. Por algum motivo, estava receosa.

-Só flashbacks. -Falei a encarando.

Ela anotou em um bloquinho e me encarou de volta.

-Isso é bom. -Falou me encarando. -Bom, vou explicar o que aconteceu, tudo bem? -Perguntou.

Confesso que estava muito ansiosa pra saber, mas ao mesmo tempo, com muito medo.
Fiz que sim com a cabeça.

-James Rush e outros garotos, te levaram a força pra um galpão, no subsolo do internato. Sua colega de quarto, Cassie Migdton, também estava lá. -Falou lendo um papel.

Tudo começou a fazer sentido e eu comecei a lembrar de tudo. Minhas mãos estavam suando e eu não conseguia parar de balançar a perna.

-Após isso, vocês foram obrigadas a fazer várias coisas… E por fim, James Rush levou você para um quarto nos fundos desse galpão. August seguiu você e encontrou o tal lugar. -Falou virando a folha.

Só conseguia pensar em Cass e no que havia acontecido com ela.

-Faz quantos dias que estou aqui? -Perguntei.

Ela suspirou.

-Cinco dias. -Falou.

Cinco dias? Não é possível que tenha ficado tanto tempo dormindo. Estava prestes a surtar.

-Você estava em estado de choque. É como se tivesse entrado em “coma”. -Falou.

Fiquei em silêncio.

-A Cassie está bem? -Perguntei aflita.

-Sim, inclusive, ela mesmo deu o depoimento. Eles não abusaram dela, August chegou a tempo. -Falou.

Eu só queria abraçar August e agradecer por tudo. Eu nem sei o que teria sido de mim e da Cass se não fosse ele.
Após saber que Cass estava bem, fiquei aliviada. Sei que isso vai ficar marcado na nossa vida, mas poderia ter sido muito pior. Eu só almejo melhoras pra Cass e principalmente pra mim.

-Bom, Lariesce… Seus pais querem conversar com você. -Falou levantando. -Se precisar pode ir até a minha sala. -Falou saindo.

Estava tentando organizar meus pensamentos, mas sei que isso levaria bastante tempo.
Logo meus pais chegaram. Minha mãe sentou e pegou minha mão.

-Filha… Vai ficar tudo bem. Você vai voltar pra casa, não tem que passar por mais nada. -Falou.

Essas cinco semanas foram as mais turbulentas que eu já vivi, apesar de tudo, eu me adaptei aqui, e estava começando a gostar. Quer dizer… talvez eu não goste tanto, mas alguém me prendia aqui, e esse alguém era Cassie.

-Mãe… Eu sei que vocês estão com medo, só que… Eu não quero voltar pra casa. -Falei.

Eles me olharam surpresos. Nem acredito que disse aquilo… Só saiu.

-Lariesce, você tem idéia do que aconteceu? Pelo amor de Deus, esse lugar vai acabar matando alguém. -Falou com o tom de voz alterado.

Fiquei em silêncio.

-Eu só… Queria tentar de novo. -Falei cabisbaixa.

Minha mãe olhou incomodada pro meu pai.

-Bom… a decisão já foi tomada. É melhor pra você, Lariesce… Eu não quero que nada de ruim te aconteça. -Falou.

O lado que eu mais odiava na minha mãe estava voltando. Essa superioridade, a mania de tomar as decisões sem se importar com o que eu penso.

-Novamente vocês tomaram decisões sem me informar. -Falei irritada. -Eu não quero, custa me deixar tentar? Me deixar tomar uma decisão sozinha? -Perguntei furiosa.

Minha mãe levantou e me olhou com sangue nos olhos.

-Não altere a voz pra mim! Eu sei o que é melhor pra você, já não aguento suas gracinhas e essa sua rebeldia. Quando se sustentar, vai ser obrigada a tomar decisões. -Gritou.

Fiquei quieta.

-Me deixa sozinha. -Falei chorando.

As enfermeiras entraram assustadas. Meu pai já havia saído e minha mãe ficou me encarando, com olhar de reprovação.

-Eu pedi pra sair. -Gritei.

Ela virou bruscamente e saiu.
Eu só queria desaparecer, me trancar em algum canto e chorar muito.

00

19:55 PM

Passei o dia inteiro em observação, não aguentava mais ficar andando por esse quarto.
Me deitei novamente e uma enfermeira entrou. Me examinou e checou o horário.

-Quando é que vou ser liberada? -Perguntei aflita.

Ela continuou a organizar uns medicamentos.

-Amanhã bem cedo. Você passou por um tremendo susto, não podemos te liberar assim. -Falou.

Fiquei em silêncio e tentei dormir um pouco.

•••••••••••••••••••••

CASSIE MIGDTON

Cinco dias atrás.

Estava completamente arrasada, envergonhada e com medo. Eu só desejei morrer inúmeras vezes, pois tudo teria sido melhor do que passar pelo o que eu passei. Os gritos da Lariesce ficam rondando minha cabeça e o pior de tudo… É não saber o que aconteceu com ela.
Ao sair do galpão, me lembro de ter visto ela no colo do August, completamente fora de si.
Eles me levaram até a enfermaria, me deram alguns analgésicos e eu tentei dormir. Só tentei… pois fiquei acordada o resto da noite. Nada me deixava quieta, eu só precisava ver como ela estava e saber se James e os amigos foram presos.

00

O alarme tocou e eu levantei, tomei um banho, escovei os dentes e fiquei me encarando no espelho, que ainda estava um pouco embaçado por conta do vapor.
Estava cheia de arranhões e hematomas, além do meu psicológico estar fodido, meu corpo só me lembrava daquela noite terrível.

-Cassie? Não se atrase, você tem que dar seu depoimento. -Falou batendo na porta do banheiro.

Notei uma tesoura em uma das gavetas, estava tomando coragem pra cortar meu cabelo que já não era muito longo.
Respirei fundo, fechei os olhos e cortei.
Eu preciso recomeçar e o primeiro passo já foi dado.
Minhas mão estavam tremendo.

-Cassie? Você tem seis minutos. Falou batendo na porta novamente. -Estou te esperando no auditório. -Falou saindo.

Terminei de cortar e tirei o excesso do cabelo dos meus ombros. Saí ás pressas e vesti o uniforme. Pela primeira vez, tentei me manter apresentável.
Fui correndo pro auditório e ao chegar, todos me olharam espantados, confesso que adorei ver a reação da diretora Hollie.
August me olhou assustado e balbuciou um “gostei”.

00

Após depôr, estava um tanto quanto feliz, afinal… James iria para um reformatório, um dos piores lugares que um jovem pode ir.
O horário de visita pra ver a Larie é só daqui a duas horas, eu não estava aguentando mais esperar.

00

Passou algum tempo e… finalmente iria vê-la. Espero que ela não se assuste com o meu cabelo. Fui ate a enfermaria e peguei um crachá. Colhi algumas flores e decidi levar.
Meu coração estava disparado, mas ao chegar… notei que ela não estava acordada. Fiquei paralisada.

-O que aconteceu com ela? -Perguntei nervosa.

-A gente ainda não tem certeza, mas… Acreditamos que ela tenha entrado em coma, por conta do susto. -Falou.

Minhas mãos estavam geladas… O medo estava me consumindo, minha visão ficou embaçada e eu me sentei ao seu lado. Coloquei as flores em um copo, ao lado dela. Logo tudo ficou em silêncio e as enfermeiras saíram.
Me destruiu ver ela daquele jeito, e ao mesmo tempo me fez lembrar de quando eu estava mal. Eu realmente gostaria que ela estivesse acordada, sei que se ela estivesse, ela estaria transtornada, mas… De alguma forma, queria tentar fazer ela sentir o que eu senti naquela noite que ela foi me ver.
Ela é tão linda… e talvez nem saiba o quanto eu admiro tudo o que ela faz. Se as pessoas fossem classificadas como fenômenos naturais, eu seria a tempestade… e ela… uma brisa. Que faz as folhas alaranjadas do outono se desprenderem das árvores.

0000000

LARIESCE SMITH.

07:23 AM

Acordei desnorteada e logo lembrei que hoje iria sair daqui. Levantei ás pressas e uma das enfermeiras chegaram.

-Bom dia, Lariesce! Vamos te liberar daqui a pouco. -Falou.

Eu não já não aguentava mais esse sufoco, só queria ir embora.
Abri um sorriso e fui tomar um banho.
Ao sair do banho, notei que minhas coisas estavam organizadas. Sai desembaraçando meu cabelo e ao olhar pro lado, vi minha mãe conversando com o médico.

-O que é isso tudo? Eu já vou embora? -Perguntei assustada.

Minha mãe pediu licença ao médico e entrou no quarto logo em seguida.

-Lariesce… Você vai poder se despedir das pessoas que fez amizade aqui. Tenha calma. -Falou.

Fechei a cara e fui em direção a porta. Finalmente iria sair daqui, não pensei duas vezes e fui até meu dormitório. Eu tinha a impressão que todos já sabiam de tudo. Eles me olhavam estranho e cochichavam o tempo inteiro. Estava envergonhada e agora sei que aquilo iria me incomodar bastante.
Fechei os olhos e abri a porta com tudo.
Não tinha ninguém lá, minha cama estava organizada e o lado de Cass completamente desorganizado como de costume. Não queria ir sem vê-la, estava morrendo de saudade e não perdoaria meus pais se não a visse.
Sentei na cama dela e peguei uma de suas blusas e tentei sentir o cheiro dela. O perfume adocicado só me fazia sentir mais saudade.
Me levantei e fiquei olhando pro lado de fora, até que… ouvi a porta abrir.

-Lari? -Falou com a voz trêmula.

000000


Minhas Luas, eu imagino que tenham matado a curiosidade, gostaram da sugestão de música, que foi deixada pela autora da história? Eu adorei. Eu espero que tenham gostado da continuação de hoje, semana que vem tem mais ou quem sabe sai antes, só pra vocês não ficarem na curiosidade.

