Fanfic: Colega de Quarto. (Part.9)

Silêncio. (Capítulo 9)

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Me corpo estremeceu, fiquei imóvel. Não conseguia olhar pra trás, pois sei que se olhasse, não conseguiria seguir. Cassie acelerou o passo e me abraçou por trás. Fechei os olhos e desabei, me virei e ficamos bem perto uma da outra, senti sua respiração bem de perto, vi suas pupilas dilatarem e conseguia ouvir seu coração bater acelerado.

-Eu nem acredito que está aqui. -Falou ofegante.

Fiquei em silêncio e a beijei. Meu corpo inteiro se arrepiou, senti algo que eu nunca havia sentido antes. A empurrei pra porta e a tranquei, continuamos a nos beijar, nossos corpos se uniram, como um só. Cass beijava meu pescoço e ao mesmo tempo desabotoava minha blusa, seus lábios percorriam por todo o meu corpo. Nos deitamos e por um momento não acreditei no que estava fazendo, fiquei insegura.

-Fiz algo errado? -Perguntou.

A beijei e ela ficou em cima de mim, tirei seu sutiã e beijei lentamente seus seios, pude sentir seu corpo arrepiar. Ficamos alguns minutos sentadas, entrelaçadas, em silêncio, sentindo o corpo uma da outra.

-Você é linda, Lariesce. -Sussurrou.

Continuamos a nos beijar, suas mãos deslizavam sob o meu corpo, que ao chegar no quadril, subiam rapidamente, como se ela não estivesse segura do que estava prestes a fazer. A encarei e ela abaixou minha saia, devagar, delicadamente. Estava morrendo de vergonha, mas eu não queria parar. Queria aproveitar a Cass ao máximo, pois provavelmente eu irei mudar novamente. Ela subiu e me beijou, lentamente. Foi beijando meu pescoço, meus seios, minha barriga e cintura. Meu corpo dançava nos seus lábios.

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[…]

Acordei grudada em Cass, com seus olhos castanhos me decifrando e um leve sorriso torto. Senti minhas bochechas ficarem quentes, estava morrendo de vergonha. Levantei e me cobri. Senti seu olhar nas minhas costas.

-Você fica linda dormindo. -Falou sorrindo.

-Imagino. -Falei rindo.

Cass deu risada.

-Suas roupas estão ali. -Falou apontando pra cômoda.

Queria me enfiar em um buraco e não sair mais. Fiz um coque no cabelo e sentei, estava só de roupas íntimas. Ao sentar ouvi a porta bater insistentemente. Cass levantou rapidamente e abotoou sua camisa.

-Lariesce, abra essa porta, precisamos ir. -Falou batendo.

Coloquei minhas roupas e ajeitei o lençol.

-Ir pra onde? -Perguntou.

Fiquei nervosa e sem saber o que fazer.

-Eu vou te explicar. -Falei.

Abri a porta e dei de cara com meus pais e a Lisa, a mesma menina que me apresentou o internato.

-Onde você se meteu? Ficamos iguais loucos te procurando. -Falou. -Suas coisas estão na recepção. -Falou saindo.

-Lariesce, me explica isso, por favor. -Falou puxando meu braço.

Lisa ficou nos encarando.

-Não contou pra sua colega de quarto? -Perguntou. -A Lari infelizmente foi tirada do internato após aquele ocorrido. -Falou num fôlego só.

Cass me olhou com lágrimas nos olhos, seus olhos demonstravam o tamanho da frustração que ela estava sentindo. Comecei a chorar em seguida.

-Eu ia te contar, mas tudo aconteceu rápido demais. -Falei aos prantos. -Eu não quero ir, eu não quero. -Falei desesperada.

Cass ficou perplexa, sem saber o que fazer. Peguei suas mãos e a encarei.

-Tive uma ideia. -Falou.

Por um momento notei que Lisa ainda aguardava no lado de fora do quarto.

-Lisa? Diga a eles que ela já vai. Só vamos nos despedir do pessoal. -Falou sorrindo.

Fiquei sem entender, muitas coisas se passavam pela minha cabeça, mas não tinha noção do que Cass iria fazer.

-Coloca algumas coisas nessa mochila. -Falou.

-Vamos fugir? -Perguntei assustada.

Cass continuou a arrumar e eu só continuei a acompanhá-la. Pegamos algumas coisas e saímos correndo pelo corredor, que por um milagre estava vazio. Tudo parecia conspirar ao nosso favor.

-Eu sei uma saída. -Falou entrando em um quarto de limpeza.

Aquele lugar fedia a mofo.

-Como você sabe desse lugar? -Perguntei nervosa.

-Só me segue. -Falou.

Entramos em uma portinha, que dava pro lado de fora do internato. Estava muito nervosa e assustada, não sabia o que estava fazendo, eu não tive tempo pra pensar, talvez isso tenha sido bom, caso contrário estaria indo embora novamente.
Cass sabia várias passagens, agora eu sei porque ela sumia de vez em quando.

-Vem, toma cuidado, está tendo ginástica logo ali. -Falou abaixando atrás de um arbusto.

Estava tremendo e pensando seriamente em abandonar tudo. Um lado me dizia pra voltar e tentar convencer todo mundo e o outro só me fazia querer acompanhar ela.

-Lari? Vamos! -Falou levantando.

Me perdi em meus pensamentos e por um momento percebi que precisava decidir se iria. Fiquei parada, pensando em tudo e nas consequências, Cass me olhava sem entender e fazia um sinal com uma das mãos.

-Lari? Está esperando o que? -Gritou.

Olhei pros lados e decidi ir, não iria mudar a decisão dos meus pais.
Corri até Cass e subimos em uma grade, atrás do internato.

-Vem, segura na minha mão. -Falou estendendo o braço.

Quando estava prestes a sair, notei que Augusts me observava de longe. O encarei de volta e tentei balbuciar algumas palavras.

“Eu preciso fazer isso. Não vou demorar.”

August fez que sim com a cabeça e eu terminei de pular a grade. Eu não estava acreditando no que estava fazendo e acho que nem Cassie estava muito confiante.

-Para onde vamos? -Perguntei.

Cass ficou em silêncio. Estava tremendo, assustada e receosa.

-Cassie! -Aumentei o tom voz.

Cass parou e me encarou.

-Lari, dá pra esperar? Estou tentado
pensar. -Falou com o tom de voz elevado.

Fiquei assustada e um medo me cobriu por inteira.
Cassie ficou uns minutos em silêncio, estávamos na entrada de uma pequena floresta, a mesma que eu podia ver do nosso quarto. Por um momento me deu vontade de voltar, aquilo tinha muita chance de dar errado.

-Lariesce? Você tem algum dinheiro? -Perguntou.

Revirei meus bolsos e minha mochila, tinha 20 dólares e um chiclete de menta.

-Só tenho isso. -Falei.

Cass riu.

-Eu tenho 35 dólares, dá pra pegar um ônibus. -Falou.

Estava tentando descobrir onde Cass queria nos levar.

-Para onde vamos? -Perguntei.

Cass continuou a andar e me respondeu num tom de voz baixo, gaguejando um pouco.

-Pra Austin. -Falou.

Fiquei receosa, mas eu tomei essa decisão e agora tenho que ser madura o suficiente pra enfrentar, sem reclamar.

-Vamos ficar na casa da minha prima Marie. -Falou.

Pelo menos temos um destino, porém, Austin fica um pouco longe de Houston e temos só 55 dólares, é muita loucura.

-E o dinheiro vai dar? -Perguntei.

Cass parecia tranquila e o semblante confuso que ela estava tinha desaparecido. Confesso que me tranquilizou.

-Acredito que sim, duas passagens devem ser menos de 20 dólares. -Falou. -O terminal é logo ali. -Falou.

O terminal parecia abandonado, mas pelo incrível que pareça tinha um homem trabalhando. Aquele lugar estava caindo aos pedaços.

-Oi, bom dia! Quanto tá a passagem pra Austin? -Perguntou.

Fiquei calculando a distância e não tinha passagem de ônibus pra Austin, só de avião.
O homem deu uma gargalhada estrondeante.

-O que foi? -Cass perguntou nervosa.

O homem fechou a cara e puxou um pequeno mapa do Texas.

-Estamos nesse ponto aqui, Austin é aquele ponto ali. Não tem ônibus que leve até lá. -Falou.

Fiquei quieta, pois eu sabia que não teria. Tomei a frente e decidi pedir informações.

-E como fazemos pra chegar até lá? -Perguntei.

Tudo ficou em silêncio e o homem nos olhou desconfiado.

-Olha… Porque querem ir pra lá? -Perguntou.

Cass fechou a cara.

-Não é da sua conta. -Falou.

O homem fechou a cara e guardou o mapa.

-Muito bem, sem informação pra vocês. -Falou.

Fiquei aborrecida e cutuquei Cass.

-Senhor… me desculpa. Queremos encontrar nossa mãe, problemas de família. Por favor, tem como me dizer? -Perguntei.

O homem suspirou e colocou o mapa na mesa novamente.

-Bom, vocês vão pegar um ônibus aqui e ir até a última parada. Lá tem o aeroporto, que fica um pouco distante do terminal, ai vocês pegam uma carona, ou outro ônibus. -Falou.

Cass havia saído e estava me esperando do lado de fora. Agradeci e ainda ganhei o mapa. Ser simpática as vezes tem seus benefícios.

-Quanto é a passagem? -Perguntei.

-12 dólares, cada. -Falou.

Peguei o dinheiro e não pensei duas vezes. Saí e Cass estava emburrada.

-Olha! Temos tudo direitinho, deu 24 dólares tudo. -Falei.

Cass olhou e riu.

-Você fica linda animadinha. -Falou me dando um beijo.

Logo ouvi um berro.

-Ei! Vocês não eram irmãs?! -Gritou.

O ônibus chegou e em seguida entramos. O homem ficou do lado de fora pedindo pra parar o ônibus.

-Cara, que trouxa. -Falei rindo.

Cass sorriu e senti seus dedos entrelaçarem nos meus.
Estava com medo, mas sentia que tinha feito o certo. Essa é a maior aventura da minha vida.

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18:30 PM

Após quase quatro horas de viagem, finalmente chegamos. Estava faminta, mas, tínhamos que arrumar dinheiro pra passagem de avião ainda.
Cass mordeu uma barra de cereal e me deu a metade.

-Estou exausta. -Falou.

Fiquei sentada, encarando o chão e percebi que estávamos de uniforme.

-Precisamos tirar isso, se vierem nos procurar, a primeira coisa que eles vão dizer é que estamos de uniforme. -Falei.

Cass riu.

-Acha que alguém vem me procurar? -Perguntou.

Fiquei em silêncio. Cass revirou a bolsa e pegou um maço de cigarros, colocou um entre os dentes e o acendeu.

-Se eles vierem, é por causa de você. -Falou dando um trago.

Fiquei incomodada e notei que Cass estava aborrecida com alguma coisa.

-O que você tem? -Perguntei.

