Fanfic: Colega de Quarto. (Part.12)

Minhas Luas, como prometido um capitulo todas semana, eu espero que gostem do capitulo de hoje.

Pra quem ainda não leu o Capítulo 1 e os outros capítulos, vou deixar o link aqui em baixo:
Capítulo 1: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 2: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 3: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 4: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 5: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 6: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 7: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 8: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 9: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 10: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 11: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.

Boa Leitura!


Capítulo 12

23h30 PM

Nem consegui digerir a comida, estava com uma insegurança que nunca havia sentido. Após o jantar fui direto pro quarto e fiquei esperando ansiosamente dar o horário pra ir até o banheiro, precisava conversar com ela. Minha colega de quarto simplesmente sumiu, o bom da Chloe é que ela quase nunca fica aqui.
Amarrei o cabelo e fui até a porta, tentei ser o mais silenciosa possível, o corredor estava um breu. Estou ficando profissional em fugir de madrugada, sei até os horários que a inspeção e a luz que passa verificando. Fui andando rápido até o banheiro e ao entrar fui puxada bruscamente. Não consegui ao menos gritar, pois alguém fechou a minha boca com uma das mãos. Estava desesperada até ouvir um sussurro e uma voz que amaciava qualquer coração furioso. Cass acendeu uma pequena luminária e ficou rindo da minha cara. Ela estava de pijama, meias e chinelo.

-Você quase me matou. -Falei.

Cass riu e me beijou no impulso.

-Estou com saudades já. -Falou me enchendo de beijos.

Cass tinha um jeito que não me fazia sentir raiva dela, por mais que tivesse meus motivos, eu simplesmente sempre à perdoava antes mesmo dela me pedir perdão.

-Eu também estou… -Falei.

Cass arqueou a sobrancelha.

-Isso não foi convincente. Está tudo bem? -Perguntou.

Fiquei em silêncio.

-Eu fiz algo? -Perguntou.

Eu estava envergonhada em dizer que estava morrendo de ciúmes da Nancy… Talvez esteja exagerando de fato.

-Pelo jeito você fez novas amizades… -Falei.

Cass riu.

-Eu já entendi tudo… É sério? -Perguntou rindo.

Fiz que sim com a cabeça.

-A Nancy é só minha amiga. Fiquei feliz em dividir o quarto com ela, pelo menos não foi com alguém desconhecido. -Falou.

Estava começando a ficar confusa… Será que Cass não vai me contar que elas já ficaram?

-Pelo menos você teve sorte, a Chloe é um saco. -Falei.

Cass estava me encarando.

-O que foi? -Perguntei.

Cass fechou o semblante, se aproximou lentamente do meu rosto, pude sentir sua respiração.

-Do que você tem medo? -Perguntou com os lábios grudados nos meus.

Eu não tenho mais controle de mim, eu não sei ao certo o que ela me causava. De alguma forma ela tinha o total controle do meu ser. Me afastei, estava com o coração à mil.

-Você já ficou com ela, né? -Perguntei.

Cass ficou em silêncio.

-Por que você não ia me contar? -Perguntei.

Cass revirou os olhos.

-Não via necessidade, isso é passado e não vejo motivo pra voltar e criar algum tipo de discórdia entre nós. -Falou.

Eu realmente acho que estou exagerando e ela tem razão… Estou morrendo de vergonha.

-Eu sei… Eu só estou me sentindo insegura. -Falei.

Cass encarava o chão.

-Quem te contou? Foi o August? -Perguntou.

Fiquei em silêncio.

-De qualquer forma… Quem está no meu presente é você, não a Nancy. Já acabou e eu amo você, como nunca amei ninguém. -Falou acariciando meu rosto.

À beijei e por um momento havia esquecido de tudo.

-Bom… Você já foi mais sexy quando dormia comigo, ainda bem que deixou de ser. -Falei rindo.

Cass riu e me deu um tapinha no braço.

-É né! Se continuar reclamando eu visto aquela lingerie que você adorou no dia em que fomos pra casa da Carlie. -Falou me olhando com um olhar malicioso.

Fiquei pensativa.

-E a Carlie? Aquele caderninho era bizarro… -Falei.

-Realmente, ainda bem que não vi. -Falou.

Tinha me esquecido completamente dessa história.

-Ela é uma médica serial killer. -Falei.

Cass arregalou os olhos.
Estava tentada à pesquisar mais sobre, fiquei inquieta.

-Eu conheço essa expressão… Nada disso, deixa essa mulher pra lá. -Falou.

Dei risada.

-Só queria saber mais, fiquei curiosa. -Falei.

Ouvi passos e Cass me agarrou pela cintura. Tinha alguém vindo e eu comecei a me desesperar.

-Acho que é outro aluno. -Sussurrou.

Fiquei em silêncio.

Cass me soltou e abriu lentamente a porta, deixando apenas uma fresta para conseguir enxergar algo.

-É, realmente era uma aluna. Mas… acho que é melhor irmos. -Falou.

Fiz que sim com a cabeça. Cass fechou a porta e me beijou. Ficamos alguns segundo bem pertinho, uma olhando pra outra. Sai bem devagar, e fui sem pressa pro dormitório. Estava aliviada e feliz. Notei uma movimentação estranha dentro do quarto e abri rápido. Tinha um cara pelado em cima da minha cama.

-Que porra é essa? -Gritei.

Ele levantou ás pressas e pegou minha coberta para se cobrir.

-Larga isso. Que nojo… -Falei tapando os olhos.

Chloe estava apagada, nua, totalmente fora de si.

-Foi mal, esquisitinha. -Falou vestindo-se.

-Vaza daqui. -Gritei.

Ele saiu às pressas. E eu com medo de dar um beijinho na minha namorada… Estava totalmente desacreditada. Olhei ao redor e vi entorpecentes no chão. Chloe tentou levantar mas ela estava totalmente sem força. Tentei ajudá-la e ela vomitou tudo.

-Calma… -Falei segurando seu cabelo.