Obrigada por todos os comentários, por estarem seguindo o blog e dando muitos likes. Eu vou deixar o link da pagina e do insta do blog.

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Beijão da Mila!
Gratidão!!

Fanfic: Colega de Quarto. (Part.7)

Pra quem ainda não leu o Capítulo 1 e os outros capítulos, vou deixar o link aqui em baixo:
Capítulo 1: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 2: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 3: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 4: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capitulo 5: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capitulo 6: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.

Chega de enrolação, eu espero que gostem muito da continuação.

Boa Leitura!

FIRE (Capítulo 7)


0000

18:34 PM

Fiquei sentada na janela do quarto, que dava pro fundo do jardim, a vista era privilegiada com uma bela floresta que, acredite, eu nunca havia parado pra reparar o quão bonita ela fica quando está anoitecendo. Eu não sei que tipo de sensação estava sentindo, minha barriga estremeceu e algo me deixou cabisbaixa, por um momento, senti saudade… De casa, da minha velha rotina e da minha “liberdade”. Estava gostando do internato, na verdade, me adaptando, uma hora a gente tem que se acostumar com o fato de que tudo muda, de uma hora pra outra. É… Olha só quem tá sofrendo novamente pelas temidas “mudanças.” O vento fresco entrava pelo quarto e fazia as cortinas balançarem, seja bem vindo Outono!
Cass abriu a porta e ficou procurando algo em meio as suas coisas.
Fiquei observando quieta, aguardando ela me perguntar algo.

-Isso daria uma capa de CD indie. -Falou rindo.

Dei risada.

-Ah… Meu humor também combina com as músicas. -Falei rindo.

Cass encostou na porta do armário e ficou me encarando.
O silêncio reinava.

-Estava procurando o que? -Perguntei quebrando o silêncio.

Cass sentou na cama e suspirou.

-Um cigarro. -Falou.

Olhei surpresa. Cass realmente acha que fumar tomando remédios é algo saudável.

-Cigarro? Nem pense nisso, você tá se recuperando, isso não vai te fazer bem. Se você passar mal vão dizer que te envenenei. -Falei.

Cass deu uma gargalhada.

-Tudo bem, mamãe. Mais alguma coisa? -Perguntou se aproximando.

E novamente o frio da barriga me consumia por inteiro.

-Sim, tá na hora do seu anti-inflamatório. -Falei levantando da janela e indo até a cabeceira.

Cass virou a cabeça e deu um sorriso de lado.

Peguei o comprimido e um pouco de água em uma pequena jarra de vidro. Cass pegou o comprimido e engoliu de uma vez só. Fiquei surpresa e coloquei o copo de volta na mesa.
Estava me sentindo estranha, os acontecimentos me deixaram confusa. Não sei o que Cass quer realmente, não sei o que nosso beijo significou e não quero me envolver se não tiver certeza, já sou insegura o suficiente.
Cass fechou o sorriso e se deitou.

-Vou pro jantar, faz dias que não como nada no jantar. -Falei indo em direção a porta.

Cass ficou em silêncio.
Tentei ignorar e fui pro refeitório. Algo me dizia que Cass havia notado que eu estava estranha.
Estava me acostumando com os olhares e eles nem me incomodavam mais. Ao chegar, vi August, ele estava com outros garotos.
Peguei meu jantar e sentei no mesmo lugar de sempre, que por incrível que pareça, só eu utilizava.
A comida era razoável, na verdade, era relativamente boa, só que estava sem fome.
Olhei pro lado e vi um vulto e senti um perfume conhecido. Larguei meu prato e saí ás pressas. Fui seguindo os passos da pessoa, eram apressados e silenciosos. Notei que estava indo em direção ao jardim. Estava ventando muito, as árvores e arbustos balançavam de um lado para o outro. Decidi entrar e senti alguém dizer meu nome. Meu corpo congelou e eu olhei lentamente para trás, era James.
Meu sangue esquentou.

-O que você quer? Licença. -Falei tentando abrir a porta.

James deu um sorriso malicioso.

-Você conseguiu me fazer mudar de internato, vou deixar de ser um problema, pra sua felicidade. -Falou.

-Realmente estou feliz, obrigada por ter me contado. -Falei.

Logo uns garotos apareceram. Estava começando a me assustar.

-Vou embora… Mas você vai lembrar de mim sempre. -Falou.

Fiquei calada. Os garotos riam e me olhavam dos pés a cabeça.

-Eu não lembro de coisas insignificantes. -Falei saindo.

Logo um dos garotos me puxou e tentou me calar com um pano. Eu só conseguia me debater, a porta ficava cada vez mais longe. Meu coração queria sair pela boca. Tentei gritar o mais alto possível, mas nada adiantava.
Me levaram pro mesmo galpão que James havia me levado. Estava desesperada, pois sei que aqui ninguém poderia me ouvir. Acenderam a luz e ouvi sons abafados.
Meus olhos estavam ficando embaçados, de tanto que estava chorando. Não consegui ver a pessoa, mas aos poucos notei que a pessoa, era Cass.
Meu corpo congelou e amoleceu. Me jogaram no chão, ao lado dela. James e os amigos planejavam algo e eu só conseguia olhar ao meu redor e buscar maneiras de fugir.

-Vocês realmente não sabiam com quem estavam mexendo. -Falou.

Tentei gritar mais uma vez e todos os quatro garotos riam.

-Larga de ser idiota, você sabe muito bem que ninguém vai te ouvir daqui. -Falou.

-O que você quer? -Cass falou chorando.

James sorriu maliciosamente e cutucou o garoto que estava do lado.

-Já que as duas são namoradinhas… Vocês poderiam começar a se pegar aqui na nossa frente. -Falou rindo.

Encarei Cass e abaixei a cabeça. Estava morrendo por dentro, só queria chorar.

-Não somos namoradas, desgraçado. -Gritei.

James fechou o sorriso.

-É melhor fazer o que eu estou pedindo. -Falou puxando meu cabelo.

Cass o chutou, e ele me soltou bruscamente em direção a parede. Bati minha cabeça e fiquei tonta. Dois caras se aproximaram e nos obrigaram a beijar uma a outra. Eu só conseguia chorar.
Todos comemoravam e brindavam suas garrafas de vodka.

-Agora quero que a loirinha tire a blusa da outra. -Um dos caras falou rindo.

Cass se recusou a tirar e eles ficaram furiosos. Estava morrendo de vergonha e ódio ao mesmo tempo. Cass ainda estava se recuperando e já estava passando por outra merda, eu não podia deixar isso assim.
Eu mesma tirei minha blusa e coloquei as mãos de Cass nos meus peitos. Vi uma lágrima escorrer de um dos olhos dela. Aquilo estava me destruindo, mas não podia deixar eles machucarem ela de novo.

-Vagabundas. -Gritou um dos garotos.

-Alguém quer brincar com uma delas? -James ofereceu, dando um gole na bebida.

Todos gritavam e riam. Minha cabeça estava latejando e Cass estava desesperada.

Um deles me puxou pelo braço e me arrastou até um banheiro nos fundos. Eu só conseguia gritar e ouvir os gritos de Cass, que cada vez ficavam mais baixos.

-Não, por favor, deixem ela em paz! -Cass berrava, diversas vezes.

Tentei me debater, mas ele era mais forte que eu, já não aguentava mais, estava completamente tonta. Ele me empurrou contra parede e com uma das mãos levantou minha saia. Eu conseguia ouvir meus batimentos.
Logo ouvi passos fortes e notei que haviam trago Cass pra ver tudo.
James a puxou pelo braço e a jogou com tudo no chão.

-Tá legal, vocês realmente pensam que vão comer ela primeiro que eu? Quem arrumou essa merda aqui toda foi eu. -Falou tirando ele de cima de mim.

O cheiro de bebida se misturava com o cheio do suor. Meus joelhos dobraram e eu caí.

James fechou a porta e arrancou a minha roupa. Me debati, e cuspi no rosto dele.
Tentei destrancar a porta do banheiro e ele me puxou. Meus joelhos estavam ralados e eu mal tinha percebido.
A porta finalmente abriu e vi que os outros garotos estavam indo em direção a Cass. Ela estava mole, quase desmaiando.
James puxou meu cabelo e me levou para um quarto ao lado, havia apenas uma cama e um colchão, tudo muito sujo e velho.
Eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo, eu só queria acordar desse pesadelo.
Ele me atirou na cama e subiu em cima de mim. Meu corpo não respondia mais por mim, eu não tinha mais forças pra gritar, só conseguia sentir nojo de tudo aquilo.
Minha visão ficou escura e eu estava pedindo pra morrer. Ouvi a porta abrir bruscamente, era August e uns vigias.

-Sai de cima dela. -Gritou.

Ele imediatamente saiu de cima de mim e eu simplesmente apaguei.
Lembro de ver August me cobrindo com um lençol e tentando me acordar. Uns enfermeiros chegaram e a policia também foi acionada.
O internato inteiro acordou, e eu… só queria estar morta.

000

Acordei em uma maca, meu corpo inteiro doía. Encarei minhas mãos e as marcas no meu pulso me fizeram lembrar de tudo.
Comecei a gritar e a tentar sair de lá, até que umas enfermeiras chegaram e me acalmaram.
Não conseguia parar de chorar. Olhei pra porta e vi meus pais. Minha mãe estava aos prantos e veio correndo me abraçar. Por um momento… me senti viva.
Só queria ir pra casa.

000


Eu sei, finalmente saiu a continuação da Fanfic, acabou demorando porque a autora estava com a vida super corrida e eu também estava com a minha vida de cabeça pra baixo, quer dizer: ainda está, quer dizer, sempre esteve (risos).

Obrigada por todo carinho, por toda paciência e por todos acessos, vocês são demais, eu já disso isso? Semana que vem vai sair o Capitulo 8, aguardem!