-Estou cansada, Lariesce. De tudo, de todos. Ninguém tá aí pra mim. -Falou com tom de voz alto.

Fiquei em silêncio e fechei a cara.

-Aconteceu aquele monte de merda comigo também e ninguém se quer ligou pra saber se eu estava bem. -Falou.

-Você não pode me culpar por isso. Você acha que meus pais são maravilhosos porque vão a escola decidir minha vida? -Perguntei.

Cass suspirou.

-Eles NUNCA me deram atenção e muito menos se preocuparam com o que eu pensava. Me mudei doze vezes e sempre fui criada por babás. -Gritei.

As pessoas nos encaram e cochichavam entre si.

-Acho que não estamos aqui pra discutir quem tem a pior vida. -Falou.

Ficamos em silêncio por algum tempo.

-Então para de agir como se eu fosse a mimadinha e você fosse uma fodida que ninguém liga. Eu ligo pra você, eu ligo tanto que decidi largar minha vida pra te seguir. -Falei.

Cass apagou o cigarro e levantou.

-Temos que ir. -Falou séria.

Levantei e continuamos a andar.

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Passaram-se algumas horas e já não sabíamos o que fazer.

-Vamos ter que pedir carona. -Falou. -Não temos dinheiro suficiente pra um ônibus. -Falou.

Amarrei o cabelo e coloquei uma blusa de frio.

-E muito menos grana pra passagem de avião. -Falei.

Cass me olhou aborrecida.

-Então é isso? Vamos ficar presas nessa merda de terminal sujo? -Perguntou.

Fui até a rodovia e fiz sinal para alguns carros. Ninguém parava, estava começando a desistir, até que um carro preto parou. O vidro abaixou lentamente e era uma mulher loira com uma menina, aparentava ter uns doze anos.

-Querem ir pra onde? -Perguntou.

-Pro aeroporto. -Falei.

A mulher pensou e destravou as portas.

-Pode entrar. -Falou.

Ficamos receosas e apertamos a mão uma da outra, porém decidimos entrar.
O carro todo ficou em silêncio, até que a mulher puxou assunto.

-O que duas meninas tão novas fazem a essa hora em um terminal? Estão perdidas? -Perguntou.

Cass cochilava no meu ombro.

-Nos perdemos dos nossos amigos, agora precisamos voltar pra Austin. -Falei.

A filha dela colocou o som no volume máximo.

-Amber que falta de educação. -Falou desligando.

Cass acordou no susto.

-Tá tudo bem? -Falou grogue.

Fiz carinho no cabelo dela e a coloquei pra descansar novamente.

-Se quiserem passar uma noite lá em casa. Moro próximo ao aeroporto. -Falou sorrindo.

-Não, mãe! -Amber gritou.

Fiquei constrangida.

-Não precisa, a gente se vira. Obrigada. -Falei agradecendo.

-Eu insisto! Vamos! -Insistiu.

Pensando bem, era arriscado aceitar algo de uma estranha, porém, estávamos famintas e precisando de um banho. Acordei Cass e expliquei a proposta.

-É muito arriscado. -Sussurrou.

Fomos interrompidas pela mulher.

-Meninas, estamos bem perto da minha casa. Tem certeza que não querem? Eu não vou matar vocês. -Falou rindo.

Nos encaramos e decidimos aceitar, com um pé atrás.

-Meu nome é Carlie. -Falou.

Ela estacionou o carro e saímos. Ela morava num casarão.
Entramos e a primeira coisa que fizemos foi agradecer.

-Meninas, o quarto de visitas é lá em cima. Tem toalhas e algumas coisas pra vocês tomarem banho. -Falou apontando.

A filha dela saiu ás pressas e se jogou no sofá.

Subimos e quase nos perdemos nos corredores daquela casa. Entramos e fechamos a porta. Sentei na cama e fiquei em silêncio, só pensando no que estava acontecendo. Cass sentou do meu lado e arrumou meu cabelo.

Cass levantou e foi pro banheiro, tirei minhas roupas e vesti um roupão que estava atrás da porta.
Decidi ir até ela, o banheiro estava bem quentinho, o espelho todo embaçado. Abri a porta e fiquei observando ela tomar banho. Cada curva, cada movimento.
Cass se virou e se cobriu com as mãos. Abri o vidro e abaixei meu roupão. E novamente estávamos juntas.

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Olá meus amores eu sei que demorei pra postar a continuação, ando nunca correria e meio perdida pra conciliar o blog e a faculdade, mas como eu sempre disse: eu sempre estou por aqui. E as meninas também estão postando, então acompanhe muito elas, mas se preparam também porque estou organizando uns posts pra essa semana.

Obrigada por todo carinho, pelos acessos, pela paciência comigo, eu sou muito grata a vocês, por tudo.

Beijos da Mila, até a próxima!

Gratidão!

Fanfic: Colega de Quarto. (Part. 8).

ESCOLHAS (Capítulo 8)

Se preferirem, ouçam as músicas que irei sugerir logo á baixo, enquanto leem o capítulo. Tudo para uma melhor leitura.
•Daughter- Youth. (Parte I da Lariesce •Josh Jenkins- I Still Love You. (Parte I da Cassie)
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Dias depois.

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Acordei com a garganta seca, completamente desnorteada. Minha cabeça latejava e eu mal conseguia abrir os olhos por conta de uma fresta de luz que iluminava meu rosto. Olhei pro lado e notei umas flores murchas na mesa ao lado da minha cama. Cocei os olhos e vi algumas marcas no meu pulso, que me fizeram lembrar vagamente do ocorrido.
Comecei a chorar e o desespero tomou conta de mim. Logo uma enfermeira entrou correndo, olhei em direção a porta e vi um suéter conhecido, era a minha mãe.
Meu coração acelerou e eu só queria abraça-la, apesar de tudo, eu sentia muito a falta dela.
Ela estava em prantos e com o olhar perdido, sem jeito.

-Filha? -Falou em voz baixa.

Engoli seco.

-Quero um pouco de água. -Falei grogue.

A enfermeira colocou um pouco em um copo e me entregou em seguida. Bebi a água e tentei me sentar.

-O que aconteceu? Quanto tempo eu dormi? -Perguntei num fôlego só.

-Vamos com calma… -Falou batendo com a mão esquerda no meu ombro.

Eu sabia que havia acontecido algo terrível, mas estava confusa, vinham apenas flashbacks na minha cabeça.

-Bom… a psicóloga vai vir conversar com você e explicar tudo. Agora deite um pouco, descanse. -Falou me tentando me inclinar.

Deitei e fiquei encarando um relógio. Tudo fico em silêncio e eu tentei lembrar de algumas coisas. Lembrei de Cassie, e fiquei aflita. Eu precisava saber como ela estava.
Logo ouvi uns passos e a psicóloga chegou. Eu já tinha visto ela em algum lugar, provavelmente em algum corredor da escola.

-Olá, Lariesce! Que bom que acordou. -Falou sorrindo.

Me sentei e fiquei em silêncio.

-Você se lembra de alguma coisa? -Perguntou.

Encarei o chão e apertei a maca com uma das mãos. Por algum motivo, estava receosa.

-Só flashbacks. -Falei a encarando.

Ela anotou em um bloquinho e me encarou de volta.

-Isso é bom. -Falou me encarando. -Bom, vou explicar o que aconteceu, tudo bem? -Perguntou.

Confesso que estava muito ansiosa pra saber, mas ao mesmo tempo, com muito medo.
Fiz que sim com a cabeça.

-James Rush e outros garotos, te levaram a força pra um galpão, no subsolo do internato. Sua colega de quarto, Cassie Migdton, também estava lá. -Falou lendo um papel.

Tudo começou a fazer sentido e eu comecei a lembrar de tudo. Minhas mãos estavam suando e eu não conseguia parar de balançar a perna.

-Após isso, vocês foram obrigadas a fazer várias coisas… E por fim, James Rush levou você para um quarto nos fundos desse galpão. August seguiu você e encontrou o tal lugar. -Falou virando a folha.

Só conseguia pensar em Cass e no que havia acontecido com ela.

-Faz quantos dias que estou aqui? -Perguntei.

Ela suspirou.

-Cinco dias. -Falou.

Cinco dias? Não é possível que tenha ficado tanto tempo dormindo. Estava prestes a surtar.

-Você estava em estado de choque. É como se tivesse entrado em “coma”. -Falou.

Fiquei em silêncio.

-A Cassie está bem? -Perguntei aflita.

-Sim, inclusive, ela mesmo deu o depoimento. Eles não abusaram dela, August chegou a tempo. -Falou.

Eu só queria abraçar August e agradecer por tudo. Eu nem sei o que teria sido de mim e da Cass se não fosse ele.
Após saber que Cass estava bem, fiquei aliviada. Sei que isso vai ficar marcado na nossa vida, mas poderia ter sido muito pior. Eu só almejo melhoras pra Cass e principalmente pra mim.

-Bom, Lariesce… Seus pais querem conversar com você. -Falou levantando. -Se precisar pode ir até a minha sala. -Falou saindo.

Estava tentando organizar meus pensamentos, mas sei que isso levaria bastante tempo.
Logo meus pais chegaram. Minha mãe sentou e pegou minha mão.

-Filha… Vai ficar tudo bem. Você vai voltar pra casa, não tem que passar por mais nada. -Falou.

Essas cinco semanas foram as mais turbulentas que eu já vivi, apesar de tudo, eu me adaptei aqui, e estava começando a gostar. Quer dizer… talvez eu não goste tanto, mas alguém me prendia aqui, e esse alguém era Cassie.

-Mãe… Eu sei que vocês estão com medo, só que… Eu não quero voltar pra casa. -Falei.

Eles me olharam surpresos. Nem acredito que disse aquilo… Só saiu.

-Lariesce, você tem idéia do que aconteceu? Pelo amor de Deus, esse lugar vai acabar matando alguém. -Falou com o tom de voz alterado.

Fiquei em silêncio.

-Eu só… Queria tentar de novo. -Falei cabisbaixa.

Minha mãe olhou incomodada pro meu pai.

-Bom… a decisão já foi tomada. É melhor pra você, Lariesce… Eu não quero que nada de ruim te aconteça. -Falou.

O lado que eu mais odiava na minha mãe estava voltando. Essa superioridade, a mania de tomar as decisões sem se importar com o que eu penso.

-Novamente vocês tomaram decisões sem me informar. -Falei irritada. -Eu não quero, custa me deixar tentar? Me deixar tomar uma decisão sozinha? -Perguntei furiosa.

Minha mãe levantou e me olhou com sangue nos olhos.

-Não altere a voz pra mim! Eu sei o que é melhor pra você, já não aguento suas gracinhas e essa sua rebeldia. Quando se sustentar, vai ser obrigada a tomar decisões. -Gritou.

Fiquei quieta.

-Me deixa sozinha. -Falei chorando.

As enfermeiras entraram assustadas. Meu pai já havia saído e minha mãe ficou me encarando, com olhar de reprovação.

-Eu pedi pra sair. -Gritei.