A cobri e levei ela até o banheiro.

-Me solta, sua idiota… -Falou desfalecendo nos meus braços.

A minha sorte é que não havia ninguém no banheiro e nem no corredor. Não acredito que estava me arriscando pra ajudar essa mal agradecida.
Esperei a água esquentar a coloquei ela dentro do chuveiro. Chloe sentou no box e começou a chorar muito. Confesso que fiquei sem reação, mas por um momento, senti pena e vontade de protege-la.

-Vai ficar tudo bem. -Falei.

Notei que havia sangue escorrendo de suas pernas, eu entrei em choque.

-Chloe? O que ele fez com você? -Perguntei desesperada.

Eu espero que não seja o que estou pensando que é.

Desliguei o chuveiro e a enrolei em uma toalha. Sentei ela em um dos bancos do banheiro e segurei uma de suas mãos.

-Vou te levar à enfermaria. -Falei.

Chloe segurou meu braço de maneira agressiva.

-Não… Eu não quero ir e você tem que prometer que isso nunca vai sair daqui. -Falou olhando no fundo dos meus olhos.

Eu juro que gostaria de entender o porquê, ela foi agredida e… simplesmente não quer justiça.

-Mas… Chloe isso realmente vale a pena? Se esconder da sua própria realidade… -Perguntei.

Chloe estava amolecida, quase dormindo no banco.

-A questão é que ele é meu namorado e eu estava usando droga e transando com ele. -Falou grogue. -Tem noção do tamanho do problema que isso vai resultar? Eu vou ser expulsa. -Falou.

Fiquei em silêncio.

Chloe começou a chorar desesperadamente e eu novamente não sabia como reagir. A levei de volta pro quarto e ela simplesmente apagou novamente. Organizei o quarto e quando finalmente me deitei, o alarme tocou.

                      06:15 AM

(Para uma melhor leitura, ouçam The Sweeplings- Hold Me.)

Respirei fundo e rezei pra tudo ser um sonho. Estava exausta. Olhei pro lado e o quarto ainda fedia, fiz o que pude pra limpar todo vômito e o cheiro de bebida. Sentei e cocei os olhos, precisava de um banho, a noite foi longa.
Fui verificar a temperatura da Chloe e ela estava pelando, comecei a ficar extremamente nervosa. As amiguinhas dela toda manhã vem busca-la, no mínimo vão falar que eu à fiz mal. Sei que precisava leva-la ao médico, mas ela não estava de acordo, essa ida pode definir se ela fica ou não aqui. Chloe começou a ficar ofegante. Ela abriu os olhos e gritou com as mãos na barriga, olhei pro lençol e tudo estava ensanguentado. Estava em choque, precisava leva-la pra enfermaria.

-Ei, me escuta… Eu estou aqui, certo? Eu preciso levar você, me perdoa. -Falei a puxando.

Não aguentei levanta-la… O pior era ter que chamar alguém e causar o maior alvoroço.

-Lari… Por favor, não chama. Eu não, não posso… -Falou aos prantos.

Limpei seu rosto com uma pequena toalha e tirei os lençóis de cima dela.

-Chloe… Me perdoa. -Falei levantando rápido e indo em direção a porta.

Chloe gemia de dor. Seus gritos ecoavam por todo quarto e corredor.

-Ninguém pode saber que estou grávida. -Falou com o tom de voz abafado pelo travesseiro.

Meu corpo congelou, tudo fazia sentido. Isso não foi um estupro, Chloe estava abortando.
Voltei pra cama e segurei seu rosto.

-Eu não queria ter que dizer isso… Mas há possibilidade de você estar abortando e quanto mais rápido nós formos, mais chances você e seu bebê tem de ficar bem. -Falei olhando no fundo dos seus olhos.

Chloe desmaiou e foi minha chance de ir sem culpa chamar alguém. Minhas mãos estavam ensangüentadas. Abri a porta e sai correndo e gritando por ajuda. Todo internato acordou, ninguém estava entendo absolutamente nada. Um monte de gente se reuniu na porta do nosso quarto. Minha visão estava turva, meu coração estava prestes a sair pela boca. Logo uns enfermeiros saíram em direção ao quarto com uma maca.

-SAIAM DA FRENTE! RESPEITEM! -Gritei.

Ouvi alguém gritar o meu nome, olhei pro final do corredor e era Cass. Consegui ler seus lábios, ela me perguntou intermináveis vezes o que estava acontecendo e eu não consegui responder. As amigas da Chloe logo chegaram e a Nancy chorava desesperadamente no ombro da Cass.
Espero que não tenha sido tarde demais.
Sentei no corredor e tudo desabou, minhas pernas tremiam. Os enfermeiros me chamaram para explicar tudo o que havia acontecido.

00

Passou-se algum tempo e eles me dispensaram, Chloe estava melhor, e sobre o bebê… Ainda não tinha informações sobre ele.
Fui direto pro banheiro e pude tomar um banho que lavou minha alma. Não conseguia pensar em muita coisa, mas a imagem da Nancy encostada em Cass só se repetia inúmeras vezes.
Saí do banho e Nancy estava na sentada me esperando.

-O que aconteceu com ela? O que você fez? -Gritou.

Fiquei imóvel.

-Vocês realmente são muito próximas, né? -Perguntei.

Nancy andava de um lado para o outro.

-Somos melhores amigas, Lariesce! -Gritou.

Apenas fiquei tentando digerir que tipo de melhor amiga não sabe que a outra está grávida.

-Então você sabia que ela estava grávida? -Perguntei.

Nancy arregalou os olhos e começou a chorar.

-Imaginei… -Falei saindo.

Nancy puxou meu braço.

-Espera… Tudo faz sentido, ela estava passando muito mal, mas eu nunca imaginei, ela vive fazendo dietas malucas… Meu Deus… Os pais dela vão mata-la. -Falou num fôlego só.

Fiquei em silêncio.