Beijos da Mila!
Gratidão!

Fanfic: Colega de Quarto – Rommate. (Part.6)

Galerinha, como prometido a continuação da Fanfic, da autora Lucília Gomes. Eu espero que não tenham morrido de ansiedade com a espera da continuação.

Pra quem ainda não leu o Capítulo 1 e os outros capítulos, vou deixar o link aqui em baixo:
Capítulo 1: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 2: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 3: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 4: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capitulo 5: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.

Chega de enrolação, eu espero que gostem muito da continuação.

Boa Leitura!


Capitulo 6

“Lariesce Grace.”

Não sou de falar muito da minha história, mas tenho segredos que poucas pessoas sabem.
Eu cresci em uma pequena cidade no interior de Ohio, com minhas irmãs, sim, eu tinha irmãs, de consideração. Eu morei em um orfanato durante 4 anos, até meus pais me adotarem. Minha mãe não podia engravidar e estava entrando em depressão, até que… eles tomaram essa decisão.
Eu não tenho vergonha em dizer ou receio que as pessoas descubram, não faz diferença pra mim. O fato de saber que meus pais verdadeiros me abandonaram me faz nunca querer conhece-los.
Eu sempre fui muito na minha e meus pais eram sem jeito, não sabiam muito lidar com uma criança. Digamos que eu tenha sobrevivido a base de comida congelada e as vezes, panquecas no café da manhã. Margareth nunca soube cozinhar, uma das únicas coisas boas que ela sabia fazer era panquecas.
Meus pais sempre foram muito ocupados, quase sempre contratavam babás pra cuidar de mim, e acredite… ninguém me suportava muito tempo. Mudei de estado umas doze vezes durante minha vida toda, sempre odiei mudanças. Acho que boa parte de mim prefere a comodidade das coisas.
Aos meus dez anos, comecei a ficar sozinha toda parte da tarde, nunca consegui fazer amizades, afinal, sei que me mudaria em breve e iria sofrer novamente pra me adaptar em outra lugar se tivesse vínculos. Eu me acostumei a ficar sozinha, porém… sempre odiei me sentir só.
Quando me mudei pro Texas, as coisas melhoraram um pouco. Meu pai conseguiu um emprego estável e pretendíamos ficar por lá muito tempo.
Eu adorava o Texas, mas sempre vou sentir falta de Washington.
Conheci Angel no final da sétima série, e mal imaginava que ela iria ser uma das melhores pessoas que entraram na minha vida. Nós fazíamos tudo juntas, nossa primeira encrenca foi quando fugimos de madrugada pra ir na nossa primeira festa.
Eu não gostei nada da ideia de ter que vir pra cá, principalmente porque iria me afastar dela, mesmo que a gente mantenha um certo contato, não vai ser a mesma coisa.

00

Fiquei meia hora sentada em um banco do lado de fora da diretoria. Não fazia a menor ideia de que horas eram, mas sabia que era bem tarde.
Logo ouvi passos e a mesma mulher que fez aquele escândalo me mandou entrar.
Ao entrar vi a mesma enfermeira que havia me interrogado na enfermaria. Meu corpo congelou e comecei a derreter, de tanto que eu transpirava.

-Lariesce Grace Smith? -Perguntou encarando o computador.

Engoli seco e fiz que sim com a cabeça. A mulher me encarava de cima em baixo.

-Você tem se envolvido em muita confusão ultimamente, isso não é nada bom, pra você nem pro seu histórico. -Falou digitando.

Cocei a cabeça e me sentei em uma cadeira de frente pra ela.

-O que fazia tão tarde fora do seu dormitório? -Perguntou me encarando.

Não sabia o que dizer, e precisava urgentemente de uma desculpa cabível.

-É… enjoo! Eu precisava dar uma respirada. -Falei.

A mulher continuou me encarando.

-E por que não foi até a enfermaria? -Perguntou.

Que desculpa de merda, vão achar que eu estou grávida agora.

-Ah… não era nada demais, já até melhorei. -Falei.

Ela não parava de digitar e eu só conseguia pensar no quanto estava fodida se essa enfermeira falar algo.

-Aqui no internato tem regras e elas não podem ser quebradas. Se você estava se sentindo mal, deveria ter procurado a enfermaria e lá eles iriam dizer o que era melhor pra você. Eu deveria te dar uma advertência, mas não vou. Não se acostume, é só porque você chegou a pouco tempo e ainda está se adaptando ás regras. Que isso não se repita, Lariesce. -Falou.

Eu ganhei na loteria, queria ter comemorado gritando. Mas… ainda tinha que ter certeza que a enfermeira não iria dizer nada.
Me direcionei até a porta e fiquei do lado de fora tentando ouvir alguma coisa.
Não adiantou muita coisa e eu precisava dormir.
Voltei pro meu dormitório e deitei com tudo na cama. Alguns riscos valem á pena.
Fiquei alguns minutos pensando em tudo e apaguei.

00

06:12 AM

Acordei ás pressas e fui direto pro banheiro. Não queria me atrasar hoje. Estava morrendo de sono, precisava despertar.
Como de costume o banheiro feminino estava quente e lotado.
Logo uma ducha foi desocupada e eu pude tomar um banho decente.
Acho que em duas semanas aqui, só cheguei no horário em três dias.
Sai em disparada e troquei de roupa, ao colocar a blusa notei que era toda atrapalhada pra abotoar os botões. Cassie tava fazendo falta.
Peguei minhas coisas e cheguei 07:00 em ponto, finalmente iria assistir a primeira aula.
As pessoas ainda me encaravam muito, mas eu estava tentando ignorar, de estresse eu já estava cheia.
Me sentei em uma cadeira e logo uma garota me cutucou.

-Garota, ai é o lugar da Sarah. -Falou.

Quase perguntei se tinha o nome dela escrito em algum lugar. Eu preciso ficar longe de encrenca, então decidi sentar em uma cadeira no fundo da sala.
Senti burburinhos quando me levantei, acho que estavam comemorando o fato de terem “colocado moral” em mim.
Continuei a assistir a aula e tentei anotar tudo o que eu conseguisse.
Senti um olhar sobre mim e era um garoto, ele logo desviou o olhar quando viu que eu percebi.

00

O sinal tocou e eu estava dando graças a Deus por ter finalmente acabado aquela aula. Eu detesto história, só sei sentir sono.
Fui andando até o refeitório e por um momento me senti uma aluna normal. Eu quase nunca almoçava na cantina.
Peguei uma bandeja e sentei em uma mesa vazia, atrás de umas máquinas de refrigerante. Era incrível como todo mundo tinha seu grupinho.
Vi o mesmo garoto que estava me encarando na primeira aula e ele por incrível que pareça estava vindo na minha direção.

-Posso sentar? -Perguntou.

Fingi não ter notado a existência dele e fiz que sim com a cabeça.

-Sou o August. -Falou dando uma garfada na comida.

Dei um sorriso.

-Me chamo Lariesce. -Falei.

Ele deu um sorrisinho de lado.

-Eu odeio tudo isso aqui, e você? -Perguntou.

Parece que temos algo em comum. Mal conseguia olhar pra ele, sou muito tímida com pessoas que não conheço.

-Eu também não gosto muito. -Falei.

Ele continuou me encarando.

-Eu sou novo aqui também, cheguei á três dias. Eu estou muito perdido aqui. -Falou.

-Você vai se acostumar logo. Tem pessoas malvadas e poucas pessoas legais. -Falei.

Ele deu risada.

-Será que dei a sorte grande de conhecer uma pessoa legal no meio de tantas? -Perguntou.

Decidi olhar pra ele e digamos que ele seja bem gato. Tem o cabelo num corte social, tem olhos verdes e é um pouco mais alto que eu.

-Não me considero uma pessoa legal, mas eu tento. -Falei rindo.

Ele ficou em silêncio e continuou a comer.

-Não se considerar legal já te torna muito legal. -Falou.

Dei um sorriso.

-Bom, eu odeio meu colega de quarto também. Ele é um nerd e detesta qualquer tipo de ruído. -Falou.

Como explicar a colega de quarto que eu tenho.

-Eu gosto da minha, ela é bem vida louca e desorganizada. Talvez o oposto de mim. -Falei.

Ele continuou a me encarar. O jeito que ele prestava atenção em todos os detalhes me deixava receosa.

-Acho que você ainda vai se acostumar. -Falei.

Ele franziu a testa e continuou a comer.

-Eu acho que não. -Falou rindo.

O sinal tocou e lembrei que precisava falar com a coordenadora sobre a Cassie.

-Preciso ir, August! Me desculpa, lembrei que tinha um compromisso. -Falei levantando.

-Sem problemas! Foi bom te conhecer. -Falou com o tom de voz alto.

Sai em disparada até a diretoria e dei de cara com James, minha maior vontade era voar no pescocinho dele.
Fechei a cara e sai esbarrando.

-Qual é a tua, garota? -Falou com ar de deboche.

Apenas ignorei e continuei a andar pelos intermináveis corredores. Eu só conseguia sentir nojo dele, não consigo acreditar que beijei esse idiota.
Bati na porta da diretoria e logo vi Lisa, sim, a mesma menina que me apresentou a escola quando cheguei.

-Lariesce! Como vai? Gostando da escola? -Falou me abraçando.

Dei um sorriso.
Por fora sorrindo e por dentro querendo sair correndo.

-Tudo bem! Estou me adaptando. -Falei.

Logo a senhorita Hollie me chamou.

-Preciso ir! Beijo. -Falei entrando ás pressas.

A sala dela cheirava a incenso e pra piorar sou alérgica.

-Bom, Cassie está se recuperando e me explicou tudo o que aconteceu. -Falou.

Queria explodir de alegria, finalmente tudo iria se resolver.