Ela virou bruscamente e saiu.
Eu só queria desaparecer, me trancar em algum canto e chorar muito.

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19:55 PM

Passei o dia inteiro em observação, não aguentava mais ficar andando por esse quarto.
Me deitei novamente e uma enfermeira entrou. Me examinou e checou o horário.

-Quando é que vou ser liberada? -Perguntei aflita.

Ela continuou a organizar uns medicamentos.

-Amanhã bem cedo. Você passou por um tremendo susto, não podemos te liberar assim. -Falou.

Fiquei em silêncio e tentei dormir um pouco.

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CASSIE MIGDTON

Cinco dias atrás.

Estava completamente arrasada, envergonhada e com medo. Eu só desejei morrer inúmeras vezes, pois tudo teria sido melhor do que passar pelo o que eu passei. Os gritos da Lariesce ficam rondando minha cabeça e o pior de tudo… É não saber o que aconteceu com ela.
Ao sair do galpão, me lembro de ter visto ela no colo do August, completamente fora de si.
Eles me levaram até a enfermaria, me deram alguns analgésicos e eu tentei dormir. Só tentei… pois fiquei acordada o resto da noite. Nada me deixava quieta, eu só precisava ver como ela estava e saber se James e os amigos foram presos.

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O alarme tocou e eu levantei, tomei um banho, escovei os dentes e fiquei me encarando no espelho, que ainda estava um pouco embaçado por conta do vapor.
Estava cheia de arranhões e hematomas, além do meu psicológico estar fodido, meu corpo só me lembrava daquela noite terrível.

-Cassie? Não se atrase, você tem que dar seu depoimento. -Falou batendo na porta do banheiro.

Notei uma tesoura em uma das gavetas, estava tomando coragem pra cortar meu cabelo que já não era muito longo.
Respirei fundo, fechei os olhos e cortei.
Eu preciso recomeçar e o primeiro passo já foi dado.
Minhas mão estavam tremendo.

-Cassie? Você tem seis minutos. Falou batendo na porta novamente. -Estou te esperando no auditório. -Falou saindo.

Terminei de cortar e tirei o excesso do cabelo dos meus ombros. Saí ás pressas e vesti o uniforme. Pela primeira vez, tentei me manter apresentável.
Fui correndo pro auditório e ao chegar, todos me olharam espantados, confesso que adorei ver a reação da diretora Hollie.
August me olhou assustado e balbuciou um “gostei”.

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Após depôr, estava um tanto quanto feliz, afinal… James iria para um reformatório, um dos piores lugares que um jovem pode ir.
O horário de visita pra ver a Larie é só daqui a duas horas, eu não estava aguentando mais esperar.

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Passou algum tempo e… finalmente iria vê-la. Espero que ela não se assuste com o meu cabelo. Fui ate a enfermaria e peguei um crachá. Colhi algumas flores e decidi levar.
Meu coração estava disparado, mas ao chegar… notei que ela não estava acordada. Fiquei paralisada.

-O que aconteceu com ela? -Perguntei nervosa.

-A gente ainda não tem certeza, mas… Acreditamos que ela tenha entrado em coma, por conta do susto. -Falou.

Minhas mãos estavam geladas… O medo estava me consumindo, minha visão ficou embaçada e eu me sentei ao seu lado. Coloquei as flores em um copo, ao lado dela. Logo tudo ficou em silêncio e as enfermeiras saíram.
Me destruiu ver ela daquele jeito, e ao mesmo tempo me fez lembrar de quando eu estava mal. Eu realmente gostaria que ela estivesse acordada, sei que se ela estivesse, ela estaria transtornada, mas… De alguma forma, queria tentar fazer ela sentir o que eu senti naquela noite que ela foi me ver.
Ela é tão linda… e talvez nem saiba o quanto eu admiro tudo o que ela faz. Se as pessoas fossem classificadas como fenômenos naturais, eu seria a tempestade… e ela… uma brisa. Que faz as folhas alaranjadas do outono se desprenderem das árvores.

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LARIESCE SMITH.

07:23 AM

Acordei desnorteada e logo lembrei que hoje iria sair daqui. Levantei ás pressas e uma das enfermeiras chegaram.

-Bom dia, Lariesce! Vamos te liberar daqui a pouco. -Falou.

Eu não já não aguentava mais esse sufoco, só queria ir embora.
Abri um sorriso e fui tomar um banho.
Ao sair do banho, notei que minhas coisas estavam organizadas. Sai desembaraçando meu cabelo e ao olhar pro lado, vi minha mãe conversando com o médico.

-O que é isso tudo? Eu já vou embora? -Perguntei assustada.

Minha mãe pediu licença ao médico e entrou no quarto logo em seguida.

-Lariesce… Você vai poder se despedir das pessoas que fez amizade aqui. Tenha calma. -Falou.

Fechei a cara e fui em direção a porta. Finalmente iria sair daqui, não pensei duas vezes e fui até meu dormitório. Eu tinha a impressão que todos já sabiam de tudo. Eles me olhavam estranho e cochichavam o tempo inteiro. Estava envergonhada e agora sei que aquilo iria me incomodar bastante.
Fechei os olhos e abri a porta com tudo.
Não tinha ninguém lá, minha cama estava organizada e o lado de Cass completamente desorganizado como de costume. Não queria ir sem vê-la, estava morrendo de saudade e não perdoaria meus pais se não a visse.
Sentei na cama dela e peguei uma de suas blusas e tentei sentir o cheiro dela. O perfume adocicado só me fazia sentir mais saudade.
Me levantei e fiquei olhando pro lado de fora, até que… ouvi a porta abrir.

-Lari? -Falou com a voz trêmula.

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Minhas Luas, eu imagino que tenham matado a curiosidade, gostaram da sugestão de música, que foi deixada pela autora da história? Eu adorei. Eu espero que tenham gostado da continuação de hoje, semana que vem tem mais ou quem sabe sai antes, só pra vocês não ficarem na curiosidade.

Obrigada por todos os comentários, por estarem seguindo o blog e dando muitos likes. Eu vou deixar o link da pagina e do insta do blog.

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Beijão da Mila!
Gratidão!!

Fanfic: Colega de Quarto – Rommate. (Part.4)

Gente, hoje é a continuação da Fanfic, daquela leitora e autora: Lucília Gomes.
Quero pedir desculpa pela demora, mas estou passando por muitos problemas pessoais, ai fica difícil fazer tudo ao mesmo tempo, mas logo isso passa..
Chega de enrolação e vamos pra Fanfic.

Pra quem ainda não leu o Capítulo 1, vou deixar o link aqui em baixo:
Capítulo 1: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 2: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 3: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.

Eu espero que gostem da Fanfic.

Boa Leitura!


Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
(Part.4)

Segredos.

03:54 PM

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Fechei os olhos e senti a respiração de Cassie no meu pescoço.

-Clarie? O que foi? -Perguntou se afastando.

Continuei a chorar e fiquei em silêncio.

-Ei? -Falou tirando meu cabelo do rosto.

Me virei e sentei no canto da cama.

-O que houve? -Perguntou.

Não consegui dizer, só conseguia chorar. Aquilo tudo doía, e o pior é que eu sabia o quanto Cassie estava sofrendo também, só que perdi o total controle de tudo.
Cassie se aproximou e me abraçou, assim como havia feito com ela, e por um momento, me senti bem. Senti seu coração acelerar e logo me afastei um pouco de Cass.
Cass me olhou intrigada.
Fiquei em silêncio e logo as coisas se acalmaram.

-Eu sai com um garoto… -Falei nervosa.

Cass me encarou e logo desviou o olhar.

-E… -Falou.

Fiquei perplexa.

-Ele parecia ser um cara legal, me chamou pra sair e eu fui depois do jantar. -Falei.

Cassie ficou inquieta.

-E fomos para um lugar mais reservado, um galpão enorme, com quartos, mesas… E ele bebeu demais. -Falei.

Cassie continuou a me ouvir, seus olhos brilhavam.

-O que ele fez? -Perguntou nervosa

Respirei fundo e decidi dizer tudo de uma vez.

-Ele me beijou, e eu até gostei no inicio… Só que ele foi longe demais, e eu dei um fora nele e saí as pressas de lá, e pra variar, ele me chamou de vadia. -Falei num fôlego só.

Cassie ficou boquiaberta.

-Imaginei um estupro. -Falou.

Fiquei cabisbaixa.

-Sei que não é o fim do mundo, mas eu fiquei muito mal. -Falei.

Cassie acariciou meu rosto.

-E tem razão… Quem foi o idiota? -Falou.

Fiquei em silêncio, não sei se deveria expor.

-James? -Perguntou.

E no chute, ela acerta.

-Sim… -Falei.

Cassie me olhou surpresa e encostou as costas na parede.

-Era de se imaginar, ele anda com a raça porca da escola. -Falou.

Fiquei em silêncio. Cada vez mais eu tinha certeza da tremenda burra que fui ao pensar que ele era um cara legal.
O quarto ficou em total silêncio e logo minha curiosidade voltou.

-Mas… e você? Por que estava chorando? -Perguntei.

Cassie engoliu seco.

-Ah… eu tenho algumas crises. -Falou.

-Trate de contar isso direito. -Falei com tom de voz desconfiado.

Cassie ficou inquieta.

-É…

Cassie me encarava de um jeito que só ela sabia fazer. Não conseguia retribuir as encaradas, de alguma maneira ela me deixava sem graça.
O silêncio invadiu o quarto, meus olhos estavam pesados e o cansaço me consumia.

-Eu tenho problemas pra lidar com minhas emoções, a maior parte do tempo tento me controlar, pois sei que por menos que seja as coisas, elas me afetam de maneira brusca. -Falou.

Os pássaros cantavam e a luz do sol entrava por uma pequena fresta da janela.

-Mas… O que tem te incomodado tanto? -Perguntei sendo um pouco invasiva.

Ela suspirou e abaixou a cabeça.

-Não sei se é legal dizer, mas eu preciso, e de alguma forma confio em você. -Falou me encarando.

A fresta de luz batia em um de seus olhos, permitindo observar cada detalhe.

-Meu padrasto convive com minha mãe desde quando meu pai faleceu… As coisas só pioraram quando eu completei 12 anos, ele se viciou em álcool e toda vez que ele bebe, ele fica agressivo. Ele acha que eu sou a discórdia no casamento e minha mãe está completamente cega por ele. Não é atoa que estou aqui. -Falou com a voz trêmula.

Cassie estava segurando ao máximo para não chorar, e eu estava sem jeito, tentando arrumar palavras pra consolar ou ajudá-la de alguma forma.
A abracei em um solavanco só, e ela desabou no meu ombro. E eu… tentei ser forte, porque ela precisava mais de mim do que eu dela.

-Você não um problema, você é maravilhosa, Cass… -Sussurrei.

Tudo ficou em silêncio e apagamos uma do lado da outra.