-Olha… Não tenho nada a ver com a história de vocês. Sua melhor amiga quase morreu, espero que fique atenta a partir de agora. -Falei.

Nancy ficou em silêncio.

Estava furiosa, esgotada… Só preciso deitar.
Todos me encaravam pelos corredores. Entrei no quarto e tudo estava limpo.
Me atirei na cama e fiquei torcendo pra mais nada acontecer.

00
16:18 PM

Apaguei o resto do dia. Meu corpo estava completamente doído. Decidi ir pra atividade extracurricular de Biologia e precisava me apressar pois começava às 16h30.
Coloquei o uniforme, escovei meu cabelo e fui correndo pra lá. Fazia tempo que não frequentava absolutamente nada, mal ia para as aulas. Meu boletim nunca esteve tão caído.
Entrei e senti todos os olhares sobre mim.

-Pode se sentar, Lariesce. -Falou. -Quanto tempo! -Falou rindo.

00

Fui dar uma volta após a aula, precisava espairecer. Fui até o jardim e o cheiro dos canteiros de flor me faziam sentir falta do meu quarto… Da minha casa.
Estava me sentindo sozinha, de alguma forma parecia que só tinha a Cass e isso não estava me preenchendo totalmente.
Fui até a área esportiva e procurei por ela. Foi um constrangimento ter que passar por uma multidão de garotos. Vi August com um dos amigos do James. Fiz contato visual e ele se aproximou.

-E aí, Lari! -Falou ofegante.

August estava totalmente suado.

-Você por aqui? Isso é um milagre! -Falou rindo.

-E aí… Pois é. -Falei. -Você sabe onde a Cass está? -Perguntei.

August revirou os olhos.

-Pensei que tinha vindo me ver. -Falou rindo. -As meninas treinam na penúltima quadra, é só seguir reto. -Falou.

August tinha um senso de humor incrível, eu sem dúvida amava a sua amizade. Um garoto se aproximou e nos deu um pequeno papelzinho.

-Vai rolar uma festa na sexta, aparece por lá. -Falou. -Tudo no sigilo. -Falou rindo.

August riu e cumprimentou o garoto.

-Vamos? Vai ser legal, você precisa se divertir um pouco. -Falou.

Eu realmente estava disposta a ir… Apesar de não ter tido boas experiências em festas nesse lugar.

-Vou pensar. -Falei rindo.

Senti que August queria perguntar alguma coisa… Já estava supondo tudo.

-Lari… O que aconteceu? Há boatos de que a patricinha da Chloe está grávida. -Falou.

Como todo mundo ficou sabendo disso de repente? Estou me sentindo uma fofoqueira sem ao menos ter espalhado algo.

-Quem te disse isso? -Perguntei.

August ficou em silêncio.

-Que seja… Não espalhe nada sem saber realmente da verdade, ok? Eu preciso ir. -Falei saindo.

Estava de saco cheio, não consigo confiar nem no August mais. Cheguei na penúltima quadra e o jogo tinha acabado. Fui ao vestiário e procurei por Cass. As meninas estavam enfurecidas.

-Menina, você não pode entrar aqui se não participar do treino. -Falou.

-Você viu a Cassie? -Perguntei.

A garota deu um grito.

-CASSIE! Tem uma garota te procurando. -Gritou.

Todas me encararam.

Cass saiu de um dos banheiros de toalha.

-Lariesce?! O que tá fazendo aqui? -Perguntou me levando pro canto.

-Eu só queria te ver e explicar a situação. -Falei.

Cass ficou inquieta e olhando pros lados.

-Isso não pode acontecer de novo, ok? Se o treinador te pega aqui vai dar o maior problemão. -Falou.

Estava estressada demais pra qualquer coisa.

-Cara… Me desculpa. Estou indo. -Falei.

Cass ficou em silêncio, me olhando com um semblante de frustração. Estava muito nervosa e confusa.

-Me encontra no mesmo lugar de ontem, por favor. -Sussurrou.

Vi Nancy sair de toalha do outro banheiro. Ela me olhou de cima em baixo e fechou a cara.

-Ué? Virou bagunça? -Gritou.

Cass me olhou assustada. Nancy se aproximou e perguntou com um olhar malicioso para Cass:

-Não sabia que estava curtindo gente desequilibrada. -Falou. -Você não era assim… -Falou.

Estava quase explodindo, metade do vapor daquele banheiro saía de mim.

-Nancy, me deixa em paz, valeu?! -Falou furiosa.

Sai ás pressas do vestiário, estava em prantos. Parece que o mundo estava nas minhas costas, eu odeio esse lugar, com todas as minhas forças.

-Lari, espera… Por favor. -Falou me seguindo.

Continuei à andar e tentei ignorar Cass. Logo o treinador chegou e mandou ela voltar pro vestiário. Estava me sentindo um lixo, insegura e imatura. Espero que as coisas melhorem, estou a ponto de pedir pra voltar pra casa.

Continua…


Meus amores, eu espero que tenham gostado do capitulo de hoje, semana que vem tem mais!

Beijinhos da Mila!
Gratidão!

Fanfic: Colega de Quarto. (Part.9)

Silêncio. (Capítulo 9)

00

Me corpo estremeceu, fiquei imóvel. Não conseguia olhar pra trás, pois sei que se olhasse, não conseguiria seguir. Cassie acelerou o passo e me abraçou por trás. Fechei os olhos e desabei, me virei e ficamos bem perto uma da outra, senti sua respiração bem de perto, vi suas pupilas dilatarem e conseguia ouvir seu coração bater acelerado.

-Eu nem acredito que está aqui. -Falou ofegante.

Fiquei em silêncio e a beijei. Meu corpo inteiro se arrepiou, senti algo que eu nunca havia sentido antes. A empurrei pra porta e a tranquei, continuamos a nos beijar, nossos corpos se uniram, como um só. Cass beijava meu pescoço e ao mesmo tempo desabotoava minha blusa, seus lábios percorriam por todo o meu corpo. Nos deitamos e por um momento não acreditei no que estava fazendo, fiquei insegura.