-Você pode buscar ela hoje ás 15:30, ajudar ela á andar e monitorar qualquer alteração. Enquanto ao James, vamos tomar medidas drásticas. -Falou encarando uns papéis.

Estava feliz demais, queria dar um beijo na senhorita Hollie. Finalmente aquele imbecil vai ter o que merece, pelo menos eu acredito que vá.

-Está liberada. Não se meta em encrenca, Lariesce. -Falou com o tom de voz alterado.

Dei um sorriso de lado e fui correndo até o dormitório. Não conseguia parar de sorrir, minha ansiedade estava á mil.
Decidi terminar uns exercícios e aguardei dar o horário.

00

15:23 PM

Fiz um coque no cabelo e fui andando até a enfermaria. Vi August saindo da aula de desenho, e ele lembrou meu nome, é um bom começo. Estava sorrindo de orelha á orelha, mal podia esperar pra ver Cass.
Peguei uma ficha e fiquei esperando ela sair.
Eu tenho ansiedade, não consigo me concentrar em absolutamente nada quando tenho algo de importante pra fazer.
Logo vi Cass vindo acompanhada de uma enfermeira. Seu rosto ainda estava um pouquinho inchado e com alguns pequenos curativos.
Acho que ela não tinha me visto, seu olhar parecia vago. Levantei e acenei.
Cass sorriu e eu amoleci. Eu não fazia ideia do que estava sentindo e nem no que essa garota estava me causando.
Sorri de volta e a abracei.

-Aaaaa que bom que você tá bem. -Falei sorrindo.

Cass me encarava e seus olhos não paravam de brilhar.

-Só quero voltar a fazer merda. Vamos logo. -Falou rindo.

A enfermeira nos comeu com os olhos.

-Brincadeira, Joan. -Falou rindo.

Logo fomos liberadas e fomos direto pro dormitório.

-Que saudade disso aqui. Pena que estou horrível. -Falou rindo.

Dei um sorriso.

-E tem como você ficar feia? -Perguntei rindo.

Cass sorriu.
Notei que James estava saindo furioso da sala da diretora Hollie. Só faltava sair fogo pelo nariz.
Ele provavelmente deve ser expulso.

-Acho que tem alguém nervosinho. -Falou.

Cocei a cabeça.

-Mentiroso e babaca. -Falei suspirando.

Cass arregalou os olhos.

-Nem acredito que vou deitar na minha caminha. -Falou abrindo a porta.

Cass olhou tudo muito surpresa, mal sabe ela o trabalho que tive pra organizar tudo.

-VOCÊ ARRUMOU? Eu te odeioooo. -Falou rindo.

Dei uma gargalhada.

-Seja mais delicada. Demorei um ano! -Falei rindo.

Cass se jogou na cama e logo começou a farejar algo nos lençóis dela.

-Você deitou na minha cama? -Falou me encarando desconfiada.

Eu estava morrendo de vergonha, talvez não tenha motivo, mas me sinto uma idiota.

-Deitei. -Falei sentando na minha cama, de frente pra ela.

Cass deu um sorriso malicioso.

-Não precisa ficar com vergonha, tá tudo bem. O bom é que vai ficar com teu cheiro. -Falou levantando.

Fiquei surpresa e meu rosto estava quente de tanta vergonha.

-E isso é bom? -Perguntei rindo.

Estava rindo de nervoso. (só pra deixar claro)

Cass só se aproximava mais.

-É, mas não é melhor que isso. -Falou me beijando.

Meu coração estava pulando, não acreditava no que estava acontecendo. Continuei á beija-la, e estava completamente sem jeito.
Cass se afastou e sorriu.
Não conseguia dizer uma palavra se quer.

-Tá tudo bem? -Falou sentando novamente.

Recuperei o fôlego e arrumei meu cabelo.

-Claro. -Falei rindo.

A única música que me vinha na cabeça era “I kissed girl”, estava no meio de uma crise. Que beijo bom! Eu não sei que rumo as coisas estão tomando, mas sei que não me arrependo de absolutamente nada. Cass me fazia sentir coisas que nunca havia sentido. O fato dela ser uma garota me assusta um pouco, mas estou preocupada demais com o que estou sentindo, que todas as outras coisas estão sendo ignoradas.

00


Beijos da Mila! Até a próximo capitulo!
Gratidão!

Fanfic: Colega de Quarto – Rommate. (Part.5)

Galerinha, como prometido a continuação da Fanfic, da autora Lucília Gomes.

Eu espero que eu não tenha demorado muito pra postar a continuação, se bem que que causei um suspense e ansiedade em vocês.

Chega de enrolação, eu espero que gostem muito da continuação.

Boa Leitura!!


Sensações. (Capítulo 5)

17:30 PM

Me vi sentada chorando no corredor, e logo umas pessoas se aproximaram. Virou o maior tumultuo e eu senti tudo rodar. Um coordenador me levantou e me acompanhou até a enfermaria.
Eu só conseguia pensar em Cass e em tudo que estava acontecendo. Uma das enfermeiras me avaliou e me deu um copo de água e um comprimido de calmante. Eu só precisava dormir e esquecer tudo. Aos poucos minha visão foi ficando turva e eu simplesmente apaguei.

00
20:24 PM

Acordei e estava totalmente desnorteada, logo vi a mesma enfermeira que havia visto antes. Me levantei e ela checou minha pressão. Sabia que estava mais calma, só queria ver Cass.

-Você parece melhor. -Comentou tirando o estetoscópio do pescoço.

-Eu preciso ver a Cass, onde ela está? -Perguntei aflita.

-Vamos com calma, moça. -Falou.

Eu não estava aguentando, precisava ver Cass e saber como tudo acabou.

-Antes de ir, você precisa assinar esses papeis e ir até a diretoria para explicar o que aconteceu.

O ódio que estava de James só me consumia cada vez mais, queria acabar com a raça dele. Peguei os papeis e fui em direção a saída.

-Não vai se meter em confusão, hein. -Falou.

Dei uma risada e saí. Todos me olhavam estranho e cochichavam algo entre eles. Me senti totalmente incomodada.
Logo vi a diretora e entrei na sala. Vi James sentado, e eu me imaginei voando no pescoço dele.
Não entendi o porquê daquele alvoroço, mas, estava pronta pra acabar com James.
Uma mulher tirou James da sala e fechou a porta num solavanco só.

-Lariesce Grace Stevens, James veio até aqui nos dizer que tentou separar a briga entre vocês duas, mas, que estava quase impossível. -Falou.

Meu sangue fervia, eu não estava acreditando no quanto esse cara poderia ser frio.

-O que? Brigando? Eu e Cass somos muito amigas para brigar, e outra, ele chegou com uns amigos e começou a tirar sarro da gente, por motivo nenhum. Cass se irritou e deu um soco nele, eu tentei separar os dois, mas James não parava. Fiquei tonta e cai no chão, e depois só vi ele e os amigos dele correndo. Cass desmaiou e depois eu não lembro de quase nada. -Falei com os olhos cheios de lágrimas.

Minha boca estava seca e eu só sabia tremer. Isso não vai ficar assim, não pode.

-Bom… eu acredito que não tenha feito isso, mas não é assim que as coisas funcionam, você só vai poder vê-la quando encerrarmos o caso. -Falou virando uma das páginas.

-O que?! Eu preciso ver ela, pelo amor de Deus. -Falei implorando.

-Sinto muito… -Falou abrindo a porta.

-Espera, e quanto a James? Ele vai ser punido? -Perguntei com o tom de voz alto.

-Vamos ver que medidas se encaixam a ele. -Falou.

É sério? Ele quase mata uma pessoa e eles vão “ver que medidas de encaixam a ele”?! Tá de sacanagem, né? No mínimo ele tinha que ser preso ou expulso.
Sai cuspindo fogo e fui para o pátio, precisava respirar.
O pior de estar aqui é que não tenho com quem desabafar, eu não aguento mais me sentir sufocada.
Me sentei em um dos bancos e fiquei olhando pro céu.
Haviam algumas pessoas e elas não paravam de me encarar e cochichar entre elas, aquilo me tirava do sério.
Eu só queria que esse dia horrível acabasse e tudo voltasse ao normal, sem brigas, mentiras e confusão. James é o pior garoto que já conheci depois daquele idiota da festa, que ele mesmo criticou e me fez acreditar que ele era diferente. Tudo farinha do mesmo saco.
Levantei, arrumei minha saia e fui explorar um pouco o pátio. A grama fresca e o aroma dos pequenos ramos de flores me faziam sentir tranquilidade, coisa que eu desconheço nas últimas semanas. Sentia saudade de casa, apesar de passar meus dias muito sozinha.

00

Após um tempo, notei que já estava na hora do jantar, e fome era algo que eu não tinha. Aproveitei pra tomar banho, nada melhor que banheiros vazios. Tirei minha roupa e entrei no chuveiro, a água estava morna, mas quase gelada. O silêncio do banheiro era um tanto quanto agradável. Pude lavar meu cabelo, depilar minhas pernas e esfoliar meu rosto, sem que ninguém me encha o saco pra sair.
Peguei minhas coisas e voltei pro meu dormitório, o cheiro de Cass exalava pelo quarto. Mudei de roupa e sentei na beira da cama, meu coração estava acelerado e eu não conseguia ficar quieta. Decidi organizar o quarto, dobrei as roupas que estavam jogadas, empilhei os livros e arrumei a cama de Cass, em baixo do criado mudo havia uma caderno de anotações e confesso que estava louca pra ler, porém, não gostaria que invadissem minha privacidade, então não iria invadir a dela.
Voltei pra cama e tentei ler um pouco, nada me fazia sentir sono.
Eu precisava ver Cass, e saber como ela estava. Isso tudo é uma injustiça.
Muitas coisas se passaram pela minha cabeça, e uma delas decidiu permanecer.
Coloquei um moletom e fui andando pelo corredor, alguns quartos ainda estavam acesos e eu ouvia risadas, pelo jeito não sou a única sem sono. Eu sabia que aquilo era errado, mas eu precisava ir até a enfermaria e de alguma forma falar com ela.
Ouvi passos e logo me escondi atrás de uma pilastra, eram algumas meninas migrando de um quarto pro outro. Olhei pro meu pé e notei que estava com meias e o pior, com meias cachorrinhos, eu sou uma anta mesmo. Continuei a andar e notei que enfermaria só autorizava a entrada de pessoas com o nome na lista, e um aluno nesse horário iria parar na diretoria.
Estava quase desistindo do meu plano, quando vi uma porta aos fundos, tentei abrir, porém estava trancada. Tentei puxar o trinco e a porta só fazia barulho, dei um último solavanco e ela abriu. Eu enlouqueci, com certeza.
Entrei em um depósito de curativos, o cheiro de hospital me dava embrulho no estômago. Vi uns uniformes e não pensei duas vezes em vestir. Como todas as roupas, essa ficou larga demais, e eu tive que sair segurando as calças.
Fui até os registros e tentei achar o nome de Cass, até que fui interrompida.