00

06:29 AM

Acordei abraçada com Cass, e confesso que levei um baita susto. Olhei o relógio e por incrível que pareça, se eu correr eu consigo assistir a primeira aula.
Cass abriu os olhos e coçou a cabeça.
Fiquei encarando o chão até que senti um empurrão, tinha sido atingida por um travesseiro logo cedo.
Dei um sorriso e ela sorriu de volta.
Levantamos ás pressas e fomos direto pro banheiro.

-Aqui é bem vazio esse horário. -Falou ligando a ducha.

-Essas são as poucas vantagens de acordar tarde. -Falei tirando minha blusa.

Cass encostou na pia e ficou me encarando.

-O ruim é que a água não fica muito quente esse horário. -Falei tentando desviar o olhar de Cass.

Ela ficou com um sorriso entreaberto e eu fiquei completamente envergonhada.

-Cassie? Você não vai tomar banho? -Perguntei rindo.

Ela deu um pulo e ficou mais vermelha que um tomate.

-Ah! Claro. -Falou entrando no Box.

00

Após um tempo nos desencontramos e não iriamos nos ver tão cedo. Cassie desaparecia durante o dia.
Fui andando até a biblioteca e vi James encostado em um dos armários. Ele me encarou e virou a cara, com um ar de total desprezo. Eu realmente queria enfiar meu rosto em um buraco.
Ouvi uns cochichos e entrei na biblioteca.
Peguei uns três livros e estipulei duas semanas pra acabar os três, preciso manter minha mente ocupada.
James e uns meninos estavam rindo e me encarando, fiquei totalmente sem graça e me controlando pra não sair correndo. Fingi não ouvir e continuei a folhear as páginas.
Senti alguém se aproximar e se sentar ao meu lado. Tentei ignorar, até que ouvi uma voz rente ao meu ouvido.

-Então é fácil assim? Me encontra no quartinho mais tarde também. -Falou saindo.

Meu corpo gelou e me fiz de tudo pra não desabar na frente daqueles idiotas. Me levantei e sai ás pressas. Entrei no primeiro banheiro que vi e me tranquei em uma das cabines. Eu só queria chorar.
James acabou com toda dignidade que eu tinha, e de uma hora pra outra, todos sabiam que eu havia saído com ele.

00

Após um tempo lavei o rosto e deixei os livros no quarto. Tentei me manter forte, afinal, não queria deixar Cassie na mão, prometi pra mim mesma que iria encoraja-la todos os dias.
Todo dia de manhã iria deixar um post-it colado em algum lugar, sem que ela saiba ou espere. O primeiro do dia foi na cabeceira da cama dela, nele estava escrito: “você é suficiente, pra mim e principalmente pra si mesma.”
Deitei um pouco e esperei dar o horário da oficina de teatro. Meu celular tocou e era a minha melhor amiga.

Ligação On

-Larieeeeee! Me conta! Como que tá ai? -Perguntou.

-Tá indo. -Falei rindo.

-Ah! O Josh me pediu em namoro ontem, acredita? -Perguntou.

-Uau! Que evolução… Parabéns! -Falei.

-Tá ficando pra titia, hein. -Falou rindo.

-Não me interessei por ninguém e aqui nem tem tantos meninos bonitos… -Falei.

-E o encontro? -Perguntou.

Fiquei em silêncio.

-Preciso desligar! Tenho que terminar umas coisas pra amanhã… Eu te amo, Larie. Beijoooo
-Falou desligando.

*Ligação Off

Nunca tinha falado tão rápido com ela e achei até melhor não entrar em detalhes. Nunca tive sorte com relacionamentos, parece que tudo conspira ao oposto de mim. Arrumei meu cabelo e notei que estava quase na hora de ir ao teatro. Estava ansiosa pra aula, o teatro liberta quem eu realmente sou, e adoro sentir a sensação de por um momento deixar de ser eu mesma e interpretar outro personagem.
Fui andando até a sala, e ao entrar vi Cassie dormindo em uma das cadeiras do fundo.
A maioria das pessoas não haviam chegado, talvez tenha vindo cedo demais.
Me aproximei devagar, na ponta dos pés e dei um grito.

-Cassieeee. -Gritei.

Minha voz ecoou por todo auditório.
Cassie levantou num só pulo e fechou a cara.

-Ai que susto, Lari! -Falou secando a boca.

Sentei do lado dela e fiquei morrendo de rir.

-Muito engraçado, hahahaha. -Falou com tom de deboche.

Passou-se algum tempo e o professor chegou com uma pilha de papéis, já era previsível o tamanho da peça que ele iria propor.
Cutuquei Cass e ela ainda cochilava. Seus olhos ficavam ainda mais claros quando ela estava com sono.

-Bom! Hoje vamos dar início a uma peça que eu particularmente gosto muito, a peça “Liers”.

Achei o nome interessante, e confesso estar empolgada.

-Os testes começam agora, quero que leiam o roteiro e assinem em baixo do personagem que vocês mais se identificam. -Falou entregando uma folha.

Dei uma lida e um dos personagens me chamou a atenção, o papel de Joane, uma das personagens mais verdadeiras e de personalidade forte. Porém, acredito que mais pessoas tenham se interessado.

-Gostei dessa. -Falei.

Cass olhou e completou:

-E eu desse cara, será que posso fazer papel masculino? -Perguntou.

Dei risada.

-Cabelo curto já tem. -Falei.

Cass sorriu de volta. Aguardamos um tempo e o teste estava prestes a começar.

-Lizzie, Carl e Joy, vocês começam a contracenar, afinal, seus personagens são amigos. -Falou.

Fiquei observando e rindo durante todo tempo. Estava torcendo pra ninguém escolher a Joane.

Após um tempo, o professor chamou nossos nomes.

-Caraca, contracenamos juntas. -Falei surpresa.

Olhei pro lado e vi uma menina, provavelmente ela iria tentar o papel da Joane também.
Cass deu sorte, o papel do menino só havia sido escolhido por ela.
Me afastei e comecei a ler algumas falas, a maioria delas.

-Bom, a peça basicamente gira em torno de uma pequena vila, que esconde segredos e mentiras por trás de mentiras. Cada personagem tem algo a esconder, e quero que vocês leiam o segredo de cada papel escolhido e pensem numa forma de colocar emoção de acordo com a intensidade que o texto pede. -Falou entregando algumas folhas.

Olhei ao redor e todos pareciam surpresos, uns faziam caras e bocas, e eu, tomava coragem de ler o segredo de Joane.
Decidi ler e fiquei surpresa, Joane era casada, e seu marido era um alcoólatra, e ela sustentava seu filho sozinha, e de noite, se prostituía pra sustenta-lo.
Fiquei perplexa, não só por ter conseguido um papel fortíssimo, mas principalmente por lembrar do que Cass havia me contado. Estava com medo de aceitar e estou com medo do que ela vai sentir.

-Pronto? -Perguntou.

Todos fizeram que sim.

-A primeira cena é da Joane lavando roupa e as vizinhas fofocando sobre ela. -Falou.

Entrei em cena e tentei incorporar a personagem, mas meu pensamento só me levava pra Cass. Notei que ela havia se escorado na parede e que começou a folhear.

-Clariesce? Tudo bem? Foco na cena. -Falou batendo palma.

Cass largou os papéis e foi correndo em direção á saída. Não resisti e disse que precisava ir ao banheiro, fui logo em seguida e esbarrei com Cass em um dos corredores.

-Tudo bem? -Falei.

Tudo permaneceu em silêncio e o som da minha voz ecoava pelo corredor.

-Eu sei, eu li a peça. -Falei.

Ela se virou e engoliu seco.

-Isso só pode ser brincadeira? Foi você que escreveu? -Perguntou com raiva.

Fiquei assustada.

-Lógico que não, e mais, nunca seria capaz de dizer algo ao seu respeito pra alguém nessa escola. -Falei me aproximando.

Cass revirou os olhos.
Sentamos no corredor e ela encostou a cabeça no meu ombro.

-Vou fazer o marido violento, sabia? -Perguntou.

Fiz que sim com a cabeça.

-Eu não sei se isso é algum tipo de teste comigo pra ver o quanto sou forte ou se é o destino rindo da minha cara. -Falou rindo.

-Acho que é apenas um papel que vai tornar você ainda mais forte. -Falei.

Ouvi passos e vozes que não me eram estranhas. Era James e outros meninos.

-Tá pegando mulher agora? -Falou rindo.

Todos riram e nos levantamos.

-O que foi? -Cass falou aumentando o tom de voz.

-A mulher macho tá querendo defender a namoradinha… Abaixa tua bola que tua namoradinha me deu ontem. -Falou rindo.

Meus olhos encheram de lágrimas e eu não consegui nem desmentir a mentira mais sórdida que já podia ter ouvido.
Cass não pensou duas vezes e deu uma sequência de socos no rosto de James.
Me desesperei e fui pedir ajuda.
James levantou numa fúria e encheu Cass de murros.
Minha visão ficou embaçada e eu só sabia chorar. Logo ouvi pessoas chegando e vi Cass no chão. Os meninos já haviam ido embora, sem deixar nenhum rastro.
Uns enfermeiros chegaram e levaram Cassie pra enfermaria e eu… fiquei sentada no corredor durante duas horas, só chorando e querendo desaparecer e acabar com tudo aquilo.
Cass estava machucada e eu só conseguia me sentir culpada por tudo, sei que logo vão saber quem fez aquilo com ela e que nada vai ficar impune, pelo menos eu espero…

00


O que vai acontecer no Capitulo 5? Só na na semana que vem, nós mesmo dia e horário, eu espero que tenham gostado do capitulo de hoje!

Não deixa de curtir, comentar e compartilhar em suas redes sociais, isso me ajuda muito!

Fanfic: Colega de Quarto – Rommate. (Part.3)

Gente, hoje é a continuação da Fanfic, daquela leitora.
Quero pedir desculpa pela demora, mas estou passando por muitos problemas pessoais, ai fica difícil fazer tudo ao mesmo tempo, mas logo isso passa.. Chega de enrolação e vamos pra Fanfic.

Pra quem ainda não leu o Capítulo 1, vou deixar o link aqui em baixo:
Capítulo 1: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 2: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.

Eu espero que gostem da Fanfic.

Boa Leitura!


Fanfic: Colega de Quarto – Rommate. (Part.3)

08:10 AM

Acordei com o som do alarme tocando repetidas vezes. Olhei pro lado e Cassie já tinha desaparecido. Amarrei o cabelo e fiquei sentada encarando o chão por dois minutos, eu precisava de mais uns minutinhos. O relógio despertou novamente e notei que estava completamente atrasada.

“Merda!” sussurrei.

Levantei correndo e vesti o uniforme. Eu só queria matar a idiota de Cassie, não custava nada ter me acordado. Fui correndo pra sala, e logo uma monitora veio em minha direção.

-Mocinha? O que faz esse horário perdida nos corredores? -Perguntou me encarando.

Fiquei quieta.

-Está atrasada, espere a próxima aula e não me deixe saber que isso se repetiu. Aqui existem regras, e atrasos podem acabar com sua ficha. -Falou séria.