-Fiz algo errado? -Perguntou.

A beijei e ela ficou em cima de mim, tirei seu sutiã e beijei lentamente seus seios, pude sentir seu corpo arrepiar. Ficamos alguns minutos sentadas, entrelaçadas, em silêncio, sentindo o corpo uma da outra.

-Você é linda, Lariesce. -Sussurrou.

Continuamos a nos beijar, suas mãos deslizavam sob o meu corpo, que ao chegar no quadril, subiam rapidamente, como se ela não estivesse segura do que estava prestes a fazer. A encarei e ela abaixou minha saia, devagar, delicadamente. Estava morrendo de vergonha, mas eu não queria parar. Queria aproveitar a Cass ao máximo, pois provavelmente eu irei mudar novamente. Ela subiu e me beijou, lentamente. Foi beijando meu pescoço, meus seios, minha barriga e cintura. Meu corpo dançava nos seus lábios.

00

[…]

Acordei grudada em Cass, com seus olhos castanhos me decifrando e um leve sorriso torto. Senti minhas bochechas ficarem quentes, estava morrendo de vergonha. Levantei e me cobri. Senti seu olhar nas minhas costas.

-Você fica linda dormindo. -Falou sorrindo.

-Imagino. -Falei rindo.

Cass deu risada.

-Suas roupas estão ali. -Falou apontando pra cômoda.

Queria me enfiar em um buraco e não sair mais. Fiz um coque no cabelo e sentei, estava só de roupas íntimas. Ao sentar ouvi a porta bater insistentemente. Cass levantou rapidamente e abotoou sua camisa.

-Lariesce, abra essa porta, precisamos ir. -Falou batendo.

Coloquei minhas roupas e ajeitei o lençol.

-Ir pra onde? -Perguntou.

Fiquei nervosa e sem saber o que fazer.

-Eu vou te explicar. -Falei.

Abri a porta e dei de cara com meus pais e a Lisa, a mesma menina que me apresentou o internato.

-Onde você se meteu? Ficamos iguais loucos te procurando. -Falou. -Suas coisas estão na recepção. -Falou saindo.

-Lariesce, me explica isso, por favor. -Falou puxando meu braço.

Lisa ficou nos encarando.

-Não contou pra sua colega de quarto? -Perguntou. -A Lari infelizmente foi tirada do internato após aquele ocorrido. -Falou num fôlego só.

Cass me olhou com lágrimas nos olhos, seus olhos demonstravam o tamanho da frustração que ela estava sentindo. Comecei a chorar em seguida.

-Eu ia te contar, mas tudo aconteceu rápido demais. -Falei aos prantos. -Eu não quero ir, eu não quero. -Falei desesperada.

Cass ficou perplexa, sem saber o que fazer. Peguei suas mãos e a encarei.

-Tive uma ideia. -Falou.

Por um momento notei que Lisa ainda aguardava no lado de fora do quarto.

-Lisa? Diga a eles que ela já vai. Só vamos nos despedir do pessoal. -Falou sorrindo.

Fiquei sem entender, muitas coisas se passavam pela minha cabeça, mas não tinha noção do que Cass iria fazer.

-Coloca algumas coisas nessa mochila. -Falou.

-Vamos fugir? -Perguntei assustada.

Cass continuou a arrumar e eu só continuei a acompanhá-la. Pegamos algumas coisas e saímos correndo pelo corredor, que por um milagre estava vazio. Tudo parecia conspirar ao nosso favor.

-Eu sei uma saída. -Falou entrando em um quarto de limpeza.

Aquele lugar fedia a mofo.

-Como você sabe desse lugar? -Perguntei nervosa.

-Só me segue. -Falou.

Entramos em uma portinha, que dava pro lado de fora do internato. Estava muito nervosa e assustada, não sabia o que estava fazendo, eu não tive tempo pra pensar, talvez isso tenha sido bom, caso contrário estaria indo embora novamente.
Cass sabia várias passagens, agora eu sei porque ela sumia de vez em quando.

-Vem, toma cuidado, está tendo ginástica logo ali. -Falou abaixando atrás de um arbusto.

Estava tremendo e pensando seriamente em abandonar tudo. Um lado me dizia pra voltar e tentar convencer todo mundo e o outro só me fazia querer acompanhar ela.

-Lari? Vamos! -Falou levantando.

Me perdi em meus pensamentos e por um momento percebi que precisava decidir se iria. Fiquei parada, pensando em tudo e nas consequências, Cass me olhava sem entender e fazia um sinal com uma das mãos.

-Lari? Está esperando o que? -Gritou.

Olhei pros lados e decidi ir, não iria mudar a decisão dos meus pais.
Corri até Cass e subimos em uma grade, atrás do internato.

-Vem, segura na minha mão. -Falou estendendo o braço.

Quando estava prestes a sair, notei que Augusts me observava de longe. O encarei de volta e tentei balbuciar algumas palavras.

“Eu preciso fazer isso. Não vou demorar.”

August fez que sim com a cabeça e eu terminei de pular a grade. Eu não estava acreditando no que estava fazendo e acho que nem Cassie estava muito confiante.

-Para onde vamos? -Perguntei.

Cass ficou em silêncio. Estava tremendo, assustada e receosa.

-Cassie! -Aumentei o tom voz.

Cass parou e me encarou.

-Lari, dá pra esperar? Estou tentado
pensar. -Falou com o tom de voz elevado.

Fiquei assustada e um medo me cobriu por inteira.
Cassie ficou uns minutos em silêncio, estávamos na entrada de uma pequena floresta, a mesma que eu podia ver do nosso quarto. Por um momento me deu vontade de voltar, aquilo tinha muita chance de dar errado.

-Lariesce? Você tem algum dinheiro? -Perguntou.

Revirei meus bolsos e minha mochila, tinha 20 dólares e um chiclete de menta.

-Só tenho isso. -Falei.

Cass riu.