-Posso ajudar? -Perguntou.

Uma mulher aparentemente velha me encarava muito desconfiada.
Eu estava perdendo todos os líquidos do meu corpo, eu sabia que uma hora ia cair dura.
Engrossei a voz e sorri.

-É… Sim! Preciso dar a medicação pra Cassie, a menina que apanhou. -Falei.

Se ela perguntar que remédio vou dar, fodeu.

-Sei… Achei que a outra enfermeira já tinha ido até lá. -Falou confusa. -Você tem um nome bem masculino, hein. -Falou olhando pro meu crachá.

Eu não acredito que peguei o uniforme de um cara chamado Robert, pronto, já me descobriram.

-É… Roberta! Isso. Erro de digitação. Haha! -Falei nervosa.

A mulher me comia com os olhos.

-Sei. O quarto da Cassie é no final do corredor á direita. -Falou me entregando uns remédios.

Não acredito que consegui, meu Deus! Estava toma cagada, porém, satisfeita. Fui andando e não encontrava a porta, até li a pequena placa indicando o nome dela. Entrei com o coração na mão, na verdade, os remédios.
Cass estava dormindo de lado, como sempre costuma dormir. Eu não sei explicar o que estava sentindo, e eu nem sei se queria uma explicação.
Sentei ao lado dela e observei ela dormir. Sei que não deveria estar enrolando, porém não me importaria se alguém me pegasse agora, pelo menos consegui vê-la.
Haviam alguns machucados na boca e no olho esquerdo, a mão direita estava enfaixada.
Dei uma leve batida nas costas de Cass e ela abriu os olhos.

-Mas já acabei de tomar um… eu não quero. -Falou sonolenta.

Dei um sorriso.

-Cass, é a Lari. -Falei baixinho.

Ela abriu os olhos e pude sentir minhas pupilas dilatarem.

-Lari? Meu Deus… como você entrou? Eu deveria estar falando com você? -Perguntou tentando sentar.

-Ei… fica calma. E não, eu nem deveria estar aqui. Eu preciso te explicar o que aconteceu. -Falei baixo.

Cass me olhava atenta e com um semblante confuso.

-Estávamos sentadas no corredor e James veio implicar comigo, como de costume. Ele nos xingou e você partiu pra cima dele. Eu tentei te ajudar, e acabei me machucando. Você desmaiou e veio parar aqui… -Falei rápido.

Cass arregalou os olhos.

-Eu me lembro vagamente de algumas coisas, mas… eu não entendo o porque desse alvoroço todo.

Respirei fundo. Estava morrendo, eu precisava dizer tudo.

-James após tudo isso foi até a diretoria e inverteu a história toda, disse que nós caímos na porrada e que eu fiz isso com você. -Falei num fôlego só. -Você sabe, eu nunca faria. -Disse trêmula.

Cassie pegou na minha mão e olhou nos meus olhos. Senti meu corpo todo estremecer.

-Calma, Lari… eu acredito em você. -Falou ainda segurando minhas mãos. -Eu vou recuperar essas lembranças e isso não vai ficar impune. -Falou.

Aquilo me deixou totalmente aliviada.

-O pior é que não posso ficar perto de você até que você esteja bem pra explicar tudo. -Falei. -Eu vou sentir sua falta. -Falei.

Cass seu um sorriso e ficou me encarando.

-Vou tentar dizer tudo isso amanhã, só que não sei se vai ser válido. -Falou. -Mas… então quer dizer que tá com saudades? Eu só fiquei fora um diazinho. -Falou risonha.

Dei um sorriso.

-Ah, eu sinto falta de explorar você um pouquinho. -Falei rindo.

Ficamos em silêncio e nos encarando algum tempo.

-Preciso ir. -Falei.

Cass me olhou cabisbaixa.

-É, eu sei… Falou.

Estava completamente amolecida, eu só queria poder ficar do lado dela mais um pouco.

-Volta logo, tá? -Falei olhando diretamente nos olhos de Cass.

Cass acariciou meu rosto e foi se aproximando lentamente de mim. Eu nunca senti aquilo por alguém, eu não sabia se era o certo, mas… eu não queria parar.

Fechei os olhos e ouvi passos, cada vez mais próximos.

-Meu Deus… eu preciso ir. -Falei saindo de fininho.

Entrei no quartinho e tirei aquela roupa nojenta que fedia a vômito. Estava completamente desnorteada, não acredito no que fiz, e muito menos no que quase aconteceu. Só queria deitar e ficar pensando em tudo. Fui andando devagar, até que levei um baita susto com o alarme de vistoria.
Estava bom demais pra ser verdade.
Tentei correr e logo uma das luzes me pegou.

-Ei, garota! O que tá fazendo esse horário fora do dormitório?! Me acompanhe imediatamente. -Falou gritando.

Eu só me meto em confusão mesmo, agora vou ser obrigada a inventar desculpas esfarrapadas. Vou levar uma advertência, porém, essa advertência valeu muito á pena. Acho que estava encrencada… só que muito feliz.

00


Meu amores, a continuação fica por aqui. Semana que vem tem mais. Já estão ansiosos para o Capítulo 7?

Beijão da Mila, até a próxima!

Fanfic: Colega de Quarto – Rommate. (Part.4)

Gente, hoje é a continuação da Fanfic, daquela leitora e autora: Lucília Gomes.
Quero pedir desculpa pela demora, mas estou passando por muitos problemas pessoais, ai fica difícil fazer tudo ao mesmo tempo, mas logo isso passa..
Chega de enrolação e vamos pra Fanfic.

Pra quem ainda não leu o Capítulo 1, vou deixar o link aqui em baixo:
Capítulo 1: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 2: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 3: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.

Eu espero que gostem da Fanfic.

Boa Leitura!


Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
(Part.4)

Segredos.

03:54 PM

00

Fechei os olhos e senti a respiração de Cassie no meu pescoço.

-Clarie? O que foi? -Perguntou se afastando.

Continuei a chorar e fiquei em silêncio.

-Ei? -Falou tirando meu cabelo do rosto.

Me virei e sentei no canto da cama.

-O que houve? -Perguntou.

Não consegui dizer, só conseguia chorar. Aquilo tudo doía, e o pior é que eu sabia o quanto Cassie estava sofrendo também, só que perdi o total controle de tudo.
Cassie se aproximou e me abraçou, assim como havia feito com ela, e por um momento, me senti bem. Senti seu coração acelerar e logo me afastei um pouco de Cass.
Cass me olhou intrigada.
Fiquei em silêncio e logo as coisas se acalmaram.

-Eu sai com um garoto… -Falei nervosa.

Cass me encarou e logo desviou o olhar.

-E… -Falou.

Fiquei perplexa.

-Ele parecia ser um cara legal, me chamou pra sair e eu fui depois do jantar. -Falei.

Cassie ficou inquieta.

-E fomos para um lugar mais reservado, um galpão enorme, com quartos, mesas… E ele bebeu demais. -Falei.

Cassie continuou a me ouvir, seus olhos brilhavam.

-O que ele fez? -Perguntou nervosa

Respirei fundo e decidi dizer tudo de uma vez.

-Ele me beijou, e eu até gostei no inicio… Só que ele foi longe demais, e eu dei um fora nele e saí as pressas de lá, e pra variar, ele me chamou de vadia. -Falei num fôlego só.

Cassie ficou boquiaberta.

-Imaginei um estupro. -Falou.

Fiquei cabisbaixa.

-Sei que não é o fim do mundo, mas eu fiquei muito mal. -Falei.

Cassie acariciou meu rosto.

-E tem razão… Quem foi o idiota? -Falou.

Fiquei em silêncio, não sei se deveria expor.

-James? -Perguntou.

E no chute, ela acerta.

-Sim… -Falei.

Cassie me olhou surpresa e encostou as costas na parede.

-Era de se imaginar, ele anda com a raça porca da escola. -Falou.

Fiquei em silêncio. Cada vez mais eu tinha certeza da tremenda burra que fui ao pensar que ele era um cara legal.
O quarto ficou em total silêncio e logo minha curiosidade voltou.

-Mas… e você? Por que estava chorando? -Perguntei.

Cassie engoliu seco.

-Ah… eu tenho algumas crises. -Falou.

-Trate de contar isso direito. -Falei com tom de voz desconfiado.

Cassie ficou inquieta.

-É…

Cassie me encarava de um jeito que só ela sabia fazer. Não conseguia retribuir as encaradas, de alguma maneira ela me deixava sem graça.
O silêncio invadiu o quarto, meus olhos estavam pesados e o cansaço me consumia.

-Eu tenho problemas pra lidar com minhas emoções, a maior parte do tempo tento me controlar, pois sei que por menos que seja as coisas, elas me afetam de maneira brusca. -Falou.

Os pássaros cantavam e a luz do sol entrava por uma pequena fresta da janela.