Fui em direção a um pequeno banco que havia no corredor. Eu só queria dormir e sumir desse lugar, encostei a cabeça na parede e cochilei.
Logo acordei assustada, o alarme da próxima aula tinha acabado de tocar e estourar meus tímpanos.
O ruim de estar atrasada é que consequentemente você vira o centro das atenções, todo mundo decide olhar. Desviei o olhar e sentei no fundo da sala. Umas meninas riam, e notei que umas pessoas faziam cara feia pra mim, nada de novo, porém os olhares começaram a me incomodar. Dei uma leve inclinada na cabeça e notei que estava cheirando muito mal.

-Você saiu de um valão, Lariesce? -Perguntou em tom irônico.

Eu dormi sem tomar banho e ainda acordei atrasada. Bom dia pra mim! Levantei e fui direto pro banheiro, tentei desviar o olhar da megera da monitora e por enquanto deu certo.
Cassie é a pessoa que mais cabula aula, e nunca se dá mal, talvez seja melhor tomar um banho e dormir o resto do dia.
O banheiro estava vazio, uma raridade nesse lugar, alguns males vem pra bem, vou poder tomar banho direito. Liguei o chuveiro e entrei de vez, e de repente ouvi barulhos e sussurros.
Alguém entrou pra acabar com minha paz, decidi olhar por uma fresta e era um casal, isso mesmo, um CASAL! Que provavelmente estão cagando pra tudo e vão transar no banheiro feminino… E pensar que eu estava com medo de matar aula.
Sequei o cabelo e fui direto pro quarto, horrorizada com o que presenciei.
Tranquei a porta e decidi mudar de roupa no quarto, afinal, não sou obrigada a ouvir o prazer dos outros de graça. Por algum motivo, meu uniforme não estava na gaveta, e eu tive que revir a bagunça inteira que tava o meu lado. Coloquei apenas minhas roupas intimas e decidi procurar, me ajoelhei e fiquei em uma posição constrangedora, logo ouvi um barulho e um solavanco só na porta, caí de bunda no chão e dei um grito.

-Merda! -Gritei.

Cassie tampou os olhos e riu.

-Pelo amor de Deus, hein. Acho nudez algo bacana, mas em pleno horário de almoço?! -Falou rindo.

Me cobri com um lençol e respondi enfurecida.

-Isso não teria acontecido se alguém por gentileza tivesse me acordado. -Falei.

-Eu tentei, mas você estava completamente fora de si. -Falou sentando na cama.

Tudo ficou em silêncio.

Levantei e olhei pra Cassie, ela retribuiu o olhar e ficamos nos encarando.

-Tá… Viu meu uniforme? -Perguntei ficando em pé.

Cassie levantou e revirou uma pilha de roupas.

-Ai está. -Falou me entregando um pequeno pacote.

Recebi um uniforme novo, até porque ficar com um uniforme GG ninguém merece.

-Valeu. É o pequeno. -Falei sorrindo.

Cassie continuou me encarando, e eu fui ficando cada vez mais vermelha.

Virei de costas e vesti o uniforme, peça por peça. Senti o olhar de Cassie sobre mim, quando me virei ela já havia desviado o olhar.

-Bem melhor, hein. -Falou.

Dei um sorriso.

00

Após uma das atividades extracurriculares, decidi tomar um ar no pátio. O sol saiu pela tarde, e sentir o calor só me fez ficar melhor. Coloquei meus fones e me desliguei do mundo. Após um tempo senti algo me cutucar e era o tal garoto que me ajudou na noite passada.

-Ei, Lariesce né? -Perguntou.

Tirei os fones e sorri sem graça.

-Isso! James? -Perguntei.

Ele ficou me encarando por alguns segundo, deu uma golada no suco e sorriu.

-Exato! -Falou sorrindo.

James era muito bonito, tinha olhos verdes, cabelo cor de mel, um pouco bagunçado, alto e um pouco forte.
Desviei o olhar e fiquei olhando pra frente.

-É… O que pretende fazer hoje na madruga? -Perguntou.

-Pretendo estudar até tarde, preciso me organizar. -Falei.

James me olhou surpreso e continuou a me encarar.

-Que estudiosa, hein. -Falou rindo.

Dei um sorriso de lado.

-Por que o interesse? -Perguntei.

James coçou a cabeça e desviou o olhar.

-Ah, ia te chamar pra dar uma volta pela escola, ir no jardim a noite é um dos meus fetiches. -Falou rindo.

Dei um sorriso e mexi no cabelo.
Dá pra acreditar?! Ele me chamou pra sair na maior cara de pau.

-Não sei se dá, mas passa lá se quiser. Já sabe onde meu quarto fica. -Falei num fôlego só.

O sinal tocou e James se despediu. Fui andando pelo jardim, e vi Cassie fumando com duas garotas atrás do pátio. Talvez ela realmente não seja uma boa influência, tô tentando colocar minha vida no lugar. Olhei rapidamente e ela olhou pra mim de volta. Acelerei o passo e fui pra aula de Teatro.

00

A escola era enorme, mas o corredor do teatro é simplesmente lindo. Um auditório grande, e bem no fundo, as pessoas que participam da aula. Pra variar cheguei atrasada e as meninas não perderam tempo pra cochichar.
Me sentei um pouco mais afastada das pessoas e logo um homem baixinho e de barba grisalha entrou, andando pra lá e pra cá.

-Boa tarde! Bom, temos algumas pessoas novas aqui, sejam muito bem vindos! Aqui tem um formulário com exigências, nada de muito relevante. -Falou entregando uma folha.

Ouvi passos rápidos e uma voz conhecida, me contive e não olhei pra ver quem era.

-Migdton chegou cedo pra aula de amanhã. -Falou rindo.

Todos riram.
Era Cassie, e pra variar, ela fazia teatro também. Por algum motivo ela me irritava, algo me dizia pra ficar longe dela o tempo o inteiro. Me perdi nos meus pensamentos logo o senhor começou a explicar as regras. Na próxima aula iriamos escolher os papéis disponíveis e ver se estamos aptos pra incorporar o personagem.
Sou apaixonada por teatro, porém, sou tímida, e esse foi um dos motivos pelo qual escolhi essa atividade.

-Lariesce? Venha até aqui, sempre que novos alunos entram, eles se apresentam no palco. -Falou.

Todos me encaravam, esperando alguma reação. Dei um suspiro e levantei, subi uma escadinha e me apresentei.

-Bom… Sou Lariesce, tenho 17 anos e sempre me interessei por essa área. Espero ter momentos bons aqui. -Falei saindo logo em seguida.

Cassie não parava de me encarar. Mexeu no cabelo e se sentou largada em uma das cadeiras do auditório. Ela era a única pessoa que cagava para as  regras do uniforme. No lugar das sapatilhas ela usava um coturno de cano médio, a gravata folgada e o suéter por cima.
Desci as escadas e sentei em um dos bancos e continuei a ouvir as intermináveis regras do professor.

00

Após o final da aula, fui andando pelos corredores atrás da biblioteca. Entrei, deixei minhas coisas em um armário e fui procurar algo pra ler. Dos romances á ficção científica, não fazia idéia do que pegar pra ler. Ouvi uma voz conhecida no meu ouvido esquerdo, e quando olhei pro lado, era Cassie.

-Que susto! Tá fazendo o que aqui? -Perguntei.

Cassie me olhou risonha.

-A biblioteca é pública, senhorita. -Falou rindo.

Dei um sorriso e peguei um livro. Comecei a folhear e senti o olhar de Cassie sobre mim.

-Ah, esse é legal. -Falou.

-E por acaso você lê? -Perguntei.

Cassie me olhou surpresa.

-Sempre li. Pelo jeito tu não sabe nada mesmo sobre mim. -Falou.

Fiquei cabisbaixa.

-Eu te recomendo esse, Colorful Memories. -Falou apontando.

Coloquei o outro no lugar e peguei o que ela havia dito.

-É sobre o que? -Perguntei.

-Romance, drama e fantasia. Bem gay. -Falou rindo.

Peguei o livro e decidi ler, confesso que fiquei curiosa.

Fomos andando e logo o sinal tocou, era hora de tomar banho e se arrumar para o jantar.
O banheiro estava um caos, eu detesto ser menina nessas horas.
Fiquei de roupão esperando o banho de três horas das frescas daqui. Uma delas saiu e ficou fazendo a sobrancelha no espelho, apenas enrolada na toalha.
Entrei no banheiro e fiquei ouvindo o papo delas.
Nada que seja muito saudável, apenas os intermináveis assuntos de macho que fazem parte do vocabulário pobre delas.
Uma delas bateu na porta e eu levei um susto considerável.

-Anda logo, aqui não é hotel não. -Falou com tom agressivo.

Meu sangue ferveu e eu tentei ignorar. Aumentei o chuveiro e comecei a cantarolar.

-Mas que idiota! Garota, tu não brinca comigo. -Falou.

Sai do chuveiro e ela me comeu com os olhos, se o vapor não fosse do meu chuveiro, juro que acreditaria que era dela. Parei, a encarei e soltei o verbo.

-Eu acabei de entrar, e não sou obrigada a sair porque você quer, o tempo limite é 20 minutos, e fazem 10 que eu estou ali. Sua amiga ficou quase 40 minutos só lavando o cabelinho de princesa dela, e eu não reclamei. -Falei saindo.

As três me olharam surpresas e uma delas revirou os olhos.

-Vai se foder. -Falou me empurrando.

Senti meu corpo todo esquentar, queria matar aquelas idiotas, mas sei que vai dar um problemão, então engoli a seco e sai.

-Não encosta de novo em mim. -Falei saindo.

Sei que não devia procurar inimizades, mas tem gente que não dá.

00

Vesti minha roupa e sequei meu cabelo, fiz um coque bagunçado e dei uma organizada no meu lado. Cass entrou de roupão com uma toalha enrolada na cabeça e ficou procurando uma roupa no meio da zona dela.

-Juro que um dia arrumo isso. -Falou rindo.

Dei um sorriso de lado e mordi um cereal que havia achado no meio de umas roupas.

-Ei! Meu cereal! -Falou.

Enfiei tudo na boca e tentei mastigar a bola que tava aquilo.

-Sinto muito, isso tava de baixo da minha cama a séculos. -Falei de boca cheia.

Cass se vestiu e eu não deixei de reparar o sinalzinho que ela tem perto do umbigo.

-Ah, não ligo mesmo. -Falou rindo.

Suspirei e tudo ficou em silêncio, o sinal já havia alertado que faltavam 10 minutos pro jantar.

-Me meti em encrenca hoje. -Falei.

Cass me olhou surpresa e deu uma gargalhada.

-O que tu fez? -Perguntou.

-Uma garota ficou enchendo a porra do meu saco e eu respondi mal. Acredita que ela me empurrou?! -Falei com tom de voz surpreso.

Cass me olhou assustada.

-Você sabe mais ou menos como ela era? -Perguntou.

Tentei me recordar, e os traços marcantes da menina vieram perfeitamente na minha cabeça.