-Eu tenho 35 dólares, dá pra pegar um ônibus. -Falou.

Estava tentando descobrir onde Cass queria nos levar.

-Para onde vamos? -Perguntei.

Cass continuou a andar e me respondeu num tom de voz baixo, gaguejando um pouco.

-Pra Austin. -Falou.

Fiquei receosa, mas eu tomei essa decisão e agora tenho que ser madura o suficiente pra enfrentar, sem reclamar.

-Vamos ficar na casa da minha prima Marie. -Falou.

Pelo menos temos um destino, porém, Austin fica um pouco longe de Houston e temos só 55 dólares, é muita loucura.

-E o dinheiro vai dar? -Perguntei.

Cass parecia tranquila e o semblante confuso que ela estava tinha desaparecido. Confesso que me tranquilizou.

-Acredito que sim, duas passagens devem ser menos de 20 dólares. -Falou. -O terminal é logo ali. -Falou.

O terminal parecia abandonado, mas pelo incrível que pareça tinha um homem trabalhando. Aquele lugar estava caindo aos pedaços.

-Oi, bom dia! Quanto tá a passagem pra Austin? -Perguntou.

Fiquei calculando a distância e não tinha passagem de ônibus pra Austin, só de avião.
O homem deu uma gargalhada estrondeante.

-O que foi? -Cass perguntou nervosa.

O homem fechou a cara e puxou um pequeno mapa do Texas.

-Estamos nesse ponto aqui, Austin é aquele ponto ali. Não tem ônibus que leve até lá. -Falou.

Fiquei quieta, pois eu sabia que não teria. Tomei a frente e decidi pedir informações.

-E como fazemos pra chegar até lá? -Perguntei.

Tudo ficou em silêncio e o homem nos olhou desconfiado.

-Olha… Porque querem ir pra lá? -Perguntou.

Cass fechou a cara.

-Não é da sua conta. -Falou.

O homem fechou a cara e guardou o mapa.

-Muito bem, sem informação pra vocês. -Falou.

Fiquei aborrecida e cutuquei Cass.

-Senhor… me desculpa. Queremos encontrar nossa mãe, problemas de família. Por favor, tem como me dizer? -Perguntei.

O homem suspirou e colocou o mapa na mesa novamente.

-Bom, vocês vão pegar um ônibus aqui e ir até a última parada. Lá tem o aeroporto, que fica um pouco distante do terminal, ai vocês pegam uma carona, ou outro ônibus. -Falou.

Cass havia saído e estava me esperando do lado de fora. Agradeci e ainda ganhei o mapa. Ser simpática as vezes tem seus benefícios.

-Quanto é a passagem? -Perguntei.

-12 dólares, cada. -Falou.

Peguei o dinheiro e não pensei duas vezes. Saí e Cass estava emburrada.

-Olha! Temos tudo direitinho, deu 24 dólares tudo. -Falei.

Cass olhou e riu.

-Você fica linda animadinha. -Falou me dando um beijo.

Logo ouvi um berro.

-Ei! Vocês não eram irmãs?! -Gritou.

O ônibus chegou e em seguida entramos. O homem ficou do lado de fora pedindo pra parar o ônibus.

-Cara, que trouxa. -Falei rindo.

Cass sorriu e senti seus dedos entrelaçarem nos meus.
Estava com medo, mas sentia que tinha feito o certo. Essa é a maior aventura da minha vida.

00

18:30 PM

Após quase quatro horas de viagem, finalmente chegamos. Estava faminta, mas, tínhamos que arrumar dinheiro pra passagem de avião ainda.
Cass mordeu uma barra de cereal e me deu a metade.

-Estou exausta. -Falou.

Fiquei sentada, encarando o chão e percebi que estávamos de uniforme.

-Precisamos tirar isso, se vierem nos procurar, a primeira coisa que eles vão dizer é que estamos de uniforme. -Falei.

Cass riu.

-Acha que alguém vem me procurar? -Perguntou.

Fiquei em silêncio. Cass revirou a bolsa e pegou um maço de cigarros, colocou um entre os dentes e o acendeu.

-Se eles vierem, é por causa de você. -Falou dando um trago.

Fiquei incomodada e notei que Cass estava aborrecida com alguma coisa.

-O que você tem? -Perguntei.

-Estou cansada, Lariesce. De tudo, de todos. Ninguém tá aí pra mim. -Falou com tom de voz alto.

Fiquei em silêncio e fechei a cara.

-Aconteceu aquele monte de merda comigo também e ninguém se quer ligou pra saber se eu estava bem. -Falou.

-Você não pode me culpar por isso. Você acha que meus pais são maravilhosos porque vão a escola decidir minha vida? -Perguntei.

Cass suspirou.

-Eles NUNCA me deram atenção e muito menos se preocuparam com o que eu pensava. Me mudei doze vezes e sempre fui criada por babás. -Gritei.

As pessoas nos encaram e cochichavam entre si.

-Acho que não estamos aqui pra discutir quem tem a pior vida. -Falou.

Ficamos em silêncio por algum tempo.

-Então para de agir como se eu fosse a mimadinha e você fosse uma fodida que ninguém liga. Eu ligo pra você, eu ligo tanto que decidi largar minha vida pra te seguir. -Falei.

Cass apagou o cigarro e levantou.

-Temos que ir. -Falou séria.

Levantei e continuamos a andar.

00

Passaram-se algumas horas e já não sabíamos o que fazer.

-Vamos ter que pedir carona. -Falou. -Não temos dinheiro suficiente pra um ônibus. -Falou.

Amarrei o cabelo e coloquei uma blusa de frio.

-E muito menos grana pra passagem de avião. -Falei.

Cass me olhou aborrecida.

-Então é isso? Vamos ficar presas nessa merda de terminal sujo? -Perguntou.

Fui até a rodovia e fiz sinal para alguns carros. Ninguém parava, estava começando a desistir, até que um carro preto parou. O vidro abaixou lentamente e era uma mulher loira com uma menina, aparentava ter uns doze anos.