-Mas… O que tem te incomodado tanto? -Perguntei sendo um pouco invasiva.

Ela suspirou e abaixou a cabeça.

-Não sei se é legal dizer, mas eu preciso, e de alguma forma confio em você. -Falou me encarando.

A fresta de luz batia em um de seus olhos, permitindo observar cada detalhe.

-Meu padrasto convive com minha mãe desde quando meu pai faleceu… As coisas só pioraram quando eu completei 12 anos, ele se viciou em álcool e toda vez que ele bebe, ele fica agressivo. Ele acha que eu sou a discórdia no casamento e minha mãe está completamente cega por ele. Não é atoa que estou aqui. -Falou com a voz trêmula.

Cassie estava segurando ao máximo para não chorar, e eu estava sem jeito, tentando arrumar palavras pra consolar ou ajudá-la de alguma forma.
A abracei em um solavanco só, e ela desabou no meu ombro. E eu… tentei ser forte, porque ela precisava mais de mim do que eu dela.

-Você não um problema, você é maravilhosa, Cass… -Sussurrei.

Tudo ficou em silêncio e apagamos uma do lado da outra.

00

06:29 AM

Acordei abraçada com Cass, e confesso que levei um baita susto. Olhei o relógio e por incrível que pareça, se eu correr eu consigo assistir a primeira aula.
Cass abriu os olhos e coçou a cabeça.
Fiquei encarando o chão até que senti um empurrão, tinha sido atingida por um travesseiro logo cedo.
Dei um sorriso e ela sorriu de volta.
Levantamos ás pressas e fomos direto pro banheiro.

-Aqui é bem vazio esse horário. -Falou ligando a ducha.

-Essas são as poucas vantagens de acordar tarde. -Falei tirando minha blusa.

Cass encostou na pia e ficou me encarando.

-O ruim é que a água não fica muito quente esse horário. -Falei tentando desviar o olhar de Cass.

Ela ficou com um sorriso entreaberto e eu fiquei completamente envergonhada.

-Cassie? Você não vai tomar banho? -Perguntei rindo.

Ela deu um pulo e ficou mais vermelha que um tomate.

-Ah! Claro. -Falou entrando no Box.

00

Após um tempo nos desencontramos e não iriamos nos ver tão cedo. Cassie desaparecia durante o dia.
Fui andando até a biblioteca e vi James encostado em um dos armários. Ele me encarou e virou a cara, com um ar de total desprezo. Eu realmente queria enfiar meu rosto em um buraco.
Ouvi uns cochichos e entrei na biblioteca.
Peguei uns três livros e estipulei duas semanas pra acabar os três, preciso manter minha mente ocupada.
James e uns meninos estavam rindo e me encarando, fiquei totalmente sem graça e me controlando pra não sair correndo. Fingi não ouvir e continuei a folhear as páginas.
Senti alguém se aproximar e se sentar ao meu lado. Tentei ignorar, até que ouvi uma voz rente ao meu ouvido.

-Então é fácil assim? Me encontra no quartinho mais tarde também. -Falou saindo.

Meu corpo gelou e me fiz de tudo pra não desabar na frente daqueles idiotas. Me levantei e sai ás pressas. Entrei no primeiro banheiro que vi e me tranquei em uma das cabines. Eu só queria chorar.
James acabou com toda dignidade que eu tinha, e de uma hora pra outra, todos sabiam que eu havia saído com ele.

00

Após um tempo lavei o rosto e deixei os livros no quarto. Tentei me manter forte, afinal, não queria deixar Cassie na mão, prometi pra mim mesma que iria encoraja-la todos os dias.
Todo dia de manhã iria deixar um post-it colado em algum lugar, sem que ela saiba ou espere. O primeiro do dia foi na cabeceira da cama dela, nele estava escrito: “você é suficiente, pra mim e principalmente pra si mesma.”
Deitei um pouco e esperei dar o horário da oficina de teatro. Meu celular tocou e era a minha melhor amiga.

Ligação On

-Larieeeeee! Me conta! Como que tá ai? -Perguntou.

-Tá indo. -Falei rindo.

-Ah! O Josh me pediu em namoro ontem, acredita? -Perguntou.

-Uau! Que evolução… Parabéns! -Falei.

-Tá ficando pra titia, hein. -Falou rindo.

-Não me interessei por ninguém e aqui nem tem tantos meninos bonitos… -Falei.

-E o encontro? -Perguntou.

Fiquei em silêncio.

-Preciso desligar! Tenho que terminar umas coisas pra amanhã… Eu te amo, Larie. Beijoooo
-Falou desligando.

*Ligação Off

Nunca tinha falado tão rápido com ela e achei até melhor não entrar em detalhes. Nunca tive sorte com relacionamentos, parece que tudo conspira ao oposto de mim. Arrumei meu cabelo e notei que estava quase na hora de ir ao teatro. Estava ansiosa pra aula, o teatro liberta quem eu realmente sou, e adoro sentir a sensação de por um momento deixar de ser eu mesma e interpretar outro personagem.
Fui andando até a sala, e ao entrar vi Cassie dormindo em uma das cadeiras do fundo.
A maioria das pessoas não haviam chegado, talvez tenha vindo cedo demais.
Me aproximei devagar, na ponta dos pés e dei um grito.

-Cassieeee. -Gritei.

Minha voz ecoou por todo auditório.
Cassie levantou num só pulo e fechou a cara.

-Ai que susto, Lari! -Falou secando a boca.

Sentei do lado dela e fiquei morrendo de rir.

-Muito engraçado, hahahaha. -Falou com tom de deboche.

Passou-se algum tempo e o professor chegou com uma pilha de papéis, já era previsível o tamanho da peça que ele iria propor.
Cutuquei Cass e ela ainda cochilava. Seus olhos ficavam ainda mais claros quando ela estava com sono.

-Bom! Hoje vamos dar início a uma peça que eu particularmente gosto muito, a peça “Liers”.

Achei o nome interessante, e confesso estar empolgada.

-Os testes começam agora, quero que leiam o roteiro e assinem em baixo do personagem que vocês mais se identificam. -Falou entregando uma folha.

Dei uma lida e um dos personagens me chamou a atenção, o papel de Joane, uma das personagens mais verdadeiras e de personalidade forte. Porém, acredito que mais pessoas tenham se interessado.

-Gostei dessa. -Falei.

Cass olhou e completou:

-E eu desse cara, será que posso fazer papel masculino? -Perguntou.

Dei risada.

-Cabelo curto já tem. -Falei.

Cass sorriu de volta. Aguardamos um tempo e o teste estava prestes a começar.

-Lizzie, Carl e Joy, vocês começam a contracenar, afinal, seus personagens são amigos. -Falou.

Fiquei observando e rindo durante todo tempo. Estava torcendo pra ninguém escolher a Joane.

Após um tempo, o professor chamou nossos nomes.

-Caraca, contracenamos juntas. -Falei surpresa.

Olhei pro lado e vi uma menina, provavelmente ela iria tentar o papel da Joane também.
Cass deu sorte, o papel do menino só havia sido escolhido por ela.
Me afastei e comecei a ler algumas falas, a maioria delas.

-Bom, a peça basicamente gira em torno de uma pequena vila, que esconde segredos e mentiras por trás de mentiras. Cada personagem tem algo a esconder, e quero que vocês leiam o segredo de cada papel escolhido e pensem numa forma de colocar emoção de acordo com a intensidade que o texto pede. -Falou entregando algumas folhas.

Olhei ao redor e todos pareciam surpresos, uns faziam caras e bocas, e eu, tomava coragem de ler o segredo de Joane.
Decidi ler e fiquei surpresa, Joane era casada, e seu marido era um alcoólatra, e ela sustentava seu filho sozinha, e de noite, se prostituía pra sustenta-lo.
Fiquei perplexa, não só por ter conseguido um papel fortíssimo, mas principalmente por lembrar do que Cass havia me contado. Estava com medo de aceitar e estou com medo do que ela vai sentir.

-Pronto? -Perguntou.

Todos fizeram que sim.

-A primeira cena é da Joane lavando roupa e as vizinhas fofocando sobre ela. -Falou.

Entrei em cena e tentei incorporar a personagem, mas meu pensamento só me levava pra Cass. Notei que ela havia se escorado na parede e que começou a folhear.

-Clariesce? Tudo bem? Foco na cena. -Falou batendo palma.

Cass largou os papéis e foi correndo em direção á saída. Não resisti e disse que precisava ir ao banheiro, fui logo em seguida e esbarrei com Cass em um dos corredores.

-Tudo bem? -Falei.

Tudo permaneceu em silêncio e o som da minha voz ecoava pelo corredor.

-Eu sei, eu li a peça. -Falei.

Ela se virou e engoliu seco.

-Isso só pode ser brincadeira? Foi você que escreveu? -Perguntou com raiva.

Fiquei assustada.

-Lógico que não, e mais, nunca seria capaz de dizer algo ao seu respeito pra alguém nessa escola. -Falei me aproximando.

Cass revirou os olhos.
Sentamos no corredor e ela encostou a cabeça no meu ombro.

-Vou fazer o marido violento, sabia? -Perguntou.

Fiz que sim com a cabeça.

-Eu não sei se isso é algum tipo de teste comigo pra ver o quanto sou forte ou se é o destino rindo da minha cara. -Falou rindo.

-Acho que é apenas um papel que vai tornar você ainda mais forte. -Falei.

Ouvi passos e vozes que não me eram estranhas. Era James e outros meninos.

-Tá pegando mulher agora? -Falou rindo.

Todos riram e nos levantamos.

-O que foi? -Cass falou aumentando o tom de voz.

-A mulher macho tá querendo defender a namoradinha… Abaixa tua bola que tua namoradinha me deu ontem. -Falou rindo.