-Cabelo longo, loiro e olhos verdes. Era da sua altura e tinha o corpo bonito. Anda sempre com duas meninas, uma morena e outra loira mais magrinha. -Falei.

Cass riu e fez uma cara estranha.

-Elas sempre arrumam confusão, se sentem as donas daqui. O ruim é que se uma delas guardar rancor de alguém, elas infernizam até a pessoa beijar os pés delas. -Falou arrumando o cabelo.

Confesso que fiquei preocupada, mas não me arrependo de nada do que disse.

-Acho que estou fodida. -Falei calma.

-Relaxa, elas me odeiam também. -Falou.

O sinal tocou e fomos pro refeitório.

00

Após o jantar, voltei pro quarto e fiquei deitada mexendo no celular inútil que eles dão pra substituir o seu enquanto estamos aqui. Decidi ligar pra Angel e contar tudo.

Ligação On

-Oi? -Falei.

-Lariesce! Ai meu Deusssss! Eu nem acredito. -Falou nervosa.

-Pode acreditar! -Falei rindo.

-Como que tá as coisas ai? -Perguntou.

-Acho que bem. Minha colega de quarto é a aluna mais ficha suja que você respeita. -Falei rindo.

-Ela te bateu? Isso é demais! -Falou rindo.

Dei uma gargalhada.

-Ainda não, mas já tem gente querendo. -Falei.

-Ai, queria estar ai. -Falou.

-Sinto tanto sua falta. -Falei.

Ouvi passos e tentei encurtar o assunto.

-Tenho que ir, Angel. Eu te amooo! -Falei emocionada.

-Eu também amo você! Dá notícias, hein. Beijo. -Falou chorosa.

Ligação Off

Desliguei o telefone e Cassie entrou com tudo no quarto. Se jogou na cama e fechou a cara.

-Tá tudo bem? -Perguntei levantando.

Cassie suspirou.

-Parece? -Falou com tom grosseiro.

Me sentei e recebi uma mensagem de James confirmando o encontro.

-Eu tô cansada desse lugar, de tudo. -Falou chorando.

Fiquei sem reação e sentei do lado dela.

-O que aconteceu? -Insisti.

-É uma longa história. -Falou.

Nunca pensei que veria Cassie chorando.

-Se quiser contar, tô aqui. -Falei.

Cassie ficou em silêncio e eu acariciei seu cabelo. Ela deitou a cabeça no meu colo e desabou, sem dizer ao menos uma palavra.
Não sei o que senti naquele momento, mas eu só queria cuidar dela e dizer que vai ficar tudo bem, mesmo sem entender o que ela estava sentindo.
Após um tempo ela adormeceu e eu percebi que estava completamente atrasada. Levantei e fui direto pro pátio.

00

Vi James sentado, olhando o relógio e olhando pros lados, cauteloso.

-Ei. -Falei.

Ele olhou pra trás surpreso.

-Larie! Que bom que não me deu um toco. -Falou me cumprimentando.

Estava muito sem graça, sem total noção do que fazer\falar.

-Me desculpa, teve uns imprevistos. -Falei sentando em um banco.

James sorriu.

-Tudo bem, acontece. Como foi seu dia? -Perguntou.

Contei resumidamente o que havia acontecido, e fomos andando. James era a melhor pessoa pra conversar, ele me lembrava um ex namorado que tive, não sei se isso é bom ou ruim.  Chegamos a um lugar afastado do pátio, várias coisas jogadas e um galpão.

-Que lugar para se trazer uma garota, hein. -Falei.

James deu um sorriso torto e abriu a portinha. Era um porão enorme, tinha sofá, quartos e mesas.

-Aqui é o esconderijo dos legais. Quase toda sexta tem festa, é quase impossível ouvir barulhos daqui. -Falou.

Fiquei encantada com o lugar, e fui entrando. James veio logo em seguida e fechou a portinha.

-Por que fechou? -Perguntei.

-Ah… Sabe como é, né. Riscos! -Falou risonho.

Fiquei um pouco assustada, mas ignorei, afinal,  realmente era bem arriscado.

-Se descobrem esse lugar, fodeu. -Falei sentando em um sofá.

James ficou em silêncio apenas observando, e sentou do meu lado.

-Nem me fale. -James levantou novamente e pegou uma cerveja em um estoque.

-Quer? -Perguntou.

Neguei e fiquei observando ele beber.

-Faz tempo que não bebo. -Falou.

-Eu nunca bebi. -Falei rindo.

Ele ficou surpreso.

-Jura? Que santinha. -Falou.

Fiquei quieta.

-Isso é ruim? -Completei perguntando.

James se jogou no sofá a minha esquerda e deu mais um gole.

-Não é não, eu gosto. -Falou.

“Eu gosto” abusado… Notei que James estava ficando um pouco alterado.

-Já tá bem tarde. -Falei.

James sentou perto de mim e ficou me encarando.

-Eu gosto daqui, metade do colégio sabe desse lugar, mas apenas algumas pessoas tem acesso direto. -Falou.

-Que famosinho. -Falei.

James riu e foi se aproximando lentamente da minha boca. Quando eu percebi já estava o beijando. Sua mão foi deslizando pelo meu corpo, e ele começou a abrir os botões da minha blusa.

-Ei… melhor não. -Falei tirando a mão dele.

Ele insistiu e continuou a me agarrar. Tentei me esquivar e ele começou a ficar bruto.

-Eu já falei que não. -Gritei.

James parou e me olhou assustado.

-Dá licença. -Falei levantando e indo em direção a porta.

James ficou furioso e levantou junto.

-Vadia. -Gritou.

No mesmo momento meus olhos encheram de lágrimas, e eu sai, fechando a porta com tudo.
Fui horrorizada pro quarto, querendo que aquilo sumisse da minha memória. Desabei, e tentei me conter ao entrar no quarto. Não sabia o que Cass estava passando, e de sofrimento, já bastava o dela.
Tentei abafar o choro no travesseiro, quando senti uma respiração no meu pescoço, era a voz dela, e por um momento meu corpo se arrepiou.

-Lari? -Falou baixinho.

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Continua…


O que vai acontecer no Capitulo 4? Só na na semana que vem, nós mesmo dia e horário, eu espero que tenham gostado do capitulo de hoje!

Não deixa de curtir, comentar e compartilhar em suas redes sociais, isso me ajuda muito!

Beijão da Mila!

Fanfic: Colega de Quarto – Rommate. (Part.2)

Gente, hoje é a continuação da Fanfic, daquela leitora.
Quero pedir desculpa pela demora, mas estou passando por muitos problemas pessoais, ai fica difícil fazer tudo ao mesmo tempo, mas logo isso passa.. Chega de enrolação e vamos pra Fanfic.

Pra quem ainda não leu o Capítulo 1, vou deixar o link aqui em baixo:
Capítulo 1: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.

Eu espero que gostem da Fanfic.

Cassie Migdton
(Capítulo 2)

00

Ao abrir a porta, me deparei com uma tremenda bagunça ao lado esquerdo do quarto. Com toda certeza, a pessoa que vai dividir o quarto comigo não é nem um pouco organizada e isso já me irritava só de pensar. Lisa ficou um pouco constrangida, afinal, que bela primeira impressão.

-Então… A Cassie é um pouco desorganizada, mas, creio que não haverá problemas, é apenas questão de limites. O lado direito é seu e o esquerdo é o lado dela. -Falou.

Entrei e coloquei minha mochila em cima de um móvel.

Ainda estava em silêncio, apenas observando os meus arredores. A voz da Lisa era extremamente irritante, não aguentava mais ouvi-la ditar as regras.

-Bom! O seu uniforme está em cima da cama, e logo suas coisas vão estar aqui. Lembre-se dos horários essenciais: Café da manhã às 06:30, aulas às 07:30, almoço ao meio dia, atividades extracurriculares a partir das 14:00, lanche às 16:00 e jantar às 19:00. Todos os alunos deverão estar em seus dormitórios às 20:30, não é permitido andar pelos corredores após este horário. -Falou lendo um roteiro.

Estava morrendo de vontade ficar sozinha, quase nem ouvi direito as regras da Lisa, mas com o tempo vou me adaptando. A ansiedade tomou conta de mim por um momento, parecia que aquilo tudo não era real. Me perdi em meus pensamentos e logo a Lisa me chamou a atenção.

-Lariesce?! Vou indo… Acho que já disse o necessário, se precisar de mais alguma coisa é só me procurar. -Falou fechando a porta.

Fiquei sentada nos pés da cama, encarando o chão e pensando em como tudo iria mudar a partir de agora. Olhei pros lados e comecei a reparar o lado da Cassie. Haviam discos, pôsteres colados na parede, algumas fotografias, gibis e um monte de roupa espalhada. Levantei e senti algo cair, e lembrei do pequeno embrulhinho da Angel. Decidi finalmente ver o que era, e antes de abrir já estava com os olhos cheios de lágrimas. Era uma pulseira cheia de pingentes, dois deles eram nossas iniciais, os outros eram algo que de alguma maneira significavam algo pra gente. Dentro do papel, havia uma pequena cartinha dobrada inúmeras vezes.

“Lari, espero que goste da lembrancinha. Era pra ter te presenteado bem antes, mas queria dar no momento certo. Cada pingente significa algo, espero que lembre de cada um deles e relembre do quanto foram maravilhosos. Eu te amo!

Com amor, Angel.”

Logo fui interrompida por um tranco na porta, guardei as coisas e fingi arrumar algumas coisas na gaveta. Estava morrendo de vergonha, não conseguia nem me virar pra ver a tal garota. Tentei dar uma olhada pra trás, mas não conseguia ver nada, até que ouvi uma voz forte balbuciar algo.

-Ei. -Falou.

Me virei lentamente e sentei novamente aos pés da cama.

-Olá… Cassie, né? -Confirmei.

Ela me encarou e eu logo abaixei a cabeça.

-Sim… E o seu? -Perguntou ainda me encarando.

Fiquei totalmente constrangida, levantei a cabeça e respondi à pergunta.

-Lariesce. -Falei com o tom de voz um pouco mais alto.

Comecei a reparar na tal menina, ela parecia ter um metro e sessenta, tinha o cabelo curto e era bem branquinha. Seu uniforme estava todo despojado, nada comparado ao padrão daqui. Desviei o olhar e fiquei olhando pro chão, um piso de madeira, marrom escuro. A claridade da janela fazia o mesmo refletir a cama de Cassie.

-Eu nem sabia que você viria, foi mal pela bagunça… -Falou.

Levantei e comecei a organizar as coisas no meu lado.

-Ah, sem problemas… Parece que estamos perdidas, porque nem eu e nem você foi informada das coisas. -Falei rindo.

Cassie suspirou, ainda me encarando.

-Por que veio parar aqui? -Perguntou mudando de assunto.

-Meus pais trabalham demais e não tem tempo pra mim. E você? -Perguntei.

Ela abaixou a cabeça e deu um leve sorriso torto.

-É uma longa história… acho melhor não entrar em detalhes. -Respondeu.