-Querem ir pra onde? -Perguntou.

-Pro aeroporto. -Falei.

A mulher pensou e destravou as portas.

-Pode entrar. -Falou.

Ficamos receosas e apertamos a mão uma da outra, porém decidimos entrar.
O carro todo ficou em silêncio, até que a mulher puxou assunto.

-O que duas meninas tão novas fazem a essa hora em um terminal? Estão perdidas? -Perguntou.

Cass cochilava no meu ombro.

-Nos perdemos dos nossos amigos, agora precisamos voltar pra Austin. -Falei.

A filha dela colocou o som no volume máximo.

-Amber que falta de educação. -Falou desligando.

Cass acordou no susto.

-Tá tudo bem? -Falou grogue.

Fiz carinho no cabelo dela e a coloquei pra descansar novamente.

-Se quiserem passar uma noite lá em casa. Moro próximo ao aeroporto. -Falou sorrindo.

-Não, mãe! -Amber gritou.

Fiquei constrangida.

-Não precisa, a gente se vira. Obrigada. -Falei agradecendo.

-Eu insisto! Vamos! -Insistiu.

Pensando bem, era arriscado aceitar algo de uma estranha, porém, estávamos famintas e precisando de um banho. Acordei Cass e expliquei a proposta.

-É muito arriscado. -Sussurrou.

Fomos interrompidas pela mulher.

-Meninas, estamos bem perto da minha casa. Tem certeza que não querem? Eu não vou matar vocês. -Falou rindo.

Nos encaramos e decidimos aceitar, com um pé atrás.

-Meu nome é Carlie. -Falou.

Ela estacionou o carro e saímos. Ela morava num casarão.
Entramos e a primeira coisa que fizemos foi agradecer.

-Meninas, o quarto de visitas é lá em cima. Tem toalhas e algumas coisas pra vocês tomarem banho. -Falou apontando.

A filha dela saiu ás pressas e se jogou no sofá.

Subimos e quase nos perdemos nos corredores daquela casa. Entramos e fechamos a porta. Sentei na cama e fiquei em silêncio, só pensando no que estava acontecendo. Cass sentou do meu lado e arrumou meu cabelo.

Cass levantou e foi pro banheiro, tirei minhas roupas e vesti um roupão que estava atrás da porta.
Decidi ir até ela, o banheiro estava bem quentinho, o espelho todo embaçado. Abri a porta e fiquei observando ela tomar banho. Cada curva, cada movimento.
Cass se virou e se cobriu com as mãos. Abri o vidro e abaixei meu roupão. E novamente estávamos juntas.

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Olá meus amores eu sei que demorei pra postar a continuação, ando nunca correria e meio perdida pra conciliar o blog e a faculdade, mas como eu sempre disse: eu sempre estou por aqui. E as meninas também estão postando, então acompanhe muito elas, mas se preparam também porque estou organizando uns posts pra essa semana.

Obrigada por todo carinho, pelos acessos, pela paciência comigo, eu sou muito grata a vocês, por tudo.

Beijos da Mila, até a próxima!

Gratidão!

Fanfic: Colega de Quarto – Rommate. (Part.4)

Gente, hoje é a continuação da Fanfic, daquela leitora e autora: Lucília Gomes.
Quero pedir desculpa pela demora, mas estou passando por muitos problemas pessoais, ai fica difícil fazer tudo ao mesmo tempo, mas logo isso passa..
Chega de enrolação e vamos pra Fanfic.

Pra quem ainda não leu o Capítulo 1, vou deixar o link aqui em baixo:
Capítulo 1: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 2: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
Capítulo 3: Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.

Eu espero que gostem da Fanfic.

Boa Leitura!


Fanfic: Colega de Quarto – Rommate.
(Part.4)

Segredos.

03:54 PM

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Fechei os olhos e senti a respiração de Cassie no meu pescoço.

-Clarie? O que foi? -Perguntou se afastando.

Continuei a chorar e fiquei em silêncio.

-Ei? -Falou tirando meu cabelo do rosto.

Me virei e sentei no canto da cama.

-O que houve? -Perguntou.

Não consegui dizer, só conseguia chorar. Aquilo tudo doía, e o pior é que eu sabia o quanto Cassie estava sofrendo também, só que perdi o total controle de tudo.
Cassie se aproximou e me abraçou, assim como havia feito com ela, e por um momento, me senti bem. Senti seu coração acelerar e logo me afastei um pouco de Cass.
Cass me olhou intrigada.
Fiquei em silêncio e logo as coisas se acalmaram.

-Eu sai com um garoto… -Falei nervosa.

Cass me encarou e logo desviou o olhar.

-E… -Falou.

Fiquei perplexa.

-Ele parecia ser um cara legal, me chamou pra sair e eu fui depois do jantar. -Falei.

Cassie ficou inquieta.

-E fomos para um lugar mais reservado, um galpão enorme, com quartos, mesas… E ele bebeu demais. -Falei.

Cassie continuou a me ouvir, seus olhos brilhavam.

-O que ele fez? -Perguntou nervosa

Respirei fundo e decidi dizer tudo de uma vez.

-Ele me beijou, e eu até gostei no inicio… Só que ele foi longe demais, e eu dei um fora nele e saí as pressas de lá, e pra variar, ele me chamou de vadia. -Falei num fôlego só.

Cassie ficou boquiaberta.

-Imaginei um estupro. -Falou.

Fiquei cabisbaixa.

-Sei que não é o fim do mundo, mas eu fiquei muito mal. -Falei.

Cassie acariciou meu rosto.

-E tem razão… Quem foi o idiota? -Falou.

Fiquei em silêncio, não sei se deveria expor.

-James? -Perguntou.

E no chute, ela acerta.

-Sim… -Falei.

Cassie me olhou surpresa e encostou as costas na parede.

-Era de se imaginar, ele anda com a raça porca da escola. -Falou.