Meus olhos encheram de lágrimas e eu não consegui nem desmentir a mentira mais sórdida que já podia ter ouvido.
Cass não pensou duas vezes e deu uma sequência de socos no rosto de James.
Me desesperei e fui pedir ajuda.
James levantou numa fúria e encheu Cass de murros.
Minha visão ficou embaçada e eu só sabia chorar. Logo ouvi pessoas chegando e vi Cass no chão. Os meninos já haviam ido embora, sem deixar nenhum rastro.
Uns enfermeiros chegaram e levaram Cassie pra enfermaria e eu… fiquei sentada no corredor durante duas horas, só chorando e querendo desaparecer e acabar com tudo aquilo.
Cass estava machucada e eu só conseguia me sentir culpada por tudo, sei que logo vão saber quem fez aquilo com ela e que nada vai ficar impune, pelo menos eu espero…

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O que vai acontecer no Capitulo 5? Só na na semana que vem, nós mesmo dia e horário, eu espero que tenham gostado do capitulo de hoje!

Não deixa de curtir, comentar e compartilhar em suas redes sociais, isso me ajuda muito!

Fanfic: Colega de Quarto – Rommate. (Part.3)

Gente, hoje é a continuação da Fanfic, daquela leitora.
Quero pedir desculpa pela demora, mas estou passando por muitos problemas pessoais, ai fica difícil fazer tudo ao mesmo tempo, mas logo isso passa.. Chega de enrolação e vamos pra Fanfic.

Pra quem ainda não leu o Capítulo 1, vou deixar o link aqui em baixo:
Capítulo 1: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 2: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.

Eu espero que gostem da Fanfic.

Boa Leitura!


Fanfic: Colega de Quarto – Rommate. (Part.3)

08:10 AM

Acordei com o som do alarme tocando repetidas vezes. Olhei pro lado e Cassie já tinha desaparecido. Amarrei o cabelo e fiquei sentada encarando o chão por dois minutos, eu precisava de mais uns minutinhos. O relógio despertou novamente e notei que estava completamente atrasada.

“Merda!” sussurrei.

Levantei correndo e vesti o uniforme. Eu só queria matar a idiota de Cassie, não custava nada ter me acordado. Fui correndo pra sala, e logo uma monitora veio em minha direção.

-Mocinha? O que faz esse horário perdida nos corredores? -Perguntou me encarando.

Fiquei quieta.

-Está atrasada, espere a próxima aula e não me deixe saber que isso se repetiu. Aqui existem regras, e atrasos podem acabar com sua ficha. -Falou séria.

Fui em direção a um pequeno banco que havia no corredor. Eu só queria dormir e sumir desse lugar, encostei a cabeça na parede e cochilei.
Logo acordei assustada, o alarme da próxima aula tinha acabado de tocar e estourar meus tímpanos.
O ruim de estar atrasada é que consequentemente você vira o centro das atenções, todo mundo decide olhar. Desviei o olhar e sentei no fundo da sala. Umas meninas riam, e notei que umas pessoas faziam cara feia pra mim, nada de novo, porém os olhares começaram a me incomodar. Dei uma leve inclinada na cabeça e notei que estava cheirando muito mal.

-Você saiu de um valão, Lariesce? -Perguntou em tom irônico.

Eu dormi sem tomar banho e ainda acordei atrasada. Bom dia pra mim! Levantei e fui direto pro banheiro, tentei desviar o olhar da megera da monitora e por enquanto deu certo.
Cassie é a pessoa que mais cabula aula, e nunca se dá mal, talvez seja melhor tomar um banho e dormir o resto do dia.
O banheiro estava vazio, uma raridade nesse lugar, alguns males vem pra bem, vou poder tomar banho direito. Liguei o chuveiro e entrei de vez, e de repente ouvi barulhos e sussurros.
Alguém entrou pra acabar com minha paz, decidi olhar por uma fresta e era um casal, isso mesmo, um CASAL! Que provavelmente estão cagando pra tudo e vão transar no banheiro feminino… E pensar que eu estava com medo de matar aula.
Sequei o cabelo e fui direto pro quarto, horrorizada com o que presenciei.
Tranquei a porta e decidi mudar de roupa no quarto, afinal, não sou obrigada a ouvir o prazer dos outros de graça. Por algum motivo, meu uniforme não estava na gaveta, e eu tive que revir a bagunça inteira que tava o meu lado. Coloquei apenas minhas roupas intimas e decidi procurar, me ajoelhei e fiquei em uma posição constrangedora, logo ouvi um barulho e um solavanco só na porta, caí de bunda no chão e dei um grito.

-Merda! -Gritei.

Cassie tampou os olhos e riu.

-Pelo amor de Deus, hein. Acho nudez algo bacana, mas em pleno horário de almoço?! -Falou rindo.

Me cobri com um lençol e respondi enfurecida.

-Isso não teria acontecido se alguém por gentileza tivesse me acordado. -Falei.

-Eu tentei, mas você estava completamente fora de si. -Falou sentando na cama.

Tudo ficou em silêncio.

Levantei e olhei pra Cassie, ela retribuiu o olhar e ficamos nos encarando.

-Tá… Viu meu uniforme? -Perguntei ficando em pé.

Cassie levantou e revirou uma pilha de roupas.

-Ai está. -Falou me entregando um pequeno pacote.

Recebi um uniforme novo, até porque ficar com um uniforme GG ninguém merece.

-Valeu. É o pequeno. -Falei sorrindo.

Cassie continuou me encarando, e eu fui ficando cada vez mais vermelha.

Virei de costas e vesti o uniforme, peça por peça. Senti o olhar de Cassie sobre mim, quando me virei ela já havia desviado o olhar.

-Bem melhor, hein. -Falou.

Dei um sorriso.

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Após uma das atividades extracurriculares, decidi tomar um ar no pátio. O sol saiu pela tarde, e sentir o calor só me fez ficar melhor. Coloquei meus fones e me desliguei do mundo. Após um tempo senti algo me cutucar e era o tal garoto que me ajudou na noite passada.

-Ei, Lariesce né? -Perguntou.

Tirei os fones e sorri sem graça.

-Isso! James? -Perguntei.

Ele ficou me encarando por alguns segundo, deu uma golada no suco e sorriu.

-Exato! -Falou sorrindo.

James era muito bonito, tinha olhos verdes, cabelo cor de mel, um pouco bagunçado, alto e um pouco forte.
Desviei o olhar e fiquei olhando pra frente.

-É… O que pretende fazer hoje na madruga? -Perguntou.

-Pretendo estudar até tarde, preciso me organizar. -Falei.

James me olhou surpreso e continuou a me encarar.

-Que estudiosa, hein. -Falou rindo.

Dei um sorriso de lado.

-Por que o interesse? -Perguntei.

James coçou a cabeça e desviou o olhar.

-Ah, ia te chamar pra dar uma volta pela escola, ir no jardim a noite é um dos meus fetiches. -Falou rindo.

Dei um sorriso e mexi no cabelo.
Dá pra acreditar?! Ele me chamou pra sair na maior cara de pau.

-Não sei se dá, mas passa lá se quiser. Já sabe onde meu quarto fica. -Falei num fôlego só.

O sinal tocou e James se despediu. Fui andando pelo jardim, e vi Cassie fumando com duas garotas atrás do pátio. Talvez ela realmente não seja uma boa influência, tô tentando colocar minha vida no lugar. Olhei rapidamente e ela olhou pra mim de volta. Acelerei o passo e fui pra aula de Teatro.

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A escola era enorme, mas o corredor do teatro é simplesmente lindo. Um auditório grande, e bem no fundo, as pessoas que participam da aula. Pra variar cheguei atrasada e as meninas não perderam tempo pra cochichar.
Me sentei um pouco mais afastada das pessoas e logo um homem baixinho e de barba grisalha entrou, andando pra lá e pra cá.

-Boa tarde! Bom, temos algumas pessoas novas aqui, sejam muito bem vindos! Aqui tem um formulário com exigências, nada de muito relevante. -Falou entregando uma folha.

Ouvi passos rápidos e uma voz conhecida, me contive e não olhei pra ver quem era.

-Migdton chegou cedo pra aula de amanhã. -Falou rindo.

Todos riram.
Era Cassie, e pra variar, ela fazia teatro também. Por algum motivo ela me irritava, algo me dizia pra ficar longe dela o tempo o inteiro. Me perdi nos meus pensamentos logo o senhor começou a explicar as regras. Na próxima aula iriamos escolher os papéis disponíveis e ver se estamos aptos pra incorporar o personagem.
Sou apaixonada por teatro, porém, sou tímida, e esse foi um dos motivos pelo qual escolhi essa atividade.

-Lariesce? Venha até aqui, sempre que novos alunos entram, eles se apresentam no palco. -Falou.

Todos me encaravam, esperando alguma reação. Dei um suspiro e levantei, subi uma escadinha e me apresentei.

-Bom… Sou Lariesce, tenho 17 anos e sempre me interessei por essa área. Espero ter momentos bons aqui. -Falei saindo logo em seguida.

Cassie não parava de me encarar. Mexeu no cabelo e se sentou largada em uma das cadeiras do auditório. Ela era a única pessoa que cagava para as  regras do uniforme. No lugar das sapatilhas ela usava um coturno de cano médio, a gravata folgada e o suéter por cima.
Desci as escadas e sentei em um dos bancos e continuei a ouvir as intermináveis regras do professor.

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Após o final da aula, fui andando pelos corredores atrás da biblioteca. Entrei, deixei minhas coisas em um armário e fui procurar algo pra ler. Dos romances á ficção científica, não fazia idéia do que pegar pra ler. Ouvi uma voz conhecida no meu ouvido esquerdo, e quando olhei pro lado, era Cassie.

-Que susto! Tá fazendo o que aqui? -Perguntei.

Cassie me olhou risonha.

-A biblioteca é pública, senhorita. -Falou rindo.