Fiquei quieta e voltei a organizar minhas coisas. Logo tocou um sinal, algo estava prestes a acontecer e eu não sabia nem por onde começar.

Cassie levantou e foi em direção a porta.

-Ei… O que tenho que fazer após este sinal? -Perguntei.

Cassie parou de andar e riu.

-Ninguém nunca presta atenção no que a chata da Lisa diz. -Falou rindo.

Fiquei quieta e dei um leve sorriso.

-Esse sinal é de quando todos tem que ir pra uma reunião que acontece toda segunda. -Falou.

-Meu Deus… E eu nem vesti meu uniforme ainda! -Falei desesperada tirando minha blusa.

Cassie ainda estava lá, parada. Só observando tudo e rindo. Coloquei a blusa social da escola e fiquei meia hora tentando abotoar aqueles 15 botões.

-Quer ajuda? -Perguntou.

-Você vai se atrasar… Não precisa se incomodar. -Falei.

Cassie se aproximou e abotoou tudo na maior facilidade. Tudo ficou em silêncio, e no último botão ela me encarou, consegui ver as pupilas dos olhos de Cassie, que eram castanhos. Fiquei sem graça e agradeci imediatamente.

-Muito obrigada! -Falei.

Cassie sorriu e saiu. Tudo ficou em silêncio, e eu por um momento parei pra pensar no que tinha acontecido. Era totalmente esquisito.

O uniforme tinha ficado um pouco largo em mim, tive que me virar pra apertar aquela saia, e sim, o uniforme era uma blusa branca social de manga curta, uma saia azul marinho e meias até o joelho, me senti num colégio de freiras.

Fechei a porta e sai em direção ao tal auditório. Era incrível como não havia ninguém pelos corredores. Este lugar é imenso, comecei a ficar desesperada. Até que encontrei uma senhora da limpeza, encerando vagarosamente o chão.

-Oi, com licença… Tem como você me dizer pra que lado fica o auditório? -Perguntei.

A mulher continuou a encerar o chão e suspirou.

-É nova aqui? Tá pisando no lugar que acabei de encerar. -Falou com um tom arrogante.

Fiquei completamente vermelha.

-Me desculpa, meu Deus… -Cheguei hoje. -Falei na ponta dos pés.

-Fica pra lá, depois do banheiro. Agora sai. -Falou me enxotando.

Sai em disparada e vi uns alunos entrando em uma sala. O auditório estava completamente lotado. Fiquei tentando achar Cassie no meio daquele monte de gente, mas era quase impossível. As pessoas me encaravam, como se nunca tivessem presenciado a chegada de uma pessoa nova. Sentei em uma cadeira perto da porta, apenas esperando a reunião começar. Logo os responsáveis começaram a falar um monte de coisas sobre o colégio, reformas, regras… Um saco.

00

Após o almoço recebi um comunicado de que eu precisava escolher pelo menos 3 atividades extracurriculares, o que é extremamente chato, pois quase sempre dormia quando chegava da escola. Ajeitei minha saia, fiz um coque no cabelo e fui rumo à sala da diretora. Estava me acostumando com o tamanho da escola e logo já iria saber onde fica tudo.

Cheguei na diretoria e fiquei sentada esperando a senhorinha liberar os arquivos de um computador velho e me entregar a ficha com as opções. Após cinco minutos de espera, recebi a bendita ficha.

"Ficha de inscrição: Atividades Extracurriculares.  
[•] Teatro 

[ ] Música  

[ ] Desenho  

[ ] Dança  

[ ] Poesia 

[•] Mídia  

[•] Ciências biológicas  

Assinatura: Lariesce Parker.

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Eu sempre adorei teatro, coisas relacionadas a mídia e Biologia, acho que vou me encaixar bem nessas três atividades. Após entregar a ficha, só pensava em deitar e dormir, quando ia saindo, percebi que a Cassie estava na sala aos berros com a diretora. Fiquei curiosa, mas meu cansaço venceu mais uma vez, precisava deitar pelo menos vinte minutinhos. Fui pro quarto e me joguei na cama, e logo em seguida apaguei.
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Acordei com o quarto totalmente escuro, levantei às pressas, sem ao menos saber que horas eram. Cassie entrou no quarto de roupão e com uma toalha na cabeça.

-Que horas são? -Perguntei assustada.

-São 19:14… Tu dorme hein. Não quis te acordar… O jantar começa às 19:30, melhor ir tomar banho se não quiser se atrasar. -Falou me jogando uma sacola com toalhas dobradas.

Peguei e fui direto pro banheiro. Ao chegar haviam duas meninas conversando ao lado da pia, elas cochicharam algo e saíram rindo. Esse sinceramente é o pior tipo de gente. Eu odeio esse lugar.
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22:21 PM

Fiquei tentando dormir, mas estava completamente impossível pegar no sono. É horrível o fato de que vou demorar séculos pra me acostumar com essa cama. Estava tudo em silêncio, até que Cassie se vira de uma maneira brusca e olha em minha direção.

-Tá acordada? -Perguntou.

Fiquei surpresa e feliz, eu não era a única sem sono.

-Estou sem sono. -Falei.

Tudo ficou em silêncio.

-Se meteu em encrenca hoje? -Perguntei impulsiva.

Cassie sorriu.

-E quando eu não me meto?! As pessoas aqui não saem do meu pé. -Falou.

-Que rebeldia. O que aconteceu? -Perguntei curiosa.

-Eu não fui pra reunião e antes disso tinha faltado algumas aulas. -Falou bocejando.

-Ah, eu só me atrasei hoje… e riram de mim no banheiro. -Falei rindo.

Cassie deu uma risada baixinha e logo perguntou.

-Quem foram? -Perguntou.

-Umas meninas, uma loirinha e outra ruiva. -Falei.

-A Alice e a Sarah… Tinha que ser! -Falou rindo.

Fiquei em silêncio e logo Cassie também parou de falar. Fechei os olhos e tentei dormir, mas de maneira nenhuma meu cérebro sossegava.

-Tá afim de fazer uma coisa louca? -Perguntou rindo.

Fiquei perplexa, seja lá o que for, espero que não dê merda.

-Depende. O que? -Perguntei.

Cassie riu, levantou, colocou uma jaqueta e ajeitou o cabelo.

-Só vem. -Falou.

Estava morrendo de medo, até porque, a coisa mais fora da lei que já fiz foi chegar depois do horário marcado pela minha mãe. Como eu sou frouxa. Levantei e segui os passos de Cassie, o corredor estava iluminado apenas pelos pequenos lustres que haviam ao decorrer do corredor.

-Estamos indo pra onde? -Sussurrei.

Cassie continuou andando, sem dizer nada. Estávamos quase no bloco dos meninos, e perto de lá, ouvi uns barulhos. Parecia que estava tendo uma festa, o que me deixou surpresa, afinal, o internato não é tão bem vigiado como imaginava.

As pessoas estavam bêbadas e tinha um monte de gente jogada num só sofá. Olhei pro lado e Cassie tinha desaparecido naquele monte de gente. Sentei em um banco e fiquei observando aquilo tudo. Logo um garoto se aproximou e sentou ao meu lado. Tentei disfarçar, mas notei que ele estava me encarando. Senti um toque no meu pescoço, e me esquivei.

-Dá licença. -Falei.

O garoto insistiu e me agarrou, o cheiro de bebida exalava por todo corpo dele. Tentei me soltar e notei que algumas pessoas estavam olhando.

-ME SOLTA! -Falei com o tom mais elevado.

O garoto me soltou e de repente começou a me xingar de todos os nomes possíveis.

-Sua vadiazinha, ninguém te quer não, prostituta. -Falou cuspindo em mim.

Estava me sentindo um lixo, todo mundo me encarava. Uns riam, outros ficavam parados perplexos, mas ninguém se quer fez alguma coisa por mim. Controlei o choro e sai correndo, sem ao menos olhar pra onde estava indo. Fui parar em um banheiro sujo e me tranquei. Estava me sentindo um lixo, só queria chorar e chorar. Ouvi alguém bater na porta e por um momento, passou pela minha cabeça que seria Cassie. Sequei meus olhos e levantei, abri a porta e era um garoto, fechei a porta num solavanco só, e ele insistiu.

-Oi? Não vou te machucar, vou te levar pra fora daqui. -Falou. -Confia em mim.

Abri a porta e ele me puxou, passando por aquele monte de gente. Fomos para fora da festa e eu mal sabia quem estava seguindo.

-Acho que não me apresentei, sou James. -Falou estendendo a mão.

O cumprimentei e continuei a andar.

-E você? -Perguntou.

-Lariesce. -Respondi.

Ele sorriu e continuamos a andar.

-Eu vi o que o babaca do Marcus fez com você. Ele acha que pode comer todas as meninas que der na telha, ainda não entendo porque sou amigo dele. -Falou.

Continuei calada, e percebi que estávamos perto do meu dormitório.

-É ali. -Falei.

James me encarou e parou de andar.

-É… Então tá! -Falou sem graça.

Dei um sorriso, não sabia como agradecer a James.

-Obrig… -Falei sendo interrompida.

Um alarme estrondeante tocou, e diversas luzes foram ligadas. Um monte de gente saiu correndo, e eu fiquei parada, sem reação. James me puxou, e eu apenas fui. Não fazia ideia do que estava acontecendo.

-CORRE. FERROU. -James gritou.

Entramos em um tipo de armário, e após uns minutos o alarme parou. Uma voz começou a falar:

“A vistoria está sendo realizada. Alunos que forem pegos fora de seus dormitórios, serão severamente punidos.”

Fiquei morrendo de medo, eu precisava voltar pro quarto.

-Eu preciso ir. -Sussurrei.

James estava suando.

-Eu também, e meu quarto é no outro bloco. Relaxa. -Falou.

Ele abriu a porta bem devagar e checou o corredor.

-Tá limpo. Toma cuidado com as luzes que ficam passando pelos corredores. Quando eu disse pra você ir, você corre. -Falou.

Eu nunca havia feito uma coisa dessas, estava morrendo de medo.

James me encarou e fez um sinal com o braço.

-VAI. -Falou.

Sai correndo em disparada, e a luz foi me seguindo. Por um momento achei que ia ser pega, mas consegui chegar. Meu coração estava saindo pela boca, sentei na cama e notei que Cassie ainda não havia voltado. Ouvi passos, e eram os monitores checando os quartos. Eles estavam bem perto. Ouvi um tranco na porta e era Cassie, o cheiro de cigarro infestou o quarto inteiro, eu tinha quase certeza de que eles iriam perceber. Olhei pra ela assustada e já estava me conformando com o pior. Logo uma mulher com um uniforme preto abriu a porta, e nos encarou como se quisesse nos matar.

-Cinquenta e dois. -Falou fechando a porta.

Cassie se jogou na cama e eu suspirei fundo, eu literalmente quase enfartei.

-Você quase fodeu tudo. -Falei.

Cassie deu risada.

-Quem tá mais fodido é o dono da festa, Robert Miles. -Falou.