Fiquei em silêncio. Cada vez mais eu tinha certeza da tremenda burra que fui ao pensar que ele era um cara legal.
O quarto ficou em total silêncio e logo minha curiosidade voltou.

-Mas… e você? Por que estava chorando? -Perguntei.

Cassie engoliu seco.

-Ah… eu tenho algumas crises. -Falou.

-Trate de contar isso direito. -Falei com tom de voz desconfiado.

Cassie ficou inquieta.

-É…

Cassie me encarava de um jeito que só ela sabia fazer. Não conseguia retribuir as encaradas, de alguma maneira ela me deixava sem graça.
O silêncio invadiu o quarto, meus olhos estavam pesados e o cansaço me consumia.

-Eu tenho problemas pra lidar com minhas emoções, a maior parte do tempo tento me controlar, pois sei que por menos que seja as coisas, elas me afetam de maneira brusca. -Falou.

Os pássaros cantavam e a luz do sol entrava por uma pequena fresta da janela.

-Mas… O que tem te incomodado tanto? -Perguntei sendo um pouco invasiva.

Ela suspirou e abaixou a cabeça.

-Não sei se é legal dizer, mas eu preciso, e de alguma forma confio em você. -Falou me encarando.

A fresta de luz batia em um de seus olhos, permitindo observar cada detalhe.

-Meu padrasto convive com minha mãe desde quando meu pai faleceu… As coisas só pioraram quando eu completei 12 anos, ele se viciou em álcool e toda vez que ele bebe, ele fica agressivo. Ele acha que eu sou a discórdia no casamento e minha mãe está completamente cega por ele. Não é atoa que estou aqui. -Falou com a voz trêmula.

Cassie estava segurando ao máximo para não chorar, e eu estava sem jeito, tentando arrumar palavras pra consolar ou ajudá-la de alguma forma.
A abracei em um solavanco só, e ela desabou no meu ombro. E eu… tentei ser forte, porque ela precisava mais de mim do que eu dela.

-Você não um problema, você é maravilhosa, Cass… -Sussurrei.

Tudo ficou em silêncio e apagamos uma do lado da outra.

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06:29 AM

Acordei abraçada com Cass, e confesso que levei um baita susto. Olhei o relógio e por incrível que pareça, se eu correr eu consigo assistir a primeira aula.
Cass abriu os olhos e coçou a cabeça.
Fiquei encarando o chão até que senti um empurrão, tinha sido atingida por um travesseiro logo cedo.
Dei um sorriso e ela sorriu de volta.
Levantamos ás pressas e fomos direto pro banheiro.

-Aqui é bem vazio esse horário. -Falou ligando a ducha.

-Essas são as poucas vantagens de acordar tarde. -Falei tirando minha blusa.

Cass encostou na pia e ficou me encarando.

-O ruim é que a água não fica muito quente esse horário. -Falei tentando desviar o olhar de Cass.

Ela ficou com um sorriso entreaberto e eu fiquei completamente envergonhada.

-Cassie? Você não vai tomar banho? -Perguntei rindo.

Ela deu um pulo e ficou mais vermelha que um tomate.

-Ah! Claro. -Falou entrando no Box.

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Após um tempo nos desencontramos e não iriamos nos ver tão cedo. Cassie desaparecia durante o dia.
Fui andando até a biblioteca e vi James encostado em um dos armários. Ele me encarou e virou a cara, com um ar de total desprezo. Eu realmente queria enfiar meu rosto em um buraco.
Ouvi uns cochichos e entrei na biblioteca.
Peguei uns três livros e estipulei duas semanas pra acabar os três, preciso manter minha mente ocupada.
James e uns meninos estavam rindo e me encarando, fiquei totalmente sem graça e me controlando pra não sair correndo. Fingi não ouvir e continuei a folhear as páginas.
Senti alguém se aproximar e se sentar ao meu lado. Tentei ignorar, até que ouvi uma voz rente ao meu ouvido.

-Então é fácil assim? Me encontra no quartinho mais tarde também. -Falou saindo.

Meu corpo gelou e me fiz de tudo pra não desabar na frente daqueles idiotas. Me levantei e sai ás pressas. Entrei no primeiro banheiro que vi e me tranquei em uma das cabines. Eu só queria chorar.
James acabou com toda dignidade que eu tinha, e de uma hora pra outra, todos sabiam que eu havia saído com ele.

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Após um tempo lavei o rosto e deixei os livros no quarto. Tentei me manter forte, afinal, não queria deixar Cassie na mão, prometi pra mim mesma que iria encoraja-la todos os dias.
Todo dia de manhã iria deixar um post-it colado em algum lugar, sem que ela saiba ou espere. O primeiro do dia foi na cabeceira da cama dela, nele estava escrito: “você é suficiente, pra mim e principalmente pra si mesma.”
Deitei um pouco e esperei dar o horário da oficina de teatro. Meu celular tocou e era a minha melhor amiga.

Ligação On

-Larieeeeee! Me conta! Como que tá ai? -Perguntou.

-Tá indo. -Falei rindo.

-Ah! O Josh me pediu em namoro ontem, acredita? -Perguntou.

-Uau! Que evolução… Parabéns! -Falei.

-Tá ficando pra titia, hein. -Falou rindo.

-Não me interessei por ninguém e aqui nem tem tantos meninos bonitos… -Falei.

-E o encontro? -Perguntou.

Fiquei em silêncio.

-Preciso desligar! Tenho que terminar umas coisas pra amanhã… Eu te amo, Larie. Beijoooo
-Falou desligando.

*Ligação Off

Nunca tinha falado tão rápido com ela e achei até melhor não entrar em detalhes. Nunca tive sorte com relacionamentos, parece que tudo conspira ao oposto de mim. Arrumei meu cabelo e notei que estava quase na hora de ir ao teatro. Estava ansiosa pra aula, o teatro liberta quem eu realmente sou, e adoro sentir a sensação de por um momento deixar de ser eu mesma e interpretar outro personagem.
Fui andando até a sala, e ao entrar vi Cassie dormindo em uma das cadeiras do fundo.
A maioria das pessoas não haviam chegado, talvez tenha vindo cedo demais.
Me aproximei devagar, na ponta dos pés e dei um grito.