Dei um sorriso e peguei um livro. Comecei a folhear e senti o olhar de Cassie sobre mim.

-Ah, esse é legal. -Falou.

-E por acaso você lê? -Perguntei.

Cassie me olhou surpresa.

-Sempre li. Pelo jeito tu não sabe nada mesmo sobre mim. -Falou.

Fiquei cabisbaixa.

-Eu te recomendo esse, Colorful Memories. -Falou apontando.

Coloquei o outro no lugar e peguei o que ela havia dito.

-É sobre o que? -Perguntei.

-Romance, drama e fantasia. Bem gay. -Falou rindo.

Peguei o livro e decidi ler, confesso que fiquei curiosa.

Fomos andando e logo o sinal tocou, era hora de tomar banho e se arrumar para o jantar.
O banheiro estava um caos, eu detesto ser menina nessas horas.
Fiquei de roupão esperando o banho de três horas das frescas daqui. Uma delas saiu e ficou fazendo a sobrancelha no espelho, apenas enrolada na toalha.
Entrei no banheiro e fiquei ouvindo o papo delas.
Nada que seja muito saudável, apenas os intermináveis assuntos de macho que fazem parte do vocabulário pobre delas.
Uma delas bateu na porta e eu levei um susto considerável.

-Anda logo, aqui não é hotel não. -Falou com tom agressivo.

Meu sangue ferveu e eu tentei ignorar. Aumentei o chuveiro e comecei a cantarolar.

-Mas que idiota! Garota, tu não brinca comigo. -Falou.

Sai do chuveiro e ela me comeu com os olhos, se o vapor não fosse do meu chuveiro, juro que acreditaria que era dela. Parei, a encarei e soltei o verbo.

-Eu acabei de entrar, e não sou obrigada a sair porque você quer, o tempo limite é 20 minutos, e fazem 10 que eu estou ali. Sua amiga ficou quase 40 minutos só lavando o cabelinho de princesa dela, e eu não reclamei. -Falei saindo.

As três me olharam surpresas e uma delas revirou os olhos.

-Vai se foder. -Falou me empurrando.

Senti meu corpo todo esquentar, queria matar aquelas idiotas, mas sei que vai dar um problemão, então engoli a seco e sai.

-Não encosta de novo em mim. -Falei saindo.

Sei que não devia procurar inimizades, mas tem gente que não dá.

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Vesti minha roupa e sequei meu cabelo, fiz um coque bagunçado e dei uma organizada no meu lado. Cass entrou de roupão com uma toalha enrolada na cabeça e ficou procurando uma roupa no meio da zona dela.

-Juro que um dia arrumo isso. -Falou rindo.

Dei um sorriso de lado e mordi um cereal que havia achado no meio de umas roupas.

-Ei! Meu cereal! -Falou.

Enfiei tudo na boca e tentei mastigar a bola que tava aquilo.

-Sinto muito, isso tava de baixo da minha cama a séculos. -Falei de boca cheia.

Cass se vestiu e eu não deixei de reparar o sinalzinho que ela tem perto do umbigo.

-Ah, não ligo mesmo. -Falou rindo.

Suspirei e tudo ficou em silêncio, o sinal já havia alertado que faltavam 10 minutos pro jantar.

-Me meti em encrenca hoje. -Falei.

Cass me olhou surpresa e deu uma gargalhada.

-O que tu fez? -Perguntou.

-Uma garota ficou enchendo a porra do meu saco e eu respondi mal. Acredita que ela me empurrou?! -Falei com tom de voz surpreso.

Cass me olhou assustada.

-Você sabe mais ou menos como ela era? -Perguntou.

Tentei me recordar, e os traços marcantes da menina vieram perfeitamente na minha cabeça.

-Cabelo longo, loiro e olhos verdes. Era da sua altura e tinha o corpo bonito. Anda sempre com duas meninas, uma morena e outra loira mais magrinha. -Falei.

Cass riu e fez uma cara estranha.

-Elas sempre arrumam confusão, se sentem as donas daqui. O ruim é que se uma delas guardar rancor de alguém, elas infernizam até a pessoa beijar os pés delas. -Falou arrumando o cabelo.

Confesso que fiquei preocupada, mas não me arrependo de nada do que disse.

-Acho que estou fodida. -Falei calma.

-Relaxa, elas me odeiam também. -Falou.

O sinal tocou e fomos pro refeitório.

00

Após o jantar, voltei pro quarto e fiquei deitada mexendo no celular inútil que eles dão pra substituir o seu enquanto estamos aqui. Decidi ligar pra Angel e contar tudo.

Ligação On

-Oi? -Falei.

-Lariesce! Ai meu Deusssss! Eu nem acredito. -Falou nervosa.

-Pode acreditar! -Falei rindo.

-Como que tá as coisas ai? -Perguntou.

-Acho que bem. Minha colega de quarto é a aluna mais ficha suja que você respeita. -Falei rindo.

-Ela te bateu? Isso é demais! -Falou rindo.

Dei uma gargalhada.

-Ainda não, mas já tem gente querendo. -Falei.

-Ai, queria estar ai. -Falou.

-Sinto tanto sua falta. -Falei.

Ouvi passos e tentei encurtar o assunto.

-Tenho que ir, Angel. Eu te amooo! -Falei emocionada.

-Eu também amo você! Dá notícias, hein. Beijo. -Falou chorosa.

Ligação Off

Desliguei o telefone e Cassie entrou com tudo no quarto. Se jogou na cama e fechou a cara.

-Tá tudo bem? -Perguntei levantando.

Cassie suspirou.

-Parece? -Falou com tom grosseiro.

Me sentei e recebi uma mensagem de James confirmando o encontro.

-Eu tô cansada desse lugar, de tudo. -Falou chorando.

Fiquei sem reação e sentei do lado dela.

-O que aconteceu? -Insisti.

-É uma longa história. -Falou.

Nunca pensei que veria Cassie chorando.

-Se quiser contar, tô aqui. -Falei.

Cassie ficou em silêncio e eu acariciei seu cabelo. Ela deitou a cabeça no meu colo e desabou, sem dizer ao menos uma palavra.
Não sei o que senti naquele momento, mas eu só queria cuidar dela e dizer que vai ficar tudo bem, mesmo sem entender o que ela estava sentindo.
Após um tempo ela adormeceu e eu percebi que estava completamente atrasada. Levantei e fui direto pro pátio.

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Vi James sentado, olhando o relógio e olhando pros lados, cauteloso.

-Ei. -Falei.

Ele olhou pra trás surpreso.

-Larie! Que bom que não me deu um toco. -Falou me cumprimentando.

Estava muito sem graça, sem total noção do que fazer\falar.

-Me desculpa, teve uns imprevistos. -Falei sentando em um banco.

James sorriu.

-Tudo bem, acontece. Como foi seu dia? -Perguntou.

Contei resumidamente o que havia acontecido, e fomos andando. James era a melhor pessoa pra conversar, ele me lembrava um ex namorado que tive, não sei se isso é bom ou ruim.  Chegamos a um lugar afastado do pátio, várias coisas jogadas e um galpão.

-Que lugar para se trazer uma garota, hein. -Falei.

James deu um sorriso torto e abriu a portinha. Era um porão enorme, tinha sofá, quartos e mesas.

-Aqui é o esconderijo dos legais. Quase toda sexta tem festa, é quase impossível ouvir barulhos daqui. -Falou.

Fiquei encantada com o lugar, e fui entrando. James veio logo em seguida e fechou a portinha.

-Por que fechou? -Perguntei.

-Ah… Sabe como é, né. Riscos! -Falou risonho.

Fiquei um pouco assustada, mas ignorei, afinal,  realmente era bem arriscado.

-Se descobrem esse lugar, fodeu. -Falei sentando em um sofá.

James ficou em silêncio apenas observando, e sentou do meu lado.

-Nem me fale. -James levantou novamente e pegou uma cerveja em um estoque.

-Quer? -Perguntou.

Neguei e fiquei observando ele beber.

-Faz tempo que não bebo. -Falou.

-Eu nunca bebi. -Falei rindo.

Ele ficou surpreso.

-Jura? Que santinha. -Falou.

Fiquei quieta.

-Isso é ruim? -Completei perguntando.

James se jogou no sofá a minha esquerda e deu mais um gole.

-Não é não, eu gosto. -Falou.

“Eu gosto” abusado… Notei que James estava ficando um pouco alterado.

-Já tá bem tarde. -Falei.

James sentou perto de mim e ficou me encarando.

-Eu gosto daqui, metade do colégio sabe desse lugar, mas apenas algumas pessoas tem acesso direto. -Falou.

-Que famosinho. -Falei.

James riu e foi se aproximando lentamente da minha boca. Quando eu percebi já estava o beijando. Sua mão foi deslizando pelo meu corpo, e ele começou a abrir os botões da minha blusa.

-Ei… melhor não. -Falei tirando a mão dele.

Ele insistiu e continuou a me agarrar. Tentei me esquivar e ele começou a ficar bruto.

-Eu já falei que não. -Gritei.

James parou e me olhou assustado.

-Dá licença. -Falei levantando e indo em direção a porta.

James ficou furioso e levantou junto.

-Vadia. -Gritou.

No mesmo momento meus olhos encheram de lágrimas, e eu sai, fechando a porta com tudo.
Fui horrorizada pro quarto, querendo que aquilo sumisse da minha memória. Desabei, e tentei me conter ao entrar no quarto. Não sabia o que Cass estava passando, e de sofrimento, já bastava o dela.
Tentei abafar o choro no travesseiro, quando senti uma respiração no meu pescoço, era a voz dela, e por um momento meu corpo se arrepiou.

-Lari? -Falou baixinho.

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Continua…


O que vai acontecer no Capitulo 4? Só na na semana que vem, nós mesmo dia e horário, eu espero que tenham gostado do capitulo de hoje!

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Beijão da Mila!