Me deitei e fechei os olhos. O suor estava escorrendo por toda minha testa.

-Por onde você se meteu? -Perguntei mudando de assunto.

Cassie levantou e tirou a blusa.

-Eu fui em um lugar, encontrar umas pessoas. E pelo jeito… Tu se divertiu, hein. -Falou.

Dei uma risada irônica.

-Eu fiquei igual uma tonta naquele lugar, fui assediada por um cara chamado Marcus e depois um carinha gente boa me ajudou a sair daquela zona. -Falei resumindo tudo.

Cassie se deitou novamente.

-Caralho, alguém tem que matar esse idiota. -Falou.

Fiquei quieta.

-Ele comeu metade do colégio, é o tipo do cara que não aceitar ouvir um não. -Falou irritada.

Virei pro lado e me perdi no meio dos meus pensamentos.

-Lari? -Chamou minha atenção.

-Ah, oi. Perdão. -Falei.

Cassie acendeu o abajur e me encarou, logo a encarei de volta.

-É melhor a gente dormir, já são 04:00 e acordamos às 06:00. Bom intervalo. -Falou sorrindo.

Fiquei boquiaberta e desesperada ao mesmo tempo.

-PRECISO DORMIR. -Falei.

Cassie sorriu e apagou o abajur. Tudo ficou um completo silêncio, e novamente me peguei pensando em Cassie, quem ela é realmente? A maioria das pessoas á detesta, e eu mesmo com raiva, não consegui brigar com ela. De alguma forma, Cass me proporcionou uma das noites mais incríveis que eu já tive, e mesmo que tenha me custado uma noite, estou feliz por ter ido com ela.
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O que vai acontecer no Capitulo 3? Só na na semana que vem, eu espero que tenham gostado.

Não deixa de curtir, comentar e compartilhar em suas redes sociais, isso me ajuda muito!

Beijão da Mila!

Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.

Olá meus amores, hoje eu recebi uma fanfic de uma leitora aqui do blog, ela também é uma amiga próxima minha. Eu li essa Fanfic dela inteira, gostei muito, então decidimos compartilhar um capítulo por semana com vocês, vamos revezar entre o Conto Erótico e o Livro Adolescência de Lua, assim fica mais variado pra vocês!

Eu espero que gostem da Fanfic.


Colega de Quarto – Rommate

Internato – Capítulo 1
(07:23 AM)

Acordei bem cedo, como de costume, tomei um banho e me arrumei pra escola. Estava tudo muito silencioso, até que ouvi passos, eram meus pais. Eles cochicharam e logo em seguida abriram a porta. Minha mãe sorriu e meu pai ficou de canto, encostado na porta. Por um momento, imaginei que eles viriam me dizer que alguém da família morreu, só que foi bem pior que isso.

-Bom dia! Viemos conversar um pouco sobre algumas coisas, e preciso que tenha um pouco de paciência com as decisões que iremos tomar. -Disse cautelosa.

Decisões?! Estava começando a ficar nervosa.

-Ah, pode mandar. -Falei erguendo as sobrancelhas.

Minha mãe se aproximou, e sentou na poltrona ao lado da minha cama.

-Lariesce, seu pai conseguiu uma nova promoção, e vamos ficar totalmente sem tempo pra você. -Disse olhando fixamente em meus olhos.

Meu pai continuava apenas observando, uma das manias que eu mais odiava nele.

-Pode ser mais direta, mãe. -Falei.

Ela me olhou surpresa e fechou o sorriso.

-Então decidimos te colocar em uma escola interna, á cada dois finais de semana você vem pra casa nos ver. Estávamos procurando o lugar perfeito, que tenha tudo de melhor qualidade pra você, e achamos um que você vai adorar. -Falou com o tom de voz mais alto.

Eu sinceramente não estava acreditando. Um internato?! Eu queria morrer!

Olhei pra ela surpresa e soltei o verbo.

-Um internato? Isso é sério? Quando eu finalmente me adapto ao colégio, vocês decidem mudar novamente?! -Falei com o tom de voz alterado.

Meu pai se aproximou e decidiu dar a voz.

-Lariesce! Nós queremos o melhor pra você, demoramos dois meses pra conseguir achar o lugar perfeito. Você vai se adaptar novamente, o ensino de lá é um dos melhores. -Falou.

Olhei fixamente para o chão e senti meus olhos encherem de lágrimas. Vou ter que aceitar novamente algo que não estou de acordo.

-Você começa semana que vem… Você vai adorar, eu prometo. Já está tudo resolvido na sua escola. -Falou acariciando meus cabelos.

Levantei a cabeça e me controlei para não chorar.

-Vocês ao menos deveriam ter me comunicado… Mas do que adianta? Nunca tenho escolha mesmo. -Falei nervosa.

Meus pais olharam assustados e minha mãe logo fechou a cara.

-Lariesce… O recado está dado. -Falou levantando e andando em direção á porta.

Estava cabisbaixa, prestes á desabar em lágrimas, quando senti um olhar sobre mim.

-Espero que não complique as coisas, é pior pra todo mundo, meu amor. -Disse fechando a porta.

Me joguei na cama, que ainda estava bagunçada e chorei por horas. Não chorei porque iria mudar de escola mais uma vez, chorei porque meus pais parecem não se importar com o que penso. Eles esquecem que a vida também é minha, e que também tenho minhas opiniões.
Chorei tanto até que dormi. Simplesmente apaguei. Acordei com 50 mensagens da minha melhor amiga Angel, e provavelmente ela já sabia que eu iria mudar de escola. Retornei as ligações e fiquei pensando em como disfarçar a voz de choro.

Ligação On

-Angel? Oi. -Falei.

-Lari! Onde você se meteu? Seu nome não está mais na lista da senhora Bonnie. -Falou preocupada.

-É uma longa história… Meus pais me mudaram de escola, e me matricularam em um internato em Houston. -Falei sendo direta.

-O QUE?! Não pode ser verdade. Eles ao menos te falaram que iam fazer isso? Houston é longe demais. Eu quero matar seus pais! -Falou gritando.

-Eles não me comunicaram, até porque, eles já tinham idéia de que eu nunca iria aceitar. -Falei.

-Um internato! Você já pesquisou tudo sobre ele, né? -Perguntou.

-Ainda não… as únicas coisas que fiz até agora foram chorar e chorar. -Falei.

-Xô! Sem chorar, por favor. Amanhã vou até ai, temos o final de semana inteiro. -Falou.

-Vou nessa, Angel. Beijo. -Falei desligando.

Ligação Off

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Quatro dias depois…

Angel dormiu comigo o final de semana inteiro, e acredite, já estava morrendo de saudades dela. Não sei o que vai ser de mim sem ter as teorias sem nexo que ela inventa o tempo inteiro. Ás 08:00 minhas malas já estavam prontas, e Angel já estava desesperada e mais ansiosa que eu.
Ela andava de um lado pro outro, roendo as unhas e mexendo no celular.

-Lariesce! Vai ser tudo diferente… meu Deus… Você já sabe tudo do Houston Internship, certo?! -Perguntou.

-Sim, Angel! É um internato de meninas e meninos, tem dois blocos… Enfim! -Falei.

-Eu quero ir com você… -Falou.

Minha mãe gritou nos interrompendo… E finalmente, era hora de partir. Meu coração apertou e logo eu abracei a Angel.

-Vamos! Estamos atrasados. -Gritou.

Angel me olhou com os olhos cheios de lágrimas, e me deu um pequeno embrulho cor de rosa.

-O que é? -Perguntei.

-Abre quando chegar lá. Vamos, sua mãe só falta me matar. -Falou rindo.

Desci as escadas com a Angel, e na porta de casa á abracei. Os olhares apressados dos meus pais não permitiam muito contato. Entrei no carro e me despedi de uma das melhores pessoas que conheci neste lugar. Acenei enquanto o carro andava, e ao mesmo tempo balbuciamos um: “eu te amo.”

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Após uma hora e meia, chegamos a Houston. Meus pais sorriam e logo anunciaram: É ali o internato.
Não fiquei nem um pouco surpresa ou interessada, porém, ao olhar pela janela me surpreendi com o tamanho dele. Eu já havia visto em fotos, mas pessoalmente é totalmente diferente. Havia um portal imenso, e um caminho cercado por um jardim repleto de flores. O internato era cercado por árvores, e a organização era admirável.
Meu pai estacionou e ao sair do carro, senti uma brisa fresca bater em meu rosto, fazendo meu cabelo balançar. E por um momento, me conformei com o que estava acontecendo.
Meus pais me acompanharam, e tocamos a campainha do lugar. Logo uma menina, provavelmente aluna, veio nos atender.

-Olá! Sejam muito bem vindos! Venham, por aqui. -Falou indicando o caminho.

Ao entrar, fiquei encantada com o lugar. Meus pais realmente procuraram bem. Havia uma escadaria enorme logo na entrada, um lustre e umas bancadas ao lado esquerdo. Vi uns alunos passando, e já estava detestando o uniforme.
Logo uma mulher muito bem vestida veio conversar com meus pais, e a menina me puxou para conhecer o lugar.

-Oi! Lariesce, né? -Perguntou.

Como ela sabe meu nome?!

-Ei! Isso. -Confirmei.

-Bom, eu sou a Lisa! Vou te mostrar aqui aos poucos, com o tempo você vai saber onde é tudo! -Falou risonha.

Fiquei quieta e apenas fui acompanhando tudo.

-Aqui é a parte central! Onde ficam os escritórios, salas de aula e biblioteca. Logo em seguida, temos o refeitório e a sala de televisão, que ficam a direita da parte central. Após esses dois locais, temos o bloco um, que é o bloco dos dormitórios femininos, já já te mostro seu quarto. As pessoas aqui são bem sociáveis, fica tranquila. -Falou.

Fiquei quieta.

-No bloco dois, ficam os dormitórios masculinos, a sala de música e salão de festas. No meio dos dois, tem um jardim, que é livre pra todo mundo. As pessoas costumam ficar por lá nos intervalos. Falando nisso… tudo tem horário por aqui, e atrasos não são permitidos.

Voltamos para parte central e meus pais estavam na porta me esperando para irem embora. Estava apreensiva, com vergonha e insegurança de tudo. Os abracei e logo a Lisa me entregou uma chave com uma numeração.
Fiquei dispersa, apenas observando meus pais saírem.

-Lariesce? Aqui esta sua chave.

Peguei e meu quarto era o número 324B1. Ao lado leste do bloco um.

-Vamos? Eu te acompanho. Logo você vai ter a lista de normas, seu uniforme já está em cima da sua cama. As meninas aqui dividem os quartos, sua colega de quarto é… -Falou olhando uns papéis.

Fiquei perplexa.

-Cassie Migdton… Boa sorte! -Falou abrindo a porta.


Gostaram? Quem será essa Cassie Migdton? Agora, só semana que vem!

A autora dessa Fanfic se chama Lucília Gomes, vocês podem encontrar ela no seu Instagram: luh.young

Beijos da Mila!