-Cassieeee. -Gritei.

Minha voz ecoou por todo auditório.
Cassie levantou num só pulo e fechou a cara.

-Ai que susto, Lari! -Falou secando a boca.

Sentei do lado dela e fiquei morrendo de rir.

-Muito engraçado, hahahaha. -Falou com tom de deboche.

Passou-se algum tempo e o professor chegou com uma pilha de papéis, já era previsível o tamanho da peça que ele iria propor.
Cutuquei Cass e ela ainda cochilava. Seus olhos ficavam ainda mais claros quando ela estava com sono.

-Bom! Hoje vamos dar início a uma peça que eu particularmente gosto muito, a peça “Liers”.

Achei o nome interessante, e confesso estar empolgada.

-Os testes começam agora, quero que leiam o roteiro e assinem em baixo do personagem que vocês mais se identificam. -Falou entregando uma folha.

Dei uma lida e um dos personagens me chamou a atenção, o papel de Joane, uma das personagens mais verdadeiras e de personalidade forte. Porém, acredito que mais pessoas tenham se interessado.

-Gostei dessa. -Falei.

Cass olhou e completou:

-E eu desse cara, será que posso fazer papel masculino? -Perguntou.

Dei risada.

-Cabelo curto já tem. -Falei.

Cass sorriu de volta. Aguardamos um tempo e o teste estava prestes a começar.

-Lizzie, Carl e Joy, vocês começam a contracenar, afinal, seus personagens são amigos. -Falou.

Fiquei observando e rindo durante todo tempo. Estava torcendo pra ninguém escolher a Joane.

Após um tempo, o professor chamou nossos nomes.

-Caraca, contracenamos juntas. -Falei surpresa.

Olhei pro lado e vi uma menina, provavelmente ela iria tentar o papel da Joane também.
Cass deu sorte, o papel do menino só havia sido escolhido por ela.
Me afastei e comecei a ler algumas falas, a maioria delas.

-Bom, a peça basicamente gira em torno de uma pequena vila, que esconde segredos e mentiras por trás de mentiras. Cada personagem tem algo a esconder, e quero que vocês leiam o segredo de cada papel escolhido e pensem numa forma de colocar emoção de acordo com a intensidade que o texto pede. -Falou entregando algumas folhas.

Olhei ao redor e todos pareciam surpresos, uns faziam caras e bocas, e eu, tomava coragem de ler o segredo de Joane.
Decidi ler e fiquei surpresa, Joane era casada, e seu marido era um alcoólatra, e ela sustentava seu filho sozinha, e de noite, se prostituía pra sustenta-lo.
Fiquei perplexa, não só por ter conseguido um papel fortíssimo, mas principalmente por lembrar do que Cass havia me contado. Estava com medo de aceitar e estou com medo do que ela vai sentir.

-Pronto? -Perguntou.

Todos fizeram que sim.

-A primeira cena é da Joane lavando roupa e as vizinhas fofocando sobre ela. -Falou.

Entrei em cena e tentei incorporar a personagem, mas meu pensamento só me levava pra Cass. Notei que ela havia se escorado na parede e que começou a folhear.

-Clariesce? Tudo bem? Foco na cena. -Falou batendo palma.

Cass largou os papéis e foi correndo em direção á saída. Não resisti e disse que precisava ir ao banheiro, fui logo em seguida e esbarrei com Cass em um dos corredores.

-Tudo bem? -Falei.

Tudo permaneceu em silêncio e o som da minha voz ecoava pelo corredor.

-Eu sei, eu li a peça. -Falei.

Ela se virou e engoliu seco.

-Isso só pode ser brincadeira? Foi você que escreveu? -Perguntou com raiva.

Fiquei assustada.

-Lógico que não, e mais, nunca seria capaz de dizer algo ao seu respeito pra alguém nessa escola. -Falei me aproximando.

Cass revirou os olhos.
Sentamos no corredor e ela encostou a cabeça no meu ombro.

-Vou fazer o marido violento, sabia? -Perguntou.

Fiz que sim com a cabeça.

-Eu não sei se isso é algum tipo de teste comigo pra ver o quanto sou forte ou se é o destino rindo da minha cara. -Falou rindo.

-Acho que é apenas um papel que vai tornar você ainda mais forte. -Falei.

Ouvi passos e vozes que não me eram estranhas. Era James e outros meninos.

-Tá pegando mulher agora? -Falou rindo.

Todos riram e nos levantamos.

-O que foi? -Cass falou aumentando o tom de voz.

-A mulher macho tá querendo defender a namoradinha… Abaixa tua bola que tua namoradinha me deu ontem. -Falou rindo.

Meus olhos encheram de lágrimas e eu não consegui nem desmentir a mentira mais sórdida que já podia ter ouvido.
Cass não pensou duas vezes e deu uma sequência de socos no rosto de James.
Me desesperei e fui pedir ajuda.
James levantou numa fúria e encheu Cass de murros.
Minha visão ficou embaçada e eu só sabia chorar. Logo ouvi pessoas chegando e vi Cass no chão. Os meninos já haviam ido embora, sem deixar nenhum rastro.
Uns enfermeiros chegaram e levaram Cassie pra enfermaria e eu… fiquei sentada no corredor durante duas horas, só chorando e querendo desaparecer e acabar com tudo aquilo.
Cass estava machucada e eu só conseguia me sentir culpada por tudo, sei que logo vão saber quem fez aquilo com ela e que nada vai ficar impune, pelo menos eu espero…

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O que vai acontecer no Capitulo 5? Só na na semana que vem, nós mesmo dia e horário, eu espero que tenham gostado do capitulo de hoje!

Não deixa de curtir, comentar e compartilhar em suas redes sociais, isso me ajuda muito!